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sábado, 5 de setembro de 2026

 


MANIFESTANDO O REINO DE DEUS ATRAVÉS DO MINISTÉRIO PROFÉTICO

 

Uma voz submetida à Palavra para edificar, exortar e consolar a Igreja

 

“Segui o amor e procurai, com zelo, os dons espirituais, mas principalmente que profetizeis.”
1 Coríntios 14:1

 

Poucos temas exigem tanto equilíbrio bíblico quanto o ministério profético. De um lado, existe o perigo de rejeitar toda manifestação profética por causa dos abusos cometidos em nome dela. De outro, existe o perigo igualmente sério de aceitar qualquer declaração espiritual simplesmente porque alguém afirmou: “Deus me disse”.

O caminho bíblico não está em nenhum desses extremos. O Novo Testamento reconhece a atuação profética na Igreja, mas também ordena que aquilo que é profetizado seja avaliado, discernido e submetido à verdade já revelada por Deus.

Isso significa que o ministério profético não possui liberdade para criar uma nova doutrina, substituir as Escrituras ou tornar-se uma autoridade incontestável na vida das pessoas. Sua função acontece dentro do Corpo de Cristo, debaixo do senhorio de Jesus e submetida à Palavra.

 

A Profecia Precisa Nascer Do Amor

É significativo que Paulo comece 1 Coríntios 14 dizendo: “Segui o amor”, antes de falar sobre profecia.

O capítulo 13, imediatamente anterior, é a grande exposição sobre o amor. Isso significa que os dons espirituais não deveriam ser separados do caráter de Cristo.

Uma pessoa pode desejar experiências extraordinárias, mas se sua motivação é demonstrar superioridade espiritual, controlar pessoas ou atrair atenção para si, algo já está fora da ordem bíblica.

A verdadeira manifestação do Espírito precisa carregar o caráter daquele que distribui os dons.

O profético sem amor pode tornar-se agressivo, manipulador e destrutivo. O profético acompanhado pelo amor de Cristo procura edificar.

 

A Profecia Do Novo Testamento Edifica, Exorta E Consola

Paulo estabelece uma referência muito importante em 1 Coríntios 14:3 ao ensinar que aquele que profetiza fala aos homens “edificando, exortando e consolando”. Essas três palavras ajudam a proteger a Igreja de uma compreensão desequilibrada do profético.

Existe edificação porque Deus deseja fortalecer seu povo. Existe exortação porque, em alguns momentos, precisamos ser despertados e corrigidos. Existe consolação porque Deus conhece nossas fraquezas e dores.

Isso não significa que uma palavra profética nunca possa trazer advertência. As Escrituras apresentam momentos em que Deus alerta seu povo. Entretanto, até mesmo a correção divina possui propósito redentor.

“Deus confronta para restaurar, não para alimentar o ego daquele que profetiza.”

 

A Profecia Não Substitui As Escrituras

Esse princípio precisa ser afirmado de maneira muito clara. A Bíblia é nossa referência normativa para doutrina, fé e prática. Nenhuma experiência, visão, sonho ou palavra profética possui autoridade para estabelecer uma verdade contrária às Escrituras.

Paulo orienta em 1 Tessalonicenses 5:20-21:

“Não desprezeis as profecias; julgai todas as coisas, retende o que é bom.”

Observe o equilíbrio. Ele não diz para desprezar, mas também não diz para aceitar tudo.

Precisamos avaliar. Quando alguém proíbe qualquer avaliação de sua palavra porque afirma falar diretamente da parte de Deus, está recusando justamente um princípio estabelecido pelas Escrituras.

A verdadeira manifestação profética não tem medo do discernimento bíblico.

 

O Profético Revela O Coração De Deus, Não O Ego Do Profeta

Nos profetas bíblicos percebemos um profundo envolvimento com aquilo que Deus desejava comunicar. Eles não eram simplesmente mensageiros frios transmitindo informações. Muitas vezes choravam, intercediam e carregavam no coração a dor do povo.

