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segunda-feira, 3 de agosto de 2020

EVIDÊNCIAS DE UMA FÉ GENUÍNA

 



EVIDÊNCIAS DE UMA FÉ GENUÍNA

 

    “Guarda-me, ó Deus, porque em ti me refugio. Digo ao SENHOR: Tu és o meu Senhor; outro bem não possuo, senão a ti somente.”
Salmos 16:1-2

 

Vivemos em um tempo em que a palavra é utilizada com muita facilidade. Fala-se de fé para conquistar, vencer, alcançar objetivos, superar dificuldades e realizar sonhos. Entretanto, a fé bíblica é muito mais profunda do que simplesmente acreditar que alguma coisa boa acontecerá conosco. Fé genuína não é apenas acreditar que Deus fará aquilo que desejamos; é confiar em quem Deus é, mesmo quando aquilo que desejamos não acontece.

O Salmo 16 nos apresenta exatamente esse tipo de fé. Considerado por muitos uma verdadeira joia do Saltério, ele é identificado como um "miktam" de Davi e possui uma beleza que ultrapassa sua composição poética. No Novo Testamento, tanto Pedro quanto Paulo utilizam trechos desse salmo em suas pregações para apontar para Jesus Cristo e, especialmente, para sua ressurreição.

Pedro, em Atos 2, cita as palavras de Davi: “Diante de mim via sempre o Senhor, porque está à minha direita, para que eu não seja abalado. Paulo, em Atos 13, também recorre ao salmo quando afirma: “Não permitirás que o teu Santo veja corrupção. Assim, o Salmo 16 não apenas revela a confiança de Davi em Deus, mas também aponta profeticamente para Cristo.

Ao percorrermos seus onze versículos, encontramos princípios extremamente importantes para a nossa caminhada. Mais do que declarações bonitas, encontramos evidências de uma fé genuína, marcas que podem ser percebidas na vida daqueles que realmente decidiram confiar no Senhor.


A FÉ GENUÍNA SABE ONDE SE REFUGIAR

Davi começa sua oração dizendo:

“Guarda-me, ó Deus, porque em ti me refugio.” Salmos 16:1

Observe que Davi não afirma que não existem problemas. Ele não declara que sua vida está sob controle ou que possui recursos suficientes para enfrentar qualquer situação. Ele simplesmente sabe para onde correr.

Essa é uma das primeiras evidências de uma fé verdadeira. A fé não significa ausência de medo, dificuldades ou ameaças. Fé significa saber onde encontrar refúgio quando essas coisas chegam.

Todos nós procuramos algum tipo de refúgio. Algumas pessoas se refugiam no dinheiro. Outras, na posição que ocupam. Algumas depositam sua segurança nos relacionamentos, na carreira, no patrimônio, na própria capacidade ou no controle que acreditam possuir sobre a vida.

Porém, basta uma crise suficientemente grande para descobrirmos que existem situações diante das quais dinheiro, influência, conhecimento e capacidade humana possuem limites.

Davi sabia disso. Por isso, ele não diz: “Guarda-me porque sou forte”. Ele declara: “Guarda-me, ó Deus, porque em ti me refugio.”

A fé genuína não começa com a nossa força. Começa com o reconhecimento da nossa dependência de Deus.


QUANDO DEUS SE TORNA NOSSA SUFICIÊNCIA

No versículo seguinte, Davi faz uma das declarações mais profundas de todo o salmo:

“Digo ao SENHOR: Tu és o meu Senhor; outro bem não possuo, senão a ti somente.” Salmos 16:2

Essa afirmação confronta profundamente nossa geração. Vivemos cercados pela mensagem de que sempre precisamos de mais. Mais dinheiro, mais reconhecimento, mais conforto, mais experiências, mais seguidores, mais conquistas, mais coisas.

E mesmo depois de alcançarmos aquilo que tanto desejávamos, rapidamente surge uma nova necessidade. O coração humano pode transformar-se em um poço que nunca se enche.

