COMO OBTER RESPOSTAS ÀS NOSSAS ORAÇÕES
Princípios bíblicos para uma vida de oração marcada por confiança, fé,
obediência e comunhão com Deus
“Amados, se
o coração não nos acusar, temos confiança diante de Deus; e aquilo que pedimos
dele recebemos, porque guardamos os seus mandamentos e fazemos diante dele o
que lhe é agradável.”
1 João 3:21-22
Poucas experiências da vida cristã são tão importantes quanto a oração.
É através dela que nos aproximamos de Deus, apresentamos nossas necessidades,
intercedemos por outras pessoas, confessamos pecados, agradecemos, adoramos e
aprendemos a colocar diante do Pai aquilo que ocupa nosso coração. Entretanto,
existe uma pergunta que inevitavelmente aparece em algum momento da caminhada: por
que algumas orações parecem ser respondidas e outras não? Existe alguma maneira
bíblica de nos posicionarmos para experimentar uma vida de oração mais eficaz?
1 João 3:21-22 nos ajuda profundamente nessa reflexão. João não
apresenta uma fórmula para obrigar Deus a fazer aquilo que desejamos, nem
ensina que podemos adquirir respostas através de algum desempenho religioso. O
apóstolo descreve uma vida de comunhão com Deus na qual consciência, confiança,
obediência e oração estão profundamente ligadas. O contexto mostra que ele está
falando a pessoas que desejam viver diante de Deus em verdade, amar seus irmãos
e permanecer em Cristo.
Isso é importante porque oração não pode ser reduzida a uma técnica para
obter coisas. Orar é relacionar-se com Deus. Quanto mais esse
relacionamento amadurece, mais nossos pedidos, desejos e prioridades também
começam a ser transformados. Não buscamos simplesmente uma maneira de fazer
Deus concordar conosco; aprendemos a conhecer seu coração e a alinhar nossa
vontade à dele.
Talvez esse seja um dos maiores segredos de uma vida de oração eficaz: não apenas conseguir respostas de Deus, mas permitir que, através da oração, Deus transforme aquele que está pedindo.
Uma consciência limpa nos permite aproximar-nos de Deus com liberdade
João começa dizendo: “Amados, se o coração não nos acusar, temos
confiança diante de Deus.” Essa afirmação toca diretamente na questão da
consciência. Existem momentos em que sabemos que alguma coisa precisa ser
tratada em nossa vida. O Espírito Santo confronta, a Palavra nos mostra uma
atitude errada e nossa consciência começa a testemunhar que não estamos
caminhando corretamente.
Quando escolhemos ignorar essa situação, nossa vida de oração pode ser
profundamente afetada. Não porque Deus tenha deixado de ser misericordioso, mas
porque começamos a evitar exatamente aquele lugar onde sabemos que seremos
confrontados.
Foi depois do pecado que Adão e Eva se esconderam da presença de Deus. O
problema não era que Deus tivesse parado de procurá-los; eram eles que já não
conseguiam permanecer diante dele com a mesma liberdade. O pecado
frequentemente produz esse movimento: em vez de nos aproximarmos daquele que
pode nos restaurar, sentimos vontade de nos esconder.
O Evangelho, entretanto, oferece outro caminho. 1 João 1:9 declara:
“Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar
os pecados e nos purificar de toda injustiça.”
Uma consciência limpa não significa possuir uma vida absolutamente
perfeita, como se nunca mais cometêssemos qualquer erro. Significa viver diante
de Deus de maneira sincera, sem manter conscientemente pecados escondidos e
protegidos da sua autoridade. Quando o Senhor nos confronta, respondemos com
arrependimento. Quando caímos, confessamos. Quando percebemos que uma atitude
precisa mudar, não construímos justificativas para continuar nela.
Paulo demonstra o valor dessa consciência quando afirma em Atos 24:16
que se esforçava para possuir “sempre consciência pura diante de Deus e dos
homens”. Isso não quer dizer que Paulo afirmasse não possuir fraquezas.
Significa que ele desejava viver de maneira íntegra diante do Senhor.
Nossa confiança para entrar na presença de Deus, naturalmente, não está
fundamentada em nossa perfeição moral. A base do nosso acesso continua sendo
Jesus Cristo.
Hebreus 10:22 nos ensina que podemos aproximar-nos com confiança do
trono da graça porque temos um grande Sumo Sacerdote. Entretanto,
exatamente porque fomos recebidos pela graça, somos chamados a viver na luz.
Há uma diferença entre alguém que luta contra o pecado e alguém que
decidiu fazer acordo com ele. O primeiro pode correr para Deus em busca de
socorro; o segundo começa a evitar a luz porque não deseja abandonar aquilo que
sabe estar errado.
