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Qual o Propósito Deste Blog

Palavra que alcança a vida, transforma o coração e nos conduz para mais perto de Cristo Este blog nasceu do desejo de compartilhar aquilo que Deus tem colocado em nosso coração ao longo da caminhada. Mais do que publicar textos, queremos abrir um espaço de comunhão, ensino e encorajamento, onde pessoas possam encontrar na Palavra de Deus direção para a vida, consolo em tempos difíceis e esperança para continuar caminhando. Aqui compartilhamos mensagens, sermões, estudos e reflexões sobre fé, oração, família, paternidade de Deus, identidade, cura e restauração, Igreja, liderança, discipulado e os desafios de viver o Evangelho em nosso tempo. Cremos que a Palavra de Deus não foi dada apenas para ser conhecida, mas para transformar nossa maneira de pensar, sentir, decidir e viver. Nossa oração é que você se sinta bem-vindo aqui e que, em cada leitura, encontre graça, verdade, esperança e direção para sua caminhada com Deus. Com carinho, Sérgio e Débora.

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

A PATERNIDADE QUE GERA CURA - PARTE I Da ferida da orfandade à identidade de filho



A PATERNIDADE QUE GERA CURA — PARTE 1

Da ferida da orfandade à identidade de filho

 

Existem feridas que o tempo consegue amenizar, mas existem outras que permanecem escondidas durante anos e continuam influenciando silenciosamente nossa maneira de enxergar a nós mesmos, de construir relacionamentos e até de nos aproximarmos de Deus.

Entre essas feridas, poucas possuem tanta força quanto aquelas relacionadas à paternidade.

A ausência de um pai, sua rejeição, abandono, violência, frieza emocional ou simplesmente sua incapacidade de demonstrar amor podem produzir marcas profundas. Há pessoas adultas que continuam carregando dentro de si a pergunta que talvez nunca tenham conseguido formular claramente: “Eu realmente sou amado? Sou importante para alguém? Posso confiar em um pai?”

Foi justamente refletindo sobre a paternidade de Deus e observando o relacionamento entre o Pai e Jesus Cristo que nasceu este texto.

Há pessoas que possuem pai vivo, mas cresceram experimentando uma espécie de orfandade afetiva; outras nunca conheceram o próprio pai, enquanto algumas tiveram relacionamentos profundamente feridos dentro de casa. Essas experiências podem afetar nossa maneira de compreender a paternidade, inclusive quando ouvimos a expressão “Deus é Pai”.

Entretanto, uma das grandes revelações do Evangelho é que Deus deseja ser conhecido não apenas como Criador, Senhor e Rei, mas também como Pai. E conhecer sua paternidade pode iniciar um profundo processo de restauração em áreas da nossa identidade que foram marcadas pela rejeição, pelo abandono e pela insegurança.

É importante esclarecer que isso não significa que Deus simplesmente ocupe o lugar psicológico deixado por um pai terreno. Deus não é uma versão melhorada do nosso pai humano. Na verdade, é o contrário: a paternidade de Deus é o padrão perfeito pelo qual toda paternidade humana deveria ser compreendida. Nossos pais podem falhar. Deus não falha. Pais terrenos podem não saber amar corretamente. O amor do Pai é perfeito. Pais podem abandonar seus filhos; Deus permanece fiel.

Por isso, talvez uma das primeiras etapas da cura seja permitir que a Palavra de Deus corrija a imagem que construímos do Pai celestial.

 

QUANDO PAIS TERRENOS FALHAM, DEUS CONTINUA SENDO PAI

O Salmo 27:10 apresenta uma das declarações mais consoladoras das Escrituras:

“Porque, se meu pai e minha mãe me desampararem, o SENHOR me acolherá.”

O salmista não minimiza a dor do abandono. Ele não diz que perder o cuidado dos pais é algo pequeno ou irrelevante. Pelo contrário, reconhece uma das possibilidades mais dolorosas da experiência humana e, justamente nesse lugar, declara que existe um acolhimento que não depende da fidelidade humana.

Isaías 63:16 também registra a confissão:

“Tu, ó SENHOR, és nosso Pai; nosso Redentor é o teu nome desde a antiguidade.”

Esses textos aparecem justamente como resposta bíblica às feridas provocadas pelo abandono e pela ausência parental.

