A ORAÇÃO INCESSANTE TRAZ LIBERTAÇÃO
“Pedro,
pois, estava guardado no cárcere; mas havia oração incessante a Deus por parte
da igreja a favor dele.”
Atos 12:5
Existem situações em nossa vida diante das quais temos a impressão de
que todas as portas se fecharam. Olhamos para um lado e não encontramos saída.
Procuramos uma solução e não encontramos. Os recursos humanos parecem
insuficientes, as circunstâncias parecem irreversíveis e tudo ao nosso redor
diz que chegamos ao limite.
Mas existe algo que nenhuma prisão consegue aprisionar, nenhuma
autoridade humana consegue impedir e nenhuma circunstância consegue
neutralizar: a oração de uma igreja que decidiu buscar a Deus
incessantemente.
Atos 12 nos apresenta uma das histórias mais extraordinárias da Igreja
Primitiva. De um lado, encontramos Pedro preso, acorrentado e fortemente
vigiado. Do outro, encontramos uma igreja reunida em oração.
Humanamente, Herodes parecia estar no controle. Espiritualmente, porém, havia
uma igreja orando — e Deus estava prestes a agir.
UMA IGREJA DEBAIXO DE FORTE PERSEGUIÇÃO
A Igreja Primitiva nasceu em meio a uma atmosfera de oposição. Desde os
primeiros capítulos de Atos, encontramos tentativas de silenciar a mensagem do
Evangelho.
Primeiro vieram as resistências das autoridades religiosas. Depois, a
perseguição tornou-se ainda mais intensa. Em Atos 12, encontramos Herodes
utilizando seu poder político contra a Igreja.
Lucas registra:
“Por aquele mesmo tempo, o rei Herodes estendeu as mãos sobre alguns da
igreja, para os maltratar; e matou à espada Tiago, irmão de João.”
Atos 12:1-2
Tiago havia sido morto. E quando Herodes percebeu que aquela atitude
agradava a determinados setores da população, decidiu avançar ainda mais. Mandou
prender Pedro.
O texto revela algo assustador sobre a natureza do poder quando ele é
utilizado para agradar pessoas: Herodes não estava preocupado com justiça;
estava preocupado com popularidade.
Pedro transformou-se em instrumento de um projeto político. Herodes
percebeu que perseguir os cristãos poderia aumentar sua aprovação e, por isso,
decidiu continuar.
Mas existe uma verdade que atravessa toda a história da Igreja: Os
homens podem perseguir a Igreja, mas jamais conseguirão destruir aquilo que
Jesus decidiu edificar.
O próprio Cristo declarou:
“Edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão
contra ela.”
Mateus 16:18
A Igreja pode ser perseguida. Pode ser pressionada. Pode atravessar
períodos extremamente difíceis. Mas as portas do inferno não prevalecerão
contra ela.
PEDRO ESTAVA PRESO, MAS A IGREJA ESTAVA ORANDO
A situação de Pedro parecia humanamente impossível.
Herodes tomou todas as providências para impedir qualquer possibilidade
de fuga. Pedro foi entregue a quatro escoltas de quatro soldados cada uma. Era
uma verdadeira operação de segurança.
Não havia estratégia humana capaz de libertá-lo. Não havia influência
política disponível. Não havia recursos militares. Não havia uma equipe
preparada para invadir a prisão. Mas havia algo acontecendo longe dos olhos de
Herodes. A Igreja estava orando.
Atos 12:5 registra:
“Pedro, pois, estava guardado no cárcere; mas havia oração incessante a
Deus por parte da igreja a favor dele.”
Existe uma palavra extraordinária nesse versículo: “Mas”.
Pedro estava preso, mas a Igreja estava orando. Herodes havia
determinado seu destino, mas a Igreja estava orando. Soldados guardavam
as portas, mas a Igreja estava orando. As correntes estavam nos braços
de Pedro, mas a Igreja estava orando. A execução parecia aproximar-se, mas
a Igreja estava orando.
Quando o homem chega ao limite de suas possibilidades, Deus continua não
tendo limites.
