Estratégias Para Vencer o Mal
Vivemos em um mundo marcado pelo mal. Esta não é apenas uma percepção humana, social ou emocional; é uma afirmação bíblica. O apóstolo João declara que “o mundo inteiro jaz no Maligno”. Isso significa que há uma influência espiritual maligna operando sobre sistemas, comportamentos, pensamentos, valores e práticas deste mundo.
Por isso, não devemos ser ingênuos.
Há injustiças, mentiras, corrupções, crueldades, perseguições, enganos, invejas, violências, traições e todo tipo de maldade acontecendo ao nosso redor. Muitas vezes, essas coisas nos atingem diretamente. Em outras ocasiões, vemos pessoas próximas sofrendo os efeitos de decisões injustas, palavras perversas, atitudes maldosas e estruturas corrompidas.
A pergunta é: como o cristão deve reagir diante de um mundo dominado pelo mal?
A nossa primeira resposta não deve ser desespero, nem revolta carnal, nem vingança, nem amargura. Deus nos chamou para viver de modo diferente. Fomos regenerados em Cristo. Somos nascidos de Deus. E, se somos de Deus, não podemos enfrentar o mal com as mesmas armas do mal.
A maior estratégia para vencermos este mundo mau é vivermos com sabedoria espiritual. Deus nos deu sua Palavra, seu Espírito e discernimento para termos atitudes corretas diante das injustiças, perseguições e provocações que encontramos no caminho.
O Salmo 37 nos oferece uma direção preciosa para isso.
Não se deixe dominar por sentimentos mundanos
O primeiro grande cuidado que precisamos ter é com o nosso próprio coração. Muitas vezes, o mal que vemos ao nosso redor tenta produzir mal dentro de nós. A injustiça externa pode gerar amargura interna. A prosperidade dos perversos pode gerar inveja. A maldade dos outros pode acender ira, irritação e desejo de vingança.
Por isso, o salmista nos orienta:
Esse texto é extremamente atual. Quantas vezes ficamos indignados ao ver pessoas más prosperando? Quantas vezes nos irritamos ao perceber que homens injustos parecem avançar sem sofrer consequências? Quantas vezes nosso coração é tentado a perguntar: “Por que eles continuam de pé? Por que nada acontece? Por que parece que o mal vence?”
Mas a Palavra nos chama a uma postura diferente.
Não se indignar, nesse contexto, não significa perder a sensibilidade diante do pecado ou da injustiça. O cristão não é chamado à indiferença. Devemos amar a justiça, defender a verdade e nos importar com os que sofrem. Porém, existe uma indignação que nasce da carne, alimenta a amargura e nos tira do lugar de confiança em Deus.
Também somos advertidos a não invejar os que praticam a iniquidade. A inveja pode surgir quando olhamos apenas para os resultados aparentes dos ímpios: seus ganhos, sua influência, seus prazeres, sua ascensão e sua falsa segurança. Mas o cristão precisa enxergar além da aparência. Nem todo sucesso é bênção. Nem toda prosperidade é aprovação divina. Nem todo crescimento é sinal de justiça.
O Salmo continua:
A irritação constante revela que o coração perdeu o descanso em Deus. Quando ficamos presos ao comportamento dos malfeitores, começamos a viver emocionalmente governados por eles. Eles fazem o mal, e nós perdemos a paz. Eles prosperam, e nós perdemos o sono. Eles avançam, e nós adoecemos por dentro.
Mas Deus nos chama para outro caminho.
O salmista ainda diz:
Ira, furor e impaciência são reações perigosas. Elas prometem força, mas produzem destruição. Prometem justiça, mas muitas vezes nos levam a agir de forma carnal. Prometem alívio, mas acabam nos aprisionando em ressentimento.
Devemos abandonar os sentimentos dominados pelo mal: indignação carnal, inveja, irritação, ira, furor e impaciência.
O mal não é vencido quando ele consegue nos tornar semelhantes a ele. O mal começa a perder força quando, diante dele, permanecemos governados por Deus.
Lembre-se do fim daqueles que praticam o mal
Uma das razões pelas quais não devemos invejar nem nos desesperar diante dos malfeitores é que a aparente prosperidade deles é passageira.
O salmista declara:
A imagem é muito forte. A relva pode até parecer verde por um tempo, mas logo seca. A erva pode até crescer rapidamente, mas não permanece. Assim também é o caminho daqueles que vivem debaixo da prática do mal.
Os intentos dos perversos não prevalecerão para sempre. Seus planos serão frustrados. Sua aparente segurança será removida. Seus caminhos, se não houver arrependimento, terminarão em ruína.
Isso não deve nos produzir arrogância, mas temor. Também não deve nos gerar desejo de vingança, mas confiança na justiça de Deus.
O cristão não precisa assumir o lugar de juiz final da história. Deus continua no trono. Ele vê o que ninguém vê. Conhece motivações escondidas. Julga com justiça perfeita. Sabe como tratar cada pessoa, cada situação e cada injustiça.