Talvez você tenha recebido de seu pai aquilo de que precisava. Se foi assim, agradeça a Deus por isso. Mas talvez sua história tenha sido muito diferente. É possível que você tenha crescido tentando conquistar uma aprovação que nunca veio, esperando um abraço que nunca aconteceu, procurando ouvir palavras que jamais foram pronunciadas. É possível até que, sem perceber, você tenha transferido essa experiência para Deus e começado a imaginar que também precisa conquistar seu amor.

O Evangelho confronta essa mentira. O Pai não nos recebe porque conseguimos provar nosso valor. Ele nos recebe pela graça, através de Cristo.

João 1:12 afirma que:

 “a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, a saber, aos que creem no seu nome”.

É em Cristo que somos introduzidos na família de Deus. Paulo amplia essa verdade em Gálatas 4:4-7, mostrando que Deus enviou seu Filho para que recebêssemos a adoção e, pelo Espírito, pudéssemos clamar: “Aba, Pai.”

Portanto, a cura da paternidade não consiste apenas em repetir para nós mesmos que Deus é Pai. Ela acontece quando, por meio de Jesus Cristo, começamos verdadeiramente a viver como filhos recebidos na casa do Pai.

 

O PAI NÃO APENAS NOS RECEBE; ELE NOS FORMA

Isaías 64:8 declara:

“Mas agora, ó SENHOR, tu és nosso Pai, nós somos o barro, e tu, o nosso oleiro; e todos nós, obra das tuas mãos.”

Essa imagem acrescenta algo muito precioso à compreensão da paternidade divina. Deus não apenas nos acolhe; Ele trabalha em nós.

O barro nas mãos do oleiro está sendo formado. Há áreas que precisam ser corrigidas, partes que precisam ser restauradas e formas que precisam ser transformadas. Isso significa que o amor do Pai não é um amor passivo que simplesmente nos deixa como estamos. Ele nos ama demais para nos abandonar às deformações que o pecado, as feridas e nossa própria história produziram.

A compreensão de Deus como Pai e Oleiro associa a paternidade, à pertencimento, formação e restauração. Esta é a grande diferença que nos faz enxergar essa verdade dentro do Evangelho: Deus está formando seus filhos para que se tornem semelhantes a Cristo.

Talvez tenhamos aprendido durante anos a reagir como pessoas rejeitadas. Talvez sejamos excessivamente defensivos, desconfiados ou dependentes da aprovação dos outros. Talvez nossas experiências tenham nos ensinado a acreditar que precisamos controlar tudo para não sermos novamente feridos. Mas, quando começamos a compreender nossa identidade de filhos, essas estruturas interiores começam a ser confrontadas.

O Pai não apenas cura nossas feridas; Ele também transforma aquilo que nossas feridas fizeram conosco.

 

FILHOS DO MESMO PAI APRENDEM A TRATAR UNS AOS OUTROS COMO FAMÍLIA

Malaquias 2:10 pergunta:

“Não temos nós todos o mesmo Pai? Não nos criou o mesmo Deus? Por que seremos desleais uns para com os outros?”

No contexto original, o profeta confrontava a infidelidade dentro do povo da aliança. Mas o princípio apresentado é profundamente relevante: reconhecer a paternidade de Deus deveria alterar nossa maneira de tratar aqueles que pertencem à sua família.

O texto original desenvolve justamente essa ligação entre a consciência de um Pai comum e a responsabilidade nos relacionamentos. Se verdadeiramente reconhecemos que fomos recebidos pela graça, não podemos continuar tratando nossos irmãos com arrogância, desprezo, competição e deslealdade.

A filiação precisa aparecer nos relacionamentos. Isso é especialmente importante porque pessoas feridas tendem, algumas vezes, a ferir outras. Quem viveu rejeição pode desenvolver mecanismos de proteção que acabam produzindo distância. Quem foi traído pode ter dificuldade para confiar. Quem recebeu pouco afeto pode não saber expressá-lo.

Mas o Pai começa a nos ensinar uma nova maneira de viver. Em sua família, aprendemos a perdoar, servir, honrar, ouvir, caminhar em aliança e restaurar relacionamentos.

A cura que Deus produz em nós não deve terminar em nós; ela precisa alcançar a maneira como tratamos as pessoas.

