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quarta-feira, 2 de setembro de 2026

 


LIMPOS PELA PALAVRA — PARTE 2

Permanecer em Cristo: o segredo de uma vida que produz frutos

 


“Permanecei em mim, e eu permanecerei em vós. Como não pode o ramo produzir fruto de si mesmo, se não permanecer na videira, assim, nem vós o podeis dar, se não permanecerdes em mim.”

João 15:4

Na primeira parte desta reflexão, vimos que Jesus apresenta o Pai como o Agricultor, Cristo como a Videira verdadeira e os discípulos como ramos que precisam ser cuidados e limpos para produzir mais frutos. Também vimos que Jesus declara: “Vós já estais limpos pela palavra que vos tenho falado”. A Palavra exerce uma função purificadora em nós, confrontando pensamentos, atitudes e motivações que precisam ser transformados.

Mas João 15 nos conduz a uma verdade ainda mais profunda. Não basta ser podado; precisamos permanecer ligados à fonte da vida.

Jesus poderia ter escolhido muitas palavras para descrever o relacionamento dos discípulos com Ele, mas repetiu insistentemente uma delas: permanecer.

Essa é uma das grandes chaves para compreender a vida cristã.

 

Cristianismo Não É Apenas Começar Com Cristo, Mas Permanecer Nele

Jesus diz: “Permanecei em mim, e eu permanecerei em vós.”

A vida cristã não consiste apenas em uma decisão que tomamos algum dia no passado. Existe um começo, mas existe também uma caminhada. O discípulo é alguém que continua ligado a Cristo, alimentando sua vida espiritual nessa comunhão.

Um ramo pode parecer saudável durante algum tempo depois de ter sido separado da árvore. Suas folhas ainda podem conservar a aparência de vida, mas o processo de morte já começou porque a fonte foi interrompida.

Essa imagem deveria nos fazer refletir. É possível manter durante algum tempo uma aparência de espiritualidade mesmo quando nossa comunhão com Cristo está enfraquecida. Podemos continuar frequentando reuniões, exercendo funções e utilizando uma linguagem cristã, mas interiormente começar a secar.

Por isso, Jesus não disse apenas: “Venham a mim”. Também disse: “Permaneçam em mim”.

A verdadeira espiritualidade nasce da continuidade do relacionamento.

 

Sem Cristo Não Podemos Produzir O Fruto Que Deus Deseja

Jesus continua:

“Eu sou a videira, vós, os ramos. Quem permanece em mim, e eu, nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer.”
João 15:5

Talvez esta seja uma das declarações de Jesus que mais confrontam nossa autossuficiência. “Sem mim nada podeis fazer.”

Naturalmente, pessoas conseguem realizar inúmeras atividades sem reconhecer Cristo. Podem construir empresas, desenvolver projetos, adquirir conhecimento e alcançar muitos objetivos humanos. O contexto, entretanto, fala da produção do fruto que glorifica o Pai.

Esse fruto não pode ser fabricado pela força humana. Podemos aprender técnicas de comunicação, liderança e administração. Podemos organizar estruturas e desenvolver métodos extremamente eficientes. Entretanto, nenhuma técnica consegue produzir vida espiritual.

O ramo não fabrica a seiva. Ele recebe. É exatamente por isso que a dependência de Cristo não é sinal de fraqueza espiritual; é sinal de maturidade. Quanto mais compreendemos quem Ele é, mais percebemos quanto precisamos dele.

 

Permanecer Significa Viver Em Comunhão

Permanecer em Cristo não deve ser entendido como uma ideia abstrata ou mística desconectada da vida cotidiana. Jesus explica, ao longo do capítulo, como essa permanência se manifesta.

Permanecemos quando suas palavras permanecem em nós, quando obedecemos aos seus mandamentos, quando cultivamos comunhão com Ele e quando sua vida começa a moldar nossas escolhas.

Isso significa que não podemos separar relacionamento com Cristo de obediência à sua Palavra. Algumas pessoas desejam intimidade com Deus sem submissão a Deus. Querem presença sem governo, consolo sem correção e promessas sem mandamentos.

Jesus não separa essas coisas. Permanecer em Cristo significa permitir que sua Palavra permaneça em nós.

 

A Palavra Precisa Permanecer Em Nós

No versículo 7, Jesus apresenta uma relação extraordinária: “Se permanecerdes em mim, e as minhas palavras permanecerem em vós, pedireis o que quiserdes, e vos será feito.”

