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quarta-feira, 9 de setembro de 2026

 


COMO VENCER A ANSIEDADE 

SEM FINGIR QUE ESTÁ TUDO BEM?

 

A fé não nos obriga a fingir força. Ela nos ensina a levar nossos medos, dores e inquietações para a presença de Deus

 

“Não andeis ansiosos de coisa alguma; em tudo, porém, sejam conhecidas, diante de Deus, as vossas petições, pela oração e pela súplica, com ações de graças. E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará o vosso coração e a vossa mente em Cristo Jesus.” Filipenses 4:6-7

 

Existem dias em que a mente simplesmente não consegue descansar. O corpo está presente em determinado lugar, mas os pensamentos parecem estar em muitos outros. Estamos trabalhando, conversando com alguém, dirigindo, participando de um culto ou tentando dormir, enquanto interiormente nossa mente continua revisitando conversas, antecipando acontecimentos, imaginando possibilidades e tentando encontrar respostas para situações sobre as quais não temos qualquer controle. O corpo está cansado, mas a mente permanece em movimento. Deitamos para descansar e, justamente quando tudo ao nosso redor fica em silêncio, os pensamentos parecem falar ainda mais alto.

A ansiedade muitas vezes começa exatamente assim. Não necessariamente como uma grande crise visível, mas como uma sucessão de pensamentos que tentam nos transportar para um futuro que ainda não chegou. “E se alguma coisa acontecer?”, “E se eu não conseguir?”, “E se aquela resposta for negativa?”, “E se faltar dinheiro?”, “E se meu filho tomar uma decisão errada?”, “E se o diagnóstico não for aquilo que estamos esperando?”, “E se meu casamento não melhorar?”, “E se tudo aquilo que construí começar a desmoronar?”. Aos poucos, possibilidades começam a ser tratadas como certezas, e passamos a sofrer hoje por acontecimentos que talvez jamais ocorram.

Para muitos cristãos existe ainda uma segunda batalha: a sensação de que admitir ansiedade seria demonstrar falta de fé.

Por causa disso, aprendemos a responder “está tudo bem” mesmo quando não está. Dizemos que Deus está no controle, mas por dentro estamos profundamente aflitos. Encorajamos outras pessoas com versículos que, naquele momento, nós mesmos temos dificuldade de aplicar à nossa história. Continuamos servindo, trabalhando, pregando, cuidando da família e cumprindo nossas responsabilidades, enquanto travamos silenciosamente uma batalha que poucos conseguem perceber.

Precisamos começar compreendendo uma verdade fundamental: confiar em Deus não significa fingir que não existe uma batalha acontecendo dentro de nós.

A Bíblia não nos apresenta homens e mulheres emocionalmente anestesiados. Ela apresenta pessoas que choraram, tiveram medo, fizeram perguntas, atravessaram perdas, viveram períodos de profundo sofrimento e, mesmo assim, descobriram que poderiam levar tudo isso para Deus.

Os Salmos, por exemplo, estão repletos de orações nas quais homens de fé apresentam suas angústias sem esconder aquilo que estão sentindo. Fé não é ausência de sentimentos; fé é aprender onde depositá-los.

 

A ansiedade tenta nos fazer viver amanhã antes da hora

Uma das características mais marcantes da ansiedade é a antecipação. O problema ainda não aconteceu, mas começamos a sofrê-lo. A conversa ainda não aconteceu, mas nossa mente já construiu vários possíveis diálogos. O resultado do exame ainda não saiu, mas mentalmente já percorremos diferentes diagnósticos. A resposta ainda não chegou, mas já concluímos que será negativa. O dinheiro ainda não acabou, mas já vivemos emocionalmente como se a provisão tivesse desaparecido. O futuro ainda não chegou, porém tentamos vivê-lo antecipadamente.

