Na Adversidade, Confie em Deus
Salmos 3:1-8
“SENHOR, como tem crescido o número dos meus adversários! São numerosos os que se levantam contra mim. São muitos os que dizem de mim: Não há em Deus salvação para ele. Porém tu, SENHOR, és o meu escudo, és a minha glória e o que exaltas a minha cabeça. Com a minha voz clamo ao SENHOR, e ele do seu santo monte me responde. Deito-me e pego no sono; acordo, porque o SENHOR me sustenta. Não tenho medo de milhares do povo que tomam posição contra mim de todos os lados. Levanta-te, SENHOR! Salva-me, Deus meu, pois feres nos queixos a todos os meus inimigos e aos ímpios quebras os dentes. Do SENHOR é a salvação, e sobre o teu povo, a tua bênção.”
Há momentos em que a vida parece se tornar um campo de batalha. As pressões aumentam, os adversários se multiplicam, as vozes contrárias se levantam e, por todos os lados, surgem situações tentando enfraquecer a nossa fé.
Foi em um momento assim que Davi escreveu o Salmo 3.
Este salmo nasceu em um dos períodos mais dolorosos da vida do rei. Davi não estava enfrentando apenas uma crise política. Ele estava fugindo da perseguição de seu próprio filho, Absalão, que tentava usurpar o seu trono. A história é relatada em 2 Samuel 15 a 18 e revela uma das cenas mais tristes da trajetória de Davi: um pai perseguido pelo filho, um rei traído dentro de sua própria casa, um homem cercado por adversários e ferido profundamente em sua alma.
A rebelião de Absalão levantou uma multidão contra Davi. De repente, o homem segundo o coração de Deus estava cercado por inimigos, ameaças, acusações e zombarias. Sua integridade física corria perigo, mas sua alma também estava sendo pressionada.
No entanto, o Salmo 3 nos ensina uma verdade poderosa: é possível confiar em Deus mesmo quando a adversidade se levanta de todos os lados.
A adversidade pode crescer ao nosso redor
Davi começa o salmo dizendo:
“SENHOR, como tem crescido o número dos meus adversários! São numerosos os que se levantam contra mim. São muitos os que dizem de mim: Não há em Deus salvação para ele.”
Perceba as expressões usadas por Davi: “tem crescido o número”, “são numerosos”, “são muitos”.
Ele não estava minimizando a dor. Não estava fingindo que a situação era pequena. Não estava negando a gravidade do momento. Davi reconhecia que os adversários haviam aumentado, que as ameaças eram reais e que a pressão estava vindo de todos os lados.
A fé verdadeira não precisa negar a realidade para confiar em Deus.
Há pessoas que imaginam que confiar no Senhor significa fingir que nada está acontecendo. Mas Davi nos mostra o contrário. Ele apresenta sua dor diante de Deus com sinceridade. Ele admite que os inimigos são muitos. Ele reconhece que a situação é grave. Ele não mascara sua angústia.
A adversidade de Davi não era apenas externa. Seus inimigos também atacavam sua esperança. Eles diziam: “Não há em Deus salvação para ele.”
Essa talvez seja uma das armas mais cruéis da adversidade: quando, além das lutas externas, surgem vozes tentando nos convencer de que Deus não nos ajudará.
Mas é exatamente nesse ponto que o salmo muda de direção.
Depois de ouvir as vozes dos adversários, Davi declara:
“Porém tu, SENHOR...”
Essa pequena expressão muda tudo.
Quando a adversidade tentar definir sua história, volte os olhos para Deus e declare: “Porém tu, Senhor...”
Deus é o nosso ajudador
Davi continua:
“Porém tu, SENHOR, és o meu escudo, és a minha glória e o que exaltas a minha cabeça.”
Aqui Davi se lembra de quem Deus é para ele. E isso é fundamental. Em tempos de adversidade, não basta olhar para o tamanho do problema; precisamos lembrar da grandeza do nosso Deus.
Davi faz declarações maravilhosas.
Primeiro, ele diz: “Tu, Senhor, és o meu escudo.”
Deus é proteção. Quando os ataques vêm, quando as acusações se levantam, quando os inimigos se aproximam, o Senhor se apresenta como escudo ao redor dos seus. O escudo não impede que exista batalha, mas impede que o ataque tenha a palavra final.
Depois, Davi declara: “Tu és a minha glória.”
A adversidade tenta roubar nossa dignidade. Tenta nos envergonhar, expor, humilhar e diminuir. Os inimigos de Davi queriam vê-lo derrotado, envergonhado e destruído. Mas Davi sabia que sua glória não vinha do trono, da opinião do povo ou da aprovação humana. Sua glória vinha do Senhor.
Quando Deus é a nossa glória, nenhuma humilhação tem poder para destruir a nossa identidade.
Em seguida, Davi afirma: “Tu és o que exaltas a minha cabeça.”
A dor faz a cabeça baixar. A vergonha faz os olhos se voltarem para o chão. O medo curva a alma. Mas Deus levanta a cabeça daqueles que confiam nele. Ele restaura coragem, dignidade, esperança e firmeza.
Há momentos em que não temos força para levantar a cabeça sozinhos. Mas o Senhor, com sua graça, nos toca, nos fortalece e nos faz olhar novamente para o alto.
Davi ainda declara:
“Com a minha voz clamo ao SENHOR, e ele do seu santo monte me responde.”
Deus não apenas protege. Ele responde. Davi não estava orando para um céu fechado. Ele sabia que seu clamor chegava ao Senhor. A adversidade não bloqueia o acesso do justo ao trono de Deus.
