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quarta-feira, 3 de junho de 2020

A ORAÇÃO INCESSANTE TRAZ LIBERTAÇÃO




A ORAÇÃO INCESSANTE TRAZ LIBERTAÇÃO

 

“Pedro, pois, estava guardado no cárcere; mas havia oração incessante a Deus por parte da igreja a favor dele.”
Atos 12:5

 

Existem situações em nossa vida diante das quais temos a impressão de que todas as portas se fecharam. Olhamos para um lado e não encontramos saída. Procuramos uma solução e não encontramos. Os recursos humanos parecem insuficientes, as circunstâncias parecem irreversíveis e tudo ao nosso redor diz que chegamos ao limite.

Mas existe algo que nenhuma prisão consegue aprisionar, nenhuma autoridade humana consegue impedir e nenhuma circunstância consegue neutralizar: a oração de uma igreja que decidiu buscar a Deus incessantemente.

Atos 12 nos apresenta uma das histórias mais extraordinárias da Igreja Primitiva. De um lado, encontramos Pedro preso, acorrentado e fortemente vigiado. Do outro, encontramos uma igreja reunida em oração.

Humanamente, Herodes parecia estar no controle. Espiritualmente, porém, havia uma igreja orando — e Deus estava prestes a agir.

 

UMA IGREJA DEBAIXO DE FORTE PERSEGUIÇÃO

A Igreja Primitiva nasceu em meio a uma atmosfera de oposição. Desde os primeiros capítulos de Atos, encontramos tentativas de silenciar a mensagem do Evangelho.

Primeiro vieram as resistências das autoridades religiosas. Depois, a perseguição tornou-se ainda mais intensa. Em Atos 12, encontramos Herodes utilizando seu poder político contra a Igreja.

Lucas registra:

“Por aquele mesmo tempo, o rei Herodes estendeu as mãos sobre alguns da igreja, para os maltratar; e matou à espada Tiago, irmão de João.”
Atos 12:1-2

Tiago havia sido morto. E quando Herodes percebeu que aquela atitude agradava a determinados setores da população, decidiu avançar ainda mais. Mandou prender Pedro.

O texto revela algo assustador sobre a natureza do poder quando ele é utilizado para agradar pessoas: Herodes não estava preocupado com justiça; estava preocupado com popularidade.

Pedro transformou-se em instrumento de um projeto político. Herodes percebeu que perseguir os cristãos poderia aumentar sua aprovação e, por isso, decidiu continuar.

Mas existe uma verdade que atravessa toda a história da Igreja: Os homens podem perseguir a Igreja, mas jamais conseguirão destruir aquilo que Jesus decidiu edificar.

O próprio Cristo declarou:

“Edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela.”
Mateus 16:18

A Igreja pode ser perseguida. Pode ser pressionada. Pode atravessar períodos extremamente difíceis. Mas as portas do inferno não prevalecerão contra ela.

 

PEDRO ESTAVA PRESO, MAS A IGREJA ESTAVA ORANDO

A situação de Pedro parecia humanamente impossível.

Herodes tomou todas as providências para impedir qualquer possibilidade de fuga. Pedro foi entregue a quatro escoltas de quatro soldados cada uma. Era uma verdadeira operação de segurança.

Não havia estratégia humana capaz de libertá-lo. Não havia influência política disponível. Não havia recursos militares. Não havia uma equipe preparada para invadir a prisão. Mas havia algo acontecendo longe dos olhos de Herodes. A Igreja estava orando.

Atos 12:5 registra:

“Pedro, pois, estava guardado no cárcere; mas havia oração incessante a Deus por parte da igreja a favor dele.”

Existe uma palavra extraordinária nesse versículo: “Mas”.

Pedro estava preso, mas a Igreja estava orando. Herodes havia determinado seu destino, mas a Igreja estava orando. Soldados guardavam as portas, mas a Igreja estava orando. As correntes estavam nos braços de Pedro, mas a Igreja estava orando. A execução parecia aproximar-se, mas a Igreja estava orando.

Quando o homem chega ao limite de suas possibilidades, Deus continua não tendo limites.

 

NÃO ERA UMA ORAÇÃO QUALQUER

Lucas faz questão de dizer que havia oração incessante por Pedro.

A palavra grega utilizada para oração é proseuchē, enquanto a ideia expressa por ektenēs comunica intensidade, fervor, persistência. Não era uma oração casual. Não era uma oração feita apenas para cumprir uma obrigação religiosa.

A Igreja havia compreendido a gravidade da situação e estava buscando a Deus intensamente.