 

QUEM DESCOBRE QUE É FILHO COMEÇA A ZELAR PELAS COISAS DO PAI

Em João 2, Jesus entra no templo e encontra aquele lugar sendo usado de maneira incompatível com seu propósito. Então ordena:

“Tirai daqui estas coisas; não façais da casa de meu Pai casa de negócio.”

A expressão é significativa: “casa de meu Pai.” Jesus demonstra zelo por aquilo que pertence ao Pai. João está falando do templo; a partir desse princípio, podemos refletir sobre nossa responsabilidade com aquilo que Deus nos confiou.

Filhos maduros não querem apenas receber do Pai. Começam também a se importar com aquilo que importa para Ele.

Passamos a amar sua Igreja, sua Palavra, sua missão e sua vontade. Começamos a perguntar não apenas “O que Deus pode fazer por mim?”, mas também “Pai, o que o Senhor deseja realizar através de mim?”

Essa mudança é uma das evidências de maturidade espiritual. A criança pensa principalmente no que pode receber da casa; o filho amadurecido começa a assumir responsabilidade pela casa.

 

TRABALHAR COM O PAI NOS TORNA CADA VEZ MAIS PARECIDOS COM ELE

Em João 5:17, Jesus afirma:

“Meu Pai trabalha até agora, e eu trabalho também.”

A passagem, antes de tudo, revela a relação única de Jesus com o Pai e sua identidade divina, algo que os próprios ouvintes compreenderam e que explica a reação registrada no versículo seguinte. Não devemos reduzir esse texto a uma simples analogia entre qualquer pai e filho.

Entretanto, existe uma aplicação poderosa: Jesus realizava aquilo que via o Pai realizando. Mais adiante, em João 5:19, Ele declara que o Filho nada pode fazer de si mesmo, senão aquilo que vir fazer o Pai.

Essa passagem enfatiza que a convivência e a participação na obra produzem semelhança. Aplicada cuidadosamente à nossa condição de discípulos, essa verdade é preciosa. Quanto mais caminhamos com Deus, ouvimos sua Palavra, obedecemos à sua vontade e participamos de sua obra, mais nosso caráter deve refletir aquilo que encontramos nele.

Não fomos chamados apenas para trabalhar para Deus. Fomos chamados para caminhar com o Pai enquanto fazemos sua vontade.

Essa diferença é enorme. Podemos realizar muitas atividades religiosas sem intimidade. Podemos ocupar-nos com a casa do Pai sem desfrutar da presença do Pai. O objetivo não é somente aumentar nossa produtividade ministerial, mas permitir que, enquanto servimos, nosso caráter seja transformado.

 

A VIDA DO FILHO PRECISA REVELAR O PAI

Jesus disse em Mateus 5:16:

“Assim brilhe também a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai que está nos céus.”

Observe o destino das boas obras: o Pai é glorificado.

Quando alguém encontra em nós graça, misericórdia, integridade, generosidade, justiça e amor, nossa vida deveria apontar para aquele que está nos formando. A filiação deixa de ser apenas uma experiência interior e passa a produzir uma vida que manifesta publicamente o caráter do Pai.

Isso nos ajuda a entender que cura e propósito caminham juntos. Deus não restaura nossa identidade apenas para que nos sintamos melhor. Ele nos cura também para que possamos viver de maneira diferente e para que, através dessa nova maneira de viver, outras pessoas consigam perceber algo do coração Dele.

Filhos curados se tornam testemunhos do Pai que cura.

 

QUEM RECEBE MISERICÓRDIA APRENDE A PERDOAR

Marcos 11:25 registra a orientação de Jesus:

“E, quando estiverdes orando, se tendes alguma coisa contra alguém, perdoai.”

 A relação entre paternidade e perdão é profunda. É importante, porém, compreender corretamente essa verdade. Não compramos o perdão de Deus oferecendo perdão aos outros. Somos salvos pela graça. Entretanto, uma pessoa que compreendeu a profundidade da misericórdia que recebeu começa a perceber a incoerência de desejar ser perdoada enquanto se recusa terminantemente a liberar perdão.

Essa é uma dimensão importante da cura, porque muitas feridas paternas permanecem abertas não apenas por causa daquilo que aconteceu, mas também pela maneira como continuamos emocionalmente presos àquele acontecimento.

