MANIFESTANDO O REINO DE DEUS
ATRAVÉS DO MINISTÉRIO EVANGELÍSTICO
Uma Igreja que anuncia Cristo e chama pessoas à reconciliação com Deus
“E ele
mesmo concedeu uns para apóstolos, outros para profetas, outros para
EVANGELISTAS e outros para pastores e mestres.”
Efésios 4:11
O Evangelho chegou até nós porque alguém o anunciou. Em algum momento da
história, homens e mulheres atravessaram fronteiras, traduziram as Escrituras,
plantaram igrejas, conversaram em casas, pregaram em praças, ensinaram seus
filhos e testemunharam sobre aquilo que Jesus havia realizado. A fé cristã não
permaneceu confinada à primeira geração porque o Evangelho possui em sua
própria natureza um movimento de proclamação.
É nesse contexto que encontramos o ministério do EVANGELISTA.
O evangelista possui uma graça particular para anunciar Cristo de
maneira que homens e mulheres sejam confrontados com a realidade do pecado, da
cruz, da graça, do arrependimento e da salvação. Entretanto, o fato de
existirem evangelistas não significa que os demais cristãos estejam dispensados
de testemunhar. O ministério evangelístico deve também capacitar e despertar
toda a Igreja para participar da missão.
O Evangelho É A Mensagem, Não O Evangelista
Paulo declara em Romanos 1:16 que não se envergonha do Evangelho porque
ele é “o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê”.
Isso estabelece uma prioridade fundamental. O poder não está na
personalidade do pregador. Não está na eloquência. Não está no ambiente
emocional. Está no Evangelho.
Isso não significa que devemos comunicar de maneira descuidada. Um
evangelista deve conhecer sua mensagem, compreender aqueles a quem está falando
e aprender a comunicar com clareza. Mas jamais poderá substituir o conteúdo do
Evangelho pela habilidade do comunicador.
Quando a técnica torna-se maior do que a cruz, perdemos o centro.
Filipe Nos Ensina a Estar Disponíveis ao
Espírito
Em Atos 8, vemos Filipe sendo conduzido por Deus a diferentes lugares e
situações, demonstrando que o Evangelho ultrapassa fronteiras e alcança pessoas
de contextos completamente distintos.
Primeiramente, ele desceu à cidade de Samaria, onde anunciava
Cristo, e sua pregação foi acompanhada por sinais e por uma grande resposta das
pessoas. Muitos homens e mulheres creram e foram batizados, de modo que houve
grande alegria naquela cidade (At 8:5-8,12). Filipe estava vivendo um
momento extraordinário de seu ministério: multidões ouviam sua mensagem,
pessoas eram transformadas e a cidade estava sendo impactada pelo Evangelho.
Entretanto, em meio a esse grande movimento, algo surpreendente
aconteceu. Um anjo do Senhor disse a Filipe que se levantasse e seguisse para o
caminho que descia de Jerusalém para Gaza, acrescentando que aquele
caminho era deserto (At 8:26). Do ponto de vista puramente humano e
estratégico, talvez parecesse mais lógico permanecer em Samaria, onde muitas
pessoas estavam respondendo à mensagem. Porém, Filipe não era guiado apenas
pelos resultados visíveis de seu ministério; ele estava disponível para
obedecer à direção de Deus. Ele deixou a multidão e foi para uma estrada
deserta sem saber exatamente o que encontraria ali.
Foi nesse caminho que Filipe encontrou um eunuco etíope,
importante oficial da rainha Candace, que estava retornando de Jerusalém e lia
o profeta Isaías em sua carruagem (At 8:27-28). Então o Espírito disse a
Filipe: “Aproxima-te desse carro e acompanha-o” (At 8:29). Filipe
obedeceu, aproximou-se daquele homem, ouviu o que ele estava lendo e iniciou
uma conversa a partir de uma simples pergunta: “Compreendes o que vens
lendo?” (At 8:30). A partir daquela oportunidade, Filipe começou pela
própria passagem que o homem lia e “anunciou-lhe a Jesus” (At 8:35). O
encontro terminou com o eunuco crendo e sendo batizado (At 8:36-38).
Esse episódio revela uma verdade fundamental para todo evangelista: a
evangelização não deve ser guiada apenas por números, multidões ou grandes
oportunidades aparentes. Para Deus, uma única pessoa importa.
Filipe precisou estar disposto a sair de um lugar onde centenas estavam
sendo alcançadas para encontrar um único homem em uma estrada deserta. Isso nos
ensina que o valor de uma oportunidade evangelística não pode ser medido apenas
pela quantidade de pessoas presentes, mas pela direção de Deus e pelo valor que
cada vida possui diante dEle.
