COMO VENCER A ANSIEDADE
SEM FINGIR QUE ESTÁ
TUDO BEM?
A fé não nos obriga a fingir força. Ela nos ensina a levar nossos medos,
dores e inquietações para a presença de Deus
“Não andeis ansiosos de coisa alguma; em tudo, porém, sejam conhecidas,
diante de Deus, as vossas petições, pela oração e pela súplica, com ações de
graças. E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará o vosso
coração e a vossa mente em Cristo Jesus.” Filipenses
4:6-7
Existem dias em que a mente simplesmente não consegue descansar. O corpo
está presente em determinado lugar, mas os pensamentos parecem estar em muitos
outros. Estamos trabalhando, conversando com alguém, dirigindo, participando de
um culto ou tentando dormir, enquanto interiormente nossa mente continua
revisitando conversas, antecipando acontecimentos, imaginando possibilidades e
tentando encontrar respostas para situações sobre as quais não temos qualquer
controle. O corpo está cansado, mas a mente permanece em movimento. Deitamos
para descansar e, justamente quando tudo ao nosso redor fica em silêncio, os
pensamentos parecem falar ainda mais alto.
A ansiedade muitas vezes começa exatamente assim. Não necessariamente
como uma grande crise visível, mas como uma sucessão de pensamentos que tentam
nos transportar para um futuro que ainda não chegou. “E se alguma coisa
acontecer?”, “E se eu não conseguir?”, “E se aquela resposta for negativa?”, “E
se faltar dinheiro?”, “E se meu filho tomar uma decisão errada?”, “E se o
diagnóstico não for aquilo que estamos esperando?”, “E se meu casamento não
melhorar?”, “E se tudo aquilo que construí começar a desmoronar?”. Aos poucos,
possibilidades começam a ser tratadas como certezas, e passamos a sofrer hoje
por acontecimentos que talvez jamais ocorram.
Para muitos cristãos existe ainda uma segunda batalha: a sensação de
que admitir ansiedade seria demonstrar falta de fé.
Por causa disso, aprendemos a responder “está tudo bem” mesmo quando não
está. Dizemos que Deus está no controle, mas por dentro estamos profundamente
aflitos. Encorajamos outras pessoas com versículos que, naquele momento, nós
mesmos temos dificuldade de aplicar à nossa história. Continuamos servindo,
trabalhando, pregando, cuidando da família e cumprindo nossas
responsabilidades, enquanto travamos silenciosamente uma batalha que poucos
conseguem perceber.
Precisamos começar compreendendo uma verdade fundamental: confiar em
Deus não significa fingir que não existe uma batalha acontecendo dentro de nós.
A Bíblia não nos apresenta homens e mulheres emocionalmente
anestesiados. Ela apresenta pessoas que choraram, tiveram medo, fizeram
perguntas, atravessaram perdas, viveram períodos de profundo sofrimento e,
mesmo assim, descobriram que poderiam levar tudo isso para Deus.
Os Salmos, por exemplo, estão repletos de orações nas quais homens de fé
apresentam suas angústias sem esconder aquilo que estão sentindo. Fé não é
ausência de sentimentos; fé é aprender onde depositá-los.
A ansiedade
tenta nos fazer viver amanhã antes da hora
Uma das características mais marcantes da ansiedade é a antecipação. O
problema ainda não aconteceu, mas começamos a sofrê-lo. A conversa ainda não
aconteceu, mas nossa mente já construiu vários possíveis diálogos. O resultado
do exame ainda não saiu, mas mentalmente já percorremos diferentes
diagnósticos. A resposta ainda não chegou, mas já concluímos que será negativa.
O dinheiro ainda não acabou, mas já vivemos emocionalmente como se a provisão
tivesse desaparecido. O futuro ainda não chegou, porém tentamos vivê-lo
antecipadamente.
Jesus tratou diretamente dessa tendência humana no Sermão do Monte.
Depois de falar sobre alimentação, vestuário e as necessidades da vida, Ele
declarou:
“Portanto, não vos inquieteis, dizendo: Que comeremos? Que beberemos?