Perdoar não significa dizer que o mal foi correto. Não significa fingir que nada aconteceu, eliminar consequências ou necessariamente restaurar de imediato todas as condições anteriores de um relacionamento.

Perdoar significa entregar a Deus o direito de vingança e decidir que a ferida não continuará governando nossa vida.

Em muitos casos, esse processo não acontece de uma vez. Mas o Pai nos conduz.

E há algo profundamente poderoso nisso: quando conseguimos colocar diante de Deus até mesmo aquele que nos feriu, começamos a descobrir que nossa história não precisa terminar no lugar onde fomos machucados.

 

DA ORFANDADE PARA A FILIAÇÃO

A grande questão, portanto, não é apenas quem foi nosso pai terreno ou o que aconteceu em nossa história. Essas coisas são importantes e não precisam ser negadas. Porém, através de Jesus Cristo, algo novo começa.

Recebemos uma identidade que nossa história não pode nos conceder nem retirar. Somos recebidos em Cristo. Somos adotados. Recebemos o Espírito de adoção. Começamos a chamar Deus de Pai. Somos formados por Ele. Aprendemos a viver em sua família. Participamos de sua obra. Refletimos seu caráter. E somos conduzidos a uma vida de perdão e restauração.

A paternidade de Deus não apaga magicamente tudo o que aconteceu conosco, mas redefine quem somos a partir de uma realidade maior do que aquilo que aconteceu conosco.

Você pode ter conhecido abandono sem precisar carregar para sempre uma identidade de abandonado. Pode ter experimentado rejeição sem continuar definindo-se como rejeitado. Pode ter crescido sem receber afirmação, mas agora pode descobrir em Cristo uma voz maior dizendo que você foi recebido.

Talvez esta seja a verdade que seu coração precisa ouvir: Seu passado pode explicar algumas de suas feridas, mas não precisa determinar definitivamente sua identidade. Em Cristo, você foi chamado para conhecer Deus como Pai.

E essa descoberta nos conduz naturalmente à próxima pergunta: se fomos recebidos como filhos, como é viver diariamente em relacionamento com esse Pai?

É justamente isso que encontraremos na segunda parte. 

Deus te abençoe!

Pr. Sérgio Luis

terça-feira, 19 de agosto de 2008

UMA IGREJA DE FÉ FAZ MISSÕES



UMA IGREJA DE FÉ É UMA IGREJA MISSIONÁRIA

Quando a compaixão de Jesus encontra uma Igreja disposta a ir

 

“E percorria Jesus todas as cidades e povoados, ensinando nas sinagogas, pregando o evangelho do reino e curando toda sorte de doenças e enfermidades. Vendo ele as multidões, compadeceu-se delas, porque estavam aflitas e exaustas como ovelhas que não têm pastor. E, então, se dirigiu a seus discípulos: A seara, na verdade, é grande, mas os trabalhadores são poucos. Rogai, pois, ao Senhor da seara que mande trabalhadores para a sua seara.”
Mateus 9:35-38

 

O propósito de Deus nunca esteve limitado à construção de templos, à realização de cultos ou à formação de instituições religiosas. Desde o princípio, Deus está formando para si um povo, uma grande família de homens e mulheres transformados à imagem de Cristo e chamados para manifestar sua glória na terra.

Quando compreendemos esse propósito, missões deixa de ser apenas uma programação da Igreja e passa a ocupar o lugar que realmente possui: uma expressão natural da identidade daqueles que foram alcançados pelo Evangelho.

Uma Igreja que recebeu as boas-novas não pode guardá-las apenas para si. Quem experimentou a graça é chamado a anunciar essa mesma graça. Quem conheceu Cristo passa a carregar a responsabilidade de torná-lo conhecido.

Por isso, missões não deve ser tratada como um departamento isolado, destinado exclusivamente a algumas pessoas especialmente vocacionadas. Missões faz parte da própria natureza da Igreja, porque a Igreja existe também para participar daquilo que Deus está fazendo entre os povos.

 

A MISSÃO NASCE NO CORAÇÃO DE DEUS

Quando pensamos em missões, nossa primeira referência não deveria ser um missionário, uma agência ou uma organização. A missão começa no próprio Deus. Foi Ele quem tomou a iniciativa de buscar o homem. Foi Ele quem enviou seu Filho ao mundo.