Jeremias é um exemplo extraordinário. Sua mensagem possuía confrontação, mas seu coração estava quebrantado.

Isso deveria nos ensinar algo sobre o ministério profético contemporâneo. Aquele que declara uma mensagem dura sorrindo com satisfação diante da possibilidade de juízo talvez ainda precise compreender o coração daquele que o enviou.

“A verdadeira voz profética não sente prazer em ferir pessoas.”

Quando precisa confrontar, confronta com temor. Quando precisa advertir, não transforma a advertência em espetáculo. E quando fala sobre pecado, lembra-se de que também depende diariamente da graça de Deus.

 

O Profeta Não É Um Adivinhador Cristão

Outra distorção precisa ser evitada. O ministério profético não deve ser reduzido à previsão constante de acontecimentos ou à revelação de detalhes pessoais.

Biblicamente, o profético possui ligação muito maior com a vontade, o coração e os propósitos de Deus do que com curiosidade sobre o futuro.

Os profetas chamavam o povo para retornar à aliança. Confrontavam injustiça. Denunciavam idolatria. Chamavam ao arrependimento. Consolavam os abatidos e lembravam a comunidade das promessas de Deus.

Quando transformamos profecia em um mecanismo para descobrir com quem alguém deve casar, qual negócio deve abrir ou qual decisão pessoal deve tomar, podemos criar dependência espiritual perigosa.

Deus pode direcionar pessoas de maneiras específicas, mas nenhuma palavra profética deveria substituir a responsabilidade do discípulo de conhecer as Escrituras, buscar ao Senhor e amadurecer em discernimento.

 

O Profeta Precisa Aceitar Ser Julgado

1 Coríntios 14:29 orienta que falem dois ou três profetas e que os outros julguem. Essa instrução é extremamente saudável.

No ambiente bíblico, profecia não é sinônimo de infalibilidade pessoal do profeta. O Corpo participa do discernimento.

Isso significa que uma pessoa que exerce um ministério profético maduro precisa ser humilde o suficiente para reconhecer que pode interpretar alguma impressão de maneira equivocada.

Quando alguém jamais admite a possibilidade de erro, nunca aceita correção e considera qualquer questionamento como rebelião, temos uma situação espiritualmente perigosa.

“Quanto maior a responsabilidade espiritual, maior deveria ser a disposição para prestar contas.”

 

O Profético Chama A Igreja De Volta Para Deus

Uma das grandes funções do ministério profético ao longo da história bíblica foi despertar o povo quando este começava a afastar-se de Deus.

Talvez essa continue sendo uma das maiores necessidades de nossa geração. Precisamos de vozes que chamem a Igreja de volta à oração, santidade, justiça, misericórdia, centralidade de Cristo e fidelidade às Escrituras. Entretanto, precisamos dessas vozes sem sensacionalismo, sem manipulação e sem arrogância espiritual.

O verdadeiro profético não existe para criar fascinação pelo profeta, mas para despertar atenção para aquilo que Deus deseja.

 

O Espírito Continua Falando À Igreja

Não precisamos escolher entre Palavra e Espírito. Atos apresenta repetidamente a atuação do Espírito Santo conduzindo a Igreja, direcionando missionários, advertindo e fortalecendo os discípulos.

Entretanto, o mesmo Espírito que fala é aquele que inspirou as Escrituras. Portanto, a atuação contemporânea do Espírito jamais deverá competir com a revelação bíblica.

Quanto mais sensíveis desejamos ser ao Espírito, mais profundamente deveríamos conhecer sua Palavra. Essa combinação produz segurança e maturidade.

 

Que Deus Levante Vozes Proféticas Saudáveis

Precisamos de homens e mulheres que não tenham medo de confrontar a cultura quando ela contradiz a Palavra, mas que também não transformem agressividade em sinal de unção. Precisamos de pessoas que saibam discernir tempos, mas permaneçam submissas às Escrituras, que sejam sensíveis ao Espírito sem se tornarem irresponsáveis com aquilo que afirmam em nome de Deus.

