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quinta-feira, 8 de fevereiro de 2024

                                        

COMO OBTER RESPOSTAS ÀS NOSSAS ORAÇÕES

Princípios bíblicos para uma vida de oração marcada por confiança, fé, obediência e comunhão com Deus

 

“Amados, se o coração não nos acusar, temos confiança diante de Deus; e aquilo que pedimos dele recebemos, porque guardamos os seus mandamentos e fazemos diante dele o que lhe é agradável.”
1 João 3:21-22


Poucas experiências da vida cristã são tão importantes quanto a oração. É através dela que nos aproximamos de Deus, apresentamos nossas necessidades, intercedemos por outras pessoas, confessamos pecados, agradecemos, adoramos e aprendemos a colocar diante do Pai aquilo que ocupa nosso coração. Entretanto, existe uma pergunta que inevitavelmente aparece em algum momento da caminhada: por que algumas orações parecem ser respondidas e outras não? Existe alguma maneira bíblica de nos posicionarmos para experimentar uma vida de oração mais eficaz?


1 João 3:21-22 nos ajuda profundamente nessa reflexão. João não apresenta uma fórmula para obrigar Deus a fazer aquilo que desejamos, nem ensina que podemos adquirir respostas através de algum desempenho religioso. O apóstolo descreve uma vida de comunhão com Deus na qual consciência, confiança, obediência e oração estão profundamente ligadas. O contexto mostra que ele está falando a pessoas que desejam viver diante de Deus em verdade, amar seus irmãos e permanecer em Cristo.

Isso é importante porque oração não pode ser reduzida a uma técnica para obter coisas. Orar é relacionar-se com Deus. Quanto mais esse relacionamento amadurece, mais nossos pedidos, desejos e prioridades também começam a ser transformados. Não buscamos simplesmente uma maneira de fazer Deus concordar conosco; aprendemos a conhecer seu coração e a alinhar nossa vontade à dele.

Talvez esse seja um dos maiores segredos de uma vida de oração eficaz: não apenas conseguir respostas de Deus, mas permitir que, através da oração, Deus transforme aquele que está pedindo.


Uma consciência limpa nos permite aproximar-nos de Deus com liberdade


João começa dizendo: “Amados, se o coração não nos acusar, temos confiança diante de Deus.” Essa afirmação toca diretamente na questão da consciência. Existem momentos em que sabemos que alguma coisa precisa ser tratada em nossa vida. O Espírito Santo confronta, a Palavra nos mostra uma atitude errada e nossa consciência começa a testemunhar que não estamos caminhando corretamente.

Quando escolhemos ignorar essa situação, nossa vida de oração pode ser profundamente afetada. Não porque Deus tenha deixado de ser misericordioso, mas porque começamos a evitar exatamente aquele lugar onde sabemos que seremos confrontados.

Foi depois do pecado que Adão e Eva se esconderam da presença de Deus. O problema não era que Deus tivesse parado de procurá-los; eram eles que já não conseguiam permanecer diante dele com a mesma liberdade. O pecado frequentemente produz esse movimento: em vez de nos aproximarmos daquele que pode nos restaurar, sentimos vontade de nos esconder.

O Evangelho, entretanto, oferece outro caminho. 1 João 1:9 declara:

“Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça.”

Uma consciência limpa não significa possuir uma vida absolutamente perfeita, como se nunca mais cometêssemos qualquer erro. Significa viver diante de Deus de maneira sincera, sem manter conscientemente pecados escondidos e protegidos da sua autoridade. Quando o Senhor nos confronta, respondemos com arrependimento. Quando caímos, confessamos. Quando percebemos que uma atitude precisa mudar, não construímos justificativas para continuar nela.

Paulo demonstra o valor dessa consciência quando afirma em Atos 24:16 que se esforçava para possuir “sempre consciência pura diante de Deus e dos homens”. Isso não quer dizer que Paulo afirmasse não possuir fraquezas. Significa que ele desejava viver de maneira íntegra diante do Senhor.

Nossa confiança para entrar na presença de Deus, naturalmente, não está fundamentada em nossa perfeição moral. A base do nosso acesso continua sendo Jesus Cristo.

Hebreus 10:22 nos ensina que podemos aproximar-nos com confiança do trono da graça porque temos um grande Sumo Sacerdote. Entretanto, exatamente porque fomos recebidos pela graça, somos chamados a viver na luz.

Há uma diferença entre alguém que luta contra o pecado e alguém que decidiu fazer acordo com ele. O primeiro pode correr para Deus em busca de socorro; o segundo começa a evitar a luz porque não deseja abandonar aquilo que sabe estar errado.

