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quarta-feira, 20 de maio de 2020



GUARDADOS PELA PAZ DE DEUS

 

“E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará o vosso coração e a vossa mente em Cristo Jesus.”
Filipenses 4:7

 

Há momentos em que a maior batalha que enfrentamos não acontece ao nosso redor, mas dentro de nós.

Por fora, talvez tudo pareça normal. Continuamos trabalhando, conversando, cuidando da família, cumprindo nossas responsabilidades e seguindo nossa rotina. Mas, por dentro, pensamentos estão em guerra, emoções estão abaladas e preocupações tentam ocupar cada espaço da nossa mente.

Pensamos no amanhã. Pensamos nas contas. Pensamos nos filhos. Pensamos na saúde. Pensamos naquilo que poderá acontecer. Pensamos naquilo que já aconteceu e não conseguimos mudar. E, silenciosamente, a ansiedade tenta assumir o controle do coração.

É justamente nesse cenário que as palavras do apóstolo Paulo em Filipenses 4:7 se tornam extraordinariamente atuais:

“E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará o vosso coração e a vossa mente em Cristo Jesus.”

Observe que Paulo não está prometendo apenas uma sensação momentânea de tranquilidade. Ele apresenta a paz de Deus como uma verdadeira proteção espiritual sobre nossas emoções e nossos pensamentos.

 

UMA GUARDA SOBRE O CORAÇÃO E A MENTE

A palavra grega utilizada por Paulo para “guardará” é phroureō. O termo era utilizado para descrever uma guarda militar protegendo uma cidade.

Imagine uma cidade cercada por inimigos. Nas entradas estão soldados atentos, protegendo seus habitantes e impedindo que o inimigo invada. É essa a imagem que Paulo utiliza para explicar aquilo que a paz de Deus pode fazer em nós.

A paz de Deus funciona como uma sentinela protegendo nosso coração e nossa mente.

E isso é profundamente significativo porque coração e mente representam áreas extremamente vulneráveis da nossa vida.

No coração estão nossas emoções. Na mente estão nossos pensamentos. É exatamente nesses dois lugares que muitas das maiores batalhas acontecem.

Um pensamento errado pode produzir medo. O medo alimentado pode gerar ansiedade. A ansiedade pode produzir decisões precipitadas. Uma lembrança dolorosa pode alimentar ressentimento. Uma preocupação constantemente repetida pode roubar nosso sono.

Por isso, Deus não deseja apenas cuidar das circunstâncias ao nosso redor.

Ele deseja guardar aquilo que acontece dentro de nós enquanto atravessamos essas circunstâncias.

 

UMA PAZ QUE NÃO CONSEGUIMOS EXPLICAR

Paulo chama essa paz de: “a paz de Deus, que excede todo o entendimento”.

Outras traduções dizem que ela “ultrapassa todo entendimento”, “excede toda compreensão”, “transcende toda compreensão” ou simplesmente que está “além da compreensão humana”. Em outras palavras, não é uma paz produzida pela lógica das circunstâncias.

Normalmente, pensamos assim: “Quando esse problema terminar, terei paz.” “Quando essa dívida for paga, ficarei tranquilo.” “Quando meu filho mudar, conseguirei descansar.” “Quando receber aquela resposta, ficarei em paz.” “Quando tudo estiver resolvido, finalmente poderei respirar.”

Mas a paz de Deus funciona de maneira diferente. Ela não precisa esperar que tudo ao nosso redor esteja resolvido para começar a agir dentro de nós.

Podemos estar atravessando uma tempestade e, ainda assim, experimentar paz. Podemos não saber como determinada situação será resolvida e, mesmo assim, descansar. Podemos não compreender o que Deus está fazendo e, ainda assim, confiar nEle.

Essa é a paz que excede o entendimento. Não é a paz de quem possui todas as respostas. É a paz de quem conhece Aquele que continua no controle.

 

A PAZ DE DEUS NÃO É A PAZ DO MUNDO

Jesus fez uma distinção importante:

“Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não vo-la dou como a dá o mundo.” João 14:27

A paz oferecida pelo mundo normalmente depende das circunstâncias. Se tudo está bem, existe paz. Se alguma coisa sai do controle, a paz desaparece.

A paz de Cristo é diferente. Ela não significa ausência de problemas. Não significa que nunca teremos dias difíceis. Não significa que jamais sentiremos tristeza ou preocupação. Significa que existe uma presença maior do que aquilo que estamos enfrentando.

A paz cristã não nasce da certeza de que nada dará errado. Ela nasce da certeza de que, aconteça o que acontecer, Deus continuará sendo Deus e nós continuaremos pertencendo a Ele.

 

ANTES DA PAZ, PAULO FALA SOBRE A PREOCUPAÇÃO

É impossível compreender plenamente Filipenses 4:7 sem observar o versículo anterior.