NÃO ERA UMA ORAÇÃO QUALQUER
Lucas faz questão de dizer que havia oração incessante por Pedro.
A palavra grega utilizada para oração é proseuchē, enquanto a
ideia expressa por ektenēs comunica intensidade, fervor, persistência. Não
era uma oração casual. Não era uma oração feita apenas para cumprir uma
obrigação religiosa.
A Igreja havia compreendido a gravidade da situação e estava buscando a
Deus intensamente.
Essa mesma característica aparece na vida de Jesus no Getsêmani:
“E, estando em agonia, orava mais intensamente. E aconteceu que o seu
suor se tornou como gotas de sangue caindo sobre a terra.”
Lucas 22:44
Existem momentos em que precisamos abandonar a superficialidade
espiritual. Existem batalhas que exigem perseverança. Existem situações diante
das quais precisamos aprender novamente o significado de permanecer diante
de Deus.
Paulo
escreveu:
“Orai sem cessar.” 1
Tessalonicenses 5:17
Talvez um dos grandes problemas da nossa geração seja que desistimos
rápido demais. Oramos uma vez. Oramos duas. Esperamos alguns dias. E, quando
aparentemente nada acontece, começamos a concluir que Deus não responderá.
Mas oração incessante significa continuar buscando quando ainda não
vemos a resposta. É continuar crendo quando as circunstâncias permanecem
iguais. É permanecer diante de Deus quando tudo parece dizer que não existe
mais solução.
QUANDO NÃO SOUBERMOS O QUE FAZER, PRECISAMOS SABER PARA ONDE CORRER
Há situações que realmente ultrapassam nossa capacidade. Problemas
familiares que não sabemos resolver. Portas que parecem definitivamente
fechadas. Filhos por quem estamos intercedendo há anos. Casamentos enfrentando
crises. Enfermidades. Dificuldades financeiras. Batalhas espirituais. Decisões
que não sabemos tomar.
Nesses momentos, somos tentados a correr desesperadamente em todas as
direções. Mas existe uma pergunta importante: Antes de procurar todos os
outros recursos, você já buscou verdadeiramente a Deus?
Isso não significa que não possamos procurar ajuda de pessoas,
profissionais ou instituições quando necessário. Deus também pode utilizar
meios humanos para responder nossas orações.
A questão é outra: Nossa primeira dependência precisa estar em Deus.
Jeremias registra esta promessa:
“Então, me invocareis, passareis a orar a mim, e eu vos ouvirei.”
Jeremias 29:12
Quando buscamos a Deus, reconhecemos que nossa esperança final não está
na capacidade humana. Está nEle.
ENQUANTO A IGREJA ORAVA, DEUS AGIA
Então acontece algo extraordinário. Pedro está dormindo na prisão. É
interessante perceber isso. Sua execução poderia acontecer em pouco tempo e,
mesmo assim, Pedro dormia.
Talvez essa seja uma das imagens mais bonitas de confiança em toda essa
narrativa. A Igreja estava acordada orando, enquanto Pedro estava dormindo
confiando.
E naquela noite Deus decidiu intervir. Um anjo do Senhor entrou na
prisão. Uma luz brilhou naquele lugar. Pedro foi despertado.
E então começaram a acontecer coisas que nenhuma estratégia humana
poderia produzir. As correntes caíram de suas mãos. Os soldados não
conseguiram impedir sua saída. Pedro atravessou os postos de vigilância. E
quando chegou ao portão de ferro que dava acesso à cidade, aconteceu algo
impressionante:
“O qual se lhes abriu automaticamente.”
Atos 12:10
Pare por alguns segundos e imagine essa cena. Pedro não arrombou a
porta. O anjo não precisou quebrá-la. A porta simplesmente se abriu.
Isso nos ensina uma verdade preciosa: Quando Deus decide abrir uma
porta, aquilo que parecia uma barreira intransponível deixa de ser obstáculo.
Talvez você esteja olhando hoje para algum “portão de ferro”. Uma
situação que parece impossível. Algo que você não consegue mudar. Continue
orando.
