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sexta-feira, 17 de julho de 2020

LIMPOS PELA PALAVRA - PARTE I A Palavra que nos purifica para produzir mais frutos



LIMPOS PELA PALAVRA — PARTE 1

A Palavra que nos purifica para produzir mais frutos

 

“Eu sou a videira verdadeira, e meu Pai é o agricultor. Todo ramo que, estando em mim, não der fruto, ele o corta; e todo o que dá fruto limpa, para que produza mais fruto ainda. Vós já estais limpos pela palavra que vos tenho falado.”
João 15:1-3

 

João 15 nos conduz a uma das figuras mais profundas utilizadas por Jesus para explicar nossa vida espiritual. Naquela noite, pouco antes da cruz, o Senhor apresentou-se aos discípulos como a Videira verdadeira, declarou que o Pai é o agricultor e afirmou que seus seguidores são os ramos. A imagem é simples, mas sua mensagem é extremamente profunda: toda a nossa vida espiritual depende da nossa união com Cristo.

Um ramo não possui vida independente. Ele não consegue produzir fruto a partir de si mesmo, não possui recursos próprios para sustentar-se e, uma vez separado da videira, começa inevitavelmente a secar. Jesus utiliza exatamente essa realidade para mostrar que a vida cristã não pode ser reduzida a uma coleção de regras, práticas religiosas ou esforços humanos. O discípulo vive porque está ligado a Cristo e somente pode produzir aquilo que Deus deseja enquanto permanece nessa comunhão.

Entretanto, há outra figura importante no texto. Jesus não fala apenas da Videira e dos ramos; Ele apresenta também o agricultor, o Pai. É o Pai quem cuida da vinha, observa os ramos e trabalha para que haja fruto. Isso significa que nossa vida espiritual não está abandonada ao acaso. Existe um Pai que nos acompanha, cuida de nós e age continuamente para nos conduzir à maturidade.

E é justamente nesse ponto que aparece uma palavra muitas vezes desconfortável: poda.

 

O Pai Limpa Aquilo Que Já Está Produzindo Fruto

Jesus declara que todo ramo que produz fruto é limpo “para que produza mais fruto ainda”. Portanto, a poda não acontece necessariamente porque algo está completamente errado. Algumas vezes, Deus trabalha justamente em pessoas que já estão produzindo fruto porque deseja levá-las a uma frutificação ainda maior.

Esse princípio é importante porque facilmente associamos toda intervenção de Deus a uma punição. Quando algo é removido, confrontado ou tratado em nós, nossa primeira reação pode ser imaginar que o Pai está nos rejeitando. João 15 apresenta outra possibilidade: há processos que não são sinais de abandono, mas manifestações do cuidado do Agricultor.

Quem conhece agricultura sabe que a poda possui propósito. Ramos inadequados consomem energia, impedem o desenvolvimento saudável e comprometem a qualidade da produção. O agricultor conhece aquilo que deve permanecer e aquilo que precisa ser retirado. De maneira semelhante, Deus conhece áreas de nossa vida que talvez ainda estejam ocupando espaços que deveriam ser entregues completamente a Ele.

Às vezes, a poda alcança hábitos; em outras ocasiões, pensamentos, desejos, prioridades, relacionamentos ou atitudes que foram se tornando incompatíveis com a vida que Deus deseja formar em nós. O Pai não trabalha para nos destruir, mas para retirar aquilo que impede que a vida de Cristo se manifeste plenamente através de nós.

 

“Vós Já Estais Limpos Pela Palavra”

É nesse contexto que Jesus diz aos discípulos:

“Vós já estais limpos pela palavra que vos tenho falado.”
João 15:3

Essa declaração merece atenção especial. A palavra grega traduzida por “limpos” é katharós, termo que comunica a ideia de algo limpo, puro, livre daquilo que contamina ou prejudica. Há também uma relação interessante entre o conceito de limpeza do versículo 3 e a poda mencionada no versículo anterior.

Jesus está mostrando que sua Palavra estava realizando nos discípulos uma obra de purificação.

