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quinta-feira, 23 de abril de 2020

TUDO PODE SER MUDADO PELA ORAÇÃO



TUDO PODE SER MUDADO PELA ORAÇÃO

 

“Muito pode, por sua eficácia, a súplica do justo.”
Tiago 5:16

 

Existem situações na vida que parecem impossíveis de mudar.

Uma porta que permanece fechada. Uma enfermidade que chegou inesperadamente. Uma crise dentro de casa. Um filho por quem você ora há anos. Um casamento atravessando uma tempestade. Uma situação financeira que parece não ter saída. Uma ferida emocional que continua doendo. Uma decisão difícil. Uma circunstância que, humanamente falando, parece ter chegado ao limite.

Quando nossas possibilidades terminam, somos tentados a pensar que tudo terminou. Mas a Bíblia nos apresenta outra perspectiva.

Quando nossos recursos se esgotam, os recursos de Deus continuam inesgotáveis.

É nesse ponto que precisamos redescobrir uma das maiores dádivas concedidas por Deus aos seus filhos: A ORAÇÃO.

Tiago escreve:

“Está alguém entre vós sofrendo? Faça oração. Está alguém alegre? Cante louvores. Está alguém entre vós doente? Chame os presbíteros da igreja, e estes façam oração sobre ele, ungindo-o com óleo, em nome do Senhor. E a oração da fé salvará o enfermo, e o Senhor o levantará [...] Muito pode, por sua eficácia, a súplica do justo.”
Tiago 5:13-16

Observe como a oração aparece nas mais diferentes circunstâncias da vida. Sofrimento? Ore. Alegria? Louve. Enfermidade? Ore. Pecado? Confesse. Necessidade? Ore.

Tiago está nos ensinando que não existe uma estação da vida na qual Deus deva ser colocado à margem. Nos dias ruins, buscamos a Deus. Nos dias bons, agradecemos a Deus. Nas enfermidades, clamamos a Deus. Nas vitórias, glorificamos a Deus.

A oração não é apenas um recurso para momentos de emergência. A oração é um estilo de vida de quem aprendeu a depender de Deus.

 

QUANDO VOCÊ NÃO SOUBER O QUE FAZER, ORE

Tiago começa com uma pergunta extremamente prática:

“Está alguém entre vós sofrendo? Faça oração.”
Tiago 5:13

Não existe nenhuma tentativa de romantizar o sofrimento.

Tiago reconhece que pessoas de fé sofrem. Cristãos atravessam crises. Servos de Deus choram. Existem dias em que o coração fica apertado. Existem momentos em que não conseguimos entender aquilo que está acontecendo. E a primeira orientação de Tiago é: Ore.

Nossa tendência, entretanto, costuma ser outra. Quando alguma coisa acontece, procuramos imediatamente alguém. Telefonamos. Mandamos mensagens. Buscamos opiniões. Tentamos encontrar uma solução. Fazemos cálculos. Imaginamos possibilidades. E somente quando todos os nossos recursos fracassam, lembramos: “Eu preciso orar.”

Mas a oração não deveria ser nosso último recurso. Deveria ser nossa primeira resposta. Isso não significa que não devamos procurar médicos, conselheiros, profissionais, familiares ou pessoas que possam nos ajudar. Deus pode utilizar todos esses recursos.

A questão é a ordem da nossa dependência. Antes de colocar nossa esperança nos recursos humanos, precisamos colocar nossa confiança em Deus.

 

A ORAÇÃO MUDA NOSSA MANEIRA DE ATRAVESSAR AS TEMPESTADES

Jesus nunca prometeu que seus discípulos viveriam sem tempestades. Na verdade, algumas das experiências mais extraordinárias dos discípulos aconteceram justamente no meio delas.

Em Marcos 4, os discípulos atravessavam o mar quando uma grande tempestade se levantou. O barco começou a encher de água. Homens experientes no mar ficaram desesperados.

E Jesus estava no barco. Eles correram até Ele.

“Mestre, não te importa que pereçamos?”
Marcos 4:38

Jesus se levantou, repreendeu o vento e disse ao mar:

“Acalma-te, emudece!”
Marcos 4:39

E houve grande bonança.

Talvez você esteja enfrentando uma tempestade neste momento. Então lembre-se: Jesus continua presente no barco.