Jesus tratou diretamente dessa tendência humana no Sermão do Monte. Depois de falar sobre alimentação, vestuário e as necessidades da vida, Ele declarou:

“Portanto, não vos inquieteis, dizendo: Que comeremos? Que beberemos? Ou: Com que nos vestiremos? Porque os gentios é que procuram todas estas coisas; pois vosso Pai celeste sabe que necessitais de todas elas; buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas. Portanto, não vos inquieteis com o dia de amanhã, pois o amanhã trará os seus cuidados; basta ao dia o seu próprio mal.”  Mateus 6:31-34

Jesus não estava ensinando irresponsabilidade. Ele não estava dizendo que não devemos planejar, trabalhar, organizar nossas finanças ou pensar no futuro. Existe uma grande diferença entre planejar o futuro e tentar controlar o futuro. Planejar significa utilizar com sabedoria aquilo que Deus colocou sob nossa responsabilidade. A ansiedade, porém, começa a nos dominar quando tentamos assumir mentalmente o controle daquilo que somente Deus pode controlar.

O planejamento diz: “Farei aquilo que está ao meu alcance e confiarei ao Senhor aquilo que não está”. A ansiedade diz: “Preciso imaginar todas as possibilidades porque, se eu não conseguir prever tudo, alguma coisa poderá sair do meu controle”. O problema é que não fomos criados para ocupar o lugar de Deus. Não sabemos tudo, não enxergamos tudo e não controlamos tudo. Grande parte da nossa inquietação nasce exatamente do conflito entre aquilo que gostaríamos de controlar e aquilo que nunca esteve sob nosso domínio.

Por isso, quando Jesus diz que não devemos nos inquietar com o amanhã, Ele está nos ensinando a permanecer no lugar onde a graça de Deus está disponível: o hoje.

Muitas vezes estamos tentando carregar no “hoje” um peso que pertence ao “amanhã”, sem perceber que Deus nos dará amanhã a graça necessária para enfrentá-lo. Não precisamos sofrer duas vezes: uma na imaginação e outra, caso realmente aconteça, na realidade.

 

Deus não nos manda negar a preocupação, mas transformá-la em oração

Filipenses 4:6-7 é um dos textos mais conhecidos quando falamos sobre ansiedade, mas algumas vezes o utilizamos apenas como uma ordem: “Não fique ansioso”.

 Entretanto, Paulo não apenas diz o que não devemos fazer; ele também mostra o que devemos fazer com aquilo que está nos inquietando. Ele afirma que, em tudo, nossas petições devem ser apresentadas diante de Deus pela oração, pela súplica e com ações de graças.

A resposta bíblica para a ansiedade, portanto, não é simplesmente repetir para si mesmo: “Eu não posso ficar ansioso”. É transformar aquilo que ocupa incessantemente nossa mente em assunto de oração. Aquilo que está circulando repetidamente dentro de nós precisa ser conscientemente colocado diante de Deus.

Talvez você esteja preocupado com um filho. Então fale dele especificamente com Deus. Talvez seja uma dívida. Apresente os números, a situação e sua necessidade ao Senhor. Talvez seja um diagnóstico. Fale com Deus sobre seu medo. Talvez seja uma decisão profissional, um casamento em crise ou uma situação sobre a qual você não possui qualquer resposta. Não faça apenas uma oração genérica. Apresente aquilo que realmente está pesando sobre você.

O salmista nos oferece a mesma direção:

“Confia os teus cuidados ao SENHOR, e ele te susterá; jamais permitirá que o justo seja abalado.”                                                                                                      Salmos 55:22

Pedro também escreve:

“Lançando sobre ele toda a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vós.”     1 Pedro 5:7

Observe a expressão: “lançando sobre ele”. Existe algo que estava sobre nós e que precisa ser colocado sobre Deus. A ansiedade nos convence de que precisamos carregar tudo, prever tudo e resolver tudo. A Palavra nos convida a reconhecer que existem pesos grandes demais para nossos ombros.

Entregar, porém, nem sempre acontece em uma única oração. Muitas vezes oramos, entregamos e, alguns minutos depois, percebemos que retomamos mentalmente o problema. Começamos novamente a imaginar cenários, procurar soluções e construir possibilidades. Isso não significa necessariamente que nossa oração foi falsa; significa que estamos aprendendo a confiar. Quando a preocupação retornar, podemos entregá-la novamente. Quando o medo voltar, podemos apresentá-lo outra vez. Quando nossa mente tentar retomar o controle, podemos conscientemente afirmar: “Pai, continuo sem saber o que acontecerá, mas continuo sabendo quem Tu és.”