Observe que Jesus não diz apenas que precisamos permanecer nele. Ele acrescenta: “E as minhas palavras permanecerem em vós.”

Isso significa que nossa comunhão com Cristo é profundamente alimentada pelas suas palavras. A Bíblia não foi dada simplesmente para estar em nossas mãos; precisa encontrar espaço dentro de nós.

Paulo escreve em Colossenses 3:16: “Habite, ricamente, em vós a palavra de Cristo.” A expressão “habite” traz a ideia de residência. A Palavra não deve ser uma visitante ocasional, mas uma presença constante que orienta nossa maneira de pensar e viver.

Quanto mais a Palavra permanece em nós, mais nossas orações também começam a ser transformadas. Passamos a pedir menos movidos simplesmente por impulsos pessoais e começamos a desejar aquilo que corresponde à vontade do Pai.

 

Palavra E Oração Não Devem Ser Separadas

Na Igreja primitiva encontramos uma prioridade que precisa ser recuperada. Em Atos 6:4, os apóstolos declararam: “E, quanto a nós, nos consagraremos à oração e ao ministério da palavra.”

Perceba que eles não escolheram entre Palavra e oração. Mantiveram as duas.

Uma vida enraizada em Cristo precisa dessas duas dimensões. A Palavra nos mostra quem Deus é, revela sua vontade, corrige nossa compreensão e estabelece fundamentos para nossa fé. A oração transforma conhecimento em relacionamento, dependência, comunhão e entrega.

Quando temos Palavra sem oração, corremos o risco de transformar conhecimento bíblico em mera informação intelectual. Quando buscamos oração sem Palavra, podemos facilmente confundir nossos próprios sentimentos com a vontade de Deus.

“A Palavra orienta nossa oração, e a oração nos leva a responder à Palavra.”

Essa combinação aparece claramente na vida de Jesus e na prática dos primeiros discípulos.

 

Vigilância E Oração Nos Protegem Da Tentação

Jesus também ensinou: “Vigiai e orai, para que não entreis em tentação.”
Mateus 26:41

Vigiar significa estar espiritualmente atento. Não podemos viver de maneira distraída em relação às nossas fraquezas, aos ambientes que frequentamos, aos pensamentos que alimentamos e às oportunidades que oferecemos à tentação.

A Palavra contribui para essa vigilância porque revela os caminhos de Deus e expõe as estratégias do pecado. Quanto mais conhecemos as Escrituras, maior deveria ser nossa capacidade de reconhecer aquilo que tenta nos afastar de Cristo.

Mas conhecimento sozinho não basta. Precisamos orar. A oração é uma confissão prática de dependência. Quando oramos, estamos reconhecendo que não conseguimos vencer determinadas batalhas apenas com força de vontade.

Por isso, Jesus une as duas coisas: “Vigiai e orai.”

O discípulo atento à Palavra percebe o perigo, e o discípulo que ora busca em Deus força para permanecer firme.

 

Jejum Não Substitui A Palavra, Mas Aprofunda Nossa Busca Por Deus

A oração e o jejum aparecem como práticas importantes em uma vida ligada à Videira.

Não jejuamos para convencer Deus a fazer aquilo que queremos. O jejum não possui poder mágico e não substitui a obediência às Escrituras. Ele é uma disciplina por meio da qual podemos nos dedicar de maneira mais concentrada à busca de Deus, submetendo apetites e direcionando nossa atenção para Ele.

Quando Palavra, oração e jejum encontram um coração verdadeiramente rendido, tornam-se instrumentos importantes em nossa caminhada espiritual.

Entretanto, o centro continua sendo Cristo. Não é o jejum que produz vida. Não é uma técnica de oração que produz vida. A vida vem da Videira.

As disciplinas espirituais existem exatamente para nos ajudar a cultivar uma comunhão mais consciente com aquele que é a fonte.

 

A Frutificação Glorifica O Pai

Jesus declara:

“Nisto é glorificado meu Pai, em que deis muito fruto; e assim vos tornareis meus discípulos.”
João 15:8

Esse versículo nos mostra o propósito final da frutificação. Não produzimos fruto para construir nossa própria reputação espiritual. Não amadurecemos para impressionar pessoas. Não servimos para sermos admirados.

“O Pai é glorificado quando a vida de Cristo se torna visível através de nós.”

