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quarta-feira, 21 de fevereiro de 2024

A SUFICIÊNCIA DA PALAVRA DE DEUS - A Igreja precisa voltar a confiar plenamente nas Escrituras



A SUFICIÊNCIA DA PALAVRA DE DEUS

A Igreja precisa voltar a confiar plenamente nas Escrituras

 

“Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra.”
2 Timóteo 3:16-17

 

Vivemos em uma época de excesso de informação. Todos os dias somos alcançados por opiniões, pesquisas, tendências, métodos, filosofias, discursos e novas maneiras de interpretar a vida. Isso não significa que todo conhecimento humano seja inútil. Há saberes importantes em muitas áreas da existência. Entretanto, quando falamos sobre salvação, fé, caráter, verdade, vida com Deus e formação espiritual da Igreja, precisamos recuperar uma convicção que sempre esteve no centro da fé cristã: a Palavra de Deus é suficiente para cumprir o propósito para o qual Deus a revelou.

Paulo não diz a Timóteo que a Escritura é apenas interessante, inspiradora ou útil em alguns momentos. Ele afirma que “toda a Escritura é inspirada por Deus” e, exatamente por causa de sua origem divina, é capaz de ensinar, repreender, corrigir e instruir em justiça, conduzindo o homem de Deus à maturidade e preparando-o para toda boa obra.

Portanto, a questão não é simplesmente se temos uma Bíblia em casa. A pergunta é muito mais profunda: acreditamos verdadeiramente que aquilo que Deus revelou em sua Palavra possui autoridade suficiente para governar nossa fé e nossa maneira de viver?

 

UMA PALAVRA QUE PROCEDE DO PRÓPRIO DEUS

A palavra grega traduzida como “inspirada por Deus” em 2 Timóteo 3:16 é theópneustos. Ela reúne a ideia de Deus e sopro, transmitindo literalmente o sentido de “soprada por Deus” ou “procedente do sopro de Deus”.

Isso significa que a origem das Escrituras não está simplesmente na inteligência, criatividade ou percepção religiosa dos seus escritores. A Escritura procede de Deus.

Ao mesmo tempo, Deus utilizou autores humanos reais, com diferentes personalidades, contextos históricos, vocabulários e estilos de escrita. Pedro, Paulo, João, Lucas, Moisés, Davi e os profetas não escreveram todos da mesma maneira. Ainda assim, através deles, Deus comunicou aquilo que desejava revelar.

Por isso, nossa confiança na Bíblia não começa na capacidade humana dos escritores. Começa naquele que falou através deles.

Se Deus é verdadeiro, sua Palavra merece nossa confiança. Se Deus é santo, sua Palavra possui autoridade. Se Deus conhece completamente o homem, sua Palavra pode revelar aquilo que realmente precisamos saber sobre nossa condição e sobre sua vontade para nós.

 

O QUE SIGNIFICA DIZER QUE A BÍBLIA É SUFICIENTE?

É importante esclarecer algo. Dizer que as Escrituras são suficientes não significa afirmar que a Bíblia foi escrita para funcionar como um manual técnico de medicina, engenharia, química, astronomia ou todas as demais áreas do conhecimento humano.

"A suficiência bíblica significa que Deus nos concedeu nas Escrituras aquilo de que necessitamos para conhecermos o caminho da salvação, compreendermos a verdade revelada, crescermos na fé, desenvolvermos uma vida piedosa e sermos preparados para cumprir sua vontade."

É exatamente isso que Paulo afirma: “...a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra.”

Há uma finalidade na revelação. A Palavra nos forma. A Palavra nos orienta. A Palavra nos confronta. A Palavra nos corrige. A Palavra nos prepara.

Por isso, precisamos tomar cuidado para não procurar substituir a autoridade da Escritura por tendências, ideologias, tradições, experiências pessoais ou opiniões humanas.

Tudo pode ser examinado pela Palavra; a Palavra não precisa ser corrigida por nossas preferências.

 

A PALAVRA ENSINA

Paulo começa dizendo que a Escritura é útil “para o ensino”.

