TUDO PODE SER MUDADO PELA ORAÇÃO
“Muito pode, por sua eficácia, a súplica do justo.”
Tiago 5:16
Existem situações na vida que parecem impossíveis de mudar.
Uma porta que permanece fechada. Uma enfermidade que chegou
inesperadamente. Uma crise dentro de casa. Um filho por quem você ora há anos.
Um casamento atravessando uma tempestade. Uma situação financeira que parece
não ter saída. Uma ferida emocional que continua doendo. Uma decisão difícil.
Uma circunstância que, humanamente falando, parece ter chegado ao limite.
Quando nossas possibilidades terminam, somos tentados a pensar que tudo
terminou. Mas a Bíblia nos apresenta outra perspectiva.
Quando nossos recursos se esgotam, os recursos de Deus continuam
inesgotáveis.
É nesse ponto que precisamos redescobrir uma das maiores dádivas
concedidas por Deus aos seus filhos: A ORAÇÃO.
Tiago escreve:
“Está alguém entre vós sofrendo? Faça oração. Está alguém alegre? Cante
louvores. Está alguém entre vós doente? Chame os presbíteros da igreja, e estes
façam oração sobre ele, ungindo-o com óleo, em nome do Senhor. E a oração da fé
salvará o enfermo, e o Senhor o levantará [...] Muito pode, por sua eficácia, a
súplica do justo.”
Tiago 5:13-16
Observe como a oração aparece nas mais diferentes circunstâncias da
vida. Sofrimento? Ore. Alegria? Louve. Enfermidade? Ore. Pecado?
Confesse. Necessidade? Ore.
Tiago está nos ensinando que não existe uma estação da vida na qual
Deus deva ser colocado à margem. Nos dias ruins, buscamos a Deus. Nos dias
bons, agradecemos a Deus. Nas enfermidades, clamamos a Deus. Nas vitórias,
glorificamos a Deus.
A oração não é apenas um recurso para momentos de emergência. A oração é
um estilo de vida de quem aprendeu a depender de Deus.
QUANDO VOCÊ NÃO SOUBER O QUE FAZER, ORE
Tiago começa com uma pergunta extremamente prática:
“Está alguém entre vós sofrendo? Faça oração.”
Tiago 5:13
Não existe nenhuma tentativa de romantizar o sofrimento.
Tiago reconhece que pessoas de fé sofrem. Cristãos atravessam crises. Servos
de Deus choram. Existem dias em que o coração fica apertado. Existem momentos
em que não conseguimos entender aquilo que está acontecendo. E a primeira
orientação de Tiago é: Ore.
Nossa tendência, entretanto, costuma ser outra. Quando alguma coisa
acontece, procuramos imediatamente alguém. Telefonamos. Mandamos mensagens. Buscamos
opiniões. Tentamos encontrar uma solução. Fazemos cálculos. Imaginamos
possibilidades. E somente quando todos os nossos recursos fracassam, lembramos:
“Eu preciso orar.”
Mas a oração não deveria ser nosso último recurso. Deveria ser
nossa primeira resposta. Isso não significa que não devamos procurar médicos,
conselheiros, profissionais, familiares ou pessoas que possam nos ajudar. Deus
pode utilizar todos esses recursos.
A questão é a ordem da nossa dependência. Antes de colocar nossa
esperança nos recursos humanos, precisamos colocar nossa confiança em Deus.
A ORAÇÃO MUDA NOSSA MANEIRA DE ATRAVESSAR AS TEMPESTADES
Jesus nunca prometeu que seus discípulos viveriam sem tempestades. Na
verdade, algumas das experiências mais extraordinárias dos discípulos
aconteceram justamente no meio delas.
Em Marcos 4, os discípulos atravessavam o mar quando uma grande
tempestade se levantou. O barco começou a encher de água. Homens experientes no
mar ficaram desesperados.
E Jesus estava no barco. Eles correram até Ele.
“Mestre, não te importa que pereçamos?”
Marcos 4:38
Jesus se levantou, repreendeu o vento e disse ao mar:
“Acalma-te, emudece!”
Marcos 4:39
E houve grande bonança.
Talvez você esteja enfrentando uma tempestade neste momento. Então
lembre-se: Jesus continua presente no barco.
A oração nos faz voltar os olhos para aquele que possui autoridade sobre
aquilo que está nos amedrontando.