Durante aproximadamente três anos, aqueles homens estiveram ouvindo Jesus. Suas ideias foram confrontadas, suas ambições foram expostas, seus preconceitos foram questionados e sua compreensão sobre Deus foi transformada. A Palavra de Cristo não estava simplesmente fornecendo informações; estava mexendo profundamente com aquilo que eles eram.

Esse continua sendo um dos maiores propósitos das Escrituras em nossa vida.

“A Palavra não foi dada apenas para aumentar nosso conhecimento. Ela foi dada para transformar nosso caráter”

Podemos conhecer muitos textos bíblicos e ainda conservar comportamentos que precisam ser tratados. Podemos frequentar cultos, ouvir mensagens e participar de estudos sem permitir que aquilo que ouvimos alcance áreas profundas do coração. A verdadeira experiência com a Palavra acontece quando permitimos que ela nos confronte, nos corrija e nos transforme.

 

A Palavra Revela O Que Precisa Ser Retirado

Hebreus 4:12 declara que “a palavra de Deus é viva, e eficaz, e mais cortante do que qualquer espada de dois gumes”, sendo capaz de discernir os pensamentos e propósitos do coração. Essa descrição nos ajuda a compreender o que Jesus estava ensinando em João 15.

A Palavra entra onde nossa aparência religiosa não consegue entrar. Ela não examina apenas aquilo que fazemos; alcança também nossas intenções. Ela revela orgulho escondido atrás de espiritualidade, vaidade escondida atrás de ministério, interesse pessoal disfarçado de serviço e motivações que talvez ninguém consiga perceber.

É por isso que precisamos aproximar-nos das Escrituras com humildade.

Não deveríamos abrir a Bíblia somente procurando promessas que confirmem aquilo que desejamos ouvir. Também precisamos estar preparados para encontrar verdades que nos digam: “Isso precisa sair da sua vida.”

E muitas vezes é exatamente aí que a limpeza começa.

 

Não Existe Pureza Verdadeira Fora De Cristo

Jesus não apresenta a santidade como resultado de esforço humano isolado. O ramo somente recebe vida porque está ligado à Videira. Portanto, a Palavra que purifica não pode ser separada de Cristo, porque é sua Palavra e porque toda transformação genuína acontece em comunhão com Ele.

Não existe vida cristã pela metade. Não podemos desejar os benefícios de Cristo sem desejar seu governo. Não podemos dizer que pertencemos a Ele enquanto conscientemente mantemos áreas da vida completamente fechadas à sua autoridade.

Paulo expressou essa realidade em Gálatas 2:20:

“Logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim; e esse viver que, agora, tenho na carne, vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e a si mesmo se entregou por mim.”

Essa é a linguagem da entrega. O Evangelho não chama Jesus para ocupar algum espaço em nossa agenda. Ele nos chama para pertencer completamente a Cristo.

“Integridade espiritual significa que aquilo que professamos com os lábios começa progressivamente a corresponder àquilo que vivemos”

 

A Palavra Nos Santifica

Na oração sacerdotal registrada em João 17, Jesus pediu ao Pai:

“Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade.”
João 17:17

Santificação significa separação para Deus e transformação progressiva de nossa maneira de viver. E Jesus estabelece uma ligação direta entre santificação e verdade.

Isso significa que não amadurecemos espiritualmente inventando nossa própria verdade. Somos transformados quando submetemos nossa mente, nossas escolhas e nosso comportamento àquilo que Deus revelou.

O Salmo 119:9 pergunta: “De que maneira poderá o jovem guardar puro o seu caminho?” A resposta vem imediatamente: “Observando-o segundo a tua palavra.”

Poucos versículos depois, o salmista acrescenta: “Guardo no coração as tuas palavras, para não pecar contra ti.”

A Palavra guardada no coração começa a influenciar decisões, pensamentos, conversas e atitudes. Quanto mais espaço damos à verdade de Deus, menos espaço sobra para aquilo que contradiz seu caráter.