Não transforme o tamanho da porta em medida para o poder de Deus.
AS CORRENTES CAEM ANTES DE AS PORTAS SE ABRIREM
Existe ainda uma imagem poderosa nessa história. Antes de Pedro
atravessar a porta, suas correntes caíram. Isso também pode falar profundamente
conosco.
Às vezes estamos pedindo que Deus mude aquilo que está ao nosso redor,
enquanto Ele quer começar libertando aquilo que está dentro de nós.
Existem correntes invisíveis. Medo. Culpa. Amargura. Ansiedade. Ressentimento.
Incredulidade. Feridas antigas.
Há pessoas pedindo uma porta aberta enquanto continuam emocionalmente
acorrentadas. Mas Cristo continua sendo libertador.
Deus não
deseja apenas nos tirar de determinadas prisões; Ele também deseja tirar as
prisões de dentro de nós.
PEDRO FINALMENTE COMPREENDEU: DEUS ME LIVROU!
No início, Pedro pensava estar tendo uma visão. Tudo parecia
extraordinário demais. Mas quando chegou do lado de fora e o anjo se afastou,
Pedro finalmente compreendeu:
“Agora, sei, verdadeiramente, que o Senhor enviou o seu anjo e me
livrou...”
Atos 12:11
Que momento! Horas antes, Pedro estava acorrentado entre soldados. Agora
estava caminhando livre pelas ruas. Aquilo que parecia impossível algumas
horas antes havia se tornado testemunho. Não sabemos quando Deus responderá
cada oração.
Também não podemos transformar Atos 12 em uma fórmula segundo a qual
toda oração produzirá exatamente o resultado que desejamos — o próprio capítulo
começa lembrando que Tiago havia sido morto. Isso nos mantém humildes diante da
soberania de Deus.
Mas uma coisa permanece absolutamente verdadeira: Nunca é inútil
buscar a Deus. Nunca é desperdício permanecer em oração.
A IGREJA ORAVA, MAS QUASE NÃO ACREDITOU QUANDO A RESPOSTA CHEGOU
Pedro então foi até a casa de Maria, mãe de João Marcos. E ali estava a
Igreja. Ainda orando.
Pedro bateu à porta. Uma serva chamada Rode ouviu sua voz e ficou tão
alegre que, em vez de abrir a porta, correu para contar aos demais: “Pedro
está à porta!”
E aconteceu algo quase engraçado. Eles não acreditaram. Estavam orando
pela libertação de Pedro e, quando Pedro apareceu, acharam difícil acreditar.
Isso revela algo profundamente humano. Às vezes nossa oração é maior
do que nossa expectativa. Pedimos a Deus que faça algo e, quando Ele faz,
ficamos surpresos.
Talvez precisemos recuperar não somente a prática da oração, mas também a
expectativa de que Deus pode responder à oração.
Ore. Mas ore crendo. Interceda. Mas permaneça esperando. Busque. Mas não
trate sua oração como uma formalidade religiosa.
O Deus para quem você está orando continua sendo poderoso para agir.
HERODES NÃO TEVE A ÚLTIMA PALAVRA
O capítulo começa com Herodes aparentemente no controle. Tiago é morto. Pedro
é preso. A Igreja é perseguida.
Mas observe como o capítulo termina. Pedro está livre. Herodes morre. E
Lucas registra:
“Entretanto, a palavra do Senhor crescia e se multiplicava.”
Atos 12:24
Que contraste! Herodes tentou impedir a Igreja. Mas a Palavra crescia.
Tentou silenciar os discípulos. Mas a Palavra se multiplicava. Tentou
prender Pedro. Mas Pedro foi libertado.
Herodes tinha soldados. A Igreja tinha oração. Herodes possuía
autoridade política. A Igreja possuía acesso ao trono da graça. Herodes tinha
uma prisão. A Igreja tinha um Deus que podia abrir a prisão.
NÃO PARE DE ORAR
Talvez exista hoje alguém “preso” em sua lista de oração. Um filho. Uma
filha. Seu esposo. Sua esposa. Alguém da sua família.