Que o Senhor livre sua Igreja tanto da incredulidade que rejeita aquilo que o Espírito deseja fazer quanto da credulidade ingênua que aceita qualquer manifestação sem discernimento.

“O verdadeiro ministério profético não afasta a Igreja da Palavra; conduz a Igreja para uma obediência ainda mais profunda à Palavra.”

Que nossas vozes não sejam instrumentos de confusão, mas de edificação. Que não produzam dependência de homens, mas maior sensibilidade à presença de Deus. E que tudo aquilo que for dito em nome do Senhor possa ser examinado com humildade, responsabilidade e temor.

Assim, o Reino se manifesta quando Deus continua chamando, edificando, consolando, corrigindo e despertando sua Igreja através de vozes que conhecem seu coração e permanecem debaixo de sua autoridade.

Deus te abençoe!

Pastor Sérgio Luis

MANIFESTANDO O REINO DE DEUS ATRAVÉS DO MINISTÉRIO APOSTÓLICO Uma Igreja enviada para estabelecer, fortalecer e expandir a obra de Deus

 


MANIFESTANDO O REINO DE DEUS ATRAVÉS DO MINISTÉRIO APOSTÓLICO

 

Uma Igreja enviada para estabelecer, fortalecer e expandir a obra de Deus

 

“E ele mesmo concedeu uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas e outros para pastores e mestres, com vistas ao aperfeiçoamento dos santos para o desempenho do seu serviço, para a edificação do corpo de Cristo.”
Efésios 4:11-12

 

Quando ouvimos a palavra “apóstolo”, podemos ser imediatamente conduzidos às figuras extraordinárias de Pedro, João, Paulo e dos demais homens que participaram do início da Igreja. E isso é correto, porque existe no Novo Testamento uma dimensão apostólica fundamental relacionada às testemunhas autorizadas de Cristo e ao estabelecimento doutrinário da Igreja. Entretanto, a própria palavra apostolos significa essencialmente alguém enviado com uma missão, e o princípio do envio continua profundamente relacionado à natureza da Igreja.

A Igreja nasceu de um Deus que envia. O Pai enviou o Filho, o Filho enviou seus discípulos e o Espírito Santo continuou conduzindo homens e mulheres para que o Evangelho avançasse. Por isso, quando falamos sobre manifestação do Reino através do ministério apostólico, não devemos começar pensando em títulos, posições de honra ou hierarquias ministeriais, mas no caráter missionário de uma vida enviada por Deus para servir aos propósitos de Cristo.

 

O Apostólico Começa Com Um Chamado Para Ser Enviado

Jesus disse aos discípulos em João 20:21:

“Assim como o Pai me enviou, eu também vos envio.”

Essa declaração apresenta um princípio fundamental. A vida apostólica possui movimento. Quem é enviado não vive apenas preocupado com a manutenção daquilo que já existe; carrega também no coração aquilo que ainda precisa ser alcançado, estabelecido e fortalecido.

Isso aparece de maneira muito clara no livro de Atos. A Igreja não permaneceu concentrada em Jerusalém. O Evangelho avançou para Judeia, Samaria e depois em direção às nações. Em Atos 13, vemos a igreja de Antioquia adorando, jejuando e buscando ao Senhor quando o Espírito Santo separa Barnabé e Saulo para uma obra específica. Aqueles homens não foram impulsionados por ambição pessoal, desejo de reconhecimento ou necessidade de construir um nome. Foram enviados pelo Espírito Santo e respaldados pela comunidade de fé.

Esse princípio precisa ser recuperado. O ministério apostólico não deveria ser caracterizado pela busca de posições, mas pela disposição de ir onde Deus envia, fazer aquilo que Deus determina e colocar os interesses do Reino acima dos interesses pessoais.