Ou: Com que nos vestiremos? Porque os gentios é que procuram todas estas
coisas; pois vosso Pai celeste sabe que necessitais de todas elas; buscai,
pois, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos
serão acrescentadas. Portanto, não vos inquieteis com o dia de amanhã, pois o
amanhã trará os seus cuidados; basta ao dia o seu próprio mal.” Mateus
6:31-34
Jesus não estava ensinando irresponsabilidade. Ele não estava dizendo
que não devemos planejar, trabalhar, organizar nossas finanças ou pensar no
futuro. Existe uma grande diferença entre planejar o futuro e tentar
controlar o futuro. Planejar significa utilizar com sabedoria aquilo que
Deus colocou sob nossa responsabilidade. A ansiedade, porém, começa a nos
dominar quando tentamos assumir mentalmente o controle daquilo que somente Deus
pode controlar.
O planejamento diz: “Farei aquilo que está ao meu alcance e confiarei ao
Senhor aquilo que não está”. A ansiedade diz: “Preciso imaginar todas as
possibilidades porque, se eu não conseguir prever tudo, alguma coisa poderá
sair do meu controle”. O problema é que não fomos criados para ocupar o lugar
de Deus. Não sabemos tudo, não enxergamos tudo e não controlamos tudo. Grande
parte da nossa inquietação nasce exatamente do conflito entre aquilo que
gostaríamos de controlar e aquilo que nunca esteve sob nosso domínio.
Por isso, quando Jesus diz que não devemos nos inquietar com o amanhã,
Ele está nos ensinando a permanecer no lugar onde a graça de Deus está
disponível: o hoje.
Muitas vezes estamos tentando carregar no “hoje” um peso que pertence ao
“amanhã”, sem perceber que Deus nos dará amanhã a graça necessária para
enfrentá-lo. Não precisamos sofrer duas vezes: uma na imaginação e outra, caso
realmente aconteça, na realidade.
Deus não
nos manda negar a preocupação, mas transformá-la em oração
Filipenses 4:6-7 é um dos textos mais conhecidos quando falamos sobre
ansiedade, mas algumas vezes o utilizamos apenas como uma ordem: “Não fique
ansioso”.
Entretanto, Paulo não apenas diz
o que não devemos fazer; ele também mostra o que devemos fazer com aquilo que
está nos inquietando. Ele afirma que, em tudo, nossas petições devem ser
apresentadas diante de Deus pela oração, pela súplica e com ações de graças.
A resposta bíblica para a ansiedade, portanto, não é simplesmente
repetir para si mesmo: “Eu não posso ficar ansioso”. É transformar aquilo que
ocupa incessantemente nossa mente em assunto de oração. Aquilo que está
circulando repetidamente dentro de nós precisa ser conscientemente colocado
diante de Deus.
Talvez você esteja preocupado com um filho. Então fale dele
especificamente com Deus. Talvez seja uma dívida. Apresente os números, a
situação e sua necessidade ao Senhor. Talvez seja um diagnóstico. Fale com Deus
sobre seu medo. Talvez seja uma decisão profissional, um casamento em crise ou
uma situação sobre a qual você não possui qualquer resposta. Não faça apenas
uma oração genérica. Apresente aquilo que realmente está pesando sobre você.
O salmista nos oferece a mesma direção:
“Confia os teus cuidados ao SENHOR, e ele te susterá; jamais permitirá
que o justo seja abalado.” Salmos 55:22
Pedro também escreve:
“Lançando sobre ele toda a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de
vós.” 1 Pedro 5:7
Observe a expressão: “lançando sobre ele”. Existe algo que estava
sobre nós e que precisa ser colocado sobre Deus. A ansiedade nos convence de
que precisamos carregar tudo, prever tudo e resolver tudo. A Palavra nos
convida a reconhecer que existem pesos grandes demais para nossos ombros.
Entregar, porém, nem sempre acontece em uma única oração. Muitas vezes
oramos, entregamos e, alguns minutos depois, percebemos que retomamos
mentalmente o problema. Começamos novamente a imaginar cenários, procurar
soluções e construir possibilidades. Isso não significa necessariamente que
nossa oração foi falsa; significa que estamos aprendendo a confiar. Quando a
preocupação retornar, podemos entregá-la novamente. Quando o medo voltar,
podemos apresentá-lo outra vez. Quando nossa mente tentar retomar o controle,
podemos conscientemente afirmar: “Pai, continuo sem saber o que acontecerá,
mas continuo sabendo quem Tu és.”