O evangelista, portanto, precisa desenvolver sensibilidade para perceber
oportunidades que não estavam em seu planejamento. Filipe não sabia previamente
que encontraria o eunuco, mas estava disponível quando Deus o direcionou. Da
mesma forma, uma conversa no trabalho, um encontro aparentemente casual, uma
pessoa sentada ao nosso lado, uma pergunta inesperada, uma viagem, uma visita
ou até mesmo uma interrupção em nossa rotina podem transformar-se em portas
para o Evangelho. Muitas vezes, aquilo que enxergamos como algo comum pode ser
exatamente o encontro que Deus preparou para que alguém ouça acerca de Jesus.
Após aquele encontro, Filipe foi novamente conduzido por Deus. Ele
apareceu em Azoto e, a partir dali, continuou anunciando o Evangelho por
todas as cidades por onde passava, até chegar a Cesareia (At 8:39-40).
Assim, Atos 8 apresenta Filipe pregando em Samaria, no caminho de Jerusalém
para Gaza, em Azoto e nas diversas cidades até Cesareia. Seu ministério
aconteceu em uma cidade cheia de pessoas, em uma estrada praticamente deserta e
em diferentes localidades durante sua caminhada.
A vida de Filipe nos mostra, portanto, que o verdadeiro evangelista
precisa estar disponível ao Espírito em qualquer lugar e diante de qualquer
pessoa. Ele pregou para multidões, mas também parou para conversar com um
único homem. Pregou em cidades, mas também evangelizou em uma estrada. Não
estava preso a um púlpito, a um templo ou a uma programação. Onde havia uma
pessoa e uma oportunidade concedida por Deus, ali existia um campo missionário.
“O evangelista não escolhe apenas onde é mais conveniente pregar; ele
aprende a discernir para onde Deus está enviando e a quem Deus deseja alcançar.”
O Evangelista Precisa Ter Compaixão Por Pessoas
Jesus, ao olhar para as multidões, não enxergava apenas pessoas
reunidas; Ele percebia suas necessidades, dores e condição espiritual. “Vendo
ele as multidões, compadeceu-se delas, porque estavam aflitas e exaustas como
ovelhas que não têm pastor” (Mt 9:36). Logo em seguida, Jesus declarou: “A
seara, na verdade, é grande, mas os trabalhadores são poucos” (Mt 9:37), e
orientou Seus discípulos a rogarem ao Senhor da seara que enviasse
trabalhadores para a Sua seara (Mt 9:38).
A verdadeira evangelização nasce da compaixão. Jesus não apenas
pregava às pessoas; Ele se importava com elas. Quando encontrou o leproso, foi
movido de compaixão, estendeu a mão e o tocou (Mc 1:40-41). Ao ver uma
grande multidão, compadeceu-se dela e curou os enfermos (Mt 14:14). A
proclamação do Evangelho, portanto, não pode estar separada de um coração que
se importa verdadeiramente com aqueles que precisam ser alcançados.
Quando enxergamos pessoas apenas como números que precisamos acrescentar
às estatísticas da igreja, algo está errado. Uma única pessoa possui grande
valor diante de Deus. Jesus ensinou que há alegria no céu por um pecador
que se arrepende (Lc 15:7) e mostrou, por meio das parábolas da ovelha
perdida, da moeda perdida e do filho perdido, que Deus se importa profundamente
com cada pessoa (Lc 15:1-32).
Cada pessoa possui uma história. Algumas carregam traumas, outras
possuem dúvidas; algumas desenvolveram resistência à religião por causa de
experiências negativas, enquanto outras simplesmente nunca tiveram uma
oportunidade real de compreender o Evangelho. Jesus demonstrava sensibilidade
para perceber essas histórias. Ele conversou com a mulher samaritana e tratou
profundamente as questões de sua vida (Jo 4:7-26); recebeu Nicodemos e
respondeu às suas dúvidas (Jo 3:1-16); aproximou-se de Zaqueu, apesar da
rejeição que ele sofria da sociedade (Lc 19:1-10).
Por isso, o evangelista precisa aprender a anunciar a verdade sem
perder a capacidade de ouvir. A Bíblia nos orienta: “Todo homem, pois,
seja pronto para ouvir, tardio para falar” (Tg 1:19). Evangelizar não
significa apenas falar; significa também aproximar-se, ouvir, compreender e, a
partir dessa aproximação, apresentar com clareza a verdade de Cristo. Paulo
declarou que procurava adaptar sua maneira de se aproximar das pessoas para,
por todos os meios, salvar alguns (1Co 9:19-23). Assim, o evangelista
não deve apenas perguntar: “O que eu preciso dizer a essa pessoa?”, mas
também: “Estou disposto a ouvi-la, compreender sua história e amá-la
enquanto apresento Jesus?”