Por isso, uma das primeiras perguntas que podemos fazer quando nossa vida de oração parece enfraquecida é: existe alguma coisa que Deus já me mostrou e que continuo recusando-me a tratar?

 

Podemos nos aproximar do Pai com confiança


João continua dizendo que, quando o coração não nos condena, “temos confiança diante de Deus”. A palavra confiança é extremamente importante.

Muitas pessoas oram, mas oram como se estivessem diante de um Deus relutante, distante e pouco interessado em ouvi-las. Apresentam seus pedidos imaginando que precisam convencer o Senhor a prestar atenção. Jesus, porém, apresenta uma realidade muito diferente.

Em Mateus 7:7-11, Ele ensina:

“Pedi, e dar-se-vos-á; buscai e achareis; batei, e abrir-se-vos-á.” (V.7)

Depois, Jesus utiliza a figura de um pai humano no versículo 11.

“Ora, se vós, que sois maus, sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos, quanto mais vosso Pai, que está nos céus, dará boas coisas aos que lhe pedirem?”

Essa é uma mudança profunda de perspectiva. Não oramos diante de uma força impessoal; oramos diante do Pai.

Isso não significa que o Pai concederá automaticamente tudo aquilo que pedirmos. Um pai amoroso não demonstra amor apenas dizendo “sim”. Algumas vezes, justamente por amar, ele diz “não”, “ainda não” ou conduz o filho para algo diferente daquilo que inicialmente desejava.

“A confiança cristã não consiste em acreditar que Deus sempre fará exatamente aquilo que pedimos. Consiste em saber que Ele sempre continuará sendo bom, sábio e fiel, independentemente da maneira como responder.”

Isaías 12:2 declara:

“Eis que Deus é a minha salvação; confiarei e não temerei.”

O salmista também afirma no Salmo 56 que confiava em Deus e, por isso, não viveria dominado pelo medo.


“A oração amadurece quando deixamos de confiar apenas na resposta que esperamos e começamos a confiar no próprio Deus.”


Há uma grande diferença entre dizer: “Tenho fé porque sei que tudo acontecerá exatamente como quero” e dizer: “Tenho fé porque sei em quem estou confiando.”

Essa segunda fé consegue permanecer mesmo quando a resposta demora.

 

Pedir com fé não significa tentar obrigar Deus

Jesus nos incentiva repetidamente a pedir. Ele não trata a oração de petição como algo inferior ou inadequado. Podemos colocar necessidades diante do Pai.

Em João 14:13, Jesus diz:

“E tudo quanto pedirdes em meu nome, isso farei, a fim de que o Pai seja glorificado no Filho.”

Em João 16:23, novamente fala sobre pedir ao Pai em seu nome. Entretanto, “pedir em nome de Jesus” é muito mais profundo do que simplesmente terminar uma oração dizendo: “Em nome de Jesus, amém”.

Orar em nome de Jesus significa aproximar-nos de Deus com base em quem Cristo é, no que Ele realizou e em harmonia com seus propósitos. O próprio versículo de João 14 apresenta a finalidade: “para que o Pai seja glorificado no Filho.”

Isso muda nossa compreensão de fé. Fé não é uma força mental por meio da qual fazemos algo acontecer. Não é tentar produzir certeza emocional suficiente para obrigar Deus a responder de determinada maneira. Fé é confiança em Deus.

Tiago 1:6 nos ensina a pedir com fé, sem duvidar. Mas o mesmo Tiago também faz uma advertência extremamente necessária:

“Pedis e não recebeis, porque pedis mal, para esbanjardes em vossos prazeres.”
Tiago 4:3

Portanto, nem todo pedido é automaticamente aprovado apenas porque foi apresentado em oração.

Nossos motivos também importam. Podemos pedir algo espiritualmente legítimo por uma motivação profundamente egoísta. Podemos pedir sucesso para sermos admirados, recursos para alimentar vaidade ou determinada posição para provar nosso valor aos outros.

A oração também expõe nosso coração. Por isso, 1 João acrescenta posteriormente outro princípio fundamental:

“E esta é a confiança que temos para com ele: que, se pedirmos alguma coisa segundo a sua vontade, ele nos ouve.”
1 João 5:14

Aqui encontramos um dos grandes equilíbrios da oração cristã. Devemos pedir com fé e, ao mesmo tempo, desejar que a vontade de Deus prevaleça sobre a nossa.