 

Ser Limpo Não Significa Ser Perfeito

Há também algo que precisamos compreender. Quando Jesus diz aos discípulos que estavam limpos pela Palavra, Ele não está afirmando que aqueles homens já haviam alcançado perfeição absoluta. Pedro ainda negaria Jesus. Tomé teria suas dúvidas. Todos eles ainda precisariam crescer enormemente.

Isso significa que estar sendo purificado pela Palavra não é o mesmo que afirmar que não existem mais áreas a serem transformadas.

“A maturidade cristã não consiste em declarar que não temos mais nada para mudar, mas em permanecer disponíveis para que Deus continue mudando aquilo que precisa ser mudado”

Quanto mais caminhamos com Cristo, mais percebemos áreas que precisam de sua graça. Quanto mais a luz aumenta, mais claramente enxergamos aquilo que antes não conseguíamos perceber.

É por isso que o discípulo precisa permanecer ensinável.

 

A Poda Possui Um Propósito: Mais Fruto

Jesus não termina a frase dizendo apenas que o Pai limpa o ramo. Ele explica por quê:

“Para que produza mais fruto ainda.”

A santificação não existe apenas para que possamos dizer que somos pessoas mais religiosas. Deus deseja produzir fruto através de nós.

Esse fruto aparece em nosso caráter, na maneira como tratamos pessoas, nas escolhas que fazemos, na obediência, na generosidade, na fidelidade, na missão e naquilo que o Espírito Santo produz em nossa vida.

O Pai nos limpa porque deseja que a vida da Videira encontre cada vez menos obstáculos para fluir através dos ramos. Isso muda completamente nossa maneira de enxergar determinados processos.

Talvez aquilo que Deus esteja tratando hoje em você não seja uma tentativa de diminuir sua vida, mas de prepará-la para uma frutificação maior.

 

Permita Que A Palavra Continue Trabalhando

Talvez a pergunta mais importante ao terminar esta primeira parte seja simples: o que a Palavra de Deus tem tentado tratar em mim?

Existe alguma atitude que as Escrituras já confrontaram, mas continuo resistindo? Há algum comportamento que tento justificar embora saiba que não corresponde à vontade de Deus? Existe orgulho, mágoa, impureza, mentira, vaidade, desobediência ou falta de perdão sendo exposto pela Palavra?

Não fuja da poda. O Agricultor sabe aquilo que está fazendo.

A Palavra que confronta é a mesma Palavra que restaura. A Palavra que revela é também aquela que nos conduz para mais perto de Cristo.

Por isso, permita que Deus retire o que precisa ser retirado e transforme aquilo que precisa ser transformado.

“Ser limpo pela Palavra não é perder alguma coisa importante; é ser preparado para produzir aquilo que realmente possui valor eterno.”

Entretanto, João 15 não termina na limpeza. Depois de falar sobre a ação do Pai e a purificação produzida pela Palavra, Jesus apresenta o segredo sem o qual nenhum fruto poderá permanecer: “Permanecei em mim.”

É justamente sobre isso que continuaremos na segunda parte.

Acesse: MISSIONÁRIOS SÉRGIO E DÉBORA

Deus te abençoe!

Pr. Sérgio Luis

 


terça-feira, 7 de julho de 2020

A DÚVIDA É ADVERSÁRIA DA FÉ


A Dúvida é Adversária da Fé

“E, prontamente, Jesus, estendendo a mão, tomou-o e lhe disse: Homem de pequena fé, por que duvidaste?” Mateus 14:31

Introdução

“Oh! Por que duvidar, sobre as ondas do mar...”

Assim começa o conhecido hino “Sobre as Ondas do Mar”, da Harpa Cristã. Uma canção antiga, marcante e profundamente espiritual, cantada por muitos cristãos ao longo dos anos. Sua mensagem traduz muito bem uma batalha que todos nós enfrentamos em nossa caminhada com Deus: a luta contra a dúvida.

A dúvida é uma das maiores adversárias da fé.