Talvez seja uma situação que há muito tempo parece não mudar. E você
está cansado.
Talvez esteja perguntando: “Até quando continuarei orando?”
Atos 12 nos responde: Continue orando.
Não porque podemos determinar quando ou como Deus deve agir. Mas porque
nossa confiança está naquele que ouve nossas orações.
Não desista da intercessão porque ainda não viu a resposta. Não permita
que o tempo transforme sua perseverança em incredulidade.
Existem portas que somente Deus pode abrir. Existem correntes que
somente Deus pode quebrar. Existem situações que somente a intervenção do céu
pode transformar.
Quando você não puder fazer mais nada, ainda poderá orar. E quando você
puder fazer alguma coisa, ore antes de fazê-la.
A Igreja de Atos nos ensina que oração não era o último recurso depois
que todas as outras possibilidades haviam fracassado. Oração era o lugar
para onde a Igreja corria primeiro. Que possamos recuperar essa
consciência.
Menos desespero e mais oração. Menos murmuração e mais oração. Menos
dependência da força humana e mais oração. Menos ansiedade tentando controlar
aquilo que não podemos controlar e mais confiança naquele que continua
assentado no trono.
Pedro estava preso, mas a Igreja estava orando. E enquanto a Igreja orava... Deus estava agindo.
Portanto, não pare. Não esmoreça. Não abandone aquele nome que Deus
colocou em seu coração. Não desista daquela causa que você tem apresentado
diante do Senhor.
Continue orando. Continue crendo. Continue intercedendo.
Porque a oração incessante não é a tentativa de convencer um Deus
indiferente a agir. É a expressão perseverante de uma Igreja que sabe que
depende completamente dEle. E o Deus que abriu as portas da prisão continua
sendo Deus.
Há correntes que podem cair. Há portas que podem se abrir. Há histórias
que Deus ainda pode transformar. Não deixe de orar.
Deus te abençoe!
Pr. Sérgio Luis
Para acompanhar outras mensagens, estudos bíblicos e reflexões:
Canal no YouTube — Pr. Sérgio Luis
A ORAÇÃO INCESSANTE TRAZ LIBERTAÇÃO
“Pedro,
pois, estava guardado no cárcere; mas havia oração incessante a Deus por parte
da igreja a favor dele.”
Atos 12:5
Existem situações em nossa vida diante das quais temos a impressão de
que todas as portas se fecharam. Olhamos para um lado e não encontramos saída.
Procuramos uma solução e não encontramos. Os recursos humanos parecem
insuficientes, as circunstâncias parecem irreversíveis e tudo ao nosso redor
diz que chegamos ao limite.
Mas existe algo que nenhuma prisão consegue aprisionar, nenhuma
autoridade humana consegue impedir e nenhuma circunstância consegue
neutralizar: a oração de uma igreja que decidiu buscar a Deus
incessantemente.
Atos 12 nos apresenta uma das histórias mais extraordinárias da Igreja
Primitiva. De um lado, encontramos Pedro preso, acorrentado e fortemente
vigiado. Do outro, encontramos uma igreja reunida em oração.
Humanamente, Herodes parecia estar no controle. Espiritualmente, porém, havia
uma igreja orando — e Deus estava prestes a agir.
UMA IGREJA DEBAIXO DE FORTE PERSEGUIÇÃO
A Igreja Primitiva nasceu em meio a uma atmosfera de oposição. Desde os
primeiros capítulos de Atos, encontramos tentativas de silenciar a mensagem do
Evangelho.
Primeiro vieram as resistências das autoridades religiosas. Depois, a
perseguição tornou-se ainda mais intensa. Em Atos 12, encontramos Herodes
utilizando seu poder político contra a Igreja.
Lucas registra:
“Por aquele mesmo tempo, o rei Herodes estendeu as mãos sobre alguns da
igreja, para os maltratar; e matou à espada Tiago, irmão de João.”
Atos 12:1-2
Tiago havia sido morto. E quando Herodes percebeu que aquela atitude
agradava a determinados setores da população, decidiu avançar ainda mais. Mandou
prender Pedro.