O próprio Jesus demonstrou isso no Getsêmani. Ele apresentou sinceramente ao Pai aquilo que estava sentindo, mas concluiu: “não seja como eu quero, e sim como tu queres.”

Isso não é falta de fé, mas sim, uma das mais profundas expressões de fé.

 

A Palavra começa a moldar aquilo que pedimos

Quanto mais caminhamos com Deus, mais nossa vida de oração deveria ser influenciada pelas Escrituras. Jesus apresenta esse princípio em João 15:7:

“Se permanecerdes em mim, e as minhas palavras permanecerem em vós, pedireis o que quiserdes, e vos será feito.”

À primeira vista, alguém poderia interpretar esse versículo simplesmente como uma autorização irrestrita para pedir qualquer coisa. Entretanto, observe a condição que o antecede: “Se permanecerdes em mim, e as minhas palavras permanecerem em vós.”

Quando as palavras de Jesus permanecem em nós, elas começam a transformar aquilo que queremos. Nossos desejos são reordenados. Nossas prioridades mudam. Começamos a desejar aquilo que agrada ao Pai.

É por isso que Salmo 37:4 diz:

“Agrada-te do SENHOR, e ele satisfará os desejos do teu coração.”

O texto não ensina simplesmente que Deus realizará qualquer desejo de alguém que cumprir uma determinada condição religiosa. Existe algo mais profundo acontecendo. Quando nosso deleite está no Senhor, o próprio coração começa a ser moldado pelo relacionamento com Ele.

Alguns desejos são confirmados. Outros são transformados. Alguns desaparecem. E outros, que jamais possuiríamos longe de Deus, começam a nascer dentro de nós.


“Uma vida de oração madura não é apenas aquela na qual recebemos muitas coisas que pedimos. É aquela em que aprendemos a desejar aquilo que Deus também deseja.”

 

Obediência e oração caminham juntas

João declara que recebemos aquilo que pedimos “porque guardamos os seus mandamentos e fazemos diante dele o que lhe é agradável” (I João 3:22).

Essa afirmação pode ser mal interpretada se imaginarmos que João está ensinando uma espécie de troca com Deus: nós obedecemos e, em pagamento, Ele concede nossos pedidos.

Esse não é o Evangelho. Não compramos respostas com bom comportamento. A obediência é fruto de relacionamento.

O próprio João explica no versículo seguinte qual é o mandamento central:

“Ora, o seu mandamento é este: que creiamos em o nome de seu Filho, Jesus Cristo, e nos amemos uns aos outros, segundo o mandamento que nos ordenou.”
1 João 3:23

Perceba como tudo permanece centrado em Cristo. Crer em Jesus. Amar uns aos outros. Permanecer em Deus. Viver pelo Espírito. Esse é o contexto da oração respondida.

Existe uma coerência espiritual nessa vida. Não faz sentido pedir a vontade de Deus enquanto conscientemente vivemos em rebelião contra aquilo que Ele já revelou.

Podemos pedir restauração de relacionamentos enquanto nos recusamos a perdoar.

Podemos pedir direção enquanto ignoramos aquilo que a Palavra já deixou claro.

Podemos pedir bênção financeira e continuar administrando recursos de maneira irresponsável.

Podemos pedir avivamento sem desejar arrependimento.


“A oração não substitui a obediência. Na verdade, muitas vezes a oração verdadeira nos conduz exatamente para aquilo que precisamos obedecer.”

 

Agradar a Deus deve tornar-se uma prioridade maior do que simplesmente receber dele

1 João 3:22 termina dizendo que fazemos “diante dele o que lhe é agradável”. Essa expressão desloca novamente o centro da oração.

A pergunta deixa de ser somente: “Como posso conseguir aquilo que desejo de Deus?” E passa a ser: “Como posso viver de maneira que agrade ao coração de Deus?”

Hebreus 11:6 afirma:

“De fato, sem fé é impossível agradar a Deus, porquanto é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe e que se torna galardoador dos que o buscam.”

Uma vida agradável a Deus é essencialmente uma vida de fé. Não estamos falando de perfeição, mas de um coração que confia, busca, obedece e se rende.

Isso muda inclusive a maneira como reagimos às respostas das nossas orações.

Quando Deus diz “sim”, agradecemos. Quando diz “espere”, permanecemos confiantes. Quando responde de maneira diferente daquilo que esperávamos, continuamos reconhecendo sua sabedoria.

A maturidade espiritual começa a aparecer quando desejamos mais o Deus que responde do que a resposta que esperamos receber.

Se nossa comunhão com Ele depende exclusivamente de recebermos aquilo que pedimos, ainda precisamos amadurecer profundamente na compreensão da oração.