Nem sempre Deus eliminará imediatamente a tempestade. Às vezes Ele
acalma o mar. Em outras ocasiões, Ele fortalece seus filhos para atravessá-lo. Mas
em ambos os casos existe uma certeza: Você não atravessa a tempestade
sozinho.
QUANDO ESTIVER ALEGRE, NÃO SE ESQUEÇA DE DEUS
Existe algo muito interessante em Tiago 5:13. Depois de dizer: “Está
alguém sofrendo? Faça oração”, Tiago acrescenta: “Está alguém alegre?
Cante louvores.”
Isso revela um perigo muito comum. Muitas pessoas lembram de Deus quando
tudo está dando errado, mas se esquecem dEle quando tudo começa a dar certo. Na
crise, oram. Na vitória, relaxam. Na necessidade, buscam. Na abundância,
esquecem.
Mas uma vida de comunhão com Deus não pode funcionar dessa maneira.
Deus não deseja participar apenas das nossas lágrimas. Ele também deve
participar das nossas celebrações.
Conseguiu um emprego? Agradeça. Uma porta se abriu? Louve. Sua família
experimentou uma bênção? Celebre diante de Deus. Recebeu uma resposta de
oração? Conte o testemunho. Está vivendo um período de paz? Reconheça de onde
veio essa paz.
A gratidão transforma bênçãos recebidas em adoração oferecida.
Não procure Deus somente quando precisar que Ele faça alguma coisa. Busque
Deus porque você o ama.
A ORAÇÃO DA FÉ DIANTE DA ENFERMIDADE
Tiago continua:
“Está alguém entre vós doente? Chame os presbíteros da igreja, e estes
façam oração sobre ele, ungindo-o com óleo, em nome do Senhor.”
Tiago 5:14
A Igreja não pode abandonar a oração pelos enfermos.
Tiago não diz: “Explique ao enfermo por que milagres não acontecem
mais.” Ele diz: “Façam oração sobre ele.”
Devemos continuar orando. Devemos continuar crendo. Devemos continuar
apresentando nossas enfermidades diante daquele que continua sendo poderoso.
Ao mesmo tempo, fé não significa desprezar os meios pelos quais Deus
também pode trazer cuidado. Podemos orar e procurar tratamento. Podemos pedir
um milagre e agradecer pela medicina. Podemos buscar a intervenção sobrenatural
de Deus enquanto utilizamos responsavelmente os recursos disponíveis.
Não precisamos colocar oração e medicina como adversárias. Deus continua soberano sobre ambas.
Algumas respostas podem acontecer de maneira extraordinária e imediata.
Outras podem ocorrer ao longo de processos, tratamentos e acompanhamento.
E existem situações em que, mesmo orando intensamente, a resposta não
acontece da maneira que esperávamos. Isso não significa que a oração fracassou.
Significa que oração não é uma técnica para controlar Deus; é relacionamento
de confiança com Deus.
Nós pedimos. Nós cremos. Nós perseveramos. E permanecemos submetidos à
sua sabedoria e vontade.
ORAÇÃO TAMBÉM TRANSFORMA RELACIONAMENTOS
Tiago então toca em outra área:
“Confessai, pois, os vossos pecados uns aos outros e orai uns pelos
outros...”
Tiago 5:16
Algumas das maiores prisões da vida não possuem grades. São construídas
por ressentimentos, mágoas, orgulho, culpa, ofensas acumuladas, palavras que
nunca foram esquecidas, relacionamentos quebrados.
E muitas vezes queremos que Deus transforme as pessoas ao nosso redor
sem permitir que Ele transforme primeiro nosso próprio coração. Existem
orações que começam pedindo: “Senhor, muda aquela pessoa”, e terminam dizendo:
“Senhor, começa mudando a mim.”
A oração nos coloca diante de Deus. E diante dEle nossas máscaras
começam a cair. Reconhecemos nossos erros. Percebemos nossas motivações. Somos
confrontados pelo Espírito Santo. Aprendemos a pedir perdão e também recebemos
graça para perdoar.
Jesus nos ensinou a orar:
“Perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós temos perdoado aos nossos
devedores.”
Mateus 6:12
Perdoar não significa chamar o mal de bem. Não significa negar a dor. Não
significa necessariamente restaurar imediatamente uma relação sem limites ou
prudência. Perdoar significa renunciar à vingança pessoal e entregar a Deus
a dívida emocional que estamos tentando cobrar.