Nem tudo
aquilo que nossa mente diz é verdade
Outro aspecto importante no enfrentamento da ansiedade é compreender que
nem todo pensamento que surge em nossa mente merece ser acreditado. Pensamentos
são reais no sentido de que estamos realmente pensando neles, mas isso não
significa que seu conteúdo corresponda à verdade.
Quando pensamos “vai dar tudo errado”, precisamos perguntar: isso é um
fato ou um medo? Quando pensamos “eu não vou conseguir”, precisamos questionar
se estamos diante de uma realidade ou apenas antecipando uma possibilidade.
Quando nossa mente diz “Deus me abandonou”, precisamos confrontar essa
conclusão com aquilo que a Palavra revela sobre o caráter de Deus.
Depois de falar sobre oração e paz, Paulo continua:
“Finalmente, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é respeitável,
tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa
fama, se alguma virtude há e se algum louvor existe, seja isso o que ocupe o
vosso pensamento.” Filipenses 4:8
Existe uma disciplina espiritual relacionada àquilo que permitimos
permanecer dentro de nossa mente. A ansiedade frequentemente transforma
possibilidades em certezas. “Pode acontecer” torna-se “vai acontecer”. “Talvez
dê errado” transforma-se em “certamente dará errado”. “Estou enfrentando uma
crise” torna-se “minha vida acabou”.
Precisamos aprender a interromper esse processo perguntando: O que
estou pensando é verdade? Existe evidência concreta ou estou apenas construindo
o pior cenário possível? Estou interpretando Deus a partir da circunstância ou
interpretando a circunstância a partir daquilo que sei sobre Deus?
Não se trata de pensamento positivo, muito menos de fingir que as
dificuldades não existem. Trata-se de submeter nossos pensamentos à verdade. Há
problemas que são reais. Existem enfermidades reais, crises financeiras reais,
conflitos familiares reais e situações verdadeiramente difíceis. A fé bíblica
não exige que chamemos o mal de bem nem que façamos de conta que uma situação
dolorosa seja agradável. Ela apenas nos impede de permitir que o medo se torne
o intérprete definitivo da realidade.
Faça aquilo que está ao seu alcance e entregue aquilo que não está
Há uma diferença importante entre responsabilidade e ansiedade. Se
existe uma dívida, precisamos organizar as finanças e procurar caminhos
responsáveis para resolvê-la. Se existe uma enfermidade, devemos procurar
atendimento e seguir as orientações adequadas. Se há uma conversa necessária,
talvez precisemos criar coragem e conversar. Se temos uma decisão importante
diante de nós, devemos buscar sabedoria, aconselhamento e avaliar as
circunstâncias.
Confiar em Deus não significa cruzar os braços diante de
responsabilidades que Ele colocou em nossas mãos. Entretanto, depois de
fazermos tudo aquilo que está ao nosso alcance, inevitavelmente chegaremos a
uma fronteira. Existem coisas que simplesmente não podemos controlar.
É justamente nessa fronteira que a fé começa a exercer um papel ainda
mais profundo.
“Responsabilidade é fazer aquilo que podemos; ansiedade é tentar
assumir aquilo que somente Deus pode fazer.”
Paulo compreendeu essa realidade ao escrever sobre situações nas quais
suas forças eram insuficientes. A fé cristã não nasce da ilusão de que somos
capazes de controlar tudo; ela cresce quando reconhecemos nossa dependência do
Senhor.
Talvez parte da sua ansiedade esteja relacionada à tentativa de produzir
resultados que não dependem somente de você. Você pode educar seus filhos, mas
não pode tomar todas as decisões por eles. Pode amar seu cônjuge, mas não pode
controlar cada reação dele. Pode trabalhar com responsabilidade, mas não
controla completamente a economia. Pode cuidar da saúde, mas não possui domínio
absoluto sobre o corpo. Pode planejar, mas não conhece todos os acontecimentos
de amanhã.
Reconhecer nossos limites não é derrota. É humildade. E humildade também
significa aceitar que Deus é Deus e nós não somos.
A paz de
Deus pode chegar antes da solução
Talvez um dos aspectos mais extraordinários de Filipenses 4:6-7 seja
perceber que Paulo não promete que, depois da oração, todas as circunstâncias
serão imediatamente modificadas. Ele promete que a paz de Deus guardará
nosso coração e nossa mente em Cristo Jesus.