A oração nos faz voltar os olhos para aquele que possui autoridade sobre aquilo que está nos amedrontando.

Nem sempre Deus eliminará imediatamente a tempestade. Às vezes Ele acalma o mar. Em outras ocasiões, Ele fortalece seus filhos para atravessá-lo. Mas em ambos os casos existe uma certeza: Você não atravessa a tempestade sozinho.

 

QUANDO ESTIVER ALEGRE, NÃO SE ESQUEÇA DE DEUS

Existe algo muito interessante em Tiago 5:13. Depois de dizer: “Está alguém sofrendo? Faça oração”, Tiago acrescenta: “Está alguém alegre? Cante louvores.”

Isso revela um perigo muito comum. Muitas pessoas lembram de Deus quando tudo está dando errado, mas se esquecem dEle quando tudo começa a dar certo. Na crise, oram. Na vitória, relaxam. Na necessidade, buscam. Na abundância, esquecem.

Mas uma vida de comunhão com Deus não pode funcionar dessa maneira.

Deus não deseja participar apenas das nossas lágrimas. Ele também deve participar das nossas celebrações.

Conseguiu um emprego? Agradeça. Uma porta se abriu? Louve. Sua família experimentou uma bênção? Celebre diante de Deus. Recebeu uma resposta de oração? Conte o testemunho. Está vivendo um período de paz? Reconheça de onde veio essa paz.

A gratidão transforma bênçãos recebidas em adoração oferecida.

Não procure Deus somente quando precisar que Ele faça alguma coisa. Busque Deus porque você o ama.

 

A ORAÇÃO DA FÉ DIANTE DA ENFERMIDADE

Tiago continua:

“Está alguém entre vós doente? Chame os presbíteros da igreja, e estes façam oração sobre ele, ungindo-o com óleo, em nome do Senhor.”
Tiago 5:14

A Igreja não pode abandonar a oração pelos enfermos.

Tiago não diz: “Explique ao enfermo por que milagres não acontecem mais.” Ele diz: “Façam oração sobre ele.”

Devemos continuar orando. Devemos continuar crendo. Devemos continuar apresentando nossas enfermidades diante daquele que continua sendo poderoso.

Ao mesmo tempo, fé não significa desprezar os meios pelos quais Deus também pode trazer cuidado. Podemos orar e procurar tratamento. Podemos pedir um milagre e agradecer pela medicina. Podemos buscar a intervenção sobrenatural de Deus enquanto utilizamos responsavelmente os recursos disponíveis.

Não precisamos colocar oração e medicina como adversárias. Deus continua soberano sobre ambas.

Algumas respostas podem acontecer de maneira extraordinária e imediata. Outras podem ocorrer ao longo de processos, tratamentos e acompanhamento.

E existem situações em que, mesmo orando intensamente, a resposta não acontece da maneira que esperávamos. Isso não significa que a oração fracassou. Significa que oração não é uma técnica para controlar Deus; é relacionamento de confiança com Deus.

Nós pedimos. Nós cremos. Nós perseveramos. E permanecemos submetidos à sua sabedoria e vontade.

 

ORAÇÃO TAMBÉM TRANSFORMA RELACIONAMENTOS

Tiago então toca em outra área:

“Confessai, pois, os vossos pecados uns aos outros e orai uns pelos outros...”
Tiago 5:16

Algumas das maiores prisões da vida não possuem grades. São construídas por ressentimentos, mágoas, orgulho, culpa, ofensas acumuladas, palavras que nunca foram esquecidas, relacionamentos quebrados.

E muitas vezes queremos que Deus transforme as pessoas ao nosso redor sem permitir que Ele transforme primeiro nosso próprio coração. Existem orações que começam pedindo: “Senhor, muda aquela pessoa”, e terminam dizendo: “Senhor, começa mudando a mim.”

A oração nos coloca diante de Deus. E diante dEle nossas máscaras começam a cair. Reconhecemos nossos erros. Percebemos nossas motivações. Somos confrontados pelo Espírito Santo. Aprendemos a pedir perdão e também recebemos graça para perdoar.

Jesus nos ensinou a orar:

“Perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós temos perdoado aos nossos devedores.”
Mateus 6:12

Perdoar não significa chamar o mal de bem. Não significa negar a dor. Não significa necessariamente restaurar imediatamente uma relação sem limites ou prudência. Perdoar significa renunciar à vingança pessoal e entregar a Deus a dívida emocional que estamos tentando cobrar.