Ela nem sempre chega fazendo barulho. Às vezes, ela aparece de forma sutil, no meio de uma tempestade, quando os ventos ficam fortes, quando as circunstâncias parecem maiores do que as promessas, quando aquilo que vemos começa a gritar mais alto do que aquilo em que cremos.

Em Mateus 14:22-33, encontramos uma das cenas mais conhecidas dos Evangelhos. Os discípulos estavam no barco, em meio ao mar agitado, quando Jesus aparece caminhando sobre as águas. Eles se assustam, pensando ser um fantasma, mas Jesus lhes diz: “Tende bom ânimo! Sou eu. Não temais!”

Pedro, então, responde: “Se és tu, Senhor, manda-me ir ter contigo, por sobre as águas.”

Jesus diz apenas: “Vem!” E Pedro vai.

Por alguns instantes, aquele discípulo experimenta algo sobrenatural. Ele caminha sobre as águas. Ele vive o impossível. Ele pisa sobre aquilo que, naturalmente, deveria fazê-lo afundar. Enquanto seus olhos estavam em Jesus, seus pés estavam sobre o milagre.

Mas algo acontece no meio do caminho. Pedro começa a reparar na força do vento. Ele tira os olhos de Cristo, é tomado pelo medo e começa a afundar.

Então clama: “Salva-me, Senhor!”

Jesus, prontamente, estende a mão, segura Pedro e lhe diz: “Homem de pequena fé, por que duvidaste?”

Essa pergunta de Jesus continua ecoando em nossos corações: por que duvidaste?


A dúvida nos faz tirar os olhos de Cristo

Pedro não começou afundando. Ele começou andando.

Isso é importante. Antes de submergir, ele obedeceu à voz de Jesus. Antes de ser tomado pelo medo, ele deu um passo de fé. Antes de sentir o peso das águas, ele experimentou o poder do milagre.

A caminhada de Pedro sobre o mar começou com fé. Ele ouviu o chamado de Jesus e respondeu. Saiu do barco. Enfrentou o ambiente instável. Pisou no impossível.

Mas o texto diz:

“Reparando, porém, na força do vento, teve medo; e, começando a submergir, gritou: Salva-me, Senhor!” Mateus 14:30

Pedro começou a reparar na força do vento.

A palavra usada traz a ideia de olhar, perceber, voltar a atenção, fixar a mente em algo. Pedro deixou que sua atenção fosse capturada pela força da tempestade. Ele começou a observar o vento, a sentir o perigo, a considerar a instabilidade das águas.

E, quando seus olhos saíram de Cristo, seu coração foi invadido pelo medo.

É exatamente isso que a dúvida faz. Ela desloca o nosso foco. Ela tira nossos olhos de Jesus e nos faz olhar para a força do vento. Faz-nos prestar mais atenção no tamanho da crise do que no poder de Cristo. Faz-nos olhar mais para a instabilidade do mar do que para a firmeza da voz que nos chamou.

A dúvida muda a direção do olhar.

Enquanto Pedro olhava para Jesus, caminhava sobre as águas. Quando começou a olhar para o vento, começou a afundar.

Quantas vezes acontece o mesmo conosco?

Começamos cheios de fé. Damos passos corajosos. Obedecemos ao chamado de Deus. Entramos em novos ciclos, assumimos responsabilidades, iniciamos projetos, cremos em promessas, enfrentamos desafios. Mas, no meio do caminho, o vento sopra mais forte.

Então começamos a reparar demais na dificuldade.

Reparamos na oposição.
Reparamos na falta de recursos.
Reparamos nas críticas.
Reparamos nas possibilidades de fracasso.
Reparamos nas nossas limitações.
Reparamos no que pode dar errado.

E, sem perceber, deixamos de olhar firmemente para Jesus.

A Palavra nos orienta:

“Olhando firmemente para o Autor e Consumador da fé, Jesus...” Hebreus 12:2

Jesus é o Autor e Consumador da nossa fé. Foi Ele quem iniciou a obra em nós e é Ele quem nos sustenta até o fim. Ele não apenas desperta a fé; Ele a aperfeiçoa. Ele não apenas nos chama para andar; Ele nos capacita a continuar.