Isso significa que a paz pode chegar antes da resposta. Podemos
encontrar paz enquanto continuamos esperando. Paz enquanto a porta permanece
fechada. Paz enquanto o resultado do exame ainda não chegou. Paz enquanto o
filho continua distante. Paz enquanto a solução financeira ainda está sendo
construída. Paz enquanto não sabemos exatamente qual será o próximo passo.
Existe uma paz que depende da circunstância. Dizemos: “Estou em paz
porque tudo deu certo”. Mas existe uma paz muito mais profunda, que nasce da
presença de Deus: “Nem tudo está resolvido, mas sei em quem tenho crido.”
Essa paz “excede todo o entendimento” justamente porque nem sempre
existe uma explicação humana para ela. Às vezes, olhando para as
circunstâncias, teríamos motivos suficientes para permanecer inquietos, mas
alguma coisa acontece em nosso interior quando colocamos nossa confiança em
Deus. A situação não mudou, mas já não estamos sendo governados por ela.
“A paz bíblica não significa ausência de tempestade. Significa que a
tempestade não possui autoridade para determinar quem Deus é.”
Talvez
precisemos trocar a pergunta “e se?” pela pergunta “quem?”
A ansiedade tem uma expressão preferida: “E se?” E se eu perder o
emprego? E se meu casamento não melhorar? E se meu filho se afastar? E se
faltar dinheiro? E se o diagnóstico for ruim? E se eu fracassar? E se aquilo
pelo qual estou esperando nunca acontecer?
Não conseguiremos responder a todos os “e se” da vida porque não
conhecemos o futuro. Porém existe outra pergunta que a fé nos ensina a fazer: “Quem
estará comigo se isso acontecer?”
Essa pergunta muda tudo. Quando Israel atravessou o deserto, Deus estava
com eles. Quando José foi vendido pelos irmãos e levado ao Egito, Deus estava
com ele. Quando Daniel chegou à Babilônia, Deus não permaneceu em Jerusalém.
Quando os discípulos enfrentaram uma tempestade, Jesus estava no barco. Quando
Paulo estava preso, a presença do Senhor não estava limitada pelas paredes da
prisão.
Deus nunca prometeu aos Seus filhos uma existência na qual nada difícil
aconteceria. A grande promessa das Escrituras é Sua presença.
O próprio Senhor declarou:
“Não temas, porque eu sou contigo; não te assombres, porque eu sou o teu
Deus; eu te fortaleço, e te ajudo, e te sustento com a minha destra fiel.” Isaías 41:10
Talvez não saibamos exatamente o que acontecerá daqui a seis meses, mas
sabemos que Deus continuará sendo Deus. Sua fidelidade não depende da
estabilidade das nossas circunstâncias. Sua graça não termina quando uma nova
crise começa. Sua presença não desaparece porque não compreendemos aquilo que
está acontecendo.
Não
enfrente sozinho aquilo que Deus não mandou você enfrentar sozinho
A ansiedade também pode produzir isolamento. Algumas pessoas, quando
estão sofrendo, fecham-se. Não querem preocupar ninguém, sentem vergonha
daquilo que estão vivendo ou imaginam que precisam demonstrar força o tempo
inteiro. Isso acontece especialmente com quem está acostumado a cuidar dos
outros: pais, mães, líderes, pastores e pessoas que normalmente são procuradas
para aconselhar e ajudar.
Mas maturidade espiritual não significa autossuficiência. Existem
momentos nos quais uma das atitudes mais corajosas que podemos tomar é
simplesmente dizer: “Eu não estou bem e preciso de ajuda.”
A vida cristã foi planejada para ser vivida em comunidade. Precisamos de
pessoas maduras que possam caminhar conosco, ouvir sem condenar, orar,
aconselhar e nos ajudar a enxergar aquilo que, em determinados momentos, não
conseguimos perceber sozinhos.
Também precisamos reconhecer que existem situações em que a ansiedade se
torna intensa, frequente e começa a comprometer o sono, o trabalho, os
relacionamentos ou as atividades mais comuns da vida. Nesses casos, procurar
ajuda profissional qualificada não significa negar a fé.
“Cuidado espiritual e acompanhamento profissional responsável não
precisam ser inimigos.”
