A Dúvida é Adversária da Fé
“Oh! Por que duvidar, sobre as ondas do mar...”
Assim começa o conhecido hino “Sobre as Ondas do Mar”, da Harpa Cristã. Uma canção antiga, marcante e profundamente espiritual, cantada por muitos cristãos ao longo dos anos. Sua mensagem traduz muito bem uma batalha que todos nós enfrentamos em nossa caminhada com Deus: a luta contra a dúvida.
A dúvida é uma das maiores adversárias da fé.
Ela nem sempre chega fazendo barulho. Às vezes, ela aparece de forma sutil, no meio de uma tempestade, quando os ventos ficam fortes, quando as circunstâncias parecem maiores do que as promessas, quando aquilo que vemos começa a gritar mais alto do que aquilo em que cremos.
Em Mateus 14:22-33, encontramos uma das cenas mais conhecidas dos Evangelhos. Os discípulos estavam no barco, em meio ao mar agitado, quando Jesus aparece caminhando sobre as águas. Eles se assustam, pensando ser um fantasma, mas Jesus lhes diz: “Tende bom ânimo! Sou eu. Não temais!”
Pedro, então, responde: “Se és tu, Senhor, manda-me ir ter contigo, por sobre as águas.”
Jesus diz apenas: “Vem!” E Pedro vai.
Por alguns instantes, aquele discípulo experimenta algo sobrenatural. Ele caminha sobre as águas. Ele vive o impossível. Ele pisa sobre aquilo que, naturalmente, deveria fazê-lo afundar. Enquanto seus olhos estavam em Jesus, seus pés estavam sobre o milagre.
Mas algo acontece no meio do caminho. Pedro começa a reparar na força do vento. Ele tira os olhos de Cristo, é tomado pelo medo e começa a afundar.
Então clama: “Salva-me, Senhor!”
Jesus, prontamente, estende a mão, segura Pedro e lhe diz: “Homem de pequena fé, por que duvidaste?”
Essa pergunta de Jesus continua ecoando em nossos corações: por que duvidaste?
A dúvida nos faz tirar os olhos de Cristo
Pedro não começou afundando. Ele começou andando.
Isso é importante. Antes de submergir, ele obedeceu à voz de Jesus. Antes de ser tomado pelo medo, ele deu um passo de fé. Antes de sentir o peso das águas, ele experimentou o poder do milagre.
A caminhada de Pedro sobre o mar começou com fé. Ele ouviu o chamado de Jesus e respondeu. Saiu do barco. Enfrentou o ambiente instável. Pisou no impossível.
Mas o texto diz:
Pedro começou a reparar na força do vento.
A palavra usada traz a ideia de olhar, perceber, voltar a atenção, fixar a mente em algo. Pedro deixou que sua atenção fosse capturada pela força da tempestade. Ele começou a observar o vento, a sentir o perigo, a considerar a instabilidade das águas.
E, quando seus olhos saíram de Cristo, seu coração foi invadido pelo medo.
É exatamente isso que a dúvida faz. Ela desloca o nosso foco. Ela tira nossos olhos de Jesus e nos faz olhar para a força do vento. Faz-nos prestar mais atenção no tamanho da crise do que no poder de Cristo. Faz-nos olhar mais para a instabilidade do mar do que para a firmeza da voz que nos chamou.
A dúvida muda a direção do olhar.
Enquanto Pedro olhava para Jesus, caminhava sobre as águas. Quando começou a olhar para o vento, começou a afundar.
Quantas vezes acontece o mesmo conosco?
Começamos cheios de fé. Damos passos corajosos. Obedecemos ao chamado de Deus. Entramos em novos ciclos, assumimos responsabilidades, iniciamos projetos, cremos em promessas, enfrentamos desafios. Mas, no meio do caminho, o vento sopra mais forte.
Então começamos a reparar demais na dificuldade.
E, sem perceber, deixamos de olhar firmemente para Jesus.
A Palavra nos orienta:
Jesus é o Autor e Consumador da nossa fé. Foi Ele quem iniciou a obra em nós e é Ele quem nos sustenta até o fim. Ele não apenas desperta a fé; Ele a aperfeiçoa. Ele não apenas nos chama para andar; Ele nos capacita a continuar.
Por isso, em qualquer situação, jamais tire os olhos de Jesus.
Se olharmos apenas para as dificuldades, afundaremos. Se olharmos apenas para a tempestade, seremos dominados pelo medo. Se olharmos apenas para o vento, esqueceremos quem nos chamou.
Mas, se mantivermos os olhos em Cristo, continuaremos firmes mesmo quando o mar estiver revolto.
Quando tiramos os olhos de Cristo, o medo tenta nos paralisar
A dúvida abre espaço para o medo.
Pedro começou a afundar porque teve medo. O medo foi consequência direta de uma atenção desviada. Ele não afundou porque o vento era forte. O vento já estava ali antes. Ele não afundou porque o mar era instável. O mar já era instável quando ele saiu do barco.
Pedro começou a afundar quando o medo ocupou o lugar da fé.
O medo é paralisante. Ele impede avanços, interrompe processos, trava decisões e enfraquece a coragem. Quantas pessoas deixam de viver o propósito de Deus porque foram dominadas pelo medo? Quantas deixam de obedecer porque imaginaram tudo o que poderia dar errado? Quantas permanecem presas ao barco porque temem o mar?
