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quinta-feira, 6 de agosto de 2020

ATÉ QUANDO, SENHOR?



ATÉ QUANDO, SENHOR?

“Até quando, SENHOR? Esquecer-te-ás de mim para sempre? Até quando ocultarás de mim o rosto? Até quando estarei eu relutando dentro de minha alma, com tristeza no coração cada dia? Até quando se erguerá contra mim o meu inimigo?”
Salmos 13:1-2

Existem momentos da caminhada em que nossas orações deixam de ser discursos bem elaborados e se transformam em perguntas. Há dias em que não conseguimos dizer muita coisa diante de Deus. Não temos explicações, não encontramos respostas e talvez nem saibamos organizar aquilo que estamos sentindo. Tudo o que conseguimos perguntar é: “Até quando, Senhor?”

Até quando vou enfrentar esta situação? Até quando esta porta permanecerá fechada? Até quando vou orar sem enxergar uma resposta? Até quando essa dor continuará? Até quando terei de conviver com esta enfermidade, esta crise, esta luta dentro da minha família, esta preocupação com meus filhos, esta dificuldade financeira, este conflito interior?

O Salmo 13 nasce exatamente nesse ambiente. Davi está sofrendo. Sua alma está angustiada. Seus pensamentos parecem estar em conflito. Seus inimigos parecem levar vantagem e, talvez o mais doloroso de tudo, Deus parece estar em silêncio.

Mas existe algo extraordinário neste salmo: ele começa com uma pergunta angustiante e termina com um cântico de confiança.

Começa com: “Até quando, Senhor?” E termina com: “Cantarei ao SENHOR, porquanto me tem feito muito bem.”

O cenário aparentemente não mudou durante os seis versículos. Quem mudou foi Davi. E talvez seja justamente essa uma das maiores mensagens do Salmo 13.

 

QUANDO DEUS PARECE ESTAR EM SILÊNCIO

Quatro vezes, nos dois primeiros versículos, Davi pergunta: “Até quando?” Isso revela a intensidade de sua angústia.

“Até quando, SENHOR? Esquecer-te-ás de mim para sempre? Até quando ocultarás de mim o rosto?”

É importante perceber que Davi não está afirmando teologicamente que Deus o esqueceu. Ele está descrevendo como sua alma está interpretando aquele momento.

Existe uma diferença entre Deus ter nos abandonado e nós nos sentirmos abandonados por Deus.

E existem momentos em que essas duas coisas parecem iguais. Oramos e nenhuma resposta chega. Esperamos e nada acontece. Pedimos uma intervenção e a situação permanece exatamente como estava. Então, silenciosamente, começamos a perguntar: “Senhor, onde estás?”

Talvez você já tenha vivido isso. Você continua crendo, mas não entende. Continua orando, mas está cansado. Continua frequentando a igreja, lendo a Palavra e buscando a Deus, mas dentro do coração existe uma pergunta que você tem medo de pronunciar: “Deus, o Senhor ainda está olhando para mim?”

O Salmo 13 nos mostra que a fé verdadeira não é a ausência de perguntas; é continuar levando nossas perguntas para Deus.

RASGAR O CORAÇÃO DIANTE DE DEUS NÃO É PECADO

Talvez algumas pessoas tenham aprendido que fé significa nunca demonstrar fraqueza, nunca confessar tristeza, nunca admitir dúvidas e jamais perguntar a Deus “até quando?”.

Os Salmos nos ensinam exatamente o contrário.

Davi perguntou: “Também a minha alma está profundamente perturbada; mas tu, SENHOR, até quando?” Salmos 6:3

Asafe perguntou: “Até quando, ó Deus, o adversário nos afrontará?” Salmos 74:10

Etã perguntou: “Até quando, SENHOR? Esconder-te-ás para sempre?” Salmos 89:46

Moisés também clamou: “Volta-te, SENHOR! Até quando? Tem compaixão dos teus servos.” Salmos 90:13

Homens de Deus perguntaram “até quando?”

Isso significa que Deus não se assusta com a sinceridade do nosso coração.