João 3:16 declara que:

 “Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito”.

Portanto, antes de existir uma Igreja missionária, existe um Deus missionário, um Deus que ama, envia, busca, salva e reconcilia.

Jesus veio ao mundo enviado pelo Pai e, depois, enviou seus discípulos.

Marcos 16:15 registra sua ordem:

“Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura.”

Essa palavra não é uma sugestão para os mais animados, nem uma opção para aqueles que possuem uma personalidade aventureira. É uma ordem dada àqueles que o seguem. Naturalmente, nem todos atravessarão oceanos ou viverão em outra cultura, mas todo discípulo precisa desenvolver uma consciência missionária e compreender que foi colocado onde está também para testemunhar de Cristo.

A missão começa em casa, alcança nossa rua, nosso bairro, nosso ambiente de trabalho, nossa cidade e, pela ação soberana de Deus, chega até as nações. A Igreja foi chamada para ir, porque o Evangelho nunca foi destinado a permanecer restrito às paredes de um templo.

 

JESUS É O NOSSO MODELO DE MISSÃO

Mateus 9:35-38 nos oferece um retrato extraordinário do coração missionário de Jesus.

 Nesse texto, vemos o Senhor percorrendo cidades e aldeias, ensinando, pregando, curando, observando as multidões, sentindo compaixão por elas, despertando seus discípulos para a grandeza da seara e ensinando-os a orar por trabalhadores. Em poucas palavras, encontramos um verdadeiro modelo de missão.

Isso é importante porque, às vezes, ficamos tão preocupados em desenvolver métodos modernos que corremos o risco de perder de vista o modelo mais importante de todos. Estratégias podem ser úteis, ferramentas podem facilitar a comunicação e novas tecnologias podem ampliar o alcance da mensagem, mas o caráter e a prática de Jesus continuam sendo nossa referência principal.

 

JESUS IA AO ENCONTRO DAS PESSOAS

Mateus afirma que Jesus “percorria todas as cidades e povoados”. Há movimento nesse texto. Jesus não permaneceu esperando que as pessoas viessem até Ele. Encontramo-lo nas aldeias, nas cidades, nas casas, nas estradas, às margens do mar, entre enfermos, pecadores, pessoas rejeitadas e necessitadas.

Isso confronta a Igreja de hoje. Podemos criar excelentes ambientes para receber pessoas, e isso é importante, mas a Grande Comissão não diz simplesmente “esperem que elas venham”. O chamado continua sendo “ide”.

A Igreja se reúne para adorar, aprender, ter comunhão, ser fortalecida e equipada, mas depois precisa se espalhar novamente pelo mundo como testemunha de Cristo.

Nosso ambiente profissional pode tornar-se campo missionário. Nossa vizinhança pode tornar-se campo missionário. Nossa escola, universidade, família e círculo de relacionamentos podem se tornar lugares onde a presença de Cristo é manifestada através de nós.

Missões começa quando deixamos de pensar que o campo missionário está sempre longe e percebemos que Deus já colocou pessoas ao nosso redor.

 

JESUS UNIA PROCLAMAÇÃO E COMPAIXÃO

O texto diz que Jesus ensinava nas sinagogas, pregava o Evangelho do Reino e curava enfermidades. Isso nos ensina que a missão de Jesus não era fragmentada. Ele anunciava a verdade e, ao mesmo tempo, enxergava as necessidades concretas das pessoas. Proclamação e compaixão caminhavam juntas.

A Igreja precisa continuar pregando claramente Cristo, arrependimento, reconciliação, salvação e vida eterna, mas não pode fazer isso com um coração indiferente às dores humanas. O Evangelho precisa ser anunciado pelos nossos lábios e demonstrado por nossas atitudes. Somos chamados a proclamar Cristo e, ao mesmo tempo, servir pessoas, cuidar dos necessitados, acolher os feridos e manifestar o amor de Deus de maneira prática.

Não podemos substituir o Evangelho por ação social, mas também não devemos utilizar a pregação do Evangelho como desculpa para ignorar o sofrimento diante dos nossos olhos.

Jesus anunciava a verdade sem perder a ternura e servia as pessoas sem diluir a verdade. Esse equilíbrio precisa continuar presente na Igreja.