Por isso, em qualquer situação, jamais tire os olhos de Jesus.

Se olharmos apenas para as dificuldades, afundaremos. Se olharmos apenas para a tempestade, seremos dominados pelo medo. Se olharmos apenas para o vento, esqueceremos quem nos chamou.

Mas, se mantivermos os olhos em Cristo, continuaremos firmes mesmo quando o mar estiver revolto.


Quando tiramos os olhos de Cristo, o medo tenta nos paralisar

A dúvida abre espaço para o medo.

Pedro começou a afundar porque teve medo. O medo foi consequência direta de uma atenção desviada. Ele não afundou porque o vento era forte. O vento já estava ali antes. Ele não afundou porque o mar era instável. O mar já era instável quando ele saiu do barco.

Pedro começou a afundar quando o medo ocupou o lugar da fé.

O medo é paralisante. Ele impede avanços, interrompe processos, trava decisões e enfraquece a coragem. Quantas pessoas deixam de viver o propósito de Deus porque foram dominadas pelo medo? Quantas deixam de obedecer porque imaginaram tudo o que poderia dar errado? Quantas permanecem presas ao barco porque temem o mar?

O medo muitas vezes não apenas paralisa; ele aterroriza. Ele aumenta o tamanho do problema, diminui nossa percepção de Deus e nos faz esquecer que Jesus está presente.

A fé, por outro lado, nos conduz à confiança, à coragem e à obediência.

Quem crê se move.
Quem confia avança.
Quem olha para Cristo continua.
Quem ouve a voz de Jesus dá passos que a lógica humana não consegue explicar.

O medo está diretamente ligado à dúvida. A fé está diretamente ligada à confiança.

Davi declarou:

“Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte, não temerei mal nenhum, porque tu estás comigo; o teu bordão e o teu cajado me consolam.” Salmos 23:4

Observe: Davi não disse que não passaria pelo vale. Ele disse que não temeria no vale. A diferença está na presença do Senhor. O vale pode existir, mas a presença de Deus muda a forma como caminhamos por ele.

João também escreveu:

“No amor não existe medo; antes, o perfeito amor lança fora o medo. Ora, o medo produz tormento; logo, aquele que teme não é aperfeiçoado no amor.” 1 João 4:18

O perfeito amor lança fora o medo. E Jesus é a maior manifestação do amor de Deus por nós. Quando descansamos nesse amor, o medo perde seu domínio.

Não devemos permitir que o medo governe nossa caminhada. O vento pode soprar. As águas podem se agitar. A noite pode parecer longa. Mas Jesus continua presente.

E, se Ele disse “vem”, podemos confiar.


A dúvida nos coloca em situações de perigo

A dúvida levou Pedro ao medo. O medo levou Pedro a afundar.

Esse é o caminho perigoso da incredulidade: primeiro ela tira nosso olhar de Cristo; depois enfraquece nossa confiança; em seguida, abre espaço para o medo; por fim, começamos a submergir.

Quando duvidamos, corremos o risco de naufragar na fé.

Pedro estava vivendo um milagre, mas quase foi engolido pelo mesmo mar sobre o qual caminhava. Aquilo que estava debaixo dos seus pés começou a subir sobre ele quando sua fé foi abalada.

Isso nos ensina algo muito sério: não devemos brincar com a dúvida. Não devemos alimentá-la. Não devemos permitir que ela encontre morada em nosso coração.

A dúvida pode parecer pequena no começo, mas, quando não é confrontada, cresce e se torna perigosa.

Ela nos faz recuar quando deveríamos avançar.
Ela nos faz calar quando deveríamos declarar a Palavra.
Ela nos faz fugir quando deveríamos permanecer.
Ela nos faz desistir quando deveríamos perseverar.

Mas há algo maravilhoso nessa passagem: mesmo quando Pedro começou a afundar, Jesus estava perto.

Pedro clamou: “Salva-me, Senhor!”