 

Nem tudo aquilo que nossa mente diz é verdade

Outro aspecto importante no enfrentamento da ansiedade é compreender que nem todo pensamento que surge em nossa mente merece ser acreditado. Pensamentos são reais no sentido de que estamos realmente pensando neles, mas isso não significa que seu conteúdo corresponda à verdade.

Quando pensamos “vai dar tudo errado”, precisamos perguntar: isso é um fato ou um medo? Quando pensamos “eu não vou conseguir”, precisamos questionar se estamos diante de uma realidade ou apenas antecipando uma possibilidade. Quando nossa mente diz “Deus me abandonou”, precisamos confrontar essa conclusão com aquilo que a Palavra revela sobre o caráter de Deus.

Depois de falar sobre oração e paz, Paulo continua:

“Finalmente, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é respeitável, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se alguma virtude há e se algum louvor existe, seja isso o que ocupe o vosso pensamento.”                                                                                                           Filipenses 4:8

Existe uma disciplina espiritual relacionada àquilo que permitimos permanecer dentro de nossa mente. A ansiedade frequentemente transforma possibilidades em certezas. “Pode acontecer” torna-se “vai acontecer”. “Talvez dê errado” transforma-se em “certamente dará errado”. “Estou enfrentando uma crise” torna-se “minha vida acabou”.

Precisamos aprender a interromper esse processo perguntando: O que estou pensando é verdade? Existe evidência concreta ou estou apenas construindo o pior cenário possível? Estou interpretando Deus a partir da circunstância ou interpretando a circunstância a partir daquilo que sei sobre Deus?

Não se trata de pensamento positivo, muito menos de fingir que as dificuldades não existem. Trata-se de submeter nossos pensamentos à verdade. Há problemas que são reais. Existem enfermidades reais, crises financeiras reais, conflitos familiares reais e situações verdadeiramente difíceis. A fé bíblica não exige que chamemos o mal de bem nem que façamos de conta que uma situação dolorosa seja agradável. Ela apenas nos impede de permitir que o medo se torne o intérprete definitivo da realidade.

 

Faça aquilo que está ao seu alcance e entregue aquilo que não está

Há uma diferença importante entre responsabilidade e ansiedade. Se existe uma dívida, precisamos organizar as finanças e procurar caminhos responsáveis para resolvê-la. Se existe uma enfermidade, devemos procurar atendimento e seguir as orientações adequadas. Se há uma conversa necessária, talvez precisemos criar coragem e conversar. Se temos uma decisão importante diante de nós, devemos buscar sabedoria, aconselhamento e avaliar as circunstâncias.

Confiar em Deus não significa cruzar os braços diante de responsabilidades que Ele colocou em nossas mãos. Entretanto, depois de fazermos tudo aquilo que está ao nosso alcance, inevitavelmente chegaremos a uma fronteira. Existem coisas que simplesmente não podemos controlar.

É justamente nessa fronteira que a fé começa a exercer um papel ainda mais profundo.

Responsabilidade é fazer aquilo que podemos; ansiedade é tentar assumir aquilo que somente Deus pode fazer.”

Paulo compreendeu essa realidade ao escrever sobre situações nas quais suas forças eram insuficientes. A fé cristã não nasce da ilusão de que somos capazes de controlar tudo; ela cresce quando reconhecemos nossa dependência do Senhor.

Talvez parte da sua ansiedade esteja relacionada à tentativa de produzir resultados que não dependem somente de você. Você pode educar seus filhos, mas não pode tomar todas as decisões por eles. Pode amar seu cônjuge, mas não pode controlar cada reação dele. Pode trabalhar com responsabilidade, mas não controla completamente a economia. Pode cuidar da saúde, mas não possui domínio absoluto sobre o corpo. Pode planejar, mas não conhece todos os acontecimentos de amanhã.

Reconhecer nossos limites não é derrota. É humildade. E humildade também significa aceitar que Deus é Deus e nós não somos.

 

A paz de Deus pode chegar antes da solução

Talvez um dos aspectos mais extraordinários de Filipenses 4:6-7 seja perceber que Paulo não promete que, depois da oração, todas as circunstâncias serão imediatamente modificadas. Ele promete que a paz de Deus guardará nosso coração e nossa mente em Cristo Jesus.