 

O Verdadeiro Envio Nasce Da Presença De Deus

Atos 13 nos oferece uma referência preciosa porque o envio acontece em um ambiente de culto, oração e jejum. Antes de viajarem, Barnabé e Saulo estavam servindo ao Senhor. Antes da estratégia, houve presença. Antes da movimentação, houve discernimento.

Esse detalhe é importante porque existe uma diferença entre ser enviado por uma instituição e ser enviado pelo Espírito Santo. Naturalmente, Deus utiliza igrejas, lideranças e estruturas, mas o fundamento do ministério precisa estar no chamado de Deus.

Quando alguém entra em uma missão apenas porque surgiu uma oportunidade, porque existe expectativa humana ou porque deseja reconhecimento, corre o risco de construir sua caminhada sobre motivações frágeis. O enviado precisa saber por que está indo e, acima de tudo, quem o enviou.

Essa consciência produz perseverança. Quando dificuldades aparecem, quando os resultados demoram, quando existe oposição ou incompreensão, quem possui convicção do chamado não depende exclusivamente das circunstâncias para continuar.

 

O Ministério Apostólico Está Relacionado Ao Estabelecimento Da Igreja

Paulo não se limitava a pregar em uma cidade e simplesmente seguir viagem. Ele anunciava Cristo, fazia discípulos, formava comunidades, estabelecia liderança e depois mantinha relacionamento com as igrejas que haviam surgido através de seu trabalho.

Suas cartas demonstram isso. Paulo escrevia para corrigir problemas, esclarecer doutrinas, fortalecer irmãos e orientar líderes. Existe, portanto, uma dimensão de estabelecimento e fortalecimento no trabalho apostólico.

Isso ajuda a perceber que o apostólico não deve ser reduzido à ideia de viajar muito ou iniciar projetos. O objetivo não é produzir movimento pelo movimento, mas contribuir para que Cristo seja anunciado e sua Igreja seja estabelecida de maneira saudável.

Um verdadeiro ministério de envio não deixa apenas entusiasmo por onde passa; procura deixar fundamentos.

 

O Fundamento É Cristo, Não O Apóstolo

Esse ponto é indispensável. Paulo declara em 1 Coríntios 3:11:

“Porque ninguém pode lançar outro fundamento, além do que foi posto, o qual é Jesus Cristo.”

O verdadeiro trabalho apostólico jamais desloca Cristo do centro.

Quando uma liderança começa a construir uma obra demasiadamente dependente de sua própria pessoa, algo perigoso está acontecendo. A Igreja pertence a Jesus. O Evangelho é de Jesus. Os discípulos pertencem a Jesus.

Paulo possuía enorme autoridade, mas escreveu aos coríntios justamente porque eles estavam transformando líderes em referências sectárias: alguns diziam ser de Paulo, outros de Apolo, outros de Cefas. A resposta apostólica foi colocar cada ministro em seu devido lugar: servos por meio dos quais as pessoas creram.

Esse princípio continua extremamente necessário. Quanto mais alguém recebe responsabilidade espiritual, mais deveria trabalhar para que Cristo seja visto e menos para que sua própria personalidade se torne o centro da obra.

 

Autoridade Apostólica Não É Autoritarismo

Um dos perigos relacionados ao uso contemporâneo da palavra “apóstolo” é confundir autoridade espiritual com controle sobre pessoas. O Novo Testamento não apresenta o apostolado como licença para dominar consciências.

Paulo podia exercer autoridade, mas também falava de si mesmo como servo. Em 2 Coríntios 1:24, ele afirma que não desejava exercer domínio sobre a fé dos irmãos, mas cooperar com sua alegria.

A autoridade bíblica existe para edificar. Quando autoridade ministerial produz medo, dependência emocional, submissão cega ou impossibilidade de questionamento, precisamos retornar ao modelo de Jesus. O próprio Cristo ensinou que, no Reino, a grandeza não consiste em dominar, mas em servir.