Essa mesma característica aparece na vida de Jesus no Getsêmani:

“E, estando em agonia, orava mais intensamente. E aconteceu que o seu suor se tornou como gotas de sangue caindo sobre a terra.”
Lucas 22:44

Existem momentos em que precisamos abandonar a superficialidade espiritual. Existem batalhas que exigem perseverança. Existem situações diante das quais precisamos aprender novamente o significado de permanecer diante de Deus.

Paulo escreveu:

“Orai sem cessar.” 1 Tessalonicenses 5:17

Talvez um dos grandes problemas da nossa geração seja que desistimos rápido demais. Oramos uma vez. Oramos duas. Esperamos alguns dias. E, quando aparentemente nada acontece, começamos a concluir que Deus não responderá.

Mas oração incessante significa continuar buscando quando ainda não vemos a resposta. É continuar crendo quando as circunstâncias permanecem iguais. É permanecer diante de Deus quando tudo parece dizer que não existe mais solução.

 

QUANDO NÃO SOUBERMOS O QUE FAZER, PRECISAMOS SABER PARA ONDE CORRER

Há situações que realmente ultrapassam nossa capacidade. Problemas familiares que não sabemos resolver. Portas que parecem definitivamente fechadas. Filhos por quem estamos intercedendo há anos. Casamentos enfrentando crises. Enfermidades. Dificuldades financeiras. Batalhas espirituais. Decisões que não sabemos tomar.

Nesses momentos, somos tentados a correr desesperadamente em todas as direções. Mas existe uma pergunta importante: Antes de procurar todos os outros recursos, você já buscou verdadeiramente a Deus?

Isso não significa que não possamos procurar ajuda de pessoas, profissionais ou instituições quando necessário. Deus também pode utilizar meios humanos para responder nossas orações.

A questão é outra: Nossa primeira dependência precisa estar em Deus.

Jeremias registra esta promessa:

“Então, me invocareis, passareis a orar a mim, e eu vos ouvirei.”
Jeremias 29:12

Quando buscamos a Deus, reconhecemos que nossa esperança final não está na capacidade humana. Está nEle.

 

ENQUANTO A IGREJA ORAVA, DEUS AGIA

Então acontece algo extraordinário. Pedro está dormindo na prisão. É interessante perceber isso. Sua execução poderia acontecer em pouco tempo e, mesmo assim, Pedro dormia.

Talvez essa seja uma das imagens mais bonitas de confiança em toda essa narrativa. A Igreja estava acordada orando, enquanto Pedro estava dormindo confiando.

E naquela noite Deus decidiu intervir. Um anjo do Senhor entrou na prisão. Uma luz brilhou naquele lugar. Pedro foi despertado.

E então começaram a acontecer coisas que nenhuma estratégia humana poderia produzir. As correntes caíram de suas mãos. Os soldados não conseguiram impedir sua saída. Pedro atravessou os postos de vigilância. E quando chegou ao portão de ferro que dava acesso à cidade, aconteceu algo impressionante:

“O qual se lhes abriu automaticamente.”
Atos 12:10

Pare por alguns segundos e imagine essa cena. Pedro não arrombou a porta. O anjo não precisou quebrá-la. A porta simplesmente se abriu.

Isso nos ensina uma verdade preciosa: Quando Deus decide abrir uma porta, aquilo que parecia uma barreira intransponível deixa de ser obstáculo.

Talvez você esteja olhando hoje para algum “portão de ferro”. Uma situação que parece impossível. Algo que você não consegue mudar. Continue orando.

Não transforme o tamanho da porta em medida para o poder de Deus.

 

AS CORRENTES CAEM ANTES DE AS PORTAS SE ABRIREM

Existe ainda uma imagem poderosa nessa história. Antes de Pedro atravessar a porta, suas correntes caíram. Isso também pode falar profundamente conosco.

Às vezes estamos pedindo que Deus mude aquilo que está ao nosso redor, enquanto Ele quer começar libertando aquilo que está dentro de nós.

Existem correntes invisíveis. Medo. Culpa. Amargura. Ansiedade. Ressentimento. Incredulidade. Feridas antigas.

Há pessoas pedindo uma porta aberta enquanto continuam emocionalmente acorrentadas. Mas Cristo continua sendo libertador.

Deus não deseja apenas nos tirar de determinadas prisões; Ele também deseja tirar as prisões de dentro de nós.

 

PEDRO FINALMENTE COMPREENDEU: DEUS ME LIVROU!

No início, Pedro pensava estar tendo uma visão. Tudo parecia extraordinário demais. Mas quando chegou do lado de fora e o anjo se afastou, Pedro finalmente compreendeu:

“Agora, sei, verdadeiramente, que o Senhor enviou o seu anjo e me livrou...”
Atos 12:11

Que momento! Horas antes, Pedro estava acorrentado entre soldados. Agora estava caminhando livre pelas ruas. Aquilo que parecia impossível algumas horas antes havia se tornado testemunho. Não sabemos quando Deus responderá cada oração.

