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Palavra que alcança a vida, transforma o coração e nos conduz para mais perto de Cristo Este blog nasceu do desejo de compartilhar aquilo que Deus tem colocado em nosso coração ao longo da caminhada. Mais do que publicar textos, queremos abrir um espaço de comunhão, ensino e encorajamento, onde pessoas possam encontrar na Palavra de Deus direção para a vida, consolo em tempos difíceis e esperança para continuar caminhando. Aqui compartilhamos mensagens, sermões, estudos e reflexões sobre fé, oração, família, paternidade de Deus, identidade, cura e restauração, Igreja, liderança, discipulado e os desafios de viver o Evangelho em nosso tempo. Cremos que a Palavra de Deus não foi dada apenas para ser conhecida, mas para transformar nossa maneira de pensar, sentir, decidir e viver. Nossa oração é que você se sinta bem-vindo aqui e que, em cada leitura, encontre graça, verdade, esperança e direção para sua caminhada com Deus. Com carinho, Sérgio e Débora.

domingo, 14 de junho de 2009

O CARÁTER DE CRISTO EM SEUS DISCÍPULOS




O CARÁTER DE CRISTO EM SEUS DISCÍPULOS

As Bem-aventuranças e a transformação do nosso caráter

 

Há uma diferença entre seguir uma religião e ser formado à imagem de Jesus. É possível conhecer a Bíblia, frequentar uma igreja, participar de cultos, exercer um ministério e, ainda assim, conservar áreas do caráter que pouco se parecem com Cristo. O verdadeiro discipulado não consiste apenas em aprender aquilo que Jesus ensinou, mas em permitir que aquilo que Ele ensinou transforme profundamente aquilo que somos.

No Sermão do Monte, especialmente nas Bem-aventuranças de Mateus 5:3-12, Jesus não apresenta apenas uma lista de comportamentos religiosos. Ele revela as características interiores daqueles que pertencem ao Reino de Deus. Antes de falar sobre aquilo que fazemos, Jesus trata daquilo que somos. Antes das mãos, Ele alcança o coração.

Por isso, as Bem-aventuranças podem ser compreendidas como um verdadeiro retrato do caráter que Deus deseja formar em seus filhos. O propósito do discipulado não é apenas fazer com que conheçamos mais sobre Jesus, mas fazer com que nos tornemos cada vez mais semelhantes a Ele.

 

A HUMILDADE: O PONTO DE PARTIDA

Jesus começa dizendo:

“Bem-aventurados os humildes de espírito, porque deles é o reino dos céus” (Mateus 5:3).

Não é por acaso que a humildade aparece primeiro. Ela é o fundamento sobre o qual as demais virtudes podem ser construídas. O humilde de espírito reconhece sua absoluta dependência de Deus. Ele sabe que não é autossuficiente, que tudo aquilo que possui procede da graça e que, sem Deus, nada pode fazer.

O orgulho produz exatamente o contrário. O orgulhoso tem dificuldade para reconhecer seus erros, pedir perdão, ouvir, aprender e aceitar correção. Frequentemente precisa ter razão, protege sua própria imagem e enxerga com facilidade os defeitos dos outros, enquanto encontra enorme dificuldade para reconhecer os seus.

Talvez uma das perguntas mais importantes para nossa vida espiritual seja: quanto do nosso comportamento ainda é governado pelo orgulho?

Jesus nos chama para outro caminho. Ele mesmo declarou:

“Aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração” (Mateus 11:29).

Quanto mais Cristo é formado em nós, menos necessidade temos de provar nossa importância.

 

O QUEBRANTAMENTO: UM CORAÇÃO SENSÍVEL A DEUS

Jesus prossegue:

“Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados” (Mateus 5:4).

Esse choro não é simplesmente tristeza emocional, frustração ou autopiedade. Trata-se de um coração que ainda consegue ser tocado por Deus. É a capacidade de reconhecer o pecado, lamentar aquilo que desagrada ao Senhor e sentir a dor daqueles que sofrem.

Vivemos em uma geração que corre o risco de perder a sensibilidade. Podemos assistir à dor alheia e permanecer indiferentes. Podemos pecar e não sentir arrependimento. Podemos perceber nosso afastamento de Deus e continuar normalmente.

Uma das maiores tragédias espirituais não é apenas cair; é cair e não se quebrantar.

O quebrantamento nos leva novamente à presença de Deus. Como afirma Isaías 57:15, o Senhor habita também com o contrito e abatido de espírito, para vivificar o espírito dos abatidos.

 

A MANSIDÃO: FORÇA SUBMETIDA A DEUS

Jesus declara:

“Bem-aventurados os mansos, porque herdarão a terra” (Mateus 5:5).

Mansidão não significa fraqueza, passividade ou ausência de personalidade. O próprio Jesus era manso, mas jamais foi fraco. Mansidão é força colocada debaixo do governo de Deus.

O manso não precisa reagir impulsivamente a toda provocação. Não precisa vencer todas as discussões. Ele sabe ouvir, esperar, obedecer e controlar suas reações.

Existem rebeldias barulhentas, manifestadas por gritos e confrontos, mas também existem rebeldias silenciosas: pessoas que aparentemente concordam, mas continuam determinadas a fazer apenas aquilo que desejam.

O discípulo de Jesus aprende progressivamente a dizer: “Senhor, não quero simplesmente fazer a minha vontade; quero que a tua vontade governe a minha vida.”

 

FOME E SEDE DE JUSTIÇA: O DESEJO DE PARECER-SE COM JESUS

Jesus continua:

“Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão fartos” (Mateus 5:6).

Fome e sede são necessidades intensas. Jesus está descrevendo pessoas cujo grande desejo não é apenas receber bênçãos, prosperar ou alcançar seus próprios projetos. Elas desejam profundamente viver de maneira justa diante de Deus.