Isso muda a pergunta que fazemos. Em vez de perguntar apenas: “Estou tendo sucesso?”, deveríamos perguntar: “Minha vida está produzindo aquilo que glorifica o Pai?”

Há pessoas que possuem muito reconhecimento público e pouco fruto espiritual. Também existem discípulos praticamente desconhecidos que, silenciosamente, carregam amor, fidelidade, mansidão, generosidade, pureza e perseverança.

Deus não mede o fruto como nossa cultura mede sucesso. O fruto verdadeiro nasce de uma vida ligada a Cristo.

 

A Frutificação É Progressiva

Há uma progressão muito interessante em João 15. Jesus fala de fruto, mais fruto e muito fruto.

Isso nos mostra que a vida cristã é dinâmica. Deus não deseja apenas que comecemos bem. Ele deseja amadurecimento.

O ramo que produz fruto é podado para produzir mais fruto, e aquele que permanece em Cristo chega a produzir muito fruto. Isso significa que sempre existe espaço para crescimento.

Talvez você já tenha caminhado muitos anos com Cristo, mas ainda existem áreas onde Deus deseja produzir algo novo. Talvez sua paciência precise crescer, sua capacidade de perdoar precise amadurecer ou sua generosidade precise ser aprofundada. Pode ser que Deus esteja trabalhando na maneira como você lida com sua família, seus recursos, seu ministério ou suas emoções.

A maturidade não é chegar a um ponto onde não precisamos mais mudar. Maturidade é permanecer disponível para continuar sendo transformado.

 

Não Confunda Atividade Com Fruto

Esse é outro cuidado necessário. Podemos fazer muitas coisas para Deus e ainda produzir pouco fruto de Deus.

Atividade não é necessariamente frutificação. É possível ter uma agenda cheia e uma alma vazia. Podemos realizar cultos, reuniões, projetos, viagens e ministérios enquanto nossa comunhão pessoal com Cristo se torna cada vez mais superficial.

Jesus coloca a ordem correta. Primeiro: “Permanecei em mim”. Depois: “Dareis muito fruto”.

O fruto é consequência da comunhão. Quando tentamos inverter essa ordem, transformamos ministério em ativismo e começamos a tentar produzir com esforço aquilo que deveria nascer da vida de Cristo fluindo através de nós.

 

A Palavra Nos Limpa E Cristo Nos Sustenta

Agora podemos unir as duas partes desta mensagem.

Na primeira, encontramos o Pai trabalhando como Agricultor e a Palavra realizando uma obra de limpeza em nós. Nesta segunda, encontramos Jesus mostrando que essa limpeza precisa conduzir a uma permanência cada vez mais profunda nele.

Essas verdades não podem ser separadas.

“A Palavra nos limpa para que permaneçamos em Cristo, e permanecemos em Cristo para que sua vida produza fruto através de nós.”

Não buscamos pureza apenas para parecermos espiritualmente melhores. Somos purificados para que a vida de Jesus encontre menos resistência em nós.

Não buscamos conhecimento bíblico apenas para acumular informações. Queremos que a Palavra permaneça em nosso coração.

Não oramos apenas para obter respostas. Oramos porque desejamos comunhão.

Não jejuamos para manipular Deus. Jejuamos porque queremos dedicar-nos mais intensamente à sua presença.

Tudo converge para a mesma realidade: Cristo em nós e nós permanecendo nele.

 

Permaneça Na Videira

Talvez você esteja vivendo um período de poda. Algumas coisas estão sendo confrontadas, removidas ou reorganizadas dentro de você. Não interprete automaticamente esse processo como abandono. Talvez seja o Agricultor trabalhando.

Talvez você esteja percebendo que precisa retornar à Palavra, reorganizar sua vida de oração e recuperar a comunhão que foi sendo enfraquecida pelo excesso de atividades.

Volte para a Videira. Não tente produzir sozinho aquilo que somente Cristo pode produzir através de você. Permaneça em sua Palavra, cultive uma vida de oração, vigie seu coração e permita que o Pai continue trabalhando.

Porque o segredo da vida cristã não é aprender a viver independentemente de Deus. É exatamente o contrário.

“Quanto mais amadurecemos, mais compreendemos que tudo depende da nossa permanência em Cristo.”

Jesus deixou isso absolutamente claro: “Quem permanece em mim, e eu, nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer.”

Que sua Palavra continue nos limpando, que sua presença continue nos sustentando e que nossa vida produza frutos que glorifiquem ao Pai.