Também não podemos transformar Atos 12 em uma fórmula segundo a qual toda oração produzirá exatamente o resultado que desejamos — o próprio capítulo começa lembrando que Tiago havia sido morto. Isso nos mantém humildes diante da soberania de Deus.

Mas uma coisa permanece absolutamente verdadeira: Nunca é inútil buscar a Deus. Nunca é desperdício permanecer em oração.

 

A IGREJA ORAVA, MAS QUASE NÃO ACREDITOU QUANDO A RESPOSTA CHEGOU

Pedro então foi até a casa de Maria, mãe de João Marcos. E ali estava a Igreja. Ainda orando.

Pedro bateu à porta. Uma serva chamada Rode ouviu sua voz e ficou tão alegre que, em vez de abrir a porta, correu para contar aos demais: “Pedro está à porta!”

E aconteceu algo quase engraçado. Eles não acreditaram. Estavam orando pela libertação de Pedro e, quando Pedro apareceu, acharam difícil acreditar.

Isso revela algo profundamente humano. Às vezes nossa oração é maior do que nossa expectativa. Pedimos a Deus que faça algo e, quando Ele faz, ficamos surpresos.

Talvez precisemos recuperar não somente a prática da oração, mas também a expectativa de que Deus pode responder à oração.

Ore. Mas ore crendo. Interceda. Mas permaneça esperando. Busque. Mas não trate sua oração como uma formalidade religiosa.

O Deus para quem você está orando continua sendo poderoso para agir.

 

HERODES NÃO TEVE A ÚLTIMA PALAVRA

O capítulo começa com Herodes aparentemente no controle. Tiago é morto. Pedro é preso. A Igreja é perseguida.

Mas observe como o capítulo termina. Pedro está livre. Herodes morre. E Lucas registra:

“Entretanto, a palavra do Senhor crescia e se multiplicava.”
Atos 12:24

Que contraste! Herodes tentou impedir a Igreja. Mas a Palavra crescia. Tentou silenciar os discípulos. Mas a Palavra se multiplicava. Tentou prender Pedro. Mas Pedro foi libertado.

Herodes tinha soldados. A Igreja tinha oração. Herodes possuía autoridade política. A Igreja possuía acesso ao trono da graça. Herodes tinha uma prisão. A Igreja tinha um Deus que podia abrir a prisão.

 

NÃO PARE DE ORAR

Talvez exista hoje alguém “preso” em sua lista de oração. Um filho. Uma filha. Seu esposo. Sua esposa. Alguém da sua família.

Talvez seja uma situação que há muito tempo parece não mudar. E você está cansado.

Talvez esteja perguntando: “Até quando continuarei orando?”

Atos 12 nos responde: Continue orando.

Não porque podemos determinar quando ou como Deus deve agir. Mas porque nossa confiança está naquele que ouve nossas orações.

Não desista da intercessão porque ainda não viu a resposta. Não permita que o tempo transforme sua perseverança em incredulidade.

Existem portas que somente Deus pode abrir. Existem correntes que somente Deus pode quebrar. Existem situações que somente a intervenção do céu pode transformar.

Quando você não puder fazer mais nada, ainda poderá orar. E quando você puder fazer alguma coisa, ore antes de fazê-la.

A Igreja de Atos nos ensina que oração não era o último recurso depois que todas as outras possibilidades haviam fracassado. Oração era o lugar para onde a Igreja corria primeiro. Que possamos recuperar essa consciência.

Menos desespero e mais oração. Menos murmuração e mais oração. Menos dependência da força humana e mais oração. Menos ansiedade tentando controlar aquilo que não podemos controlar e mais confiança naquele que continua assentado no trono.

Pedro estava preso, mas a Igreja estava orando. E enquanto a Igreja orava... Deus estava agindo.

Portanto, não pare. Não esmoreça. Não abandone aquele nome que Deus colocou em seu coração. Não desista daquela causa que você tem apresentado diante do Senhor.

Continue orando. Continue crendo. Continue intercedendo.

Porque a oração incessante não é a tentativa de convencer um Deus indiferente a agir. É a expressão perseverante de uma Igreja que sabe que depende completamente dEle. E o Deus que abriu as portas da prisão continua sendo Deus.

Há correntes que podem cair. Há portas que podem se abrir. Há histórias que Deus ainda pode transformar. Não deixe de orar.

Deus te abençoe!

Pr. Sérgio Luis

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