E muitas vezes precisamos orar: “Senhor, eu quero perdoar, mas ainda não
consigo. Trabalha em meu coração.”
MUITO PODE A ORAÇÃO
Então chegamos a uma das declarações centrais de Tiago:
“Muito pode, por sua eficácia, a súplica do justo.”
Tiago 5:16
Talvez tenhamos nos acostumado demais com esse versículo. Leia
novamente: MUITO PODE. Não diz “pouco pode”. Não diz que oração serve
apenas para produzir conforto psicológico.
Tiago está descrevendo uma oração eficaz, intensa e perseverante.
Precisamos recuperar a expectativa bíblica de que Deus ouve oração.
Não porque nossas palavras possuem algum poder mágico. Não porque conseguimos
manipular o mundo espiritual através de determinadas fórmulas. Não porque nossa
intensidade obriga Deus a fazer aquilo que queremos.
A oração é poderosa porque o Deus para quem oramos é poderoso. Essa
diferença é fundamental.
O poder não está no homem que ora. O poder está no Deus que responde.
ELIAS ERA UM HOMEM COMO NÓS
Talvez alguém pense: “Mas isso deve funcionar para grandes homens de
Deus. Minha fé é pequena demais.” Tiago antecipa essa objeção. Ele escreve:
“Elias era homem semelhante a nós, sujeito aos mesmos sentimentos...”
Tiago 5:17
Isso é extraordinário. Tiago poderia simplesmente apresentar Elias como
um grande profeta. Mas faz questão de lembrar que ele era humano como nós.
Elias teve medo. Experimentou cansaço. Enfrentou momentos de profunda
pressão emocional. Teve dias extraordinários e também dias em que quis
desistir. Mas Elias orava.
“E orou, com instância, para que não chovesse sobre a terra, e, por três
anos e seis meses, não choveu. E orou, de novo, e o céu deu chuva, e a terra
fez germinar seus frutos.”
Tiago 5:17-18
Observe: “E orou, de novo...” Talvez essa pequena expressão seja
uma palavra para alguém hoje. Ore de novo.
Você orou ontem? Ore de novo. Já pediu? Ore de novo. Ainda não recebeu a
resposta? Ore de novo. Está cansado? Ore de novo. As circunstâncias continuam
iguais? Ore de novo.
Não porque a repetição obrigará Deus a responder, mas porque perseverança
é uma das expressões da fé que continua dependendo dEle.
QUANDO O CÉU PARECE FECHADO, CONTINUE ORANDO
Elias conheceu o que era olhar para um céu sem nuvens.
Em 1 Reis 18, depois de anos de seca, ele sobe ao monte Carmelo e começa
a orar. Manda seu servo olhar para o mar. Nada. Ele manda novamente. Nada. Outra
vez. Nada.
Até que, depois de repetidas vezes, o servo retorna dizendo:
“Eis que se levanta do mar uma nuvem pequena como a palma da mão de um
homem.”
1 Reis 18:44
Era pequena. Mas era suficiente para anunciar que a chuva estava
chegando.
Existem momentos em que nossa resposta começa como uma pequena nuvem no
horizonte.
Não despreze os pequenos sinais daquilo que Deus está começando a fazer.
Talvez você ainda não esteja vendo a chuva. Continue orando.
A ORAÇÃO NOS POSICIONA DIANTE DO IMPOSSÍVEL
Há situações que ultrapassam completamente nossa capacidade. Foi assim
diante do Mar Vermelho. Foi assim diante das muralhas de Jericó. Foi assim
diante de Golias. Foi assim diante da prisão de Pedro. Foi assim diante do
túmulo de Lázaro.
As Escrituras estão repletas de histórias nas quais os recursos humanos
chegaram ao limite. E então Deus manifestou seu poder.
Isso não significa que podemos utilizar essas histórias como garantia de
que Deus repetirá exatamente o mesmo milagre em todas as nossas circunstâncias.
Elas nos ensinam algo ainda mais fundamental: nenhuma situação está além do
alcance da soberania de Deus. É por isso que podemos orar.
ORAÇÃO NÃO É PASSIVIDADE
Existe ainda algo importante. Orar não significa cruzar os braços.