O texto revela algo assustador sobre a natureza do poder quando ele é
utilizado para agradar pessoas: Herodes não estava preocupado com justiça;
estava preocupado com popularidade.
Pedro transformou-se em instrumento de um projeto político. Herodes
percebeu que perseguir os cristãos poderia aumentar sua aprovação e, por isso,
decidiu continuar.
Mas existe uma verdade que atravessa toda a história da Igreja: Os
homens podem perseguir a Igreja, mas jamais conseguirão destruir aquilo que
Jesus decidiu edificar.
O próprio Cristo declarou:
“Edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão
contra ela.”
Mateus 16:18
A Igreja pode ser perseguida. Pode ser pressionada. Pode atravessar
períodos extremamente difíceis. Mas as portas do inferno não prevalecerão
contra ela.
PEDRO ESTAVA PRESO, MAS A IGREJA ESTAVA ORANDO
A situação de Pedro parecia humanamente impossível.
Herodes tomou todas as providências para impedir qualquer possibilidade
de fuga. Pedro foi entregue a quatro escoltas de quatro soldados cada uma. Era
uma verdadeira operação de segurança.
Não havia estratégia humana capaz de libertá-lo. Não havia influência
política disponível. Não havia recursos militares. Não havia uma equipe
preparada para invadir a prisão. Mas havia algo acontecendo longe dos olhos de
Herodes. A Igreja estava orando.
Atos 12:5 registra:
“Pedro, pois, estava guardado no cárcere; mas havia oração incessante a
Deus por parte da igreja a favor dele.”
Existe uma palavra extraordinária nesse versículo: “Mas”.
Pedro estava preso, mas a Igreja estava orando. Herodes havia
determinado seu destino, mas a Igreja estava orando. Soldados guardavam
as portas, mas a Igreja estava orando. As correntes estavam nos braços
de Pedro, mas a Igreja estava orando. A execução parecia aproximar-se, mas
a Igreja estava orando.
Quando o homem chega ao limite de suas possibilidades, Deus continua não
tendo limites.
NÃO ERA UMA ORAÇÃO QUALQUER
Lucas faz questão de dizer que havia oração incessante por Pedro.
A palavra grega utilizada para oração é proseuchē, enquanto a
ideia expressa por ektenēs comunica intensidade, fervor, persistência. Não
era uma oração casual. Não era uma oração feita apenas para cumprir uma
obrigação religiosa.
A Igreja havia compreendido a gravidade da situação e estava buscando a
Deus intensamente.
Essa mesma característica aparece na vida de Jesus no Getsêmani:
“E, estando em agonia, orava mais intensamente. E aconteceu que o seu
suor se tornou como gotas de sangue caindo sobre a terra.”
Lucas 22:44
Existem momentos em que precisamos abandonar a superficialidade espiritual. Existem batalhas que exigem perseverança. Existem situações diante das quais precisamos aprender novamente o significado de permanecer diante de Deus.
Paulo escreveu:
“Orai sem cessar.” 1
Tessalonicenses 5:17
Talvez um dos grandes problemas da nossa geração seja que desistimos
rápido demais. Oramos uma vez. Oramos duas. Esperamos alguns dias. E, quando
aparentemente nada acontece, começamos a concluir que Deus não responderá.
Mas oração incessante significa continuar buscando quando ainda não
vemos a resposta. É continuar crendo quando as circunstâncias permanecem
iguais. É permanecer diante de Deus quando tudo parece dizer que não existe
mais solução.
QUANDO NÃO SOUBERMOS O QUE FAZER, PRECISAMOS SABER PARA ONDE CORRER
Há situações que realmente ultrapassam nossa capacidade. Problemas
familiares que não sabemos resolver. Portas que parecem definitivamente
fechadas. Filhos por quem estamos intercedendo há anos. Casamentos enfrentando
crises. Enfermidades. Dificuldades financeiras. Batalhas espirituais. Decisões
que não sabemos tomar.