Vivemos em uma geração que possui acesso a uma quantidade extraordinária de informações, mas informação não é necessariamente verdade. Podemos saber muitas coisas e continuar espiritualmente confusos. Por isso, precisamos de um referencial.

Jesus orou ao Pai dizendo:

“Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade.”
João 17:17

A Igreja não foi chamada para descobrir sua própria verdade. Foi chamada para conhecer, guardar e anunciar a verdade de Deus.

É justamente aqui que a atuação do Espírito Santo se torna fundamental. Ele ilumina nosso entendimento, conduz-nos na verdade e aplica a Palavra ao coração.

Quando João afirma que a unção ensina os cristãos (1 João 2:27), ele não está abolindo o ministério de mestres — o próprio Novo Testamento reconhece esse dom. Ele está ensinando que o povo de Deus não depende de falsos mestres para conhecer a verdade, porque possui o Espírito Santo habitando nele e conduzindo-o em fidelidade a Cristo.

Precisamos da Palavra e precisamos da iluminação do Espírito. O Espírito Santo nunca contradiz a Palavra que Ele mesmo inspirou.

 

A PALAVRA REPREENDE

A segunda função mencionada por Paulo talvez seja menos popular: repreender.

Queremos uma Bíblia que console, mas nem sempre queremos uma Bíblia que confronte. Gostamos das promessas, mas algumas vezes resistimos aos mandamentos. Gostamos quando a Palavra confirma aquilo que estamos fazendo. O problema aparece quando ela diz: “Isso precisa mudar.” Mas uma Palavra incapaz de confrontar também seria incapaz de transformar.

O Salmo 119 declara:

“Guardo no coração as tuas palavras, para não pecar contra ti.”
Salmos 119:11

A Palavra revela o pecado e ao mesmo tempo nos ensina a combatê-lo. Por isso, Paulo disse a Timóteo:

“Prega a palavra, insta, quer seja oportuno, quer não, corrige, repreende, exorta com toda a longanimidade e doutrina.”
2 Timóteo 4:2

O pregador não recebeu autoridade para escolher apenas os textos agradáveis. Ele recebeu uma ordem: “Prega a Palavra.”

 

A PALAVRA CORRIGE

Existe uma diferença entre revelar que algo está errado e mostrar o caminho correto. A Escritura faz as duas coisas. Ela repreende, mas também corrige.

Deus não nos confronta simplesmente para produzir culpa. Ele nos confronta para conduzir-nos ao arrependimento e à restauração.

Hebreus descreve a Palavra assim:

“Porque a palavra de Deus é viva, e eficaz, e mais cortante do que qualquer espada de dois gumes [...] e é apta para discernir os pensamentos e propósitos do coração.”
Hebreus 4:12

Aqui encontramos algo extraordinário. A Palavra não examina somente nossos comportamentos. Ela alcança nossas motivações.

Podemos realizar uma ação aparentemente correta por uma motivação errada. Podemos servir buscando reconhecimento. Podemos ofertar desejando aplausos. Podemos falar a verdade sem amor. Podemos exercer ministério alimentados pela vaidade.

Os homens enxergam a ação. Deus enxerga o coração.

E sua Palavra é capaz de penetrar em lugares que nenhuma aparência religiosa consegue esconder.

 

A PALAVRA NOS EDUCA NA JUSTIÇA

Paulo também diz que a Escritura é útil para “a educação na justiça”.

A Palavra não foi dada apenas para ser estudada intelectualmente. Foi dada para ser vivida. Essa diferença é fundamental.

Podemos possuir grande conhecimento bíblico e pouco caráter de Cristo. Podemos memorizar versículos sem praticá-los. Podemos conhecer doutrinas e continuar orgulhosos, intolerantes, desonestos, amargurados ou impiedosos.

O objetivo da Palavra não é simplesmente aumentar nosso conhecimento sobre Deus; é transformar nossa maneira de viver diante de Deus.

Paulo escreveu:

“Habite, ricamente, em vós a palavra de Cristo; instruí-vos e aconselhai-vos mutuamente em toda a sabedoria...”
Colossenses 3:16

Observe a expressão: “Habite ricamente.” Não visite. Não apareça ocasionalmente. Habite. A Palavra precisa encontrar residência dentro de nós.