 

Nem toda resposta será exatamente aquilo que imaginamos

Há outro ponto que precisamos reconhecer. A Bíblia apresenta pessoas profundamente comprometidas com Deus que não receberam exatamente aquilo que pediram.

Paulo orou três vezes para que seu “espinho na carne” fosse retirado. A resposta divina foi:

“A minha graça te basta, porque o poder se aperfeiçoa na fraqueza.”
2 Coríntios 12:9

Deus respondeu. Mas não respondeu removendo aquilo que Paulo pediu que fosse removido. A resposta foi graça suficiente para atravessar a situação.

Jesus orou no Getsêmani, e o caminho para a cruz permaneceu. Isso nos ensina que medir a eficácia da oração apenas pela quantidade de pedidos atendidos exatamente como formulamos pode nos conduzir a conclusões equivocadas.

Há respostas que chegam através de portas abertas. Outras chegam por meio de portas fechadas.

Há momentos em que Deus muda circunstâncias e outros em que muda nosso coração dentro das circunstâncias.

Há ocasiões em que remove o problema e outras em que nos concede força para atravessá-lo.


“A ausência da resposta que imaginávamos não significa necessariamente ausência da ação de Deus.”

 

Uma vida de oração eficaz nasce de uma vida de comunhão

Quando reunimos os ensinamentos de 1 João 3:21-24, percebemos que o apóstolo não está oferecendo cinco técnicas isoladas. Ele está descrevendo um relacionamento.

Existe uma consciência tratada diante de Deus, confiança em sua presença, fé em Jesus, obediência aos seus mandamentos, amor aos irmãos e ação do Espírito Santo. Tudo isso forma uma vida de permanência.

João diz no versículo 24:

“E aquele que guarda os seus mandamentos permanece em Deus, e Deus, nele. E nisto conhecemos que ele permanece em nós, pelo Espírito que nos deu.”

Talvez essa seja a expressão que melhor resume todo o assunto: permanecer em Deus.

Oração eficaz nasce de comunhão. Quanto mais permanecemos em Cristo, mais conhecemos seu coração. Quanto mais conhecemos seu coração, mais nossos desejos são transformados. Quanto mais nossos desejos são transformados, mais nossa oração começa a caminhar na direção da vontade do Pai.

Então começamos a perceber que o grande objetivo da oração nunca foi apenas conseguir que Deus colocasse coisas em nossas mãos. O grande objetivo é que nossa vida seja colocada cada vez mais inteiramente nas mãos dele.

 

Como obter respostas às nossas orações?

Talvez, depois de tudo isso, a pergunta do título precise ser vista de maneira mais profunda. Não existe fórmula capaz de obrigar Deus a responder como queremos. O Senhor continua sendo soberano e infinitamente mais sábio do que nós.

Entretanto, as Escrituras nos mostram como cultivar uma vida de oração saudável: viver na luz, manter uma consciência sensível, aproximar-nos do Pai com confiança, pedir com fé, submeter nossos desejos à vontade de Deus, permitir que sua Palavra permaneça em nós, obedecer ao que Ele já revelou e fazer daquilo que lhe agrada uma prioridade.

À medida que caminhamos assim, nossa oração deixa de ser uma tentativa de convencer Deus a participar dos nossos projetos e começa a tornar-se um lugar em que nossos projetos são submetidos aos dele.

E é justamente aí que alguma coisa extraordinária acontece. Continuamos pedindo. Continuamos buscando. Continuamos batendo. Mas fazemos isso com um coração cada vez mais disposto a dizer:

“Pai, eu sei o que estou pedindo, mas confio mais na tua sabedoria do que na minha compreensão. Se isso estiver de acordo com tua vontade, abre a porta. Se não estiver, fecha-a. Se eu precisar esperar, ensina-me a esperar. E, enquanto espero, não permita que eu deseje mais a resposta do que desejo a tua presença.”

Essa oração talvez não seja a mais fácil. Mas é uma oração profundamente madura.

E existe algo ainda maior do que receber aquilo que pedimos: descobrir que, enquanto orávamos por uma resposta, Deus estava formando Cristo dentro de nós.

Que nossa vida de oração seja marcada por confiança, fé, obediência, verdade e intimidade com o Pai. E que possamos experimentar não apenas respostas às nossas orações, mas uma comunhão cada vez mais profunda com aquele que nos convidou a pedir, buscar e bater.

Deus te abençoe!

Pastor Sérgio Luis

 Assista a mensagem completa em: https://youtu.be/Yyp8kUhw_88

 


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