Nesses momentos, somos tentados a correr desesperadamente em todas as
direções. Mas existe uma pergunta importante: Antes de procurar todos os
outros recursos, você já buscou verdadeiramente a Deus?
Isso não significa que não possamos procurar ajuda de pessoas,
profissionais ou instituições quando necessário. Deus também pode utilizar
meios humanos para responder nossas orações.
A questão é outra: Nossa primeira dependência precisa estar em Deus.
Jeremias registra esta promessa:
“Então, me invocareis, passareis a orar a mim, e eu vos ouvirei.”
Jeremias 29:12
Quando buscamos a Deus, reconhecemos que nossa esperança final não está
na capacidade humana. Está nEle.
ENQUANTO A IGREJA ORAVA, DEUS AGIA
Então acontece algo extraordinário. Pedro está dormindo na prisão. É
interessante perceber isso. Sua execução poderia acontecer em pouco tempo e,
mesmo assim, Pedro dormia.
Talvez essa seja uma das imagens mais bonitas de confiança em toda essa
narrativa. A Igreja estava acordada orando, enquanto Pedro estava dormindo
confiando.
E naquela noite Deus decidiu intervir. Um anjo do Senhor entrou na
prisão. Uma luz brilhou naquele lugar. Pedro foi despertado.
E então começaram a acontecer coisas que nenhuma estratégia humana
poderia produzir. As correntes caíram de suas mãos. Os soldados não
conseguiram impedir sua saída. Pedro atravessou os postos de vigilância. E
quando chegou ao portão de ferro que dava acesso à cidade, aconteceu algo
impressionante:
“O qual se lhes abriu automaticamente.”
Atos 12:10
Pare por alguns segundos e imagine essa cena. Pedro não arrombou a
porta. O anjo não precisou quebrá-la. A porta simplesmente se abriu.
Isso nos ensina uma verdade preciosa: Quando Deus decide abrir uma
porta, aquilo que parecia uma barreira intransponível deixa de ser obstáculo.
Talvez você esteja olhando hoje para algum “portão de ferro”. Uma
situação que parece impossível. Algo que você não consegue mudar. Continue
orando.
Não transforme o tamanho da porta em medida para o poder de Deus.
AS CORRENTES CAEM ANTES DE AS PORTAS SE ABRIREM
Existe ainda uma imagem poderosa nessa história. Antes de Pedro
atravessar a porta, suas correntes caíram. Isso também pode falar profundamente
conosco.
Às vezes estamos pedindo que Deus mude aquilo que está ao nosso redor,
enquanto Ele quer começar libertando aquilo que está dentro de nós.
Existem correntes invisíveis. Medo. Culpa. Amargura. Ansiedade. Ressentimento.
Incredulidade. Feridas antigas.
Há pessoas pedindo uma porta aberta enquanto continuam emocionalmente
acorrentadas. Mas Cristo continua sendo libertador.
Deus não
deseja apenas nos tirar de determinadas prisões; Ele também deseja tirar as
prisões de dentro de nós.
PEDRO FINALMENTE COMPREENDEU: DEUS ME LIVROU!
No início, Pedro pensava estar tendo uma visão. Tudo parecia
extraordinário demais. Mas quando chegou do lado de fora e o anjo se afastou,
Pedro finalmente compreendeu:
“Agora, sei, verdadeiramente, que o Senhor enviou o seu anjo e me
livrou...”
Atos 12:11
Que momento! Horas antes, Pedro estava acorrentado entre soldados. Agora
estava caminhando livre pelas ruas. Aquilo que parecia impossível algumas
horas antes havia se tornado testemunho. Não sabemos quando Deus responderá
cada oração.
Também não podemos transformar Atos 12 em uma fórmula segundo a qual
toda oração produzirá exatamente o resultado que desejamos — o próprio capítulo
começa lembrando que Tiago havia sido morto. Isso nos mantém humildes diante da
soberania de Deus.
Mas uma coisa permanece absolutamente verdadeira: Nunca é inútil
buscar a Deus. Nunca é desperdício permanecer em oração.