Isso significa que a paz pode chegar antes da resposta. Podemos encontrar paz enquanto continuamos esperando. Paz enquanto a porta permanece fechada. Paz enquanto o resultado do exame ainda não chegou. Paz enquanto o filho continua distante. Paz enquanto a solução financeira ainda está sendo construída. Paz enquanto não sabemos exatamente qual será o próximo passo.

Existe uma paz que depende da circunstância. Dizemos: “Estou em paz porque tudo deu certo”. Mas existe uma paz muito mais profunda, que nasce da presença de Deus: “Nem tudo está resolvido, mas sei em quem tenho crido.”

Essa paz “excede todo o entendimento” justamente porque nem sempre existe uma explicação humana para ela. Às vezes, olhando para as circunstâncias, teríamos motivos suficientes para permanecer inquietos, mas alguma coisa acontece em nosso interior quando colocamos nossa confiança em Deus. A situação não mudou, mas já não estamos sendo governados por ela.

“A paz bíblica não significa ausência de tempestade. Significa que a tempestade não possui autoridade para determinar quem Deus é.”

 

Talvez precisemos trocar a pergunta “e se?” pela pergunta “quem?”

A ansiedade tem uma expressão preferida: “E se?” E se eu perder o emprego? E se meu casamento não melhorar? E se meu filho se afastar? E se faltar dinheiro? E se o diagnóstico for ruim? E se eu fracassar? E se aquilo pelo qual estou esperando nunca acontecer?

Não conseguiremos responder a todos os “e se” da vida porque não conhecemos o futuro. Porém existe outra pergunta que a fé nos ensina a fazer: “Quem estará comigo se isso acontecer?”

Essa pergunta muda tudo. Quando Israel atravessou o deserto, Deus estava com eles. Quando José foi vendido pelos irmãos e levado ao Egito, Deus estava com ele. Quando Daniel chegou à Babilônia, Deus não permaneceu em Jerusalém. Quando os discípulos enfrentaram uma tempestade, Jesus estava no barco. Quando Paulo estava preso, a presença do Senhor não estava limitada pelas paredes da prisão.

Deus nunca prometeu aos Seus filhos uma existência na qual nada difícil aconteceria. A grande promessa das Escrituras é Sua presença.

O próprio Senhor declarou:

“Não temas, porque eu sou contigo; não te assombres, porque eu sou o teu Deus; eu te fortaleço, e te ajudo, e te sustento com a minha destra fiel.”                                Isaías 41:10

Talvez não saibamos exatamente o que acontecerá daqui a seis meses, mas sabemos que Deus continuará sendo Deus. Sua fidelidade não depende da estabilidade das nossas circunstâncias. Sua graça não termina quando uma nova crise começa. Sua presença não desaparece porque não compreendemos aquilo que está acontecendo.

 

Não enfrente sozinho aquilo que Deus não mandou você enfrentar sozinho

A ansiedade também pode produzir isolamento. Algumas pessoas, quando estão sofrendo, fecham-se. Não querem preocupar ninguém, sentem vergonha daquilo que estão vivendo ou imaginam que precisam demonstrar força o tempo inteiro. Isso acontece especialmente com quem está acostumado a cuidar dos outros: pais, mães, líderes, pastores e pessoas que normalmente são procuradas para aconselhar e ajudar.

Mas maturidade espiritual não significa autossuficiência. Existem momentos nos quais uma das atitudes mais corajosas que podemos tomar é simplesmente dizer: “Eu não estou bem e preciso de ajuda.”

A vida cristã foi planejada para ser vivida em comunidade. Precisamos de pessoas maduras que possam caminhar conosco, ouvir sem condenar, orar, aconselhar e nos ajudar a enxergar aquilo que, em determinados momentos, não conseguimos perceber sozinhos.

Também precisamos reconhecer que existem situações em que a ansiedade se torna intensa, frequente e começa a comprometer o sono, o trabalho, os relacionamentos ou as atividades mais comuns da vida. Nesses casos, procurar ajuda profissional qualificada não significa negar a fé.

“Cuidado espiritual e acompanhamento profissional responsável não precisam ser inimigos.”