“Autoridade espiritual saudável conduz pessoas à maturidade; não as torna permanentemente dependentes do líder.”

 

O Apostólico Possui Um Forte Compromisso Com A Missão

Paulo expressa seu coração em Romanos 15 ao dizer que procurava anunciar Cristo onde Ele ainda não havia sido conhecido. Havia nele uma paixão por fronteiras.

Essa é uma característica profundamente apostólica: enxergar lugares, povos, cidades e contextos onde o Evangelho precisa avançar.

Uma Igreja que perde essa dimensão torna-se facilmente voltada apenas para sua própria manutenção. Toda sua energia passa a ser consumida internamente, enquanto as necessidades missionárias desaparecem do horizonte.

O espírito de envio nos faz levantar os olhos. Faz-nos perguntar onde Cristo ainda precisa ser anunciado, onde igrejas precisam ser fortalecidas e onde discípulos precisam ser formados.

 

A Igreja Precisa Recuperar Sua Natureza Enviadora

Talvez uma das maiores contribuições da dimensão apostólica seja lembrar à Igreja que ela não existe apenas para permanecer, mas também para ir.

Precisamos formar discípulos que pensem “missionariamente”, igrejas que plantem igrejas, líderes que levantem outros líderes e comunidades que não tenham medo de enviar seus melhores homens e mulheres quando Deus os chamar.

Uma Igreja verdadeiramente apostólica não mede seu sucesso apenas por quantas pessoas conseguiu reunir, mas também por quantas conseguiu preparar e enviar.

Que Deus desperte novamente sua Igreja para a missão, sem culto a títulos, sem autoritarismo e sem busca por grandeza pessoal. Que levante homens e mulheres cheios do Espírito Santo, profundamente submissos às Escrituras e dispostos a atravessar fronteiras para que Cristo seja conhecido.

Porque o Reino se manifesta quando a Igreja deixa de perguntar apenas “como podemos crescer aqui?” e começa também a perguntar “para onde Deus deseja nos enviar?”

Deus te abençoe!

Pastor Sérgio Luis

quarta-feira, 2 de setembro de 2026

 


LIMPOS PELA PALAVRA — PARTE 2

Permanecer em Cristo: o segredo de uma vida que produz frutos

 


“Permanecei em mim, e eu permanecerei em vós. Como não pode o ramo produzir fruto de si mesmo, se não permanecer na videira, assim, nem vós o podeis dar, se não permanecerdes em mim.”

João 15:4

Na primeira parte desta reflexão, vimos que Jesus apresenta o Pai como o Agricultor, Cristo como a Videira verdadeira e os discípulos como ramos que precisam ser cuidados e limpos para produzir mais frutos. Também vimos que Jesus declara: “Vós já estais limpos pela palavra que vos tenho falado”. A Palavra exerce uma função purificadora em nós, confrontando pensamentos, atitudes e motivações que precisam ser transformados.

Mas João 15 nos conduz a uma verdade ainda mais profunda. Não basta ser podado; precisamos permanecer ligados à fonte da vida.

Jesus poderia ter escolhido muitas palavras para descrever o relacionamento dos discípulos com Ele, mas repetiu insistentemente uma delas: permanecer.

Essa é uma das grandes chaves para compreender a vida cristã.

 

Cristianismo Não É Apenas Começar Com Cristo, Mas Permanecer Nele

Jesus diz: “Permanecei em mim, e eu permanecerei em vós.”

A vida cristã não consiste apenas em uma decisão que tomamos algum dia no passado. Existe um começo, mas existe também uma caminhada. O discípulo é alguém que continua ligado a Cristo, alimentando sua vida espiritual nessa comunhão.

Um ramo pode parecer saudável durante algum tempo depois de ter sido separado da árvore. Suas folhas ainda podem conservar a aparência de vida, mas o processo de morte já começou porque a fonte foi interrompida.