A IGREJA ORAVA, MAS QUASE NÃO ACREDITOU QUANDO A RESPOSTA CHEGOU
Pedro então foi até a casa de Maria, mãe de João Marcos. E ali estava a
Igreja. Ainda orando.
Pedro bateu à porta. Uma serva chamada Rode ouviu sua voz e ficou tão
alegre que, em vez de abrir a porta, correu para contar aos demais: “Pedro
está à porta!”
E aconteceu algo quase engraçado. Eles não acreditaram. Estavam orando
pela libertação de Pedro e, quando Pedro apareceu, acharam difícil acreditar.
Isso revela algo profundamente humano. Às vezes nossa oração é maior
do que nossa expectativa. Pedimos a Deus que faça algo e, quando Ele faz,
ficamos surpresos.
Talvez precisemos recuperar não somente a prática da oração, mas também a
expectativa de que Deus pode responder à oração.
Ore. Mas ore crendo. Interceda. Mas permaneça esperando. Busque. Mas não
trate sua oração como uma formalidade religiosa.
O Deus para quem você está orando continua sendo poderoso para agir.
HERODES NÃO TEVE A ÚLTIMA PALAVRA
O capítulo começa com Herodes aparentemente no controle. Tiago é morto. Pedro
é preso. A Igreja é perseguida.
Mas observe como o capítulo termina. Pedro está livre. Herodes morre. E
Lucas registra:
“Entretanto, a palavra do Senhor crescia e se multiplicava.”
Atos 12:24
Que contraste! Herodes tentou impedir a Igreja. Mas a Palavra crescia.
Tentou silenciar os discípulos. Mas a Palavra se multiplicava. Tentou
prender Pedro. Mas Pedro foi libertado.
Herodes tinha soldados. A Igreja tinha oração. Herodes possuía
autoridade política. A Igreja possuía acesso ao trono da graça. Herodes tinha
uma prisão. A Igreja tinha um Deus que podia abrir a prisão.
NÃO PARE DE ORAR
Talvez exista hoje alguém “preso” em sua lista de oração. Um filho. Uma
filha. Seu esposo. Sua esposa. Alguém da sua família.
Talvez seja uma situação que há muito tempo parece não mudar. E você
está cansado.
Talvez esteja perguntando: “Até quando continuarei orando?”
Atos 12 nos responde: Continue orando.
Não porque podemos determinar quando ou como Deus deve agir. Mas porque
nossa confiança está naquele que ouve nossas orações.
Não desista da intercessão porque ainda não viu a resposta. Não permita
que o tempo transforme sua perseverança em incredulidade.
Existem portas que somente Deus pode abrir. Existem correntes que
somente Deus pode quebrar. Existem situações que somente a intervenção do céu
pode transformar.
Quando você não puder fazer mais nada, ainda poderá orar. E quando você
puder fazer alguma coisa, ore antes de fazê-la.
A Igreja de Atos nos ensina que oração não era o último recurso depois
que todas as outras possibilidades haviam fracassado. Oração era o lugar
para onde a Igreja corria primeiro. Que possamos recuperar essa
consciência.
Menos desespero e mais oração. Menos murmuração e mais oração. Menos
dependência da força humana e mais oração. Menos ansiedade tentando controlar
aquilo que não podemos controlar e mais confiança naquele que continua
assentado no trono.
Pedro estava preso, mas a Igreja estava orando. E enquanto a Igreja orava... Deus estava agindo.
Portanto, não pare. Não esmoreça. Não abandone aquele nome que Deus
colocou em seu coração. Não desista daquela causa que você tem apresentado
diante do Senhor.
Continue orando. Continue crendo. Continue intercedendo.
Porque a oração incessante não é a tentativa de convencer um Deus
indiferente a agir. É a expressão perseverante de uma Igreja que sabe que
depende completamente dEle. E o Deus que abriu as portas da prisão continua
sendo Deus.
Há correntes que podem cair. Há portas que podem se abrir. Há histórias
que Deus ainda pode transformar. Não deixe de orar.
Deus te abençoe!
Pr. Sérgio Luis
Para acompanhar outras mensagens, estudos bíblicos e reflexões:
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