Ele já conhece nossas lágrimas antes de elas caírem. Conhece nossas dúvidas antes de as pronunciarmos. Conhece nossa angústia antes mesmo que consigamos transformá-la em palavras.

Por isso, talvez seja melhor apresentar uma oração quebrantada e verdadeira do que uma oração bonita e artificial.

Deus não precisa que você finja estar bem para se aproximar dEle.

Você pode chegar ferido. Pode chegar cansado. Pode chegar sem entender. Pode chegar chorando. Pode até chegar perguntando: “Até quando, Senhor?”

A questão não é apenas o que você sente. A questão é para onde você leva aquilo que senteDavi levou sua angústia para Deus.

 QUANDO A BATALHA ACONTECE DENTRO DE NÓS

Davi continua: “Até quando estarei eu relutando dentro de minha alma, com tristeza no coração cada dia?” Salmos 13:2

Agora o problema não está apenas ao redor dele. Está dentro dele. Essa talvez seja uma das batalhas mais difíceis da vida. Existem lutas externas que todos conseguem enxergar. Mas existem guerras silenciosas que ninguém percebe.

A pessoa trabalha, conversa, sorri, cumpre suas responsabilidades, cuida da família, participa das atividades da igreja, responde mensagens e continua vivendo aparentemente normalmente.

Mas por dentro existe uma guerra: Pensamentos, medos, perguntas, cansaço e frustrações. Expectativas que não se cumpriram. Orações que aparentemente não foram respondidas.

Davi conhecia esse lugar. Seu sofrimento possuía várias dimensões. Havia solidão, porque parecia que Deus o havia esquecido. Havia vergonha, porque seus inimigos pareciam prevalecer. Havia desespero, porque seus próprios recursos eram insuficientes. E havia um profundo sentimento de injustiça, porque aqueles que se levantavam contra ele pareciam estar vencendo.

Talvez o maior campo de batalha de Davi naquele momento não estivesse ao seu redor. Estava dentro de sua alma. E é exatamente aí que muitos estão lutando hoje.

QUANDO VOCÊ NÃO TEM RESPOSTAS, CLAME

Depois de apresentar sua dor, algo começa a acontecer no salmo. Davi deixa de perguntar apenas “até quando?” e começa a pedir:

“Atenta para mim, responde-me, SENHOR, Deus meu! Ilumina-me os olhos...” Salmos 13:3

Há três pedidos poderosos aqui: Olha para mim. Responde-me. Ilumina os meus olhos.

Observe que Davi não abandona Deus porque não entende Deus. Isso é fé.

Fé não é entender tudo o que Deus está fazendo. Fé é continuar buscando a Deus quando não entendemos absolutamente nada.

Davi poderia ter se afastado. Poderia ter concluído que suas orações não adiantavam. Poderia ter permitido que o silêncio aparente de Deus produzisse distância.

Mas fez exatamente o contrário. Transformou sua angústia em oração.

Talvez você não consiga mudar hoje a situação que está enfrentando. Talvez não consiga resolver o problema que chegou à sua casa. Talvez existam coisas que ultrapassaram completamente sua capacidade.

Mas você ainda pode clamar: “Senhor, olha para mim.” “Senhor, responde-me.” “Senhor, ilumina os meus olhos.”

Às vezes, antes de Deus mudar aquilo que está diante dos nossos olhos, Ele precisa mudar a maneira como nossos olhos estão enxergando aquilo que está diante de nós.

QUANDO AS CIRCUNSTÂNCIAS NÃO MUDAM, A FÉ MUDA NOSSA PERSPECTIVA

Então chegamos a uma das mudanças mais impressionantes do Salmo 13. Depois de toda a angústia, Davi declara:

“No tocante a mim, confio na tua graça; regozije-se o meu coração na tua salvação.” Salmos 13:5

Perceba a expressão: “No tocante a mim...” É como se Davi estivesse dizendo: “Eu não controlo meus inimigos. Não controlo as circunstâncias. Não sei quando essa situação terminará. Não sei quanto tempo ainda terei de esperar. Mas posso decidir onde colocarei minha confiança.