Essa imagem deveria nos fazer refletir. É possível manter durante algum tempo uma aparência de espiritualidade mesmo quando nossa comunhão com Cristo está enfraquecida. Podemos continuar frequentando reuniões, exercendo funções e utilizando uma linguagem cristã, mas interiormente começar a secar.

Por isso, Jesus não disse apenas: “Venham a mim”. Também disse: “Permaneçam em mim”.

A verdadeira espiritualidade nasce da continuidade do relacionamento.

 

Sem Cristo Não Podemos Produzir O Fruto Que Deus Deseja

Jesus continua:

“Eu sou a videira, vós, os ramos. Quem permanece em mim, e eu, nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer.”
João 15:5

Talvez esta seja uma das declarações de Jesus que mais confrontam nossa autossuficiência. “Sem mim nada podeis fazer.”

Naturalmente, pessoas conseguem realizar inúmeras atividades sem reconhecer Cristo. Podem construir empresas, desenvolver projetos, adquirir conhecimento e alcançar muitos objetivos humanos. O contexto, entretanto, fala da produção do fruto que glorifica o Pai.

Esse fruto não pode ser fabricado pela força humana. Podemos aprender técnicas de comunicação, liderança e administração. Podemos organizar estruturas e desenvolver métodos extremamente eficientes. Entretanto, nenhuma técnica consegue produzir vida espiritual.

O ramo não fabrica a seiva. Ele recebe. É exatamente por isso que a dependência de Cristo não é sinal de fraqueza espiritual; é sinal de maturidade. Quanto mais compreendemos quem Ele é, mais percebemos quanto precisamos dele.

 

Permanecer Significa Viver Em Comunhão

Permanecer em Cristo não deve ser entendido como uma ideia abstrata ou mística desconectada da vida cotidiana. Jesus explica, ao longo do capítulo, como essa permanência se manifesta.

Permanecemos quando suas palavras permanecem em nós, quando obedecemos aos seus mandamentos, quando cultivamos comunhão com Ele e quando sua vida começa a moldar nossas escolhas.

Isso significa que não podemos separar relacionamento com Cristo de obediência à sua Palavra. Algumas pessoas desejam intimidade com Deus sem submissão a Deus. Querem presença sem governo, consolo sem correção e promessas sem mandamentos.

Jesus não separa essas coisas. Permanecer em Cristo significa permitir que sua Palavra permaneça em nós.

 

A Palavra Precisa Permanecer Em Nós

No versículo 7, Jesus apresenta uma relação extraordinária: “Se permanecerdes em mim, e as minhas palavras permanecerem em vós, pedireis o que quiserdes, e vos será feito.”

Observe que Jesus não diz apenas que precisamos permanecer nele. Ele acrescenta: “E as minhas palavras permanecerem em vós.”

Isso significa que nossa comunhão com Cristo é profundamente alimentada pelas suas palavras. A Bíblia não foi dada simplesmente para estar em nossas mãos; precisa encontrar espaço dentro de nós.

Paulo escreve em Colossenses 3:16: “Habite, ricamente, em vós a palavra de Cristo.” A expressão “habite” traz a ideia de residência. A Palavra não deve ser uma visitante ocasional, mas uma presença constante que orienta nossa maneira de pensar e viver.

Quanto mais a Palavra permanece em nós, mais nossas orações também começam a ser transformadas. Passamos a pedir menos movidos simplesmente por impulsos pessoais e começamos a desejar aquilo que corresponde à vontade do Pai.

 

Palavra E Oração Não Devem Ser Separadas

Na Igreja primitiva encontramos uma prioridade que precisa ser recuperada. Em Atos 6:4, os apóstolos declararam: “E, quanto a nós, nos consagraremos à oração e ao ministério da palavra.”

Perceba que eles não escolheram entre Palavra e oração. Mantiveram as duas.

