MANIFESTANDO O REINO DE DEUS ATRAVÉS DO MINISTÉRIO PROFÉTICO
Uma voz submetida à Palavra para edificar,
exortar e consolar a Igreja
“Segui o
amor e procurai, com zelo, os dons espirituais, mas principalmente que
profetizeis.”
1 Coríntios 14:1
Poucos temas exigem tanto equilíbrio bíblico quanto o ministério
profético. De um lado, existe o perigo de rejeitar toda manifestação profética
por causa dos abusos cometidos em nome dela. De outro, existe o perigo
igualmente sério de aceitar qualquer declaração espiritual simplesmente porque
alguém afirmou: “Deus me disse”.
O caminho bíblico não está em nenhum desses extremos. O Novo Testamento
reconhece a atuação profética na Igreja, mas também ordena que aquilo que é
profetizado seja avaliado, discernido e submetido à verdade já revelada por
Deus.
Isso significa que o ministério profético não possui liberdade para
criar uma nova doutrina, substituir as Escrituras ou tornar-se uma autoridade
incontestável na vida das pessoas. Sua função acontece dentro do Corpo de
Cristo, debaixo do senhorio de Jesus e submetida à Palavra.
A Profecia Precisa Nascer Do Amor
É significativo que Paulo comece 1 Coríntios 14 dizendo: “Segui o
amor”, antes de falar sobre profecia.
O capítulo 13, imediatamente anterior, é a grande exposição sobre o
amor. Isso significa que os dons espirituais não deveriam ser separados do
caráter de Cristo.
Uma pessoa pode desejar experiências extraordinárias, mas se sua
motivação é demonstrar superioridade espiritual, controlar pessoas ou atrair
atenção para si, algo já está fora da ordem bíblica.
A verdadeira manifestação do Espírito precisa carregar o caráter daquele
que distribui os dons.
O profético sem amor pode tornar-se agressivo, manipulador e destrutivo.
O profético acompanhado pelo amor de Cristo procura edificar.
A Profecia Do Novo Testamento Edifica, Exorta E Consola
Paulo estabelece uma referência muito importante em 1 Coríntios 14:3 ao
ensinar que aquele que profetiza fala aos homens “edificando, exortando e
consolando”. Essas três palavras ajudam a proteger a Igreja de uma
compreensão desequilibrada do profético.
Existe edificação porque Deus deseja fortalecer seu povo. Existe
exortação porque, em alguns momentos, precisamos ser despertados e corrigidos.
Existe consolação porque Deus conhece nossas fraquezas e dores.
Isso não significa que uma palavra profética nunca possa trazer
advertência. As Escrituras apresentam momentos em que Deus alerta seu povo.
Entretanto, até mesmo a correção divina possui propósito redentor.
“Deus confronta para restaurar, não para alimentar o ego daquele que
profetiza.”
A Profecia Não Substitui As Escrituras
Esse princípio precisa ser afirmado de maneira muito clara. A Bíblia é
nossa referência normativa para doutrina, fé e prática. Nenhuma experiência,
visão, sonho ou palavra profética possui autoridade para estabelecer uma
verdade contrária às Escrituras.
Paulo orienta em 1 Tessalonicenses 5:20-21:
“Não desprezeis as profecias; julgai todas as coisas, retende o que é
bom.”
Observe o equilíbrio. Ele não diz para desprezar, mas também não diz
para aceitar tudo.
Precisamos avaliar. Quando alguém proíbe qualquer avaliação de sua
palavra porque afirma falar diretamente da parte de Deus, está recusando
justamente um princípio estabelecido pelas Escrituras.
A verdadeira manifestação profética não tem medo do discernimento
bíblico.
O Profético Revela O Coração De Deus, Não O Ego Do Profeta
Nos profetas bíblicos percebemos um profundo envolvimento com aquilo que
Deus desejava comunicar. Eles não eram simplesmente mensageiros frios
transmitindo informações. Muitas vezes choravam, intercediam e carregavam no
coração a dor do povo.
Jeremias é um exemplo extraordinário. Sua mensagem possuía confrontação,
mas seu coração estava quebrantado.
Isso deveria nos ensinar algo sobre o ministério profético
contemporâneo. Aquele que declara uma mensagem dura sorrindo com satisfação
diante da possibilidade de juízo talvez ainda precise compreender o coração
daquele que o enviou.
“A verdadeira voz profética não sente prazer em ferir pessoas.”
Quando precisa confrontar, confronta com temor. Quando precisa advertir,
não transforma a advertência em espetáculo. E quando fala sobre pecado,
lembra-se de que também depende diariamente da graça de Deus.