Por isso, quando o mal parecer prosperar, lembre-se: a última palavra não pertence aos homens maus. A última palavra pertence ao Senhor.
Use sabedoria e tenha atitudes coerentes com a vida cristã
Depois de nos advertir sobre o que não devemos alimentar no coração, o Salmo 37 nos mostra quais atitudes devemos assumir.
A primeira é confiar:
Confiar no Senhor é mais do que dizer que cremos nele. É decidir não ser governado pelo medo, pela ansiedade, pela vingança ou pela lógica deste mundo. Quem confia em Deus não se entrega ao desespero quando vê a injustiça. Também não cruza os braços em passividade. O texto diz: “confia no Senhor e faze o bem.”
A confiança verdadeira produz obediência prática.
Não basta evitar o mal; precisamos continuar fazendo o bem. Não basta reclamar da escuridão; precisamos permanecer como luz. Não basta denunciar a mentira; precisamos nos alimentar da verdade. Não basta rejeitar a injustiça; precisamos andar em justiça.
Em um mundo mau, fazer o bem é uma forma de resistência espiritual.
A segunda atitude é agradar-se do Senhor:
Agradar-se do Senhor é encontrar nele a nossa maior alegria. É não permitir que a prosperidade dos ímpios seduza o nosso coração. É não permitir que as perdas, as lutas e as injustiças nos façam perder o prazer em Deus.
Quando Deus se torna o deleite da nossa alma, nossos desejos começam a ser alinhados com a vontade dele. E, quando nossos desejos são tratados por Deus, passamos a pedir, buscar e valorizar aquilo que realmente glorifica o Senhor.
A terceira atitude é entregar:
Entregar o caminho ao Senhor é abrir mão da necessidade de controlar tudo. É colocar diante dele nossas causas, dores, injustiças, preocupações e decisões. É confiar que Deus sabe agir no tempo certo, da maneira certa e com justiça perfeita.
Muitas vezes, queremos resolver tudo com nossas próprias mãos. Queremos responder à altura, provar nossa inocência, expor quem nos feriu, corrigir imediatamente todas as situações. Mas há momentos em que a maior demonstração de fé é entregar o caminho ao Senhor e continuar andando em retidão.
Confiar, fazer o bem, agradar-se do Senhor e entregar o caminho a Ele são estratégias espirituais para vencer o mal sem ser dominado por ele.
Espere as recompensas da justiça de Deus
Quando usamos a sabedoria de Deus neste mundo mau, somos guardados por Ele. Talvez nem sempre sejamos compreendidos imediatamente. Talvez nem sempre nossa justiça seja reconhecida no momento da dor. Talvez sejamos mal interpretados, julgados ou perseguidos injustamente.
Mas o salmista declara:
Deus sabe trazer à luz aquilo que está escondido. Sabe defender seus filhos. Sabe manifestar justiça no tempo certo. Sabe honrar aqueles que permanecem fiéis mesmo quando são provocados a reagir carnalmente.
Isso não significa que nunca sofreremos injustiças. Significa que nossa história não está nas mãos dos injustos. Está nas mãos de Deus.
A luz pode demorar a aparecer aos nossos olhos, mas Deus não se atrasa. Ele conhece o tempo certo de revelar, restaurar, defender e cumprir sua vontade.
Por isso, o cristão não precisa viver desesperado por autojustificação. Nossa responsabilidade é permanecer fiel. A defesa final pertence ao Senhor.
Descanse no Senhor mesmo em meio às guerras
A conclusão do Salmo nos conduz a uma das estratégias mais difíceis e mais necessárias da vida cristã:
Descansar não significa ausência de batalha. Significa confiança no meio dela. Descansar no Senhor é continuar crendo quando ainda não vemos a resposta. É esperar nele quando a justiça parece demorar. É manter o coração em paz quando o mundo está em guerra.
O uso das estratégias corretas nos permite desfrutar descanso em Deus, mesmo em meio às lutas.
O mundo inteiro jaz no Maligno, mas nós somos de Deus. Essa é a nossa segurança. O mal opera, mas não governa os filhos de Deus. O Maligno age, mas não tem domínio sobre aqueles que nasceram de Deus. Cristo nos guarda. Cristo nos sustenta. Cristo nos ensina a vencer.
Vencer o mal não é apenas sobreviver às injustiças. É não permitir que elas deformem o nosso coração.
Que Deus nos dê sabedoria para viver neste tempo. Que Ele guarde nosso coração dos sentimentos mundanos. Que Ele nos ensine a confiar, esperar, descansar e fazer o bem.
E que, mesmo em um mundo que jaz no Maligno, sejamos encontrados como filhos de Deus: firmes na fé, alimentados pela verdade, cheios de sabedoria e guardados por Cristo.
Deus te abençoe, guardando sua vida neste mundo mau, até o dia em que toda injustiça será julgada e toda lágrima será enxugada pelo Senhor.
Pr. Sérgio Luis
@sergioluis75

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