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quarta-feira, 20 de maio de 2020





DEUS NOS APERFEIÇOA EM MEIO AOS SOFRIMENTOS

 

“Amados, não estranheis o fogo ardente que surge no meio de vós, destinado a provar-vos, como se alguma coisa extraordinária vos estivesse acontecendo; pelo contrário, alegrai-vos na medida em que sois coparticipantes dos sofrimentos de Cristo, para que também, na revelação de sua glória, vos alegreis exultando.”
1 Pedro 4:12-13

 

    Existem momentos em nossa caminhada em que fazemos perguntas que parecem não encontrar respostas: Por que estou passando por isso? Por que Deus permitiu que essa situação chegasse até mim? Por que, mesmo orando, permanecendo firme e tentando fazer a vontade de Deus, ainda preciso enfrentar tantas lutas?

    O sofrimento é uma das experiências mais difíceis de compreender. Quando estamos atravessando dias tranquilos, é relativamente fácil falar sobre confiança, fidelidade e esperança. Mas quando o “fogo ardente” chega, nossa fé deixa o campo das palavras e entra no território da experiência.

    Foi exatamente para cristãos que conheciam esse território que Pedro escreveu sua primeira carta. Eles enfrentavam hostilidade, rejeição, perdas e perseguições por causa da fé. E, surpreendentemente, Pedro não lhes promete uma vida sem sofrimento. Ele procura ensiná-los a enxergar o sofrimento a partir de uma perspectiva diferente.

    Pedro diz: “Não estranheis o fogo ardente”. Em outras palavras: não pense que Deus perdeu o controle apenas porque a vida ficou difícil. Essa verdade continua extremamente atual.

Nem toda dificuldade significa que estamos fora da vontade de Deus. Existem processos dolorosos que acontecem justamente enquanto estamos caminhando com Ele.

    E é nesse contexto que encontramos uma das declarações mais fortalecedoras de toda a carta:

“Ora, o Deus de toda a graça, que em Cristo vos chamou à sua eterna glória, depois de terdes sofrido por um pouco, ele mesmo vos há de aperfeiçoar, firmar, fortificar e fundamentar.”
1 Pedro 5:10

  Talvez não consigamos compreender completamente por que determinadas coisas acontecem conosco. Mas Pedro nos ajuda a perceber algo extraordinário: Deus pode utilizar aquilo que estamos atravessando para realizar algo profundo dentro de nós.


ANTES DE ENTENDER O SOFRIMENTO, PRECISAMOS CONHECER A DEUS

    Pedro começa dizendo: “O Deus de toda a graça...” Isso é fundamental. Antes de falar sobre sofrimento, Pedro fala sobre quem Deus é. Ele não diz que estamos nas mãos de um Deus indiferente, distante ou insensível. Ele diz que estamos nas mãos do “Deus de toda a graça”.

    Essa ordem é importante porque, quando sofremos, existe o perigo de começarmos a interpretar o caráter de Deus a partir das nossas circunstâncias.

    Se algo deu errado, pensamos que Deus nos abandonou. Se a resposta demorou, pensamos que Deus não está ouvindo. Se uma porta se fechou, pensamos que Deus deixou de cuidar de nós.

    Mas a Bíblia nos convida a fazer exatamente o contrário: Não devemos interpretar Deus pelas circunstâncias; precisamos interpretar nossas circunstâncias a partir daquilo que sabemos sobre Deus. E Pedro nos lembra: Ele é o Deus de toda a graça.

    Sua dor não mudou o caráter de Deus. Sua luta não diminuiu sua bondade. O silêncio que você talvez esteja experimentando não significa ausência.

Mesmo quando não compreendemos seus caminhos, podemos continuar confiando em seu caráter.

 

NOSSO DESTINO É MAIOR DO QUE NOSSO PRESENTE

    Pedro continua: “...que em Cristo vos chamou à sua eterna glória...”

    Veja o contraste. De um lado, existe sofrimento. Do outro, existe eterna glória.

  Pedro está ajudando aqueles cristãos a olharem além daquele momento. A perseguição que enfrentavam era real. A dor era real. As perdas eram reais. Mas nenhuma dessas coisas possuía autoridade para determinar o final da história.

    Deus já havia estabelecido um destino para aqueles que estavam em Cristo. A dor fazia parte do caminho, mas não era o destino. Precisamos aprender essa verdade.

    Talvez você esteja vivendo um capítulo muito difícil da sua história, mas não transforme um capítulo ruim na conclusão do livro.

    Aquilo que você está atravessando hoje não necessariamente define aquilo que Deus ainda realizará em sua vida. Existem estações, processos e desertos. Mas nenhum é eterno.

Nosso sofrimento possui prazo. Nossa esperança possui eternidade.

 

“DEPOIS DE TERDES SOFRIDO POR UM POUCO”

    Pedro não ignora a realidade: “...depois de terdes sofrido por um pouco...”