O Profeta Não É Um Adivinhador Cristão
Outra distorção precisa ser evitada. O ministério profético não deve ser
reduzido à previsão constante de acontecimentos ou à revelação de detalhes
pessoais.
Biblicamente, o profético possui ligação muito maior com a vontade, o
coração e os propósitos de Deus do que com curiosidade sobre o futuro.
Os profetas chamavam o povo para retornar à aliança. Confrontavam
injustiça. Denunciavam idolatria. Chamavam ao arrependimento. Consolavam os
abatidos e lembravam a comunidade das promessas de Deus.
Quando transformamos profecia em um mecanismo para descobrir com quem
alguém deve casar, qual negócio deve abrir ou qual decisão pessoal deve tomar,
podemos criar dependência espiritual perigosa.
Deus pode direcionar pessoas de maneiras específicas, mas nenhuma
palavra profética deveria substituir a responsabilidade do discípulo de
conhecer as Escrituras, buscar ao Senhor e amadurecer em discernimento.
O Profeta Precisa Aceitar Ser Julgado
1 Coríntios 14:29 orienta que falem dois ou três profetas e que os
outros julguem. Essa instrução é extremamente saudável.
No ambiente bíblico, profecia não é sinônimo de infalibilidade pessoal
do profeta. O Corpo participa do discernimento.
Isso significa que uma pessoa que exerce um ministério profético maduro
precisa ser humilde o suficiente para reconhecer que pode interpretar alguma
impressão de maneira equivocada.
Quando alguém jamais admite a possibilidade de erro, nunca aceita
correção e considera qualquer questionamento como rebelião, temos uma situação
espiritualmente perigosa.
“Quanto maior a responsabilidade espiritual, maior deveria ser a
disposição para prestar contas.”
O Profético Chama A Igreja De Volta Para Deus
Uma das grandes funções do ministério profético ao longo da história
bíblica foi despertar o povo quando este começava a afastar-se de Deus.
Talvez essa continue sendo uma das maiores necessidades de nossa
geração. Precisamos de vozes que chamem a Igreja de volta à oração, santidade,
justiça, misericórdia, centralidade de Cristo e fidelidade às Escrituras.
Entretanto, precisamos dessas vozes sem sensacionalismo, sem manipulação e sem
arrogância espiritual.
O verdadeiro profético não existe para criar fascinação pelo profeta,
mas para despertar atenção para aquilo que Deus deseja.
O Espírito Continua Falando À Igreja
Não precisamos escolher entre Palavra e Espírito. Atos apresenta
repetidamente a atuação do Espírito Santo conduzindo a Igreja, direcionando
missionários, advertindo e fortalecendo os discípulos.
Entretanto, o mesmo Espírito que fala é aquele que inspirou as
Escrituras. Portanto, a atuação contemporânea do Espírito jamais deverá
competir com a revelação bíblica.
Quanto mais sensíveis desejamos ser ao Espírito, mais profundamente
deveríamos conhecer sua Palavra. Essa combinação produz segurança e maturidade.
Que Deus Levante Vozes Proféticas Saudáveis
Precisamos de homens e mulheres que não tenham medo de confrontar a
cultura quando ela contradiz a Palavra, mas que também não transformem
agressividade em sinal de unção. Precisamos de pessoas que saibam discernir
tempos, mas permaneçam submissas às Escrituras, que sejam sensíveis ao Espírito
sem se tornarem irresponsáveis com aquilo que afirmam em nome de Deus.
Que o Senhor livre sua Igreja tanto da incredulidade que rejeita aquilo
que o Espírito deseja fazer quanto da credulidade ingênua que aceita qualquer
manifestação sem discernimento.
“O verdadeiro ministério profético não afasta a Igreja da Palavra;
conduz a Igreja para uma obediência ainda mais profunda à Palavra.”
Que nossas vozes não sejam instrumentos de confusão, mas de edificação.
Que não produzam dependência de homens, mas maior sensibilidade à presença de
Deus. E que tudo aquilo que for dito em nome do Senhor possa ser examinado com
humildade, responsabilidade e temor.
Assim, o Reino se manifesta quando Deus continua chamando, edificando,
consolando, corrigindo e despertando sua Igreja através de vozes que conhecem
seu coração e permanecem debaixo de sua autoridade.
Deus te abençoe!
Pastor Sérgio Luis

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Obrigado pelo seu comentário! Palavras de pessoas maduras servem para edificar aqueles que desejam este amadurecimento. Que Deus continue te abençoando!