Deus pode cuidar de nós através da oração, da Palavra, da comunhão, da
medicina e de pessoas devidamente preparadas para auxiliar.
Transformar todo sofrimento emocional em falta de fé apenas acrescenta
culpa a quem já está sofrendo.
Algumas
vezes nossa alma está ansiosa porque nossa vida nunca desacelera
Também não podemos ignorar que somos seres integrais. Corpo, mente e
emoções estão relacionados. Às vezes procuramos uma explicação exclusivamente
espiritual para tudo enquanto dormimos mal, trabalhamos além dos nossos
limites, nunca descansamos e permanecemos conectados durante praticamente todas
as horas do dia.
A experiência do profeta Elias em 1 Reis 19 é muito interessante. Depois
de um momento extraordinário de seu ministério, ele chegou ao limite de suas
forças e entrou em profunda exaustão. Antes de grandes explicações, houve
descanso e alimento. Somente depois vieram novas orientações.
Há momentos em que descansar também é uma atitude espiritual. Jesus
também respeitou limites humanos. Ele dormiu, retirou-se das multidões, buscou
lugares solitários para orar e nem sempre respondeu imediatamente a todas as
demandas ao Seu redor. Se o próprio Jesus, durante Seu ministério terreno,
demonstrou ritmos de trabalho, oração e descanso, por que imaginamos que
podemos viver permanentemente acelerados?
Talvez uma parte de nossa ansiedade esteja sendo alimentada por uma vida
que nunca silencia. Acordamos olhando notificações, passamos o dia recebendo
informações e terminamos a noite diante de uma tela. Nossa mente praticamente
nunca recebe a mensagem de que pode descansar.
Precisamos recuperar momentos de silêncio, oração, leitura da Palavra,
descanso e comunhão verdadeira. Não como técnicas para “esvaziar a mente”, mas
como oportunidade de nos lembrarmos novamente de que o universo continua
funcionando quando paramos. Deus continua sendo Deus enquanto dormimos.
A gratidão
nos ajuda a lembrar daquilo que a ansiedade nos faz esquecer
Paulo não fala apenas de oração e súplica; ele acrescenta ações de
graças. Isso é profundamente significativo porque a ansiedade direciona
nossa atenção quase exclusivamente para aquilo que pode dar errado, enquanto a
gratidão nos lembra da fidelidade que Deus já demonstrou.
Quando nossa mente pergunta “e amanhã?”, talvez seja importante também
olhar para ontem.
Quantas vezes Deus já sustentou você? Quantas situações pareciam
impossíveis e foram superadas? Quantas vezes você pensou que não conseguiria
continuar? Quantas portas foram abertas? Quantas pessoas Deus colocou em seu
caminho? Quantas orações foram respondidas? Quantos livramentos você somente
conseguiu reconhecer algum tempo depois?
O salmista fazia isso com frequência. Em meio às crises, ele se lembrava
das obras do Senhor. A memória da fidelidade passada tornava-se combustível
para a confiança presente.
Gratidão não significa negar a dificuldade. Podemos dizer: “Pai,
estou profundamente preocupado com aquilo que está acontecendo, mas não me
esquecerei de tudo aquilo que já fizeste”. Nesse momento, deixamos de olhar
apenas para o tamanho da ameaça e voltamos a contemplar a grandeza daquele que
já nos sustentou tantas vezes.
Aprender a
viver um dia de cada vez é uma disciplina espiritual
Queremos respostas para meses e anos, mas Deus frequentemente nos
oferece direção para o próximo passo. Queremos conhecer toda a estrada; Ele
acende luz suficiente para caminharmos mais um pouco. Queremos mapas completos;
Jesus continua dizendo: “Segue-me”.
Israel recebeu maná diariamente. Jesus nos ensinou a pedir ao Pai “o pão
nosso de cada dia”. Existe uma pedagogia divina na dependência cotidiana.
Talvez você esteja mentalmente tentando viver os próximos dois anos.
Volte para hoje.
Pergunte: O que Deus está pedindo de mim hoje? Qual
responsabilidade precisa ser cumprida agora? Qual conversa precisa acontecer?
Qual decisão realmente precisa ser tomada? Qual preocupação pertence
exclusivamente ao amanhã?
Jesus disse que basta a cada dia o seu próprio mal. Isso significa que
não fomos criados para adicionar ao peso de hoje todos os pesos hipotéticos de
amanhã.