Uma vida enraizada em Cristo precisa dessas duas dimensões. A Palavra nos mostra quem Deus é, revela sua vontade, corrige nossa compreensão e estabelece fundamentos para nossa fé. A oração transforma conhecimento em relacionamento, dependência, comunhão e entrega.

Quando temos Palavra sem oração, corremos o risco de transformar conhecimento bíblico em mera informação intelectual. Quando buscamos oração sem Palavra, podemos facilmente confundir nossos próprios sentimentos com a vontade de Deus.

“A Palavra orienta nossa oração, e a oração nos leva a responder à Palavra.”

Essa combinação aparece claramente na vida de Jesus e na prática dos primeiros discípulos.

 

Vigilância E Oração Nos Protegem Da Tentação

Jesus também ensinou: “Vigiai e orai, para que não entreis em tentação.”
Mateus 26:41

Vigiar significa estar espiritualmente atento. Não podemos viver de maneira distraída em relação às nossas fraquezas, aos ambientes que frequentamos, aos pensamentos que alimentamos e às oportunidades que oferecemos à tentação.

A Palavra contribui para essa vigilância porque revela os caminhos de Deus e expõe as estratégias do pecado. Quanto mais conhecemos as Escrituras, maior deveria ser nossa capacidade de reconhecer aquilo que tenta nos afastar de Cristo.

Mas conhecimento sozinho não basta. Precisamos orar. A oração é uma confissão prática de dependência. Quando oramos, estamos reconhecendo que não conseguimos vencer determinadas batalhas apenas com força de vontade.

Por isso, Jesus une as duas coisas: “Vigiai e orai.”

O discípulo atento à Palavra percebe o perigo, e o discípulo que ora busca em Deus força para permanecer firme.

 

Jejum Não Substitui A Palavra, Mas Aprofunda Nossa Busca Por Deus

A oração e o jejum aparecem como práticas importantes em uma vida ligada à Videira.

Não jejuamos para convencer Deus a fazer aquilo que queremos. O jejum não possui poder mágico e não substitui a obediência às Escrituras. Ele é uma disciplina por meio da qual podemos nos dedicar de maneira mais concentrada à busca de Deus, submetendo apetites e direcionando nossa atenção para Ele.

Quando Palavra, oração e jejum encontram um coração verdadeiramente rendido, tornam-se instrumentos importantes em nossa caminhada espiritual.

Entretanto, o centro continua sendo Cristo. Não é o jejum que produz vida. Não é uma técnica de oração que produz vida. A vida vem da Videira.

As disciplinas espirituais existem exatamente para nos ajudar a cultivar uma comunhão mais consciente com aquele que é a fonte.

 

A Frutificação Glorifica O Pai

Jesus declara:

“Nisto é glorificado meu Pai, em que deis muito fruto; e assim vos tornareis meus discípulos.”
João 15:8

Esse versículo nos mostra o propósito final da frutificação. Não produzimos fruto para construir nossa própria reputação espiritual. Não amadurecemos para impressionar pessoas. Não servimos para sermos admirados.

“O Pai é glorificado quando a vida de Cristo se torna visível através de nós.”

Isso muda a pergunta que fazemos. Em vez de perguntar apenas: “Estou tendo sucesso?”, deveríamos perguntar: “Minha vida está produzindo aquilo que glorifica o Pai?”

Há pessoas que possuem muito reconhecimento público e pouco fruto espiritual. Também existem discípulos praticamente desconhecidos que, silenciosamente, carregam amor, fidelidade, mansidão, generosidade, pureza e perseverança.

Deus não mede o fruto como nossa cultura mede sucesso. O fruto verdadeiro nasce de uma vida ligada a Cristo.

 

A Frutificação É Progressiva

Há uma progressão muito interessante em João 15. Jesus fala de fruto, mais fruto e muito fruto.

Isso nos mostra que a vida cristã é dinâmica. Deus não deseja apenas que comecemos bem. Ele deseja amadurecimento.