Talvez as pessoas não entendam sua dor. Talvez os amigos não saibam o que dizer. Talvez os inimigos zombem da sua fé. Mas quando você clama ao Senhor, Ele ouve.
Em meio à adversidade, Davi reencontra sua confiança porque se lembra de quatro verdades: Deus o protege, Deus restaura sua dignidade, Deus levanta sua cabeça e Deus responde suas orações.
Olhe para Deus agora e lembre-se: Ele é o seu ajudador.
A confiança em Deus restaura a alma
Nos versículos 5 e 6, Davi faz uma das declarações mais impressionantes do salmo:
“Deito-me e pego no sono; acordo, porque o SENHOR me sustenta. Não tenho medo de milhares do povo que tomam posição contra mim de todos os lados.”
Como alguém cercado por inimigos consegue dormir?
Como um homem perseguido consegue deitar-se e pegar no sono?
A resposta está na confiança. Davi sabia que sua vida estava nas mãos de Deus. Ele não estava negando o perigo. Ele estava descansando no cuidado do Senhor.
Há um sono que só a confiança em Deus pode produzir.
A ansiedade tira o sono. O medo rouba a paz. A preocupação agita a mente. A adversidade tenta transformar a noite em um campo de batalha interior. Mas quando a alma entende que Deus sustenta, o coração começa a descansar.
Ao acordar, ele percebe que não foi sua própria força que o preservou durante a noite. Foi o Senhor quem o sustentou.
Isso também fala conosco.
Quantas vezes atravessamos noites difíceis, mas pela manhã percebemos que Deus nos guardou? Quantas vezes achamos que não suportaríamos até o outro dia, mas o Senhor nos sustentou? Quantas vezes o medo tentou nos dominar, mas a graça de Deus nos manteve de pé?
Davi afirma que não teria medo de milhares do povo que se colocassem contra ele de todos os lados.
Isso não é arrogância. É confiança restaurada.
O medo é um dos adversários que mais se levanta em tempos de crise. Ele aumenta o problema, enfraquece a fé, paralisa decisões e tenta nos convencer de que estamos sozinhos. Mas quando a confiança em Deus é restaurada, o medo perde força.
A presença de muitos inimigos não assusta quem sabe que o Senhor está ao seu lado.
Tenha sua confiança restaurada em Deus. A adversidade pode ser grande, mas o Senhor é maior. Os inimigos podem ser numerosos, mas Deus continua sendo escudo. A pressão pode ser intensa, mas o Senhor continua sustentando os seus.
Ore como quem confia no livramento do Senhor
No versículo 7, Davi clama:
“Levanta-te, SENHOR! Salva-me, Deus meu...”
Essa é uma oração de dependência. Davi sabe que não pode vencer sozinho. Ele invoca a intervenção divina. Ele chama pelo Deus que se levanta em favor do seu povo.
Quando Davi diz: “Levanta-te, Senhor”, ele está clamando para que Deus intervenha, aja, julgue, livre e manifeste seu poder. Ele não coloca sua confiança em estratégias humanas, alianças políticas ou força militar. Ele coloca sua confiança no Senhor.
A oração de Davi carrega memória e fé.
É assim que devemos orar em tempos de adversidade. Não como quem fala ao acaso, mas como quem se dirige ao Deus vivo. Não como quem apenas repete palavras, mas como quem confia que o Senhor ouve, responde e age.
Davi termina o salmo afirmando:
“Do SENHOR é a salvação, e sobre o teu povo, a tua bênção.”
Que declaração poderosa.
A salvação pertence ao Senhor. O livramento vem dele. A resposta vem dele. A vitória vem dele. O sustento vem dele. A bênção vem dele.
Quando entendemos isso, paramos de viver escravizados pelo desespero. Fazemos o que precisa ser feito, mas não colocamos nossa confiança final em nós mesmos. Oramos, trabalhamos, perseveramos, mas descansamos no Deus que salva.
Em dias de adversidade, ore como quem sabe que Deus continua no controle. Ore como quem crê que o Senhor pode intervir. Ore como quem reconhece que a salvação não vem da força humana, mas do Deus que governa todas as coisas.
Na adversidade, confie em Deus
O Salmo 3 nos ensina que a confiança em Deus não nasce da ausência de problemas, mas da certeza de que Deus está presente no meio deles.
Davi estava cercado de inimigos, mas não estava abandonado. Estava perseguido, mas não estava sem proteção. Estava pressionado, mas não estava sem resposta. Estava ameaçado, mas não estava sem esperança.
A adversidade não teve a palavra final sobre Davi, porque Deus era o seu escudo, sua glória, aquele que levantava sua cabeça e respondia suas orações.
Talvez você também esteja enfrentando dias difíceis. Talvez os adversários tenham aumentado. Talvez a pressão esteja vindo de todos os lados. Talvez existam vozes tentando dizer que não há saída, que Deus não vai responder, que sua situação não tem solução.
Mas hoje, pela fé, você pode fazer a mesma declaração de Davi:
“Porém tu, Senhor...”
Em dias de adversidade, não permita que o medo governe seu coração. Não permita que as vozes contrárias sejam mais fortes que a Palavra de Deus. Não permita que a dor apague sua confiança.
Coloque sua vida nas mãos do Senhor.
Descanse no cuidado dele.
Clame com fé.
Lembre-se de quem Ele é.
Porque do Senhor é a salvação, e sobre o seu povo está a sua bênção.
Deus te abençoe!
Pr. Sérgio Luis.
@sergioluis75
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