 

A PALAVRA NOS AJUDA A VENCER O PECADO

O salmista declarou:

“Guardo no coração as tuas palavras, para não pecar contra ti.”
Salmos 119:11

Existe uma relação entre aquilo que armazenamos dentro de nós e a maneira como enfrentamos a tentação. Jesus demonstrou isso de maneira extraordinária no deserto. Quando Satanás o tentou, Jesus respondeu repetidamente: “Está escrito.”

Não respondeu utilizando argumentos humanos. Não entrou em negociação. Não relativizou a verdade. A Palavra estava nele.

E talvez uma das razões pelas quais muitos cristãos encontram tanta dificuldade para resistir às mentiras seja simples: estão tentando enfrentar batalhas espirituais com a mente vazia das Escrituras.

Não basta possuir uma Bíblia. Precisamos permitir que a Bíblia nos possua.

 

A PALAVRA É ALIMENTO

Quando foi tentado, Jesus declarou:

“Não só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus.”
Mateus 4:4

Existe uma fome que comida nenhuma consegue satisfazer. Nosso corpo precisa de alimento. Nossa alma também.

Pedro escreveu:

“Desejai ardentemente, como crianças recém-nascidas, o genuíno leite espiritual, para que, por ele, vos seja dado crescimento para salvação.”
1 Pedro 2:2

Observe novamente: crescimento. Ninguém amadurece espiritualmente apenas participando de reuniões. Precisamos alimentar-nos da Palavra. Leitura. Meditação. Estudo. Obediência. Aplicação.

Não podemos esperar maturidade espiritual vivendo de refeições bíblicas ocasionais.

 

A PALAVRA PRECISA SER RECEBIDA COM MANSIDÃO

Tiago declara:

“Recebei com mansidão a palavra em vós implantada, a qual é poderosa para salvar a vossa alma.”
Tiago 1:21

Essa expressão é muito importante: “Com mansidão.”

É possível abrir a Bíblia sem disposição para aprender. Podemos ler simplesmente procurando argumentos para defender aquilo que já decidimos acreditar. Mas a verdadeira atitude do discípulo é diferente. Ele abre a Palavra dizendo: “Senhor, fala comigo. Corrige minhas ideias. Confronta minhas atitudes. Mostra-me aquilo que precisa mudar.”

Não lemos a Bíblia para colocá-la sob julgamento. Nós nos colocamos debaixo do julgamento da Palavra.

 

A PALAVRA EDIFICA A IGREJA

Paulo despediu-se dos presbíteros de Éfeso dizendo:

“Agora, pois, encomendo-vos ao Senhor e à palavra da sua graça, que tem poder para vos edificar...”
Atos 20:32

Essa declaração merece ser recuperada. A Palavra possui poder para edificar.

É claro que podemos utilizar métodos, planejamento, tecnologia, comunicação e organização. Essas coisas podem servir à missão. O problema surge quando começamos a acreditar que elas são o fundamento da Igreja. Não são.

Em Atos 2:47 encontramos:

“Enquanto isso, acrescentava-lhes o Senhor, dia a dia, os que iam sendo salvos.”

Quem acrescentava? O Senhor.

Jesus também declarou:

“Edificarei a minha igreja.”
Mateus 16:18

Quem edifica? Cristo.

Métodos podem ajudar a organizar. Estratégias podem ajudar a comunicar. Tecnologia pode ampliar o alcance. Mas somente Deus pode produzir vida espiritual.

Uma Igreja verdadeiramente saudável nunca poderá substituir dependência de Deus por técnicas humanas.

 

O PODER ESTÁ NO EVANGELHO

Paulo declarou:

“Pois não me envergonho do evangelho, porque é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê.”
Romanos 1:16

Paulo não disse que o Evangelho precisa receber poder de alguma estratégia. O Evangelho é poder de Deus. Essa convicção precisa retornar aos nossos púlpitos.

Não significa que devemos pregar de forma descuidada, despreparada ou incompreensível. Precisamos estudar, comunicar bem, conhecer nosso público e buscar excelência. Mas devemos nos lembrar constantemente: a excelência do mensageiro nunca poderá substituir o poder da mensagem.