E muitas vezes precisamos orar: “Senhor, eu quero perdoar, mas ainda não consigo. Trabalha em meu coração.”

 

MUITO PODE A ORAÇÃO

Então chegamos a uma das declarações centrais de Tiago:

“Muito pode, por sua eficácia, a súplica do justo.”
Tiago 5:16

Talvez tenhamos nos acostumado demais com esse versículo. Leia novamente: MUITO PODE. Não diz “pouco pode”. Não diz que oração serve apenas para produzir conforto psicológico.

Tiago está descrevendo uma oração eficaz, intensa e perseverante.

Precisamos recuperar a expectativa bíblica de que Deus ouve oração. Não porque nossas palavras possuem algum poder mágico. Não porque conseguimos manipular o mundo espiritual através de determinadas fórmulas. Não porque nossa intensidade obriga Deus a fazer aquilo que queremos.

A oração é poderosa porque o Deus para quem oramos é poderoso. Essa diferença é fundamental.

O poder não está no homem que ora. O poder está no Deus que responde.

 

ELIAS ERA UM HOMEM COMO NÓS

Talvez alguém pense: “Mas isso deve funcionar para grandes homens de Deus. Minha fé é pequena demais.” Tiago antecipa essa objeção. Ele escreve:

“Elias era homem semelhante a nós, sujeito aos mesmos sentimentos...”
Tiago 5:17

Isso é extraordinário. Tiago poderia simplesmente apresentar Elias como um grande profeta. Mas faz questão de lembrar que ele era humano como nós.

Elias teve medo. Experimentou cansaço. Enfrentou momentos de profunda pressão emocional. Teve dias extraordinários e também dias em que quis desistir. Mas Elias orava.

“E orou, com instância, para que não chovesse sobre a terra, e, por três anos e seis meses, não choveu. E orou, de novo, e o céu deu chuva, e a terra fez germinar seus frutos.”
Tiago 5:17-18

Observe: “E orou, de novo...” Talvez essa pequena expressão seja uma palavra para alguém hoje. Ore de novo.

Você orou ontem? Ore de novo. Já pediu? Ore de novo. Ainda não recebeu a resposta? Ore de novo. Está cansado? Ore de novo. As circunstâncias continuam iguais? Ore de novo.

Não porque a repetição obrigará Deus a responder, mas porque perseverança é uma das expressões da fé que continua dependendo dEle.

 

QUANDO O CÉU PARECE FECHADO, CONTINUE ORANDO

Elias conheceu o que era olhar para um céu sem nuvens.

Em 1 Reis 18, depois de anos de seca, ele sobe ao monte Carmelo e começa a orar. Manda seu servo olhar para o mar. Nada. Ele manda novamente. Nada. Outra vez. Nada.

Até que, depois de repetidas vezes, o servo retorna dizendo:

“Eis que se levanta do mar uma nuvem pequena como a palma da mão de um homem.”
1 Reis 18:44

Era pequena. Mas era suficiente para anunciar que a chuva estava chegando.

Existem momentos em que nossa resposta começa como uma pequena nuvem no horizonte.

Não despreze os pequenos sinais daquilo que Deus está começando a fazer.

Talvez você ainda não esteja vendo a chuva. Continue orando.

 

A ORAÇÃO NOS POSICIONA DIANTE DO IMPOSSÍVEL

Há situações que ultrapassam completamente nossa capacidade. Foi assim diante do Mar Vermelho. Foi assim diante das muralhas de Jericó. Foi assim diante de Golias. Foi assim diante da prisão de Pedro. Foi assim diante do túmulo de Lázaro.

As Escrituras estão repletas de histórias nas quais os recursos humanos chegaram ao limite. E então Deus manifestou seu poder.

Isso não significa que podemos utilizar essas histórias como garantia de que Deus repetirá exatamente o mesmo milagre em todas as nossas circunstâncias. Elas nos ensinam algo ainda mais fundamental: nenhuma situação está além do alcance da soberania de Deus. É por isso que podemos orar.

 

ORAÇÃO NÃO É PASSIVIDADE

Existe ainda algo importante. Orar não significa cruzar os braços.