O medo muitas vezes não apenas paralisa; ele aterroriza. Ele aumenta o tamanho do problema, diminui nossa percepção de Deus e nos faz esquecer que Jesus está presente.
A fé, por outro lado, nos conduz à confiança, à coragem e à obediência.
O medo está diretamente ligado à dúvida. A fé está diretamente ligada à confiança.
Davi declarou:
Observe: Davi não disse que não passaria pelo vale. Ele disse que não temeria no vale. A diferença está na presença do Senhor. O vale pode existir, mas a presença de Deus muda a forma como caminhamos por ele.
João também escreveu:
O perfeito amor lança fora o medo. E Jesus é a maior manifestação do amor de Deus por nós. Quando descansamos nesse amor, o medo perde seu domínio.
Não devemos permitir que o medo governe nossa caminhada. O vento pode soprar. As águas podem se agitar. A noite pode parecer longa. Mas Jesus continua presente.
E, se Ele disse “vem”, podemos confiar.
A dúvida nos coloca em situações de perigo
A dúvida levou Pedro ao medo. O medo levou Pedro a afundar.
Esse é o caminho perigoso da incredulidade: primeiro ela tira nosso olhar de Cristo; depois enfraquece nossa confiança; em seguida, abre espaço para o medo; por fim, começamos a submergir.
Quando duvidamos, corremos o risco de naufragar na fé.
Pedro estava vivendo um milagre, mas quase foi engolido pelo mesmo mar sobre o qual caminhava. Aquilo que estava debaixo dos seus pés começou a subir sobre ele quando sua fé foi abalada.
Isso nos ensina algo muito sério: não devemos brincar com a dúvida. Não devemos alimentá-la. Não devemos permitir que ela encontre morada em nosso coração.
A dúvida pode parecer pequena no começo, mas, quando não é confrontada, cresce e se torna perigosa.
Mas há algo maravilhoso nessa passagem: mesmo quando Pedro começou a afundar, Jesus estava perto.
Pedro clamou: “Salva-me, Senhor!”
E o texto diz que Jesus, prontamente, estendeu a mão.
Jesus não demorou. Não ficou indiferente. Não esperou Pedro afundar completamente. Ele estendeu a mão e o segurou.
Isso revela a graça do nosso Senhor. Mesmo quando nossa fé vacila, Ele permanece fiel. Mesmo quando duvidamos, Ele continua perto. Mesmo quando começamos a afundar, sua mão continua estendida.
Mas não precisamos esperar afundar para clamar. Podemos aprender a manter os olhos em Cristo desde o início.
Não alimente a dúvida. Alimente a fé.
A fé nos fortalece para continuar. A fé nos faz prosseguir quando tudo parece contrário. A fé nos conduz a lugares onde a lógica humana não conseguiria nos levar. A fé nos permite experimentar o sobrenatural de Deus.
A dúvida nos puxa para baixo. A fé nos mantém olhando para o alto.
Coloque sua fé em Jesus
O salmista declarou:
Colocar a fé em Jesus é entregar o caminho. É confiar quando não temos controle. É descansar quando não vemos todas as respostas. É obedecer quando o cenário parece improvável.
Fé não é ausência de vento. Fé é continuar olhando para Cristo mesmo quando o vento sopra.
Fé não é ausência de mar revolto. Fé é ouvir a voz de Jesus acima do barulho das águas.
Fé não é autoconfiança. Fé é dependência.
Pedro não caminhou sobre as águas porque era forte. Ele caminhou porque Jesus o chamou. O poder não estava nos pés de Pedro, mas na palavra de Cristo. O milagre não estava na coragem humana, mas na autoridade daquele que disse: “Vem.”
Da mesma forma, não vencemos pela nossa própria capacidade. Vencemos porque Cristo nos sustenta. Prosseguimos porque Ele nos chama. Permanecemos porque sua mão nos segura.
Entregar o caminho ao Senhor é se abandonar em seus braços, confiando que nele encontramos tudo o que precisamos. É confiar que Ele cuida, sustenta, guia, protege e levanta quando necessário.
Se o mar está revolto, olhe para Jesus.
Se o vento está forte, olhe para Jesus.
Se a dúvida está tentando entrar, olhe para Jesus.
Se o medo está tentando dominar, olhe para Jesus.
Ele é suficiente para sustentar você.
Caminhe com os olhos em Cristo
A história de Pedro nos ensina que a fé precisa de foco. Não basta começar bem; é preciso continuar olhando para Jesus.
Muitos começam caminhando sobre as águas, mas afundam quando passam a olhar mais para o vento do que para Cristo. Começam pela fé, mas são interrompidos pela dúvida. Começam pela obediência, mas são paralisados pelo medo.
Por isso, a pergunta de Jesus continua sendo tão atual:
“Por que duvidaste?”
Vá até Jesus, caminhando sobre as águas, com os olhos firmes nele. Não permita que a dúvida roube sua confiança. Não permita que o medo afunde sua fé. Não permita que a força do vento seja maior, no seu coração, do que a voz de Cristo.
Jesus está sempre com os braços estendidos para socorrer aqueles que clamam por Ele.
Por isso, não duvide. Confie!
O mesmo Jesus que chamou Pedro para caminhar sobre as águas é poderoso para sustentar você em cada passo da sua jornada.
Deus te abençoe!

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