  A Bíblia nunca romantiza o sofrimento. Dor continua sendo dor. Perda continua sendo perda. Tribulação continua sendo tribulação.

    Pedro não está dizendo que aquilo que os cristãos enfrentavam era insignificante. Ele está colocando aquela experiência diante da eternidade.

    Paulo expressa pensamento semelhante:

“Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós eterno peso de glória, acima de toda comparação.”
2 Coríntios 4:17

    Quando estamos sofrendo, alguns meses podem parecer anos. Uma noite de angústia pode parecer interminável. Uma espera prolongada pode consumir nossas forças.

    Mas existe algo que o sofrimento não pode fazer: ele não pode cancelar aquilo que Deus preparou para aqueles que estão em Cristo. Isso significa que nossa história não termina naquilo que estamos enfrentando.

    Pedro diz que depois do sofrimento existe uma ação de Deus. E é exatamente aí que o texto se torna extraordinário.


DEUS NÃO DESPERDIÇA OS NOSSOS PROCESSOS

  Pedro apresenta quatro ações: “Ele mesmo vos há de aperfeiçoar, firmar, fortificar e fundamentar.”

    Observe uma expressão preciosa: “Ele mesmo.” Deus não apenas observa o processo de longe. Ele mesmo trabalha em nós.

    Isso muda nossa maneira de atravessar as dificuldades. A pergunta deixa de ser apenas: “Como posso sair disso?” e passa também a ser: “Senhor, o que estás formando em mim enquanto atravesso isso?”

    Naturalmente queremos que Deus mude as circunstâncias. E podemos orar por isso. Mas talvez, enquanto esperamos que Deus transforme aquilo que está ao nosso redor, Ele esteja realizando uma transformação muito mais profunda dentro de nós.


Deus Nos Aperfeiçoa

    A primeira palavra utilizada por Pedro é aperfeiçoarO verbo grego katartizō carrega a ideia de ajustar, restaurar, colocar em ordem, preparar adequadamente. É utilizado, por exemplo, para o trabalho de consertar redes.

   A imagem é poderosa. Redes utilizadas repetidamente acabam sofrendo rupturas. Precisam ser examinadas, reparadas e preparadas novamente.

      Nós também possuímos áreas rompidas. Existem fragilidades que talvez nem percebêssemos enquanto tudo estava bem. Há aspectos do nosso caráter que somente aparecem quando somos pressionados.

A provação frequentemente revela aquilo que a tranquilidade conseguia esconder.

    É quando somos contrariados que descobrimos quanto domínio próprio possuímos. É quando precisamos esperar que descobrimos quanto realmente confiamos. É quando somos feridos que descobrimos nossa capacidade de perdoar. É quando perdemos o controle que descobrimos onde nossa segurança estava depositada.

    O sofrimento não cria necessariamente todas essas fragilidades. Muitas vezes, ele apenas revela aquilo que já estava dentro de nós. E quando Deus revela, não é simplesmente para nos expor. É para nos tratar.

O Deus de toda a graça sabe exatamente onde nossa alma precisa ser reparada.

 

b.      Deus Nos Firma

    Pedro diz que Deus também nos firma. A ideia é tornar estável, estabelecer com firmeza.

    Existem pessoas cuja fé depende completamente das circunstâncias. Quando tudo vai bem, estão confiantes. Quando alguma coisa sai do lugar, toda a estrutura espiritual começa a desmoronar.

    Deus deseja produzir algo mais profundo em nós. Uma fé que não dependa de dias bons para continuar crendo.

    O sofrimento pode retirar algumas falsas seguranças sobre as quais construímos nossa vida. E isso é doloroso. Mas quando essas estruturas caem, descobrimos novamente a Rocha.

    Descobrimos que nossa segurança nunca deveria estar no emprego, no dinheiro, nas pessoas, na posição, no ministério ou na estabilidade das circunstâncias. Nossa segurança está em Cristo.

    Uma pessoa amadurecida pelas provações pode dizer: “Eu não sei o que acontecerá amanhã, mas sei em quem tenho crido.” Isso é firmeza.

 

c.       Deus Nos Fortifica

  A terceira ação é fortificar. Existem forças que somente descobrimos depois de atravessarmos determinadas batalhas.

    Talvez você já tenha olhado para uma situação e pensado: “Eu não vou suportar.” Mas suportou. Não porque fosse naturalmente forte, mas porque a graça de Deus sustentou você.

    Paulo ouviu do Senhor:

“A minha graça te basta, porque o poder se aperfeiçoa na fraqueza.”
2 Coríntios 12:9

  Existe um paradoxo maravilhoso no Reino de Deus: quando reconhecemos nossa fraqueza, descobrimos uma força que não vem de nós.

    Deus não precisa que sejamos autossuficientes. Ele deseja que sejamos dependentes. Talvez algumas experiências estejam nos ensinando justamente isso. Você não consegue sozinho. E nunca foi chamado para conseguir.