Por isso, uma das primeiras perguntas que podemos fazer quando nossa
vida de oração parece enfraquecida é: existe alguma coisa que Deus já me
mostrou e que continuo recusando-me a tratar?
Podemos nos aproximar do Pai com confiança
João continua dizendo que, quando o coração não nos condena, “temos
confiança diante de Deus”. A palavra confiança é extremamente importante.
Muitas pessoas oram, mas oram como se estivessem diante de um Deus
relutante, distante e pouco interessado em ouvi-las. Apresentam seus pedidos
imaginando que precisam convencer o Senhor a prestar atenção. Jesus, porém,
apresenta uma realidade muito diferente.
Em Mateus 7:7-11, Ele ensina:
“Pedi, e dar-se-vos-á; buscai e achareis; batei, e abrir-se-vos-á.”
(V.7)
Depois, Jesus utiliza a figura de um pai humano no versículo 11.
“Ora, se vós, que sois maus, sabeis dar boas dádivas aos vossos
filhos, quanto mais vosso Pai, que está nos céus, dará boas coisas aos que lhe
pedirem?”
Essa é uma mudança profunda de perspectiva. Não oramos diante de uma
força impessoal; oramos diante do Pai.
Isso não significa que o Pai concederá automaticamente tudo aquilo que
pedirmos. Um pai amoroso não demonstra amor apenas dizendo “sim”. Algumas
vezes, justamente por amar, ele diz “não”, “ainda não” ou conduz o filho para
algo diferente daquilo que inicialmente desejava.
“A confiança cristã não consiste em acreditar que Deus sempre fará
exatamente aquilo que pedimos. Consiste em saber que Ele sempre continuará
sendo bom, sábio e fiel, independentemente da maneira como responder.”
Isaías 12:2 declara:
“Eis que Deus é a minha salvação; confiarei e não temerei.”
O salmista também afirma no Salmo 56 que confiava em Deus e, por
isso, não viveria dominado pelo medo.
“A oração amadurece quando deixamos de confiar apenas na resposta que
esperamos e começamos a confiar no próprio Deus.”
Há uma grande diferença entre dizer: “Tenho fé porque sei que tudo
acontecerá exatamente como quero” e dizer: “Tenho fé porque sei em
quem estou confiando.”
Essa segunda fé consegue permanecer mesmo quando a resposta demora.
Pedir com
fé não significa tentar obrigar Deus
Jesus nos incentiva repetidamente a pedir. Ele não trata a oração de
petição como algo inferior ou inadequado. Podemos colocar necessidades diante
do Pai.
Em João 14:13, Jesus diz:
“E tudo quanto pedirdes em meu nome, isso farei, a fim de que o Pai seja
glorificado no Filho.”
Em João 16:23, novamente fala sobre pedir ao Pai em seu nome.
Entretanto, “pedir em nome de Jesus” é muito mais profundo do que simplesmente
terminar uma oração dizendo: “Em nome de Jesus, amém”.
Orar em nome de Jesus significa aproximar-nos de Deus com base em quem
Cristo é, no que Ele realizou e em harmonia com seus propósitos. O próprio
versículo de João 14 apresenta a finalidade: “para que o Pai seja
glorificado no Filho.”
Isso muda nossa compreensão de fé. Fé não é uma força mental por meio da
qual fazemos algo acontecer. Não é tentar produzir certeza emocional suficiente
para obrigar Deus a responder de determinada maneira. Fé é confiança em Deus.
Tiago 1:6 nos ensina a pedir com fé, sem duvidar. Mas o mesmo
Tiago também faz uma advertência extremamente necessária:
“Pedis e não recebeis, porque pedis mal, para esbanjardes em vossos
prazeres.”
Tiago 4:3
Portanto, nem todo pedido é automaticamente aprovado apenas porque foi
apresentado em oração.
Nossos motivos também importam. Podemos pedir algo espiritualmente
legítimo por uma motivação profundamente egoísta. Podemos pedir sucesso para
sermos admirados, recursos para alimentar vaidade ou determinada posição para
provar nosso valor aos outros.
A oração também expõe nosso coração. Por isso, 1 João acrescenta
posteriormente outro princípio fundamental:
“E esta é a confiança que temos para com ele: que, se pedirmos alguma
coisa segundo a sua vontade, ele nos ouve.”
1 João 5:14
Aqui encontramos um dos grandes equilíbrios da oração cristã. Devemos
pedir com fé e, ao mesmo tempo, desejar que a vontade de Deus prevaleça
sobre a nossa.