E o texto diz que Jesus, prontamente, estendeu a mão.

Jesus não demorou. Não ficou indiferente. Não esperou Pedro afundar completamente. Ele estendeu a mão e o segurou.

Isso revela a graça do nosso Senhor. Mesmo quando nossa fé vacila, Ele permanece fiel. Mesmo quando duvidamos, Ele continua perto. Mesmo quando começamos a afundar, sua mão continua estendida.

Mas não precisamos esperar afundar para clamar. Podemos aprender a manter os olhos em Cristo desde o início.

Não alimente a dúvida. Alimente a fé.

A fé nos fortalece para continuar. A fé nos faz prosseguir quando tudo parece contrário. A fé nos conduz a lugares onde a lógica humana não conseguiria nos levar. A fé nos permite experimentar o sobrenatural de Deus.

A dúvida nos puxa para baixo. A fé nos mantém olhando para o alto.


Coloque sua fé em Jesus

O salmista declarou:

“Entrega o teu caminho ao SENHOR, confia nele, e o mais ele fará.” Salmos 37:5

Colocar a fé em Jesus é entregar o caminho. É confiar quando não temos controle. É descansar quando não vemos todas as respostas. É obedecer quando o cenário parece improvável.

Fé não é ausência de vento. Fé é continuar olhando para Cristo mesmo quando o vento sopra.

Fé não é ausência de mar revolto. Fé é ouvir a voz de Jesus acima do barulho das águas.

Fé não é autoconfiança. Fé é dependência.

Pedro não caminhou sobre as águas porque era forte. Ele caminhou porque Jesus o chamou. O poder não estava nos pés de Pedro, mas na palavra de Cristo. O milagre não estava na coragem humana, mas na autoridade daquele que disse: “Vem.”

Da mesma forma, não vencemos pela nossa própria capacidade. Vencemos porque Cristo nos sustenta. Prosseguimos porque Ele nos chama. Permanecemos porque sua mão nos segura.

Entregar o caminho ao Senhor é se abandonar em seus braços, confiando que nele encontramos tudo o que precisamos. É confiar que Ele cuida, sustenta, guia, protege e levanta quando necessário.

Se o mar está revolto, olhe para Jesus.

Se o vento está forte, olhe para Jesus.

Se a dúvida está tentando entrar, olhe para Jesus.

Se o medo está tentando dominar, olhe para Jesus.

Ele é suficiente para sustentar você.


Caminhe com os olhos em Cristo

A história de Pedro nos ensina que a fé precisa de foco. Não basta começar bem; é preciso continuar olhando para Jesus.

Muitos começam caminhando sobre as águas, mas afundam quando passam a olhar mais para o vento do que para Cristo. Começam pela fé, mas são interrompidos pela dúvida. Começam pela obediência, mas são paralisados pelo medo.

Por isso, a pergunta de Jesus continua sendo tão atual:

“Por que duvidaste?”

Por que duvidar se Jesus está presente?
Por que duvidar se foi Ele quem chamou?
Por que duvidar se sua mão continua estendida?
Por que duvidar se o vento obedece à sua voz?
Por que duvidar se Ele é o Autor e Consumador da nossa fé?

Vá até Jesus, caminhando sobre as águas, com os olhos firmes nele. Não permita que a dúvida roube sua confiança. Não permita que o medo afunde sua fé. Não permita que a força do vento seja maior, no seu coração, do que a voz de Cristo.

Jesus está sempre com os braços estendidos para socorrer aqueles que clamam por Ele.

Quando o mar estiver revolto, Ele estará presente.
Quando o vento estiver forte, Ele continuará sendo Senhor.
Quando a fé parecer pequena, Ele continuará sendo grande.
Quando você clamar, Ele estenderá a mão.

Por isso, não duvide. Confie!

O mesmo Jesus que chamou Pedro para caminhar sobre as águas é poderoso para sustentar você em cada passo da sua jornada.

Deus te abençoe!

Pastor Sérgio Luis
@sergioluis75