Paulo escreveu:

“Não andeis ansiosos de coisa alguma; em tudo, porém, sejam conhecidas, diante de Deus, as vossas petições, pela oração e pela súplica, com ações de graças.”
Filipenses 4:6

Perceba a sequência. Existe preocupação. Existe uma decisão sobre o que faremos com ela. Existe oração. Existe súplica. Existe gratidão. E então vem: “E a paz de Deus... guardará o vosso coração e a vossa mente.”

Paulo está nos ensinando a transformar preocupação em oração.

Aquilo que tenta ocupar sua mente precisa ser colocado diante de Deus. Em vez de carregar sozinho, ore. Em vez de imaginar todos os cenários possíveis, ore. Em vez de alimentar continuamente aquilo que você não consegue controlar, apresente isso ao Senhor.

Existem coisas que podemos resolver. Existem outras que não podemos. Precisamos de sabedoria para distinguir umas das outras.

Mas aquilo que estiver além das nossas possibilidades precisa deixar de ser um peso carregado sozinho e tornar-se uma causa colocada diante de Deus.

 

ENTREGUE A DEUS AQUILO QUE ESTÁ ROUBANDO SUA PAZ

Talvez você esteja lendo este texto exatamente em um desses momentos.

Existe alguma coisa tirando sua paz? Um problema familiar? Uma preocupação financeira? Uma decisão? Uma notícia? Uma enfermidade? Uma porta que não se abre? Uma resposta que não chega? Algo relacionado ao futuro?

Talvez você esteja tentando controlar mentalmente uma situação que já percebeu não estar sob seu controle. Então existe uma pergunta importante: Por que continuar carregando sozinho aquilo que Deus está convidando você a colocar diante dEle?

Tiago 4:7 declara:

“Sujeitai-vos, portanto, a Deus; mas resisti ao diabo, e ele fugirá de vós.”

Existe submissão e existe resistência. Nós nos submetemos a Deus e resistimos àquilo que tenta dominar nossos pensamentos.

Nem todo pensamento que chega à nossa mente precisa receber permissão para permanecer nela.

 

VOCÊ PRECISA ESCOLHER AQUILO QUE OCUPARÁ SUA MENTE

Depois de falar sobre a paz guardando a mente, Paulo continua:

“Finalmente, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é respeitável, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se alguma virtude há e se algum louvor existe, seja isso o que ocupe o vosso pensamento.”
Filipenses 4:8

Existe aqui uma responsabilidade pessoal. Paulo não diz simplesmente: “Não pense em coisas ruins.” Ele nos mostra com o que devemos preencher a mente. Verdade. Justiça. Pureza. Aquilo que é amável. Aquilo que possui boa fama. Virtude. Louvor.

Isso significa que precisamos desenvolver critérios para aquilo que permitimos permanecer dentro de nós.

Nem tudo aquilo que passa pela nossa cabeça merece permanecer nela. Alguns pensamentos precisam ser rejeitados. Outros precisam ser confrontados pela verdade da Palavra. Outros precisam ser levados imediatamente à oração.

Nossa mente não pode ser um depósito de medos, notícias ruins, comparações, ressentimentos, suspeitas, tragédias imaginárias e preocupações sobre coisas que talvez nunca aconteçam.

Nossa mente precisa tornar-se depósito da Palavra de Deus e de suas promessas.

 

UMA MENTE DIVIDIDA PRODUZ UMA VIDA INSTÁVEL

Tiago apresenta uma séria advertência:

“É homem de ânimo dobre, inconstante em todos os seus caminhos.”
Tiago 1:8

A expressão “ânimo dobre” traz a ideia de uma mente dividida. Uma hora cremos. Outra hora duvidamos. Em um momento descansamos. Logo depois permitimos que a ansiedade novamente assuma o controle. Declaramos que confiamos em Deus, mas continuamos tentando controlar todas as circunstâncias.

É claro que existem momentos de fragilidade e que nossa caminhada de fé possui processos. Mas precisamos desenvolver uma decisão interior: Minha confiança permanecerá em Deus.

Isaías 26:3 declara:

“Tu, SENHOR, conservarás em perfeita paz aquele cujo propósito é firme; porque ele confia em ti.”

No hebraico encontramos a expressão “shalom shalom”. Paz, paz. Uma ideia de paz completa, profunda, plena. E observe quem experimenta essa paz: aquele cujo propósito é firme porque confia em Deus.

A firmeza da mente está diretamente relacionada ao objeto da nossa confiança.

 

PRECISAMOS LEVAR NOSSOS PENSAMENTOS CATIVOS

Paulo ensina algo ainda mais profundo em 2 Coríntios 10:4-5:

“Porque as armas da nossa milícia não são carnais, e sim poderosas em Deus, para destruir fortalezas... e levando cativo todo pensamento à obediência de Cristo.”

Existe uma batalha acontecendo no campo dos pensamentos. Fortalezas podem ser construídas dentro da mente. Mentiras repetidas durante anos podem começar a parecer verdades: “Você nunca conseguirá.” “Deus abandonou você.” “Não existe mais solução.” “Seu futuro acabou.” “Nada vai mudar.” “Você está sozinho.”