O próprio Jesus demonstrou isso no Getsêmani. Ele apresentou
sinceramente ao Pai aquilo que estava sentindo, mas concluiu: “não seja como
eu quero, e sim como tu queres.”
Isso não é falta de fé, mas sim, uma das mais profundas expressões de
fé.
A Palavra
começa a moldar aquilo que pedimos
Quanto mais caminhamos com Deus, mais nossa vida de oração deveria ser
influenciada pelas Escrituras. Jesus apresenta esse princípio em João 15:7:
“Se permanecerdes em mim, e as minhas palavras permanecerem em vós,
pedireis o que quiserdes, e vos será feito.”
À primeira vista, alguém poderia interpretar esse versículo simplesmente
como uma autorização irrestrita para pedir qualquer coisa. Entretanto, observe
a condição que o antecede: “Se permanecerdes em mim, e as minhas palavras
permanecerem em vós.”
Quando as palavras de Jesus permanecem em nós, elas começam a
transformar aquilo que queremos. Nossos desejos são reordenados. Nossas
prioridades mudam. Começamos a desejar aquilo que agrada ao Pai.
É por isso que Salmo 37:4 diz:
“Agrada-te do SENHOR, e ele satisfará os desejos do teu coração.”
O texto não ensina simplesmente que Deus realizará qualquer desejo de
alguém que cumprir uma determinada condição religiosa. Existe algo mais
profundo acontecendo. Quando nosso deleite está no Senhor, o próprio coração
começa a ser moldado pelo relacionamento com Ele.
Alguns desejos são confirmados. Outros são transformados. Alguns
desaparecem. E outros, que jamais possuiríamos longe de Deus, começam a nascer
dentro de nós.
“Uma vida de oração madura não é apenas aquela na qual recebemos muitas
coisas que pedimos. É aquela em que aprendemos a desejar aquilo que Deus também
deseja.”
Obediência
e oração caminham juntas
João declara que recebemos aquilo que pedimos “porque guardamos os
seus mandamentos e fazemos diante dele o que lhe é agradável” (I João
3:22).
Essa afirmação pode ser mal interpretada se imaginarmos que João está
ensinando uma espécie de troca com Deus: nós obedecemos e, em pagamento, Ele
concede nossos pedidos.
Esse não é o Evangelho. Não compramos respostas com bom comportamento. A
obediência é fruto de relacionamento.
O próprio João explica no versículo seguinte qual é o mandamento
central:
“Ora, o seu mandamento é este: que creiamos em o nome de seu Filho,
Jesus Cristo, e nos amemos uns aos outros, segundo o mandamento que nos
ordenou.”
1 João 3:23
Perceba como tudo permanece centrado em Cristo. Crer em Jesus. Amar uns
aos outros. Permanecer em Deus. Viver pelo Espírito. Esse é o contexto da
oração respondida.
Existe uma coerência espiritual nessa vida. Não faz sentido pedir a
vontade de Deus enquanto conscientemente vivemos em rebelião contra aquilo que
Ele já revelou.
Podemos pedir restauração de relacionamentos enquanto nos recusamos a
perdoar.
Podemos pedir direção enquanto ignoramos aquilo que a Palavra já deixou
claro.
Podemos pedir bênção financeira e continuar administrando recursos de
maneira irresponsável.
Podemos pedir avivamento sem desejar arrependimento.
“A oração não substitui a obediência. Na verdade, muitas vezes a oração
verdadeira nos conduz exatamente para aquilo que precisamos obedecer.”
Agradar a
Deus deve tornar-se uma prioridade maior do que simplesmente receber dele
1 João 3:22 termina dizendo que fazemos “diante dele o que lhe é
agradável”. Essa expressão desloca novamente o centro da oração.
A pergunta deixa de ser somente: “Como posso conseguir aquilo que
desejo de Deus?” E passa a ser: “Como posso viver de maneira que agrade
ao coração de Deus?”
Hebreus 11:6 afirma:
“De fato, sem fé é impossível agradar a Deus, porquanto é necessário que
aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe e que se torna galardoador
dos que o buscam.”
Uma vida agradável a Deus é essencialmente uma vida de fé. Não estamos
falando de perfeição, mas de um coração que confia, busca, obedece e se rende.
Isso muda inclusive a maneira como reagimos às respostas das nossas
orações.
Quando Deus diz “sim”, agradecemos. Quando diz “espere”, permanecemos
confiantes. Quando responde de maneira diferente daquilo que esperávamos,
continuamos reconhecendo sua sabedoria.
A maturidade espiritual começa a aparecer quando desejamos mais o
Deus que responde do que a resposta que esperamos receber.