Neemias orou e trabalhou. Paulo orou e pregou. Jesus orava e agia. A Igreja em Atos orava e testemunhava.

A verdadeira oração não produz irresponsabilidade; produz direção.

Há momentos em que, depois de orar, Deus dirá: “Espere.” Em outros: “Vá.” Em alguns: “Perdoe.” Em outros: “Confronte.” Talvez: “Procure ajuda.” “Faça aquela ligação.” “Reconcilie-se.” “Comece.” “Pare.” “Mude.”

A oração não serve para convencer Deus a participar dos nossos planos. Oramos para que nosso coração seja alinhado aos planos dEle.

 

A ORAÇÃO PODE TRAZER VIDA A LUGARES QUE PARECEM MORTOS

Em Ezequiel 37, o profeta é levado a um vale cheio de ossos secos. O cenário é de morte. Humanamente, não existe esperança.

Deus pergunta:

“Filho do homem, acaso, poderão reviver estes ossos?”
Ezequiel 37:3

Ezequiel responde:

“SENHOR Deus, tu o sabes.”

Então Deus ordena que o profeta fale conforme a palavra que havia recebido.

Os ossos começam a se aproximar. Nervos aparecem. Carne cresce. Pele os cobre. E finalmente vem o sopro de vida.

A visão tinha um significado específico para Israel, mas permanece nela um princípio poderoso sobre o Deus que Ezequiel conheceu: Deus pode agir onde nossos olhos enxergam apenas impossibilidade.

Talvez exista alguma área da sua vida que hoje pareça um vale de ossos secos. Não fabrique promessas que Deus não fez. Mas também não limite Deus ao diagnóstico das circunstâncias.

Ore. Busque sua Palavra. Ouça sua direção. E coloque sua esperança nEle.

 

O QUE VOCÊ PRECISA COLOCAR DIANTE DE DEUS HOJE?

Talvez esta seja a pergunta mais importante deste texto.

Qual é sua aflição? Qual é sua enfermidade? Qual é sua preocupação? Qual relacionamento precisa de intervenção? Qual área da sua vida parece impossível de mudar? Por quem você deixou de orar? Qual oração você abandonou porque demorou demais?

Talvez seja hora de voltar ao lugar da oração. Não para exigir. Não para determinar a Deus aquilo que Ele deve fazer. Mas para clamar, buscar, interceder, permanecer, crer, descansar e dizer: “Senhor, eu não consigo mudar isso. Mas continuo confiando que nada está fora do alcance das tuas mãos.”


ORE DE NOVO

Tiago nos deixa diante de uma verdade extraordinária: Existe oração para o sofrimento. Existe louvor para a alegria. Existe oração diante da enfermidade. Existe oração no processo de confissão e restauração. Existe oração perseverante. E existe um Deus que continua ouvindo seus filhos.

Talvez você esteja esperando que tudo mude para voltar a acreditar. Faça o caminho contrário: volte a orar enquanto ainda nada mudou.

Ore quando estiver forte. Ore quando estiver fraco. Ore quando sentir. Ore quando não sentir. Ore quando houver respostas. Ore quando houver silêncio. Ore quando o céu estiver claro. E ore quando parecer fechado.

Porque nossa confiança não está naquilo que conseguimos enxergar. Nossa confiança está em Deus.

E quando oramos, talvez Deus transforme imediatamente aquilo que está diante de nós. Talvez Ele utilize pessoas, processos e circunstâncias para produzir a resposta. Talvez Ele nos mande esperar. E talvez, antes de transformar aquilo que está ao nosso redor, Ele comece transformando aquilo que está dentro de nós. Mas nunca pense que permanecer diante de Deus é perda de tempo.

A oração continua sendo uma das maiores expressões da nossa dependência, da nossa fé e da nossa comunhão com o Pai.

Por isso, diante do impossível, ore. Ore diante da aflição, da enfermidade, por sua família, por seus filhos, pela Igreja e pelos seus sonhos e decisões. E quando você achar que já orou demais, ore de novo.

Porque:

“Muito pode, por sua eficácia, a súplica do justo.”
Tiago 5:16

Tudo pode ser colocado diante de Deus em oração. E nenhuma circunstância é grande demais para o Deus a quem oramos.

Deus te abençoe!

Pr. Sérgio Luis

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