Davi, porém, chega a um lugar espiritual extraordinário:

“Tu és o meu Senhor.”

Ele compreendeu que Deus não era apenas alguém capaz de lhe dar coisas. Deus era o seu maior bem.

Existe uma diferença enorme entre buscar aquilo que Deus pode nos dar e desejar o próprio Deus. E essa é uma pergunta necessária para todos nós:

Se Deus não nos desse mais nada, ainda consideraríamos que tê-lo é suficiente?

Se algumas das nossas orações não fossem respondidas como desejamos, continuaríamos amando-o? Se determinados sonhos não se realizassem, Ele continuaria sendo nosso maior tesouro?

A maturidade espiritual começa quando deixamos de enxergar Deus apenas como fonte das bênçãos e passamos a compreender que Ele próprio é a nossa maior bênção.


A FÉ TAMBÉM PODE SER VISTA EM NOSSOS RELACIONAMENTOS

Davi prossegue dizendo:

“Quanto aos santos que há na terra, são eles os notáveis nos quais tenho todo o meu prazer.” Salmos 16:3

Existe aqui outra importante evidência da fé: quem ama a Deus aprende também a amar aqueles que pertencem a Deus.

O apóstolo João reforça essa verdade ao afirmar:

“Nós sabemos que já passamos da morte para a vida, porque amamos os irmãos.” 1 João 3:14

A fé cristã nunca foi planejada para ser vivida em isolamento. Precisamos da comunhão, do encorajamento, da correção, do cuidado e da caminhada com outros irmãos.

É verdade que relacionamentos dentro da Igreja também podem produzir decepções. Pessoas falham. Líderes falham. Irmãos falham. Nós também falhamos.

Mas as imperfeições das pessoas não anulam o propósito de Deus para a comunhão do seu povo.

Uma fé genuína não diz apenas: “Eu amo Jesus”. Ela aprende também a dizer: “Eu amo aquilo que Jesus ama.”

E Cristo ama sua Igreja.


A FÉ VERDADEIRA NÃO DIVIDE O ALTAR

Depois de falar daqueles que pertencem ao Senhor, Davi apresenta um forte contraste:

“Muitas serão as penas dos que trocam o SENHOR por outros deuses.”         Salmos 16:4

Talvez alguém pense que idolatria seja um problema restrito aos povos antigos, às imagens ou aos templos pagãos. Entretanto, a idolatria está muito mais próxima de nós do que imaginamos.

Ídolo é tudo aquilo que recebe de nós o lugar que pertence exclusivamente a Deus.

Dinheiro pode tornar-se ídolo. Carreira pode tornar-se ídolo. Família pode tornar-se ídolo. Ministério pode tornar-se ídolo. Reconhecimento pode tornar-se ídolo. Até mesmo nossos sonhos podem ocupar uma posição que deveria pertencer somente ao Senhor.

Por isso Paulo escreveu:

“Portanto, meus amados, fugi da idolatria.” 1 Coríntios 10:14

E João encerra sua primeira carta dizendo:

“Filhinhos, guardai-vos dos ídolos.” 1 João 5:21

A pergunta não é apenas se possuímos alguma imagem diante da qual nos curvamos. A pergunta é muito mais profunda: O que ocupa o primeiro lugar do nosso coração?

Porque a fé genuína não entrega a Deus apenas uma parte do coração. Ela reconhece que o trono pertence a Ele.


UM CORAÇÃO SATISFEITO EM DEUS

Davi declara:

“O SENHOR é a porção da minha herança e o meu cálice; tu és o arrimo da minha sorte. Caem-me as divisas em lugares amenos, é mui linda a minha herança.” Salmos 16:5-6

Existe uma palavra quase esquecida em nossa sociedade: contentamento.

