DEUS PREPARA UMA MESA DE BANQUETE NO DESERTO
“Falaram
contra Deus, dizendo: Pode, acaso, Deus preparar-nos mesa no deserto?” Salmos 78:19
Existem perguntas que fazemos porque desejamos conhecer melhor a Deus.
Mas existem perguntas que nascem quando começamos a duvidar de quem Deus é. “Pode,
acaso, Deus preparar-nos mesa no deserto?” foi uma dessas perguntas.
Israel estava no deserto. Ao redor, havia escassez. O solo era árido, a
água não estava facilmente disponível e não havia plantações capazes de
alimentar uma multidão. Humanamente falando, aquele era exatamente o lugar onde
uma mesa não poderia ser preparada.
E talvez seja justamente por isso que essa pergunta seja tão atual.
Há momentos em que a nossa própria vida parece um deserto. Os
recursos diminuem, algumas portas se fecham, respostas não chegam, projetos
ficam paralisados e aquilo que parecia tão claro começa a ficar confuso.
Olhamos ao redor e não encontramos nenhuma possibilidade visível de mudança.
É nesse momento que a pergunta de Israel pode nascer também dentro de
nós: “Será que Deus consegue fazer alguma coisa aqui?”
A questão central do Salmo 78 não era se Deus possuía poder para
preparar uma mesa no deserto. Deus já havia libertado Israel do Egito, enviado
pragas sobre aquela nação, aberto o Mar Vermelho e conduzido seu povo de
maneira sobrenatural.
O problema não estava na capacidade de Deus. O problema estava na
incredulidade do coração humano.
O DESERTO NÃO SIGNIFICA QUE DEUS NOS ABANDONOU
Quando pensamos em deserto, geralmente pensamos em abandono, solidão e
escassez. Entretanto, na Bíblia, o deserto aparece muitas vezes como lugar
de formação, dependência, revelação e encontro com Deus.
Em Oseias encontramos uma declaração extraordinária:
“Portanto, eis que eu a atrairei, e a levarei para o deserto e lhe
falarei ao coração.” Oseias 2:14
Observe algo surpreendente: Deus diz que a levaria ao deserto para falar
ao coração. Isso muda nossa maneira de interpretar determinadas estações da
vida.
Talvez estejamos tão concentrados em perguntar “Quando sairei deste
deserto?” que não percebamos que existe outra pergunta igualmente
importante: “O que Deus deseja falar comigo enquanto estou aqui?”
Naturalmente, isso não significa que todo sofrimento ou toda dificuldade
seja diretamente enviado por Deus. Vivemos em um mundo marcado pelo pecado,
pelas limitações humanas, por escolhas e circunstâncias adversas. Entretanto,
nenhuma dessas realidades impede Deus de trabalhar em nós.
Deus é capaz de transformar até mesmo nossos desertos em salas de aula.
Há coisas que aprendemos na abundância. Mas existem outras que somente
descobrimos quando nossos recursos terminam.
A ESCASSEZ REVELA ONDE ESTÁ NOSSA CONFIANÇA
O deserto possui uma característica inevitável: ele expõe nossas
limitações.
Enquanto temos recursos, podemos alimentar a ilusão de que controlamos a
vida. Temos nossos planejamentos, reservas, estratégias, contatos e
possibilidades.
Mas então chega uma situação diante da qual nada disso parece
suficiente. E descobrimos algo que sempre foi verdade: somos muito mais
dependentes de Deus do que imaginávamos.
O problema é que podemos reagir a essa descoberta de duas maneiras. Podemos
nos tornar mais dependentes ou mais murmuradores. Israel escolheu muitas vezes
a segunda opção.
O Salmo 78 mostra um povo que havia testemunhado milagres
extraordinários e, ainda assim, continuava duvidando. O passado estava cheio
das evidências da fidelidade de Deus, mas o presente estava cheio de
reclamações. Esse comportamento continua sendo possível hoje.
Podemos nos esquecer rapidamente do que Deus fez ontem quando surge uma
necessidade nova hoje.
Quantas orações Deus já respondeu? Quantas portas já abriu? De quantas
situações você pensou que não sairia — e saiu? Quantas vezes os recursos
apareceram no momento necessário? Quantas vezes você chorou imaginando que era
o fim e, algum tempo depois, descobriu que Deus ainda estava escrevendo sua
história?
Por isso, antes de perguntar se Deus poderá cuidar do nosso amanhã,
talvez devêssemos nos lembrar de como Ele cuidou de nós até aqui.
O DESERTO PODE REVELAR O QUE EXISTE DENTRO DE NÓS
A escassez não revela apenas nossa limitação. Ela também revela nosso
coração.
É relativamente fácil agradecer quando a mesa está cheia. Difícil é
manter a gratidão quando estamos esperando a provisão.
É fácil falar sobre confiança quando conhecemos o próximo passo. Outra
coisa é continuar caminhando quando não sabemos o que acontecerá amanhã.
Por isso o deserto pode confrontar nossa fé.