O ramo que produz fruto é podado para produzir mais fruto, e aquele que permanece em Cristo chega a produzir muito fruto. Isso significa que sempre existe espaço para crescimento.

Talvez você já tenha caminhado muitos anos com Cristo, mas ainda existem áreas onde Deus deseja produzir algo novo. Talvez sua paciência precise crescer, sua capacidade de perdoar precise amadurecer ou sua generosidade precise ser aprofundada. Pode ser que Deus esteja trabalhando na maneira como você lida com sua família, seus recursos, seu ministério ou suas emoções.

A maturidade não é chegar a um ponto onde não precisamos mais mudar. Maturidade é permanecer disponível para continuar sendo transformado.

 

Não Confunda Atividade Com Fruto

Esse é outro cuidado necessário. Podemos fazer muitas coisas para Deus e ainda produzir pouco fruto de Deus.

Atividade não é necessariamente frutificação. É possível ter uma agenda cheia e uma alma vazia. Podemos realizar cultos, reuniões, projetos, viagens e ministérios enquanto nossa comunhão pessoal com Cristo se torna cada vez mais superficial.

Jesus coloca a ordem correta. Primeiro: “Permanecei em mim”. Depois: “Dareis muito fruto”.

O fruto é consequência da comunhão. Quando tentamos inverter essa ordem, transformamos ministério em ativismo e começamos a tentar produzir com esforço aquilo que deveria nascer da vida de Cristo fluindo através de nós.

 

A Palavra Nos Limpa E Cristo Nos Sustenta

Agora podemos unir as duas partes desta mensagem.

Na primeira, encontramos o Pai trabalhando como Agricultor e a Palavra realizando uma obra de limpeza em nós. Nesta segunda, encontramos Jesus mostrando que essa limpeza precisa conduzir a uma permanência cada vez mais profunda nele.

Essas verdades não podem ser separadas.

“A Palavra nos limpa para que permaneçamos em Cristo, e permanecemos em Cristo para que sua vida produza fruto através de nós.”

Não buscamos pureza apenas para parecermos espiritualmente melhores. Somos purificados para que a vida de Jesus encontre menos resistência em nós.

Não buscamos conhecimento bíblico apenas para acumular informações. Queremos que a Palavra permaneça em nosso coração.

Não oramos apenas para obter respostas. Oramos porque desejamos comunhão.

Não jejuamos para manipular Deus. Jejuamos porque queremos dedicar-nos mais intensamente à sua presença.

Tudo converge para a mesma realidade: Cristo em nós e nós permanecendo nele.

 

Permaneça Na Videira

Talvez você esteja vivendo um período de poda. Algumas coisas estão sendo confrontadas, removidas ou reorganizadas dentro de você. Não interprete automaticamente esse processo como abandono. Talvez seja o Agricultor trabalhando.

Talvez você esteja percebendo que precisa retornar à Palavra, reorganizar sua vida de oração e recuperar a comunhão que foi sendo enfraquecida pelo excesso de atividades.

Volte para a Videira. Não tente produzir sozinho aquilo que somente Cristo pode produzir através de você. Permaneça em sua Palavra, cultive uma vida de oração, vigie seu coração e permita que o Pai continue trabalhando.

Porque o segredo da vida cristã não é aprender a viver independentemente de Deus. É exatamente o contrário.

“Quanto mais amadurecemos, mais compreendemos que tudo depende da nossa permanência em Cristo.”

Jesus deixou isso absolutamente claro: “Quem permanece em mim, e eu, nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer.”

Que sua Palavra continue nos limpando, que sua presença continue nos sustentando e que nossa vida produza frutos que glorifiquem ao Pai.

Deus te abençoe!

Para acessar Limpos Pela Palavra - Parte I, clique aqui: MISSIONÁRIOS SÉRGIO E DÉBORA: LIMPOS PELA PALAVRA - PARTE I A Palavra que nos purifica para produzir mais frutos

Pr. Sérgio Luis