Não se trata apenas de exigir justiça dos outros, mas de perguntar: Tenho sido justo? Tenho tratado as pessoas corretamente? Minhas decisões refletem os valores do Reino? Minha maneira de lidar com dinheiro, família, trabalho e relacionamentos glorifica a Deus?

A justiça do Reino não pode ser separada do amor, da generosidade e da misericórdia.

Por isso Jesus também ensinou:

“Buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça” (Mateus 6:33).

 

MISERICÓRDIA: TRATAR AS PESSOAS COMO DEUS NOS TRATOU

“Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia” (Mateus 5:7).

Misericórdia é olhar para aquele que sofre e não permanecer indiferente. É aproximar-se. É servir. É ajudar. É perdoar.

O maior modelo continua sendo Jesus.

Misericórdia significa aprender a tratar pessoas necessitadas da graça da mesma maneira que gostaríamos de ser tratados por Deus quando necessitamos da graça.

É fácil amar quem nos ama, servir quem nos recompensa e ser gentil com quem nos trata bem. O caráter de Cristo aparece justamente quando nossa bondade deixa de depender da resposta do outro.

O bom samaritano é uma poderosa demonstração disso. Ele encontrou alguém ferido e decidiu interromper sua própria caminhada para cuidar daquele homem. A verdadeira misericórdia não é apenas sentimento; transforma compaixão em atitude.

 

PUREZA DE CORAÇÃO: QUANDO DEUS TRANSFORMA O INTERIOR

Jesus declara:

“Bem-aventurados os limpos de coração, porque verão a Deus” (Mateus 5:8).

Cristianismo não é maquiagem espiritual. Deus não deseja apenas melhorar nossa aparência religiosa; Ele deseja transformar nosso coração.

Um coração limpo abandona o fingimento, a duplicidade, a mentira e as motivações escondidas. Busca viver em transparência diante de Deus.

Isso não significa que o discípulo nunca erre. Significa que, quando erra, não deseja construir esconderijos para o pecado.

“Se, porém, andarmos na luz, como ele está na luz, mantemos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus, seu Filho, nos purifica de todo pecado” (1 João 1:7).

Pureza também envolve nossas intenções. Podemos realizar uma ação aparentemente correta com uma motivação errada. Deus, porém, não vê apenas aquilo que fazemos; Ele conhece por que fazemos.

 

PACIFICADORES: PESSOAS QUE INTERROMPEM CICLOS DE CONFLITO

“Bem-aventurados os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus” (Mateus 5:9).

O pacificador não alimenta conflitos. Não transporta fofocas. Não sente prazer em colocar pessoas umas contra as outras.

Ele procura reconciliar.

Quando é atacado, não reage automaticamente com outro ataque. Quando encontra pessoas divididas, procura construir pontes. Quando poderia espalhar uma informação que prejudicaria alguém, escolhe preservar.

O pacificador não é simplesmente alguém que gosta de paz; é alguém que trabalha para produzi-la.

E talvez seja justamente nessa área que nosso caráter seja colocado à prova com maior frequência: dentro de casa, no casamento, entre irmãos, no trabalho, na igreja e nas redes sociais.

 

ALEGRIA MESMO QUANDO SEGUIR JESUS TEM UM PREÇO

Finalmente, Jesus declara:

“Bem-aventurados os perseguidos por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus” (Mateus 5:10).

E prossegue falando daqueles que seriam insultados, perseguidos e caluniados por causa dele.

Aqui encontramos uma das manifestações mais profundas da maturidade cristã: continuar fiel quando ser fiel custa alguma coisa.

Nossa alegria não pode depender exclusivamente das circunstâncias. Se nossa felicidade existe somente quando somos aceitos, elogiados e compreendidos, estaremos sempre vulneráveis à opinião das pessoas.

Jesus apresenta outra realidade. Podemos permanecer firmes mesmo quando somos incompreendidos. Podemos continuar amando quando somos rejeitados. Podemos permanecer fiéis quando nossa fidelidade tem um preço.

Isso acontece porque a fonte da nossa alegria não está simplesmente naquilo que acontece ao nosso redor, mas em Cristo vivendo dentro de nós.

 

AS BEM-AVENTURANÇAS SÃO UM ESPELHO

Talvez devêssemos terminar esta reflexão não perguntando quanto conhecemos das Bem-aventuranças, mas quanto das Bem-aventuranças pode ser encontrado em nós.

Sou humilde ou ainda preciso sempre ter razão?

Meu coração ainda se quebranta diante de Deus?

Tenho reagido com mansidão?

Tenho fome e sede de justiça ou apenas fome das bênçãos de Deus?

Sou misericordioso com aqueles que falham?

Minhas intenções são puras?

Tenho produzido paz ou alimentado conflitos?

Continuo fiel quando seguir Jesus me custa alguma coisa?

Essas perguntas transformam Mateus 5 em um espelho diante da nossa alma.

Jesus não nos chamou simplesmente para admirarmos o caráter dele. Ele nos chamou para sermos transformados à sua imagem.

O verdadeiro discípulo não é aquele que simplesmente sabe muito sobre Cristo. É aquele em quem, pouco a pouco, Cristo começa a ser visto.

Que nossa oração seja:

“Senhor, forma o caráter de Jesus em mim. Que minhas palavras, atitudes, escolhas, relacionamentos e reações revelem cada vez menos de mim e cada vez mais de Cristo.”

Porque, no final, a maior evidência de que estamos caminhando com Jesus não é apenas aquilo que sabemos sobre Ele, mas o quanto estamos nos tornando semelhantes a Ele.

Deus te abençoe!

Pr. Sérgio Luis