Deus pode cuidar de nós através da oração, da Palavra, da comunhão, da medicina e de pessoas devidamente preparadas para auxiliar.

Transformar todo sofrimento emocional em falta de fé apenas acrescenta culpa a quem já está sofrendo.

 

Algumas vezes nossa alma está ansiosa porque nossa vida nunca desacelera

Também não podemos ignorar que somos seres integrais. Corpo, mente e emoções estão relacionados. Às vezes procuramos uma explicação exclusivamente espiritual para tudo enquanto dormimos mal, trabalhamos além dos nossos limites, nunca descansamos e permanecemos conectados durante praticamente todas as horas do dia.

A experiência do profeta Elias em 1 Reis 19 é muito interessante. Depois de um momento extraordinário de seu ministério, ele chegou ao limite de suas forças e entrou em profunda exaustão. Antes de grandes explicações, houve descanso e alimento. Somente depois vieram novas orientações.

Há momentos em que descansar também é uma atitude espiritual. Jesus também respeitou limites humanos. Ele dormiu, retirou-se das multidões, buscou lugares solitários para orar e nem sempre respondeu imediatamente a todas as demandas ao Seu redor. Se o próprio Jesus, durante Seu ministério terreno, demonstrou ritmos de trabalho, oração e descanso, por que imaginamos que podemos viver permanentemente acelerados?

Talvez uma parte de nossa ansiedade esteja sendo alimentada por uma vida que nunca silencia. Acordamos olhando notificações, passamos o dia recebendo informações e terminamos a noite diante de uma tela. Nossa mente praticamente nunca recebe a mensagem de que pode descansar.

Precisamos recuperar momentos de silêncio, oração, leitura da Palavra, descanso e comunhão verdadeira. Não como técnicas para “esvaziar a mente”, mas como oportunidade de nos lembrarmos novamente de que o universo continua funcionando quando paramos. Deus continua sendo Deus enquanto dormimos.

 

A gratidão nos ajuda a lembrar daquilo que a ansiedade nos faz esquecer

Paulo não fala apenas de oração e súplica; ele acrescenta ações de graças. Isso é profundamente significativo porque a ansiedade direciona nossa atenção quase exclusivamente para aquilo que pode dar errado, enquanto a gratidão nos lembra da fidelidade que Deus já demonstrou.

Quando nossa mente pergunta “e amanhã?”, talvez seja importante também olhar para ontem.

Quantas vezes Deus já sustentou você? Quantas situações pareciam impossíveis e foram superadas? Quantas vezes você pensou que não conseguiria continuar? Quantas portas foram abertas? Quantas pessoas Deus colocou em seu caminho? Quantas orações foram respondidas? Quantos livramentos você somente conseguiu reconhecer algum tempo depois?

O salmista fazia isso com frequência. Em meio às crises, ele se lembrava das obras do Senhor. A memória da fidelidade passada tornava-se combustível para a confiança presente.

Gratidão não significa negar a dificuldade. Podemos dizer: “Pai, estou profundamente preocupado com aquilo que está acontecendo, mas não me esquecerei de tudo aquilo que já fizeste”. Nesse momento, deixamos de olhar apenas para o tamanho da ameaça e voltamos a contemplar a grandeza daquele que já nos sustentou tantas vezes.

 

Aprender a viver um dia de cada vez é uma disciplina espiritual

Queremos respostas para meses e anos, mas Deus frequentemente nos oferece direção para o próximo passo. Queremos conhecer toda a estrada; Ele acende luz suficiente para caminharmos mais um pouco. Queremos mapas completos; Jesus continua dizendo: “Segue-me”.

Israel recebeu maná diariamente. Jesus nos ensinou a pedir ao Pai “o pão nosso de cada dia”. Existe uma pedagogia divina na dependência cotidiana.

Talvez você esteja mentalmente tentando viver os próximos dois anos. Volte para hoje.

Pergunte: O que Deus está pedindo de mim hoje? Qual responsabilidade precisa ser cumprida agora? Qual conversa precisa acontecer? Qual decisão realmente precisa ser tomada? Qual preocupação pertence exclusivamente ao amanhã?

Jesus disse que basta a cada dia o seu próprio mal. Isso significa que não fomos criados para adicionar ao peso de hoje todos os pesos hipotéticos de amanhã.