Estamos constantemente comparando nossa vida com a vida dos outros. Comparamos casas, famílias, ministérios, carreiras, oportunidades, viagens e conquistas. As redes sociais intensificaram ainda mais essa tendência.

Em poucos minutos podemos observar dezenas de vidas aparentemente melhores do que a nossa e começar a desprezar silenciosamente aquilo que Deus colocou em nossas mãos.

Davi nos apresenta outro caminho: “O Senhor é a minha porção.”

Isso não significa ausência de sonhos ou acomodação. Significa que nossa satisfação fundamental não depende daquilo que possuímos.

Quem tem Deus pode desejar outras coisas sem transformar essas coisas na razão de sua existência.

Quando Cristo é suficiente, podemos receber com gratidão sem idolatrar aquilo que recebemos e atravessar períodos de escassez sem concluir que nossa vida perdeu o valor.


UMA FÉ QUE ACEITA SER ENSINADA

Davi continua:

“Bendigo o SENHOR, que me aconselha; pois até durante a noite o meu coração me ensina.” Salmos 16:7

A fé genuína não é apenas confiante. Ela é ensinável.

Um dos sinais perigosos da imaturidade espiritual aparece quando uma pessoa acredita que já sabe tudo, não aceita correção, não recebe conselhos e interpreta qualquer confronto como uma agressão.

Davi, embora fosse rei, reconhecia sua necessidade de ser aconselhado por Deus.

Isso nos ensina algo precioso: maturidade não é chegar ao ponto em que não precisamos mais aprender; maturidade é reconhecer cada vez mais o quanto precisamos da direção de Deus.

Há momentos em que o Senhor nos consola. Em outros, Ele nos corrige. E ambos são expressões do seu amor.

A mesma voz que diz “não tenha medo” também pode dizer “abandone esse caminho”.

Quem realmente deseja andar com Deus precisa estar disposto não apenas a ouvir aquilo que conforta, mas também aquilo que corrige.


SEGURANÇA NÃO É AUSÊNCIA DE TEMPESTADE

Chegamos então a uma das declarações mais conhecidas do Salmo 16:

“O SENHOR, tenho-o sempre à minha presença; estando ele à minha direita, não serei abalado.” Salmos 16:8

Observe que Davi não diz que nada ao seu redor será abalado. Ele diz: “Eu não serei abalado.” Essa diferença é enorme.

Há momentos em que coisas ao nosso redor realmente serão abaladas. Planos podem mudar. Pessoas podem partir. Recursos podem diminuir. Portas podem se fechar. Notícias inesperadas podem chegar.

A promessa da fé não é que viveremos dentro de uma bolha onde nada acontece.

Nossa segurança não está na estabilidade das circunstâncias, mas na presença daquele que permanece conosco quando as circunstâncias se tornam instáveis.

Por isso o salmista também declarou:

“Ainda que a minha carne e o meu coração desfaleçam, Deus é a fortaleza do meu coração e a minha herança para sempre.” Salmos 73:26

Quando Deus está à nossa direita, podemos até sentir o impacto da tempestade, mas não precisamos permitir que ela determine quem somos ou em quem confiamos.


UMA FÉ QUE CONSEGUE OLHAR ALÉM DA MORTE

Nos versículos 9 e 10, o salmo ganha uma dimensão ainda maior:

“Alegra-se, pois, o meu coração, e o meu espírito exulta; até o meu corpo repousará seguro. Pois não deixarás a minha alma na morte, nem permitirás que o teu Santo veja corrupção.”

É justamente essa passagem que Pedro e Paulo utilizam no Novo Testamento para apontar para a ressurreição de Jesus Cristo. Davi morreu e seu corpo experimentou a corrupção. Cristo, porém, ressuscitou.

Aqui está o fundamento definitivo da esperança cristã. Nossa fé não termina no túmulo.