Deus te abençoe!

Para acessar Limpos Pela Palavra - Parte I, clique aqui: MISSIONÁRIOS SÉRGIO E DÉBORA: LIMPOS PELA PALAVRA - PARTE I A Palavra que nos purifica para produzir mais frutos

Pr. Sérgio Luis


 

 

terça-feira, 25 de agosto de 2026

 



DE VOLTA AO EVANGELHO GENUÍNO

 

“Admira-me que estejais passando tão depressa daquele que vos chamou na graça de Cristo para outro evangelho, o qual não é outro, senão que há alguns que vos perturbam e querem perverter o evangelho de Cristo.” Gálatas 1:6-7

 

Talvez uma das maiores necessidades da Igreja em nossos dias não seja descobrir alguma coisa nova, mas voltar àquilo que nunca deveria ter sido abandonado. Voltar ao Evangelho.

Não a uma nova versão do Evangelho. Não a uma interpretação adaptada aos desejos desta geração. Não a um Evangelho remodelado para ser mais atraente, comercial, politicamente conveniente ou culturalmente aceitável.

Precisamos voltar ao Evangelho genuíno de Jesus Cristo. Vivemos dias de muitas vozes. Vozes religiosas, teológicas, políticas, culturais e ideológicas disputam nossa atenção. Todos os dias somos bombardeados por opiniões, interpretações, tendências e discursos tentando nos dizer como devemos enxergar Deus, a Igreja, o homem e o mundo.

O perigo começa quando essas vozes passam a falar mais alto do que as Escrituras. Porque o Evangelho não nasceu da inteligência humana. Não foi criado por uma denominação, instituição, movimento, teólogo ou pregador. O Evangelho procede de Deus.

E justamente porque procede de Deus, ninguém possui autoridade para alterá-lo.

 

O Evangelho Não Precisa Ser Reinventado

A Igreja pode mudar sua maneira de comunicar. Pode utilizar novas tecnologias, novos formatos, novos meios de evangelização e uma linguagem compreensível para cada geração. Mas existe algo que jamais poderá mudar: a essência da mensagem.

Podemos mudar a forma como comunicamos o Evangelho, mas não podemos mudar o Evangelho que comunicamos.

Paulo ficou profundamente preocupado quando percebeu que isso estava acontecendo entre os gálatas. Eles não haviam simplesmente abandonado toda a religião. O problema era muito mais sutil.

Continuavam falando de Deus. Continuavam utilizando uma linguagem religiosa. Continuavam aparentemente envolvidos com a fé. Mas estavam aceitando “outro evangelho”.

E Paulo é categórico: esse “outro evangelho” não era Evangelho. Esse alerta continua necessário porque o falso evangelho raramente aparece dizendo: “Eu sou falso”. Normalmente, ele conserva partes da verdade. Fala de Jesus. Utiliza a Bíblia. Emprega vocabulário cristão. Ocupa púlpitos. Atrai pessoas. Mas, pouco a pouco, acrescenta, retira ou modifica elementos essenciais da mensagem.

A distorção acontece quando o pecado deixa de ser tratado como pecado; quando o arrependimento desaparece; quando a cruz é substituída pelo sucesso; quando a santidade passa a ser considerada ultrapassada; ou quando a graça é transformada em permissão para uma vida sem transformação.

 

Quando O Evangelho Deixa De Confrontar

Existe um Evangelho sendo apresentado em alguns ambientes que praticamente não confronta mais ninguém. Tudo gira em torno de realização, conquistas, vitórias, prosperidade, bem-estar, autoestima e projetos pessoais.

Naturalmente, Deus se importa conosco. Ele cuida de seus filhos, responde orações, restaura, sustenta e provê. Mas precisamos entender uma diferença fundamental: O centro do Evangelho não é aquilo que Deus pode fazer por nós. O centro do Evangelho é aquilo que Deus fez em Cristo e aquilo que Cristo passa a ser para nós.

Jesus não morreu apenas para melhorar nossa vida. Jesus morreu e ressuscitou para nos reconciliar com Deus.

Por isso, o Evangelho fala de graça, mas também de arrependimento. Fala de perdão, mas também de transformação. Fala de amor, mas também de santidade. Fala de salvação, mas também de senhorio. Fala de vida, mas também de cruz.

Um Evangelho que oferece todas as promessas de Cristo, mas rejeita o senhorio de Cristo, está incompleto.