Quando amanhã chegar, haverá graça para amanhã. Hoje existe graça para hoje.

 

Você pode ser sincero diante de Deus

Talvez uma das verdades mais libertadoras para uma pessoa ansiosa seja descobrir que não precisa fazer uma oração bonita para impressionar Deus. Ele já conhece o coração antes mesmo de começarmos a falar.

Você pode simplesmente dizer: “Pai, estou com medo. Estou cansado. Não sei o que fazer. Estou preocupado com meus filhos. Tenho medo de faltar dinheiro. Este diagnóstico me assustou. Estou inseguro em relação ao futuro. Não consigo organizar meus pensamentos. Preciso da Tua paz”. Isso é oração.

Os Salmos nos ensinam que podemos conversar com Deus com profunda sinceridade. Davi fez perguntas. Jeremias lamentou. Habacuque apresentou suas perplexidades. Jesus, no Getsêmani, não escondeu a profunda angústia que estava experimentando.

Não precisamos esconder de Deus aquilo que Deus já conhece. Talvez algumas vezes estejamos tentando produzir orações eloquentes quando tudo o que conseguimos dizer é: “Pai, ajuda-me.” E essa oração pode ser profundamente verdadeira.

 

Não está tudo bem, mas você não está sozinho

Talvez a maior vitória sobre a ansiedade não seja chegar ao ponto em que nunca mais experimentaremos preocupação. Enquanto vivermos em um mundo marcado por limitações, incertezas e acontecimentos que fogem ao nosso controle, teremos motivos para exercitar continuamente nossa confiança em Deus.

A maturidade começa quando aprendemos cada vez mais rapidamente para onde correr quando a ansiedade chega.

Não precisamos correr para cenários imaginários. Não precisamos correr para o controle. Não precisamos esconder aquilo que sentimos. Podemos correr para o Pai.

Podemos apresentar diante dEle nossos filhos, casamento, contas, exames, decisões, medos e perguntas. Podemos fazer com responsabilidade aquilo que está ao nosso alcance e, então, entregar aquilo que não está.

Talvez hoje você não consiga dizer sinceramente: “Está tudo bem”. Então não diga. Diga algo mais verdadeiro: “Não está tudo bem, mas Deus continua comigo.”

Talvez você ainda não tenha todas as respostas, mas conhece aquele que permanece fiel. Talvez ainda exista medo, mas o medo não precisa governar suas decisões. Talvez você esteja atravessando uma tempestade, mas Jesus continua presente no barco. Talvez a resposta ainda não tenha chegado, mas o silêncio de Deus não significa ausência de Deus.

A vitória sobre a ansiedade começa quando deixamos de exigir de nós mesmos o controle daquilo que nunca esteve sob nosso domínio e voltamos a confiar naquele que conhece o princípio e o fim.

Quando a ansiedade tentar lhe transportar para amanhã, volte para hoje. Quando seus pensamentos começarem a criar certezas a partir de possibilidades, volte para a verdade. Quando o peso parecer grande demais, lance-o novamente sobre o Senhor. Quando perceber que precisa de ajuda, não tenha vergonha de procurá-la. Quando não souber o que dizer, simplesmente ore.

E quando a pergunta “E se?” voltar a atormentar sua mente, lembre-se de fazer outra pergunta: “Quem estará comigo?”

A resposta permanece a mesma. O Pai estará. A graça estará disponível. A fidelidade de Deus continuará.

E talvez sua oração hoje seja apenas esta:

“Pai, ainda estou lutando, ainda tenho perguntas e ainda existem coisas que me preocupam, mas não quero carregar sozinho aquilo que posso colocar diante de Ti. Ensina-me a fazer aquilo que me cabe e confiar a Ti aquilo que somente Tu podes fazer. Guarda meu coração e minha mente em Cristo Jesus e ensina-me a viver um dia de cada vez. Amém.”

Você não precisa fingir que está tudo bem para demonstrar que possui fé.

Às vezes, a fé mais verdadeira começa exatamente quando reconhecemos que não estamos bem, mas decidimos não enfrentar sozinhos aquilo que estamos vivendo.”

Deus te abençoe!

Pastor Sérgio Luis

 

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