 

MISSÕES COMEÇA QUANDO VOLTAMOS A ENXERGAR PESSOAS

Mateus diz que Jesus, “vendo as multidões, compadeceu-se delas”. Antes da compaixão, há um detalhe essencial: Jesus viu.

Talvez uma das grandes necessidades da Igreja seja recuperar a capacidade de enxergar pessoas. Podemos olhar para multidões e ver apenas números, olhar para uma cidade e enxergar apenas prédios, ou olhar para uma comunidade e perceber somente seus problemas. Jesus, porém, via pessoas. Via histórias, dores, necessidades, medos, frustrações e almas que precisavam de direção.

Mateus descreve aquelas multidões como pessoas “aflitas e exaustas como ovelhas que não têm pastor”. Essa descrição continua extremamente atual. Estamos cercados por homens e mulheres conectados digitalmente, mas profundamente solitários; pessoas com acesso a muita informação, mas sem direção; famílias quebradas; jovens procurando sentido; gente tentando preencher vazios interiores com dinheiro, prazer, reconhecimento, relacionamentos e todo tipo de distração.

A pergunta que precisa nos confrontar é simples: se Jesus está olhando para essas pessoas com compaixão, nós também estamos?

 

COMPAIXÃO PRECISA PRODUZIR MOVIMENTO

A compaixão de Jesus nunca era apenas um sentimento. Quando Ele se compadecia, aproximava-se, tocava, curava, ensinava, alimentava, perdoava e restaurava. Em João 10:11, Ele declara:

“Eu sou o bom pastor. O bom pastor dá a vida pelas ovelhas.”

Esse é o coração da missão. Não se trata simplesmente de sentir pena daqueles que estão longe de Deus, mas de permitir que a compaixão nos mova. Quando realmente passamos a enxergar as pessoas como Jesus enxergava, começamos a orar por elas, servir, contribuir e procurar oportunidades para anunciar Cristo. Alguns serão chamados a ir para outros lugares, outros sustentarão, enviarão e intercederão, mas ninguém que carrega o coração de Cristo deveria permanecer completamente indiferente.

Missões começa muito antes de uma passagem aérea; começa quando nosso coração é tocado pela mesma compaixão que movia Jesus.

 

A SEARA CONTINUA GRANDE

Depois de contemplar as multidões, Jesus volta-se para seus discípulos e declara:

“A seara, na verdade, é grande, mas os trabalhadores são poucos.”

É interessante perceber que o problema não era falta de trabalho. O problema era falta de trabalhadores disponíveis.

A necessidade continua enorme. Há povos que ainda possuem pouco acesso ao Evangelho, regiões carentes de igrejas bíblicas e saudáveis, cidades e bairros onde pessoas vivem sem qualquer testemunho cristão consistente. Além disso, existem campos missionários muito próximos de nós, formados por famílias, jovens, crianças, profissionais e pessoas que convivem diariamente conosco e ainda precisam experimentar a realidade do Evangelho.

Não falta seara. Faltam pessoas dispostas a dizer: “Senhor, eis-me aqui.”

Nem todos receberão o mesmo chamado específico, mas nenhum discípulo deveria viver sem disposição. Às vezes esperamos uma experiência extraordinária para começar a servir, quando Jesus já nos deu uma ordem suficientemente clara para colocarmos nossa vida à disposição de sua missão.

 

ANTES DE MANDAR IR, JESUS MANDA ORAR

Em Mateus 9:38, Jesus diz:

“Rogai, pois, ao Senhor da seara que mande trabalhadores para a sua seara.”

Essa palavra nos mostra que missões não nasce apenas de planejamento, entusiasmo ou estratégia. Missões nasce também da oração.

Precisamos orar pelos povos, pelas nações, pelos missionários, por novas vocações, por portas abertas, por igrejas, por famílias missionárias, por recursos e por proteção. Precisamos pedir que Deus levante homens e mulheres e os envie segundo sua vontade.

Mas existe um detalhe muito interessante: os mesmos discípulos que Jesus manda orar em Mateus 9 são aqueles que, logo depois, Ele envia em Mateus 10. Isso significa que nossas orações podem nos colocar diretamente diante da responsabilidade que estamos apresentando a Deus. Podemos começar dizendo “Senhor, envia trabalhadores” e descobrir que Ele está respondendo: “Quero começar enviando você.”