Neemias orou e trabalhou. Paulo orou e pregou. Jesus orava e agia. A
Igreja em Atos orava e testemunhava.
A verdadeira oração não produz irresponsabilidade; produz direção.
Há momentos em que, depois de orar, Deus dirá: “Espere.” Em outros: “Vá.”
Em alguns: “Perdoe.” Em outros: “Confronte.” Talvez: “Procure ajuda.” “Faça
aquela ligação.” “Reconcilie-se.” “Comece.” “Pare.” “Mude.”
A oração não serve para convencer Deus a participar dos nossos planos. Oramos
para que nosso coração seja alinhado aos planos dEle.
A ORAÇÃO PODE TRAZER VIDA A LUGARES QUE PARECEM MORTOS
Em Ezequiel 37, o profeta é levado a um vale cheio de ossos secos. O
cenário é de morte. Humanamente, não existe esperança.
Deus pergunta:
“Filho do homem, acaso, poderão reviver estes ossos?”
Ezequiel 37:3
Ezequiel responde:
“SENHOR Deus, tu o sabes.”
Então Deus ordena que o profeta fale conforme a palavra que havia
recebido.
Os ossos começam a se aproximar. Nervos aparecem. Carne cresce. Pele os
cobre. E finalmente vem o sopro de vida.
A visão tinha um significado específico para Israel, mas permanece nela
um princípio poderoso sobre o Deus que Ezequiel conheceu: Deus pode agir
onde nossos olhos enxergam apenas impossibilidade.
Talvez exista alguma área da sua vida que hoje pareça um vale de ossos
secos. Não fabrique promessas que Deus não fez. Mas também não limite Deus
ao diagnóstico das circunstâncias.
Ore. Busque sua Palavra. Ouça sua direção. E coloque sua esperança nEle.
O QUE VOCÊ PRECISA COLOCAR DIANTE DE DEUS HOJE?
Talvez esta seja a pergunta mais importante deste texto.
Qual é sua aflição? Qual é sua enfermidade? Qual é sua preocupação? Qual
relacionamento precisa de intervenção? Qual área da sua vida parece impossível
de mudar? Por quem você deixou de orar? Qual oração você abandonou porque
demorou demais?
Talvez seja hora de voltar ao lugar da oração. Não para exigir. Não para determinar a Deus aquilo que Ele deve fazer. Mas
para clamar, buscar, interceder, permanecer, crer, descansar e dizer: “Senhor,
eu não consigo mudar isso. Mas continuo confiando que nada está fora do alcance
das tuas mãos.”
ORE DE NOVO
Tiago nos deixa diante de uma verdade extraordinária: Existe oração para
o sofrimento. Existe louvor para a alegria. Existe oração diante da
enfermidade. Existe oração no processo de confissão e restauração. Existe
oração perseverante. E existe um Deus que continua ouvindo seus filhos.
Talvez você esteja esperando que tudo mude para voltar a acreditar. Faça
o caminho contrário: volte a orar enquanto ainda nada mudou.
Ore quando estiver forte. Ore quando estiver fraco. Ore quando sentir. Ore
quando não sentir. Ore quando houver respostas. Ore quando houver silêncio. Ore
quando o céu estiver claro. E ore quando parecer fechado.
Porque nossa confiança não está naquilo que conseguimos enxergar. Nossa
confiança está em Deus.
E quando oramos, talvez Deus transforme imediatamente aquilo que está
diante de nós. Talvez Ele utilize pessoas, processos e circunstâncias para
produzir a resposta. Talvez Ele nos mande esperar. E talvez, antes de
transformar aquilo que está ao nosso redor, Ele comece transformando aquilo
que está dentro de nós. Mas nunca pense que permanecer diante de Deus é
perda de tempo.
A oração continua sendo uma das maiores expressões da nossa dependência,
da nossa fé e da nossa comunhão com o Pai.
Por isso, diante do impossível, ore. Ore diante da aflição, da
enfermidade, por sua família, por seus filhos, pela Igreja e pelos seus sonhos
e decisões. E quando você achar que já orou demais, ore de novo.
Porque:
“Muito pode, por sua eficácia, a súplica do justo.”
Tiago 5:16
Tudo pode ser colocado diante de Deus em oração. E nenhuma circunstância
é grande demais para o Deus a quem oramos.
Deus te abençoe!
Pr. Sérgio Luis
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