 

Precisamos Colocar Cristo Novamente No Centro

Paulo declarou:

“Porque decidi nada saber entre vós, senão a Jesus Cristo e este crucificado.”
1 Coríntios 2:2

Essa declaração deveria provocar uma profunda reflexão na Igreja contemporânea: Cristo ainda é o centro da nossa mensagem?

Podemos realizar cultos sem que Cristo seja verdadeiramente o centro. Podemos organizar congressos, conferências e eventos. Podemos possuir estruturas excelentes. Podemos utilizar tecnologia de última geração. Podemos reunir multidões. Podemos construir marcas ministeriais extremamente conhecidas. E ainda assim precisamos perguntar: Onde está Jesus em tudo isso?

Uma igreja pode falar muito sobre prosperidade e pouco sobre arrependimento. Pode falar muito sobre conquistas e pouco sobre cruz. Pode falar muito sobre direitos e pouco sobre renúncia. Pode falar muito sobre aquilo que Deus fará por nós e pouco sobre aquilo que Deus deseja fazer em nós.

E talvez um dos sinais mais preocupantes apareça quando as pessoas saem admiradas com o pregador, mas não profundamente impressionadas com Cristo. O verdadeiro ministério deveria produzir exatamente o contrário.

João Batista compreendeu isso quando declarou:

“Convém que ele cresça e que eu diminua.”
João 3:30

Essa precisa continuar sendo a linguagem de todo ministério genuinamente cristão.

Quanto maior Cristo se torna diante das pessoas, menos necessidade temos de construir altares para nós mesmos.

 

O Púlpito Não É Um Negócio

Paulo escreveu algo igualmente forte aos coríntios:

“Porque nós não estamos, como tantos outros, mercadejando a palavra de Deus...”
2 Coríntios 2:17

Essa palavra continua assustadoramente atual.

A Palavra é mercadejada quando a vulnerabilidade das pessoas é utilizada para obter dinheiro. É mercadejada quando promessas bíblicas são transformadas em mecanismos de manipulação. É mercadejada quando medo, culpa e superstição são utilizados para controlar pessoas.

A Palavra também é mercadejada quando a mensagem começa a ser escolhida não pela fidelidade às Escrituras, mas por sua capacidade de produzir aplausos, seguidores, fama, dinheiro ou influência.

O pregador precisa se lembrar: Nós não somos proprietários da mensagem. Somos servos dela. O Evangelho não nos foi entregue para construirmos nosso nome. Foi-nos confiado para anunciarmos o nome de Jesus.

 

Quando Nossos Sistemas Se Tornam Maiores Do Que A Bíblia

Existe ainda outro perigo mais sofisticado. Podemos amar tanto nossas tradições, denominações e sistemas teológicos que, sem perceber, começamos a enxergar toda a Bíblia através deles.

Teologia é importante. Estudar é importante. Conhecer doutrinas é importante. Mas nenhum sistema teológico é inspirado. As Escrituras são. Nenhum teólogo é infalível. Nenhuma tradição possui autoridade para corrigir a Palavra. Nenhuma corrente consegue esgotar toda a grandeza da revelação divina.

A ordem precisa permanecer correta: Nossa teologia deve nascer das Escrituras, permanecer debaixo das Escrituras e estar sempre aberta à correção das Escrituras.

O problema começa quando abrimos a Bíblia apenas para encontrar argumentos que confirmem aquilo em que já decidimos acreditar. Nesse momento, deixamos de permitir que a Palavra nos examine.

Precisamos voltar a abrir as Escrituras com humildade e perguntar: “Senhor, o que tua Palavra realmente está dizendo?”

 

O Evangelho Não Pertence A Nenhuma Ideologia

Outro risco do nosso tempo é transformar Jesus em representante dos nossos projetos políticos e ideológicos.

Todos querem Jesus do próprio lado. Mas talvez a pergunta não seja: “Jesus está do meu lado?” A pergunta deveria ser: “Eu estou do lado de Jesus?”

Jesus não veio para se encaixar em nossos projetos político e ideológicos. Ele veio anunciar e estabelecer o Reino de Deus.

O Evangelho confronta a imoralidade, mas também confronta a injustiça. Confronta a idolatria do prazer, mas também a idolatria do poder. Confronta o egoísmo individual, mas também denuncia estruturas que esmagam pessoas.