 

UMA IGREJA MISSIONÁRIA PRECISA OUVIR O ESPÍRITO SANTO

Em Atos 13 encontramos a igreja de Antioquia vivendo uma experiência marcante. Enquanto os irmãos serviam ao Senhor, jejuavam e buscavam a Deus, o Espírito Santo disse:

“Separai-me, agora, Barnabé e Saulo para a obra a que os tenho chamado.”

Essa passagem mostra que a missão da Igreja não deve ser movida apenas por ansiedade ou ativismo. Precisamos de discernimento espiritual.

Há pessoas que Deus chama para servir em sua própria cidade, outras para regiões diferentes, algumas para o ministério pastoral, outras para evangelismo, plantação de igrejas, ensino, projetos transculturais e tantas outras frentes.

O chamado possui diversidade, mas a direção precisa vir do Senhor.

Uma Igreja missionária precisa ser uma Igreja sensível ao Espírito Santo, que ora, jejua, discerne, reconhece vocações e envia pessoas com responsabilidade.

 

ENVIAR NÃO SIGNIFICA ABANDONAR

Atos 13 continua dizendo que, depois de jejuarem e orarem, os irmãos impuseram as mãos sobre Barnabé e Saulo e os enviaram. Isso revela que o envio missionário não era uma decisão individual desconectada da comunidade. Havia participação da Igreja.

Por isso, missionário enviado não deveria significar missionário esquecido. A Igreja que envia precisa continuar orando, acompanhando, encorajando, cuidando, pastoreando e contribuindo. A vida missionária pode envolver desafios profundos, como adaptação cultural, saudade da família, dificuldades financeiras, questões com os filhos, solidão, oposição espiritual e cansaço emocional.

Quando uma Igreja envia alguém para o campo, precisa compreender que está assumindo também uma responsabilidade com essa pessoa e sua família. Quem vai precisa saber que existe uma Igreja atrás dele, segurando a corda através de oração, cuidado e compromisso.

 

MISSÕES TAMBÉM EXIGE GENEROSIDADE

Paulo escreve em Gálatas 6:6:

“Aquele que está sendo instruído na palavra faça participante de todas as coisas boas aquele que o instrui.”

Em 1 Coríntios 9:14, ele também afirma que o Senhor ordenou que aqueles que anunciam o Evangelho vivam do Evangelho.

Esses textos nos lembram de algo extremamente prático: a obra missionária envolve necessidades reais.

Missionários precisam de alimentação, moradia, transporte, educação para os filhos, recursos ministeriais, cuidados médicos, deslocamentos e tantas outras coisas. Não podemos espiritualizar missões a ponto de esquecer que quem está no campo continua sendo uma pessoa real, com responsabilidades reais.

Uma Igreja que ora por missões também precisa aprender a investir em missões. Nossos recursos revelam prioridades. Se dizemos amar a expansão do Evangelho, isso deve aparecer não apenas em nossas palavras, mas também na maneira como administramos aquilo que Deus colocou em nossas mãos.

 

TODOS PODEM PARTICIPAR

Nem todos serão missionários transculturais, e isso precisa ser reconhecido. Entretanto, todos podem participar da missão. Alguns irão para lugares distantes, outros contribuirão financeiramente, muitos sustentarão através da intercessão e todos podem testemunhar de Cristo onde já estão.

O problema começa quando utilizamos a frase “não tenho chamado para missões” como justificativa para viver uma fé fechada em nós mesmos. Talvez você não tenha sido chamado para atravessar um oceano, mas certamente pode atravessar uma rua. Há alguém próximo que precisa ouvir sobre Jesus, e talvez você seja exatamente a pessoa que Deus deseja usar.

Missões começa com disponibilidade. Começa com a pergunta: “Senhor, como posso participar daquilo que o Senhor está fazendo?”

 

UMA IGREJA DE FÉ NÃO VIVE PARA SI MESMA

Uma Igreja pode cair no perigo de concentrar toda sua energia em suas próprias necessidades, sua estrutura, seus programas, seus projetos e seu conforto. Quando isso acontece, começa lentamente a perder a perspectiva da Grande Comissão.

Jesus declarou em Mateus 28:19:

“Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações.”

Ao dizer isso, Ele colocou as nações diante dos olhos da Igreja. Não podemos perder esse horizonte.