Evangelismo Precisa Começar Nas Escrituras
Quando Filipe encontra o eunuco, ele o vê lendo Isaías. A partir daquele
texto, “anunciou-lhe a Jesus”.
Esse é um modelo poderoso.
O evangelista não precisa depender exclusivamente de experiências
pessoais. Testemunhos são importantes, mas o fundamento precisa permanecer na
verdade de Deus.
Precisamos ser capazes de mostrar biblicamente quem é Jesus, por que a
cruz foi necessária, o que significa arrependimento, graça, fé e nova vida.
Uma Igreja que deseja evangelizar precisa também conhecer sua Bíblia.
Evangelismo Não É Manipulação Emocional
Existe uma diferença entre sermos tocados pelo Espírito e sermos
pressionados emocionalmente por técnicas humanas.
O evangelista deve convidar pessoas a responder ao Evangelho, mas
precisa respeitar a seriedade dessa decisão.
Arrependimento não deveria ser produzido artificialmente por medo,
constrangimento ou pressão.
Paulo afirma em 2 Coríntios 4:2 que não utilizava astúcia nem adulterava
a Palavra, mas recomendava-se à consciência pela manifestação da verdade.
Isso nos ensina que a verdade não precisa de manipulação para cumprir
sua missão.
A Conversão É Obra De Deus
Podemos pregar. Podemos explicar. Podemos responder perguntas. Podemos
testemunhar. Mas somente Deus pode produzir regeneração.
Essa verdade nos livra de dois extremos: negligência e ansiedade. Não
podemos usar a soberania divina como desculpa para não evangelizar, porque
Jesus nos mandou anunciar. Ao mesmo tempo, não precisamos assumir o peso de
converter ninguém.
Nossa responsabilidade é testemunhar fielmente. O Espírito Santo
convence.
Evangelizar Não Termina Na Decisão
Jesus mandou fazer discípulos, não simplesmente acumular decisões.
A evangelização deve conduzir ao discipulado. A pessoa que recebe Cristo
precisa aprender as Escrituras, ser integrada à comunhão, crescer em obediência
e desenvolver uma vida semelhante à de Jesus.
Quando celebramos uma decisão e abandonamos a pessoa logo depois,
deixamos incompleto um processo que a própria Grande Comissão apresenta como
discipulado.
O evangelista também precisa amar aquilo que acontece depois do convite
para fazer uma aliança com Jesus.
A Igreja Inteira Precisa Ser Despertada
Efésios 4 mostra que os ministérios foram concedidos para o
aperfeiçoamento dos santos. Portanto, podemos compreender que o evangelista não
existe apenas para evangelizar no lugar dos outros, mas também para ajudar a
Igreja a tornar-se mais evangelística.
Ele desperta paixão pelos perdidos, ensina a comunicar o Evangelho,
ajuda os cristãos a vencerem o medo e lembra constantemente que existem pessoas
fora das paredes da Igreja.
Quando esse ministério funciona de maneira saudável, a evangelização
deixa de ser responsabilidade de um pequeno grupo e começa a fazer parte da
cultura da comunidade.
Que Deus Devolva À Igreja A Paixão Pelos Perdidos
É possível tornarmo-nos tão ocupados com a manutenção da Igreja que
deixamos de enxergar quem ainda não chegou.
Precisamos recuperar a alegria de anunciar Jesus. Não por obrigação
religiosa, mas porque acreditamos que o Evangelho continua sendo poder de Deus
para salvação.
Que Deus levante evangelistas cheios do Espírito Santo, profundamente
bíblicos, apaixonados por Cristo e movidos por compaixão. Homens e mulheres que
não manipulem pessoas, não diluam a mensagem e não transformem evangelização em
espetáculo, mas apresentem Jesus com clareza, graça e verdade.
E que esses evangelistas despertem toda a Igreja para compreender que,
embora nem todos tenham o ministério específico de evangelista, todo
discípulo possui uma história de graça que pode ser compartilhada e um Cristo
que precisa ser anunciado.
O Reino se manifesta quando homens e mulheres ouvem as boas-novas,
arrependem-se, creem em Jesus e começam uma nova vida debaixo do governo de
Deus.
Deus te abençoe!
Pastor Sérgio Luis

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