Por isso, nenhuma bandeira humana pode ser maior do que a cruz. Nenhum partido é o Reino de Deus. Nenhum governante é o Messias. Nenhuma ideologia possui autoridade para redefinir as Escrituras.

Nossa fidelidade suprema pertence a Jesus Cristo.

 

Quando As Pessoas Não Querem Mais Ouvir A Verdade

Paulo fez uma séria advertência a Timóteo:

“Pois haverá tempo em que não suportarão a sã doutrina; pelo contrário, cercar-se-ão de mestres segundo as suas próprias cobiças...”
2 Timóteo 4:3

Observe algo impressionante. Paulo não disse que as pessoas deixariam de procurar mestres. Elas continuariam querendo ouvir pregações. O problema seria outro: escolheriam quem pregasse aquilo que desejavam ouvir.

Esse talvez seja um dos maiores desafios do púlpito contemporâneo.

Existe sempre a tentação de oferecer uma mensagem que agrade à audiência. Um Deus que abençoa, mas não governa. Um Jesus que salva, mas não é Senhor. Uma graça que perdoa, mas não transforma. Promessas sem compromisso. Consolo sem correção. Céu sem cruz. Salvação sem arrependimento.

Mas Paulo não disse a Timóteo: “Descubra aquilo que as pessoas querem ouvir.” Ele disse: “Prega a palavra.” 2 Timóteo 4:2

Essa continua sendo nossa responsabilidade.

 

O Evangelho Genuíno Transforma

Talvez exista uma pergunta capaz de nos ajudar a discernir muitas coisas: Que tipo de pessoa essa mensagem está produzindo?

Porque o Evangelho genuíno não produz apenas emoção. Produz transformação. Não produz apenas admiradores de pregadores. Produz discípulos de Jesus. Não produz apenas pessoas empolgadas durante um culto. Produz homens e mulheres transformados no cotidiano.

O Evangelho alcança nossa maneira de tratar nossa família, nossa relação com dinheiro, nossa sexualidade, nossa língua, nossos negócios, nossos relacionamentos, nossa maneira de perdoar, nossa maneira de servir, nossa forma de reagir quando somos contrariados e nossa vida quando ninguém está olhando.

Paulo declarou:

“Pois não me envergonho do evangelho, porque é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê.”
Romanos 1:16

O Evangelho não existe apenas para nos fazer sentir alguma coisa. Existe para produzir em nós uma nova vida.

A graça nos recebe, mas também nos transforma. A graça perdoa, mas também educa. A graça salva, mas também nos ensina a abandonar aquilo que desagrada a Deus.

 

É Hora De Voltar

Talvez, portanto, nossa maior necessidade não seja uma nova estratégia. Talvez não precisemos de um Evangelho mais moderno, mais confortável, mais atraente ou mais ajustado à cultura. Talvez simplesmente precisemos voltar.

Voltar às Escrituras. Voltar à cruz. Voltar ao arrependimento. Voltar à santidade. Voltar à graça. Voltar à verdade. Voltar à simplicidade da devoção a Cristo. Voltar a pregar Jesus. Voltar a formar discípulos. Voltar a amar a presença de Deus mais do que a plataforma. Voltar a desejar a aprovação de Deus mais do que os aplausos humanos. Voltar a medir o sucesso de um ministério não apenas pela quantidade de pessoas reunidas, mas pelas vidas verdadeiramente transformadas.

"Nossa geração não precisa de um Evangelho novo. Precisa redescobrir o Evangelho verdadeiro."

O Evangelho continua sendo a boa notícia de que Deus veio ao nosso encontro em Jesus Cristo. Cristo morreu pelos nossos pecados. Ressuscitou dentre os mortos.

Há perdão. Há reconciliação. Há nova vida. Há salvação. Mas existe também um chamado: Arrependa-se. Creia. Tome sua cruz. Siga Jesus.

Talvez tenhamos acrescentado tantas coisas ao redor da mensagem que seja necessário retirar novamente tudo aquilo que ocupa indevidamente o centro. E quando retirarmos nossas vaidades, ideologias, interesses, tradições intocáveis, projetos pessoais e ambições ministeriais, encontraremos novamente aquilo que sempre deveria ter permanecido no centro: JESUS CRISTO.

É hora de voltar. De voltar ao Evangelho genuíno. De voltar à Palavra. De voltar à cruz. De volta a Cristo.

Deus te abençoe!
Pr. Sérgio Luis

@sergioluis75 no Instagram