O apóstolo Paulo declarou que, se Cristo não ressuscitou, nossa fé é inútil. Mas Cristo ressuscitou. E porque Ele vive, a morte não possui mais a palavra final sobre aqueles que estão nEle.

Isso muda completamente a maneira como enxergamos a vida. O cristão pode chorar diante da morte. Pode sentir saudade. Pode sofrer profundamente com uma despedida. Mas não precisa viver sem esperança.

Nossa esperança não está em escapar da morte, mas em pertencer Àquele que venceu a morte.


O CAMINHO TERMINA NA PRESENÇA

Davi encerra esse extraordinário salmo dizendo:

“Tu me farás ver os caminhos da vida; na tua presença há plenitude de alegria, na tua destra, delícias perpetuamente.” Salmos 16:11

Que maneira extraordinária de terminar! O salmo começou com um homem buscando refúgio e termina com esse homem contemplando a presença de Deus. “Tu me farás ver os caminhos da vida.”

Existem momentos em que não sabemos qual caminho seguir. Não sabemos como algumas histórias terminarão. Não conseguimos enxergar o próximo capítulo.

Mas nossa confiança não está em conhecer antecipadamente todos os caminhos. Nossa confiança está naquele que conhece o caminho inteiro.

E o destino final não é simplesmente receber alguma coisa de Deus. É estar com Deus. “Na tua presença há plenitude de alegria.”

Não uma alegria parcial. Não uma alegria dependente das circunstâncias. Não uma felicidade que desaparece quando alguma coisa dá errado. Plenitude de alegria.


QUAL É A EVIDÊNCIA DA NOSSA FÉ?

Depois de percorrermos o Salmo 16, talvez precisemos fazer uma pergunta muito pessoal: Quais são as evidências da minha fé?

Não apenas: “Eu digo que creio?”

Mas: Onde busco refúgio quando tudo aperta? Deus realmente é suficiente para mim? Tenho prazer na comunhão do povo de Deus? Existem ídolos disputando o lugar do Senhor em meu coração? Consigo agradecer pela porção que Deus colocou em minhas mãos? Aceito seu conselho e sua correção? Minha segurança está nas circunstâncias ou na presença de Deus? Minha esperança termina nesta vida ou está fundamentada no Cristo ressuscitado?

Essas perguntas nos ajudam a perceber que fé genuína é muito mais do que uma declaração religiosa. É uma maneira de viver.

É confiar quando não vemos. É permanecer quando somos provados. É obedecer quando seria mais fácil seguir outro caminho. É continuar considerando Deus nosso maior bem quando tantas outras coisas tentam conquistar nosso coração.

E, acima de tudo, é manter os olhos em Jesus Cristo, aquele para quem o próprio Salmo 16 aponta e em quem nossa esperança encontra seu fundamento definitivo.

Talvez algumas coisas estejam sendo abaladas em sua vida neste momento. Talvez existam perguntas ainda sem resposta. Talvez você esteja atravessando uma estação em que sua fé esteja sendo provada.

Então faça sua a declaração de Davi: “Guarda-me, ó Deus, porque em ti me refugio.” E continue caminhando.

Quando os recursos diminuírem, lembre-se: “Tu és o meu Senhor.” Quando as circunstâncias se tornarem instáveis, declare: “O SENHOR, tenho-o sempre à minha presença; estando ele à minha direita, não serei abalado.” E quando você pensar sobre o futuro, sobre a morte e sobre a eternidade, lembre-se de que Jesus ressuscitou e nossa esperança está viva nEle.

No final, descobriremos que aquilo que Davi declarou continua sendo verdade:

O Senhor é nossa porção. O Senhor é nossa segurança. O Senhor é quem nos mostra o caminho da vida. E é na presença dEle que encontramos plenitude de alegria.

Que nossa fé não seja apenas conhecida pelas palavras que pronunciamos, mas pelas evidências que nossa vida apresenta.

Deus te abençoe!

Pr. Sérgio Luis

@sergioluis75

 

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