Pensamentos assim não devem simplesmente ser aceitos. Precisamos perguntar: Isso está de acordo com a Palavra de Deus? Se não estiver, precisa ser confrontado.

A verdade de Deus precisa possuir autoridade maior dentro de nós do que as vozes que tentam nos amedrontar.

Levar um pensamento cativo à obediência de Cristo significa não permitir que ele governe livremente nossa mente. Submetemos nossos pensamentos à verdade.

 

REVISTA-SE PARA A BATALHA

Efésios 6:10-18 nos ensina a revestir-nos de toda a armadura de Deus.

Paulo menciona o cinto da verdade, a couraça da justiça, as sandálias da preparação do Evangelho da paz, o escudo da fé, o capacete da salvação e a espada do Espírito, que é a Palavra de Deus.

Nada disso é acidental. Existe uma batalha espiritual e não podemos enfrentá-la de maneira negligente.

Observe particularmente o capacete da salvação. O capacete protege a cabeça. Existe uma proteção relacionada àquilo que sabemos sobre nossa salvação, nossa identidade em Cristo e nossa esperança.

Quando sabemos quem somos em Cristo, muitas mentiras perdem força. Quando conhecemos a Palavra, conseguimos identificar aquilo que contradiz a verdade. Quando levantamos o escudo da fé, os dardos inflamados não precisam encontrar lugar dentro de nós.

Não precisamos aceitar passivamente tudo aquilo que tenta invadir nossa mente.

 

TENHA FÉ EM DEUS

Jesus disse:

            “Tende fé em Deus.” Marcos 11:22

É uma declaração curta, mas extremamente profunda. Nossa fé não está em nossa capacidade. Não está em nossos recursos. Não está em pessoas. Não está na economia. Não está nas circunstâncias. Não está naquilo que conseguimos enxergar. Nossa fé está em Deus.

Talvez você não saiba o que acontecerá amanhã. Mas Deus já está lá. Talvez você não saiba como determinada situação será resolvida. Mas Deus continua sendo Deus. Talvez você não tenha forças suficientes para enfrentar tudo de uma só vez.

Então não tente viver o amanhã, hoje. Receba a graça necessária para este dia. Confie em Deus hoje. Amanhã, você confiará novamente.

 

A PAZ PODE GUARDAR VOCÊ ANTES QUE O PROBLEMA TERMINE

Essa talvez seja uma das maiores verdades de Filipenses 4.

Nós normalmente queremos que Deus primeiro mude a situação para depois termos paz. Mas muitas vezes Deus começa de outra maneira. Ele nos dá paz enquanto a situação ainda não mudou.

A porta ainda não abriu. Mas existe paz. A resposta ainda não chegou. Mas existe paz. O problema ainda está ali. Mas existe paz. Você ainda não sabe como tudo terminará. Mas existe paz. Por quê? Porque a paz não está fundamentada na ausência da batalha, mas na presença de Deus.

É por isso que ela excede todo entendimento. Humanamente não faria sentido estar em paz. Mas você está. Não porque ignora a realidade. Não porque finge que nada está acontecendo. Não porque perdeu a sensibilidade. Mas porque entregou aquilo que não consegue controlar nas mãos daquele que continua soberano sobre todas as coisas.

 

DEIXE A PAZ DE DEUS MONTAR GUARDA

Voltemos à imagem inicial. Phroureō. Uma guarda militar.

Imagine novamente seu coração e sua mente como uma cidade. Na porta estão pensamentos querendo entrar. Medo. Ansiedade. Desespero. Incredulidade. Preocupações. Acusações. Mentiras.

E Paulo nos apresenta uma imagem maravilhosa: a paz de Deus montando guarda.

A paz dizendo ao medo: “Você não governará aqui.” A paz dizendo à ansiedade: “Você não assumirá o controle.” A paz dizendo ao desespero: “Você não decidirá o futuro.” A paz dizendo à mentira: “A verdade de Deus permanece.”

Não significa que nunca seremos atacados. Significa que não precisamos permitir que aquilo que nos ataca governe aquilo que acontece dentro de nós.

Portanto, vigie. Ore. Apresente suas necessidades a Deus. Dê graças. Escolha aquilo que ocupará seus pensamentos. Confronte as mentiras com a Palavra. Revista-se da armadura de Deus. Mantenha sua mente firme. E, acima de tudo: Tenha fé em Deus.

Porque existe uma paz que o mundo não consegue produzir. Uma paz que as circunstâncias não conseguem explicar. Uma paz que o dinheiro não consegue comprar. Uma paz que não depende de tudo estar resolvido. É a paz de Deus.

E essa paz, que excede todo entendimento, guardará o seu coração e a sua mente em Cristo Jesus.

Talvez hoje você não precise compreender tudo. Talvez precise apenas confiar. Entregue. Ore. Descanse. E permita que a paz de Deus monte guarda dentro de você.

Deus te abençoe!

Pr. Sérgio Luis

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