E ele decide: “Eu confio na tua graça.” Aqui está o ponto de virada. Davi começa olhando para aquilo que Deus aparentemente não estava fazendo e termina lembrando-se de quem Deus sempre foi.

Isso muda tudo. Existem momentos em que não teremos explicações para aquilo que estamos vivendo. Nesses momentos, precisaremos escolher entre interpretar Deus pelas circunstâncias ou interpretar as circunstâncias pelo caráter de Deus.

Nossa segurança não está em compreender tudo o que Deus faz. Nossa segurança está em conhecer quem Deus é.

Quando não entendemos suas mãos, podemos continuar confiando em seu coração.

 

DO “ATÉ QUANDO?” AO “CANTAREI”

O último versículo é surpreendente:

“Cantarei ao SENHOR, porquanto me tem feito muito bem.” Salmos 13:6

Como alguém que começou perguntando se havia sido esquecido por Deus termina cantando sobre a bondade de Deus?

Porque Davi se lembrou. Ele olhou para trás e percebeu que aquele momento difícil não poderia apagar toda a história da fidelidade de Deus.

A dor presente não anulava a bondade passada. Essa é uma verdade que precisamos guardar.

Quando estivermos atravessando uma estação difícil, nossa dor tentará reescrever nossa história. Ela tentará nos convencer de que Deus nunca fez nada, nunca respondeu, nunca cuidou, nunca sustentou.

Mas a memória da graça precisa responder: “Ele já me sustentou antes.” “Ele já abriu caminhos antes.” “Ele já me levantou antes.” “Ele já foi fiel antes.”

E se Deus continua sendo o mesmo, ainda temos motivos para confiar.

Davi começou o salmo perguntando “até quando?” e terminou dizendo “cantarei”. Que transformação extraordinária!

Talvez a resposta ainda não tivesse chegado. Talvez o inimigo ainda estivesse ali. Talvez as circunstâncias ainda fossem as mesmas. Mas Davi havia reencontrado sua confiança.

Às vezes, o primeiro milagre que Deus realiza não acontece ao nosso redor. Acontece dentro de nós.

APRESENTE A DEUS OS SEUS “ATÉ QUANDO?”

Talvez você esteja vivendo hoje o início do Salmo 13. Talvez sua oração seja exatamente: “Até quando, Senhor?”

Até quando essa enfermidade? Até quando essa crise? Até quando essa espera? Até quando essa luta dentro da minha casa? Até quando essa porta fechada? Até quando esse silêncio?

Não tenha medo de levar essas perguntas para Deus. Rasgue o coração diante dEle. Mas não pare nos primeiros versículos do salmo.

Continue caminhando. Passe da pergunta para a oração. Da oração para a confiança. Da confiança para a adoração.

O Salmo 13 começa com lágrimas, mas termina com louvor. Começa com a sensação de abandono, mas termina com a certeza da graça. Começa com “Até quando, Senhor?”, mas termina com “Cantarei ao Senhor”.

Talvez essa também seja a trajetória que Deus deseja realizar dentro de você.

Não permita que as circunstâncias roubem sua alegria de servir ao Senhor. Não transforme uma estação difícil em uma conclusão definitiva sobre Deus.

O silêncio de Deus não significa ausência. A demora não significa abandono. E aquilo que você ainda não compreende não significa que Deus perdeu o controle.

Permaneça firme. Continue orando. Continue confiando. E quando não tiver mais palavras, simplesmente apresente a Ele os seus “até quando?”. Porque o mesmo Deus que ouviu o clamor de Davi continua ouvindo o clamor dos seus filhos.

E enquanto a resposta não chega, faça a mesma escolha do salmista: “No tocante a mim, confio na tua graça.”

E continue caminhando até que o seu “Até quando, Senhor?” seja transformado em: “Cantarei ao SENHOR, porquanto me tem feito muito bem.”

Deus te abençoe!

Pr. Sérgio Luis

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