Quem somos quando aquilo que esperávamos não acontece? Como reagimos
quando Deus não responde no tempo que imaginávamos? Continuamos adorando quando
não entendemos? Continuamos obedecendo quando a promessa parece distante?
É nesse ambiente que nossa fé deixa de ser apenas discurso.
O deserto revela se confiamos em Deus apenas pelo que Ele nos dá ou por
quem Ele é.
NO DESERTO, DEUS PROVIDENCIA ÁGUA
A pergunta de Israel era: “Pode Deus preparar-nos mesa no deserto?”
A resposta do próprio Salmo 78 é extraordinária.
Primeiro, Deus providenciou água:
“No
deserto, fendeu rochas e lhes deu a beber abundantemente como de abismos. Da
pedra fez brotar torrentes, fez manar água como rios.” Salmos
78:15-16
Pense na cena. O povo precisava de água. Ao redor havia deserto. Mas
Deus não precisava encontrar um rio. Ele fez água sair da rocha. Aqui
encontramos um princípio precioso: Deus não está limitado às fontes que
conhecemos.
Talvez você esteja olhando para sua situação procurando de onde poderá
vir a resposta. E, porque não encontra nenhuma possibilidade, começa a pensar
que não existe solução.
Mas a provisão de Deus não depende das possibilidades que conseguimos
enxergar. Quando Deus decide prover, até uma rocha pode se transformar em
fonte.
E no Novo Testamento, Jesus nos apresenta algo ainda maior. Ele declara:
“Quem crer em mim, como diz a Escritura, do seu interior fluirão rios de
água viva.” João 7:38
Existe uma sede que nenhuma provisão material consegue satisfazer. Jesus
é a fonte da qual nossa alma precisa beber.
NO DESERTO, DEUS PROVIDENCIA PÃO
O Salmo continua:
“Fez chover
maná sobre eles, para alimentá-los, e lhes deu cereal do céu. Comeu cada qual o
pão dos anjos; enviou-lhes ele comida a fartar.” Salmos 78:24-25
Não havia plantação. Não havia colheita. Não havia celeiros. Mas havia
céu. Quando a terra não podia produzir, Deus fez a provisão vir do alto.
Durante anos, Israel acordou e encontrou alimento onde humanamente não
deveria existir alimento.
Mas aquele maná também apontava para uma realidade muito maior.
Jesus declarou:
“Eu sou o
pão vivo que desceu do céu; se alguém dele comer, viverá eternamente.” João 6:51
O maior banquete que Deus pode oferecer no deserto não é simplesmente
uma mudança das circunstâncias. É Cristo.
Podemos ter uma mesa cheia e continuar com a alma vazia. Podemos possuir
recursos e permanecer espiritualmente famintos. Por isso, antes de pedir apenas
que Deus coloque alguma coisa sobre nossa mesa, precisamos desejar que Cristo
ocupe o centro dela.
DEUS É CAPAZ DE FAZER ABUNDAR ONDE SÓ VEMOS ESCASSEZ
O salmo mostra ainda Deus enviando alimento ao povo:
“Também fez chover sobre eles carne como poeira e voláteis como areia
dos mares... Então, comeram e se fartaram a valer.” Salmos 78:27,29
Observe o contraste. A pergunta era: “Pode Deus preparar uma mesa?” A
resposta foi abundância.
Isso não significa que Deus tenha prometido satisfazer todos os nossos
desejos materiais ou transformar cada dificuldade em prosperidade. O próprio
Salmo 78 adverte contra um coração que exige de Deus a satisfação dos próprios
apetites.
A mensagem é outra: Deus continua sendo suficiente mesmo quando o
ambiente é insuficiente.
Essa diferença é fundamental. Nossa fé não está fundamentada na ideia de
que sempre teremos tudo aquilo que desejamos. Nossa fé está fundamentada na
certeza de que Deus continuará sendo Deus mesmo no deserto, e nada poderá
impedir que Ele cumpra seus propósitos.
COMO DEVEMOS ATRAVESSAR NOSSOS DESERTOS?
Se o deserto revela nosso coração, então precisamos aprender a
atravessá-lo corretamente.
Em primeiro lugar, devemos reconhecer nossas limitações. Humildade é
admitir que existem situações que não conseguimos resolver sozinhos.
Depois, precisamos substituir a murmuração pela memória. Em vez de olhar
apenas para aquilo que está faltando hoje, precisamos nos lembrar daquilo que
Deus já fez.
Também precisamos orar. Não uma oração baseada na exigência, mas na
confiança.
E precisamos aprender a esperar.
Esperar talvez seja uma das disciplinas espirituais mais difíceis,
porque esperar significa reconhecer que o nosso relógio não governa Deus.
O Salmo 37 nos ensina:
“Agrada-te do SENHOR, e ele satisfará os desejos do teu coração. Entrega
o teu caminho ao SENHOR, confia nele, e o mais ele fará.” Salmos 37:4-5
Entregue. Confie. Espere. E continue caminhando.