Uma Igreja saudável cuida daqueles que estão dentro, mas mantém o olhar direcionado para aqueles que ainda estão fora. Fortalece seus membros, mas os prepara para servir. Desenvolve comunhão, mas não transforma comunhão em isolamento.

A Igreja não existe apenas para reunir pessoas; ela existe também para enviá-las.

 

MISSÕES NÃO É APENAS CONVERTER, MAS FORMAR DISCÍPULOS

Outro aspecto fundamental aparece na própria Grande Comissão. Jesus não disse apenas para conseguirmos decisões. Ele disse: “Fazei discípulos.”

Isso significa que a missão inclui evangelização, mas vai além dela. Precisamos anunciar o Evangelho, batizar, ensinar, acompanhar, formar caráter, estabelecer comunidades de fé e ajudar homens e mulheres a aprenderem a obedecer tudo aquilo que Jesus ordenou.

O alvo missionário não é simplesmente aumentar estatísticas, mas formar pessoas semelhantes a Cristo. Aqui voltamos ao propósito com o qual começamos: Deus está formando uma família de muitos filhos transformados à imagem de Jesus para sua glória.

 

PRECISAMOS RECUPERAR A URGÊNCIA DA MISSÃO

Talvez uma das perguntas mais sérias para a Igreja seja esta: se realmente acreditamos que o Evangelho é poder de Deus para salvação e que Jesus Cristo é o caminho, a verdade e a vida, como essa convicção deveria afetar nossas prioridades?

Precisamos recuperar a urgência sem cair em ativismo, paixão sem abandonar sabedoria, trabalho sem negligenciar oração e envio sem irresponsabilidade. Precisamos anunciar a verdade com amor e depender profundamente do Espírito Santo.

Mas não podemos permanecer parados. A seara continua grande.

 

LEVANTE OS OLHOS

Jesus disse em João 4:35:

“Erguei os olhos e vede os campos, pois já branquejam para a ceifa.”

Talvez esse seja o grande chamado para nós hoje: levantar os olhos.

Precisamos olhar além das nossas próprias necessidades, além das paredes da igreja e além daquilo que ocupa toda a nossa rotina. Existem pessoas, famílias, cidades, povos e nações que precisam conhecer as boas-novas de Jesus Cristo.

Por isso, talvez nossa oração deva ser simples: “Senhor, mostra-me qual é a minha participação na tua missão.” Para alguns, a resposta será começar a orar com mais intencionalidade. Para outros, começar a contribuir. Alguns precisarão evangelizar de maneira mais consciente onde já vivem. Outros talvez sejam chamados a se preparar e ir.

O importante é que estejamos disponíveis.

 

UMA IGREJA DE FÉ É UMA IGREJA MISSIONÁRIA

Uma Igreja de fé não se limita a acreditar que Deus pode salvar; ela anuncia com convicção a mensagem pela qual Ele salva. Não fala apenas sobre as nações, mas intercede por elas. Não admira missionários à distância, mas participa de seu envio e sustento. Não contempla multidões de maneira indiferente, mas permite que a mesma compaixão que movia Jesus também molde sua maneira de enxergar pessoas.

Além disso, uma Igreja de fé não ora apenas para que outros sejam enviados, mas permanece disponível para ser parte da própria resposta à oração. Ela compreende que missões não é uma atividade adicional, mas uma manifestação de obediência ao Senhor da seara.

Que Deus nos livre de uma fé confortável e voltada exclusivamente para nós mesmos. Que nossos olhos sejam abertos para a seara, que nosso coração volte a sentir aquilo que Jesus sentia, que nossos joelhos estejam comprometidos com a intercessão, que nossas mãos aprendam a contribuir e que nossos filhos cresçam ouvindo que existem povos e nações que precisam conhecer Cristo.

Enquanto houver alguém que ainda não ouviu, a missão continua. Enquanto existirem vidas sem Cristo, haverá trabalho a ser realizado. Enquanto houver campos prontos para a colheita, a Igreja precisará continuar olhando, orando, enviando e indo.

A seara continua grande, e o chamado de Jesus continua ecoando de geração em geração:

“Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura.”
Marcos 16:15

Uma Igreja de fé é uma Igreja missionária.

Deus te abençoe!

Pastor Sérgio Luis