A força do cristão não está em nunca se sentir fraco, mas em saber onde buscar força quando sua própria força termina.


Deus Nos Fundamenta

    Finalmente, Pedro diz que Deus nos fundamenta. A palavra traz a ideia de colocar fundamento, estabelecer sobre um alicerce sólido.

    Jesus utilizou uma imagem semelhante quando falou sobre duas casas. Uma construída sobre a areia e outra sobre a rocha. A tempestade atingiu as duas.

    Essa parte é importante. Construir sobre a Rocha não impede que a tempestade venha. Impede que a tempestade determine o fim da construção.

    Existem tempestades que revelam onde construímos nossa vida.

    Enquanto tudo está tranquilo, areia e rocha podem parecer igualmente capazes de sustentar uma casa. A diferença aparece quando chegam a chuva, os rios e os ventos.

    Assim também acontece conosco. As provações não apenas testam nossa fé; elas revelam onde nossa fé está fundamentada.

    Se estivermos firmados em Cristo, podemos ser sacudidos sem sermos destruídos. Podemos chorar sem abandonar a fé. Podemos não compreender e continuar confiando. Podemos perder algumas coisas sem perder aquilo que é essencial.

Quem está fundamentado em Cristo possui uma Rocha que nenhuma tempestade consegue remover.

 

O FOGO NÃO É O FIM DA HISTÓRIA

    Talvez agora possamos compreender melhor as palavras de Pedro: “Não estranheis o fogo ardente que surge no meio de vós...”

    O fogo produz desconforto, expõe e prova. Mas, biblicamente, o fogo também está associado ao refinamento.

    O ouro levado ao fogo não é colocado ali para ser destruído, mas para que suas impurezas sejam separadas.

    Talvez você esteja atravessando seu próprio “fogo ardente”. E certamente não devemos chamar todo sofrimento de uma ação direta de Deus nem imaginar que toda tragédia foi enviada especificamente para nos ensinar alguma coisa. Vivemos em um mundo marcado pelo pecado, pela fragilidade e por muitas formas de sofrimento.

    Entretanto, existe uma certeza que podemos guardar: nenhuma circunstância é grande demais para impedir Deus de trabalhar em nós através dela.

    Aquilo que tentou enfraquecer sua fé pode se tornar justamente o lugar onde ela será fortalecida. Aquilo que fez você chorar pode conduzi-lo a uma dependência de Deus que você nunca havia experimentado. Aquilo que revelou suas fraquezas pode se tornar o ambiente onde você descobrirá a suficiência da graça.

 

O QUE DEUS ESTÁ FORMANDO EM VOCÊ?

    Talvez nossa oração precise mudar um pouco. É legítimo orar: “Senhor, tira-me desta situação.” Mas talvez precisemos acrescentar:

“Senhor, enquanto não saio dela, não permita que eu atravesse esse processo sem ser transformado. Aperfeiçoa-me. Firma-me. Fortifica-me. Fundamenta-me. Não permita que minha dor seja desperdiçada. Não permita que eu termine esta estação exatamente como comecei. Faça-me mais parecido com Cristo.”

    Porque talvez o maior milagre não seja apenas sair do fogo. Talvez o maior milagre seja sair dele diferente de como entramos. Mais maduros. Mais dependentes. Mais humildes. Mais firmes. Mais conscientes da graça. Mais fundamentados em Cristo.

  Pedro escreveu para pessoas que estavam sofrendo, mas não lhes entregou uma mensagem de derrota. Entregou-lhes uma extraordinária promessa: Depois do sofrimento, Deus ainda estará trabalhando.

    E quem fará isso? “Ele mesmo.” O Deus de toda a graça. Aquele que chamou você em Cristo. Aquele que conhece suas lágrimas. Aquele que conhece suas limitações. Aquele que sabe exatamente quanto você consegue suportar. E aquele que é poderoso para transformar até mesmo os períodos mais difíceis de nossa caminhada em instrumentos para formar Cristo em nós.

    Por isso, se hoje você está atravessando uma estação de luta, não permita que a dor faça você concluir que Deus o abandonou. Continue. Permaneça. Confie. Ore. Agarre-se à Palavra. E lembre-se: o sofrimento pode ser parte do processo, mas não é o destino final daqueles que estão em Cristo.

    Existe glória além da luta. Existe amadurecimento dentro do processo. Existe graça suficiente para hoje. E existe um Deus trabalhando em você. Ele mesmo há de aperfeiçoar, firmar, fortificar e fundamentar.

    Que o Deus de toda a graça fortaleça profundamente o seu homem interior e faça com que, depois de atravessar aquilo que hoje parece tão difícil, você possa olhar para trás e perceber: “Eu passei pelo sofrimento, mas Deus não permitiu que o sofrimento passasse por mim sem produzir transformação.”

Deus te abençoe!

Pr. Sérgio Luis

Assista à mensagem completa no YouTube

 

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