UMA MESA NA PRESENÇA DOS ADVERSÁRIOS
Outro salmo de Davi apresenta uma imagem semelhante:
“Preparas-me uma mesa na presença dos meus adversários, unges-me a
cabeça com óleo; o meu cálice transborda.” Salmos 23:5
Que imagem extraordinária! Deus não necessariamente retira primeiro os
adversários para depois preparar a mesa. Ele prepara a mesa na presença
deles.
Às vezes queremos que Deus mude todo o cenário para então
experimentarmos sua bondade. Mas existem ocasiões em que Deus demonstra sua
fidelidade sem primeiro mudar o cenário.
O deserto continua sendo deserto. Os adversários continuam presentes. A
batalha talvez ainda não tenha terminado. E, mesmo assim, existe uma mesa.
Isso significa que a paz de Deus não depende da ausência de
conflitos, e sua provisão não depende da perfeição das circunstâncias.
E SE A MESA FOR MAIOR DO QUE AQUILO QUE ESTAMOS PEDINDO?
Existe ainda uma dimensão mais profunda nessa mensagem.
Quando pensamos em Deus preparando uma mesa, nossa primeira tendência é
imaginar necessidades materiais: emprego, dinheiro, saúde, portas abertas,
soluções para problemas.
Todas essas coisas podem ser apresentadas a Deus em oração. Mas talvez a
mesa que Ele deseja preparar seja ainda maior.
Paulo declarou:
“Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que nos tem
abençoado com toda sorte de bênção espiritual nas regiões celestiais em
Cristo.” Efésios 1:3
Talvez estejamos pedindo apenas uma solução e Deus queira produzir
maturidade. Pedimos alívio, e Ele quer também produzir perseverança. Pedimos
uma porta aberta, e Ele quer ensinar dependência. Pedimos que o deserto
termine, e Ele deseja revelar-se a nós no meio dele.
Não limite o banquete de Deus àquilo que você consegue colocar em uma
lista de pedidos.
Existem riquezas espirituais que somente perceberemos depois de
atravessarmos determinadas experiências.
JESUS É O CENTRO DA MESA
Existe algo belíssimo quando observamos o Salmo 78 à luz do Novo
Testamento.
No deserto havia água. Cristo é a Água da Vida. No deserto havia
pão. Cristo é o Pão da Vida.
E Jesus declarou que daria sua própria carne pela vida do mundo. Isso
significa que a maior provisão de Deus não é algo. É alguém.
A resposta definitiva de Deus para nossa maior necessidade é Jesus
Cristo.
Podemos sair de um deserto material e continuar vazios. Podemos receber
aquilo que pedimos e ainda permanecer insatisfeitos. Mas quando encontramos
Cristo, descobrimos a provisão que alcança o lugar mais profundo da existência
humana.
Antes de preparar coisas para nós, Deus nos ofereceu seu próprio Filho.
PODE DEUS PREPARAR UMA MESA NO DESERTO?
Voltamos, então, à pergunta inicial: “Pode, acaso, Deus preparar-nos
mesa no deserto?”
Depois de tudo o que vimos, a resposta é clara: Sim, Ele pode.
Ele pode fazer água sair da rocha. Pode fazer pão descer do céu. Pode
sustentar quando os recursos humanos terminam. Pode trazer paz enquanto a
tempestade ainda acontece. Pode fortalecer quando nossas forças desaparecem. Pode
produzir esperança quando os olhos não enxergam nenhuma saída.
Mas existe uma pergunta talvez ainda mais importante: Você continuará
confiando nEle enquanto a mesa ainda está sendo preparada?
Essa é a questão. Fé não é apenas celebrar depois que o milagre
aconteceu. Fé é continuar confiando enquanto ainda estamos no deserto.
Talvez você esteja exatamente nesse lugar hoje. Você olha ao redor e vê
escassez. Não sabe como algumas situações serão resolvidas. Existem perguntas
que continuam sem resposta. Então não permita que o deserto faça você esquecer
quem Deus é.
O ambiente pode ser estéril, mas Deus continua sendo fértil em
possibilidades. O recurso pode ter terminado, mas Deus não
terminou. A porta pode ter fechado, mas Deus continua sendo Senhor da história.
Você pode não enxergar de onde virá a provisão, mas Deus nunca
precisou das possibilidades humanas para realizar aquilo que decidiu fazer.
Por isso, em vez de perguntar com incredulidade: “Pode Deus preparar uma
mesa no deserto?”, transforme a pergunta em uma declaração de fé: “Mesmo no
deserto, o meu Deus continua sendo Deus.”
Continue caminhando. Continue orando. Continue obedecendo. Continue
bebendo da Água da Vida. Continue alimentando-se do Pão da Vida. E nunca
permita que a escassez ao seu redor produza escassez de fé dentro de você.
Porque o deserto não é prova da ausência de Deus. Ele pode se tornar
justamente o cenário onde você conhecerá dimensões da fidelidade de Deus que
jamais conheceria em outro lugar.
E quando chegar o tempo oportuno, talvez você descubra que, enquanto
enxergava apenas areia, Deus já estava preparando a mesa.
Deus te abençoe!
Pr. Sérgio Luis
@sergioluis75
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