Quando amanhã chegar, haverá graça para amanhã. Hoje existe graça para
hoje.
Você pode
ser sincero diante de Deus
Talvez uma das verdades mais libertadoras para uma pessoa ansiosa seja
descobrir que não precisa fazer uma oração bonita para impressionar Deus. Ele
já conhece o coração antes mesmo de começarmos a falar.
Você pode simplesmente dizer: “Pai, estou com medo. Estou cansado. Não
sei o que fazer. Estou preocupado com meus filhos. Tenho medo de faltar
dinheiro. Este diagnóstico me assustou. Estou inseguro em relação ao futuro.
Não consigo organizar meus pensamentos. Preciso da Tua paz”. Isso é oração.
Os Salmos nos ensinam que podemos conversar com Deus com profunda
sinceridade. Davi fez perguntas. Jeremias lamentou. Habacuque apresentou suas
perplexidades. Jesus, no Getsêmani, não escondeu a profunda angústia que estava
experimentando.
Não precisamos esconder de Deus aquilo que Deus já conhece. Talvez
algumas vezes estejamos tentando produzir orações eloquentes quando tudo o que
conseguimos dizer é: “Pai, ajuda-me.” E essa oração pode ser
profundamente verdadeira.
Não está
tudo bem, mas você não está sozinho
Talvez a maior vitória sobre a ansiedade não seja chegar ao ponto em que
nunca mais experimentaremos preocupação. Enquanto vivermos em um mundo marcado
por limitações, incertezas e acontecimentos que fogem ao nosso controle,
teremos motivos para exercitar continuamente nossa confiança em Deus.
A maturidade começa quando aprendemos cada vez mais rapidamente para
onde correr quando a ansiedade chega.
Não precisamos correr para cenários imaginários. Não precisamos correr
para o controle. Não precisamos esconder aquilo que sentimos. Podemos correr
para o Pai.
Podemos apresentar diante dEle nossos filhos, casamento, contas, exames,
decisões, medos e perguntas. Podemos fazer com responsabilidade aquilo que está
ao nosso alcance e, então, entregar aquilo que não está.
Talvez hoje você não consiga dizer sinceramente: “Está tudo bem”. Então
não diga. Diga algo mais verdadeiro: “Não está tudo bem, mas Deus continua
comigo.”
Talvez você ainda não tenha todas as respostas, mas conhece aquele que
permanece fiel. Talvez ainda exista medo, mas o medo não precisa governar suas
decisões. Talvez você esteja atravessando uma tempestade, mas Jesus continua
presente no barco. Talvez a resposta ainda não tenha chegado, mas o silêncio de
Deus não significa ausência de Deus.
A vitória sobre a ansiedade começa quando deixamos de exigir de nós
mesmos o controle daquilo que nunca esteve sob nosso domínio e voltamos a
confiar naquele que conhece o princípio e o fim.
Quando a ansiedade tentar lhe transportar para amanhã, volte para hoje.
Quando seus pensamentos começarem a criar certezas a partir de possibilidades,
volte para a verdade. Quando o peso parecer grande demais, lance-o novamente
sobre o Senhor. Quando perceber que precisa de ajuda, não tenha vergonha de
procurá-la. Quando não souber o que dizer, simplesmente ore.
E quando a pergunta “E se?” voltar a atormentar sua mente, lembre-se de
fazer outra pergunta: “Quem estará comigo?”
A resposta permanece a mesma. O Pai estará. A graça estará disponível. A
fidelidade de Deus continuará.
E talvez sua oração hoje seja apenas esta:
“Pai, ainda estou lutando, ainda tenho perguntas e ainda existem coisas
que me preocupam, mas não quero carregar sozinho aquilo que posso colocar
diante de Ti. Ensina-me a fazer aquilo que me cabe e confiar a Ti aquilo que
somente Tu podes fazer. Guarda meu coração e minha mente em Cristo Jesus e
ensina-me a viver um dia de cada vez. Amém.”
Você não precisa fingir que está tudo bem para demonstrar que possui fé.
“Às vezes, a fé mais verdadeira começa exatamente quando reconhecemos
que não estamos bem, mas decidimos não enfrentar sozinhos aquilo que estamos
vivendo.”
Deus te abençoe!
Pastor Sérgio Luis
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