Se nossa comunhão com Ele depende exclusivamente de recebermos aquilo
que pedimos, ainda precisamos amadurecer profundamente na compreensão da
oração.
Nem toda
resposta será exatamente aquilo que imaginamos
Há outro ponto que precisamos reconhecer. A Bíblia apresenta pessoas
profundamente comprometidas com Deus que não receberam exatamente aquilo que
pediram.
Paulo orou três vezes para que seu “espinho na carne” fosse retirado. A
resposta divina foi:
“A minha graça te basta, porque o poder se aperfeiçoa na fraqueza.”
2 Coríntios 12:9
Deus respondeu. Mas não respondeu removendo aquilo que Paulo pediu que
fosse removido. A resposta foi graça suficiente para atravessar a situação.
Jesus orou no Getsêmani, e o caminho para a cruz permaneceu. Isso nos
ensina que medir a eficácia da oração apenas pela quantidade de pedidos
atendidos exatamente como formulamos pode nos conduzir a conclusões
equivocadas.
Há respostas que chegam através de portas abertas. Outras chegam por
meio de portas fechadas.
Há momentos em que Deus muda circunstâncias e outros em que muda nosso
coração dentro das circunstâncias.
Há ocasiões em que remove o problema e outras em que nos concede força
para atravessá-lo.
“A ausência da resposta que imaginávamos não significa necessariamente
ausência da ação de Deus.”
Uma vida de
oração eficaz nasce de uma vida de comunhão
Quando reunimos os ensinamentos de 1 João 3:21-24, percebemos que o
apóstolo não está oferecendo cinco técnicas isoladas. Ele está descrevendo um
relacionamento.
Existe uma consciência tratada diante de Deus, confiança em sua
presença, fé em Jesus, obediência aos seus mandamentos, amor aos irmãos e ação
do Espírito Santo. Tudo isso forma uma vida de permanência.
João diz no versículo 24:
“E aquele que guarda os seus mandamentos permanece em Deus, e Deus,
nele. E nisto conhecemos que ele permanece em nós, pelo Espírito que nos deu.”
Talvez essa seja a expressão que melhor resume todo o assunto: permanecer
em Deus.
Oração eficaz nasce de comunhão. Quanto mais permanecemos em Cristo,
mais conhecemos seu coração. Quanto mais conhecemos seu coração, mais nossos
desejos são transformados. Quanto mais nossos desejos são transformados, mais
nossa oração começa a caminhar na direção da vontade do Pai.
Então começamos a perceber que o grande objetivo da oração nunca foi
apenas conseguir que Deus colocasse coisas em nossas mãos. O grande objetivo é
que nossa vida seja colocada cada vez mais inteiramente nas mãos dele.
Como obter
respostas às nossas orações?
Talvez, depois de tudo isso, a pergunta do título precise ser vista de
maneira mais profunda. Não existe fórmula capaz de obrigar Deus a responder
como queremos. O Senhor continua sendo soberano e infinitamente mais sábio do
que nós.
Entretanto, as Escrituras nos mostram como cultivar uma vida de oração
saudável: viver na luz, manter uma consciência sensível, aproximar-nos do Pai
com confiança, pedir com fé, submeter nossos desejos à vontade de Deus,
permitir que sua Palavra permaneça em nós, obedecer ao que Ele já revelou e
fazer daquilo que lhe agrada uma prioridade.
À medida que caminhamos assim, nossa oração deixa de ser uma tentativa
de convencer Deus a participar dos nossos projetos e começa a tornar-se um
lugar em que nossos projetos são submetidos aos dele.
E é justamente aí que alguma coisa extraordinária acontece. Continuamos
pedindo. Continuamos buscando. Continuamos batendo. Mas fazemos isso com um
coração cada vez mais disposto a dizer:
“Pai, eu sei o que estou pedindo, mas confio mais na tua sabedoria do
que na minha compreensão. Se isso estiver de acordo com tua vontade, abre a
porta. Se não estiver, fecha-a. Se eu precisar esperar, ensina-me a esperar. E,
enquanto espero, não permita que eu deseje mais a resposta do que desejo a tua
presença.”
Essa oração talvez não seja a mais fácil. Mas é uma oração profundamente
madura.
E existe algo ainda maior do que receber aquilo que pedimos: descobrir
que, enquanto orávamos por uma resposta, Deus estava formando Cristo dentro de
nós.
Que nossa vida de oração seja marcada por confiança, fé, obediência,
verdade e intimidade com o Pai. E que possamos experimentar não apenas
respostas às nossas orações, mas uma comunhão cada vez mais profunda com aquele
que nos convidou a pedir, buscar e bater.
Deus te abençoe!
Pastor Sérgio Luis

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