 

A IGREJA PRIMITIVA TRANSFORMOU SUA GERAÇÃO PELA FORÇA DA VERDADE

Em Atos 17:6 encontramos uma acusação impressionante contra os cristãos:

“Estes que têm transtornado o mundo chegaram também aqui.”

Eles não possuíam os recursos tecnológicos que possuímos hoje. Não tinham internet. Não tinham redes sociais. Não tinham sistemas de transmissão. Não tinham grandes estruturas. Mas possuíam algo que jamais pode faltar à Igreja: convicção sobre a mensagem que anunciavam e o poder do Espírito Santo para testemunhá-la.

Não precisamos escolher entre fidelidade bíblica e boa comunicação. Podemos utilizar ferramentas modernas. Mas as ferramentas precisam permanecer ferramentas. Elas jamais podem ocupar o lugar da oração, do Espírito Santo e da Palavra.

 

CHEGARÁ O TEMPO EM QUE A VERDADE NÃO SERÁ POPULAR

Paulo advertiu Timóteo:

“Pois haverá tempo em que não suportarão a sã doutrina; pelo contrário, cercar-se-ão de mestres segundo as suas próprias cobiças, como que sentindo coceira nos ouvidos; e se recusarão a dar ouvidos à verdade, entregando-se às fábulas.”
2 Timóteo 4:3-4

Talvez uma das partes mais impressionantes dessa profecia seja esta: As pessoas ainda desejariam mestres.

Ainda haveria interesse religioso. Ainda existiriam mensagens. Mas o critério mudaria. Em vez de perguntarem: “Isso é verdade?” Perguntariam: “Isso me agrada?”

Esse é um perigo para todas as gerações. Quando os desejos da audiência começam a determinar o conteúdo do púlpito, a Palavra deixa de governar.

É por isso que Paulo ordena: “Prega a Palavra.” Não aquilo que produz mais aplausos. Não somente aquilo que gera engajamento. Não apenas aquilo que confirma as pessoas em suas decisões. A Palavra inteira. Com amor. Com paciência. Com graça. Mas sem adulteração.

 

A PALAVRA DE DEUS É PERFEITA

O Salmo 19 apresenta uma das descrições mais belas das Escrituras:

“A lei do SENHOR é perfeita e restaura a alma; o testemunho do SENHOR é fiel e dá sabedoria aos símplices. Os preceitos do SENHOR são retos e alegram o coração; o mandamento do SENHOR é puro e ilumina os olhos.”
Salmos 19:7-8

Observe os resultados: Restaura a alma. Produz sabedoria. Alegra o coração. Ilumina os olhos.

Não estamos diante de um livro comum. Estamos diante da Palavra que revela o caráter, os caminhos e os propósitos daquele que nos criou.

 

PRECISAMOS VOLTAR À CONFIANÇA NA PALAVRA

Talvez a grande crise de nossa geração não seja simplesmente falta de acesso à Bíblia.

Nunca tivemos tanto acesso. Temos Bíblias impressas, aplicativos, áudios, comentários, cursos, vídeos e ferramentas de estudo.

Talvez nossa maior crise seja outra: possuímos muito acesso à Palavra, mas pouca submissão à Palavra.

Conhecemos versículos. Mas obedecemos? Compartilhamos frases bíblicas. Mas elas governam nossas decisões? Defendemos a autoridade das Escrituras. Mas permitimos que elas confrontem nossas preferências?

Existe uma diferença entre acreditar que a Bíblia é verdadeira e viver como se ela realmente fosse verdadeira.

 

A PALAVRA NOS PREPARA PARA TODA BOA OBRA

Voltamos, então, ao texto que iniciou nossa reflexão:

“Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra.”
2 Timóteo 3:16-17

Aqui está o objetivo. Deus não deseja apenas pessoas que saibam versículos. Deseja homens e mulheres formados pela verdade. Pessoas preparadas para amar, servir, perdoar, evangelizar, liderar, criar seus filhos, conduzir suas famílias, exercer seus ministérios, trabalhar com integridade, resistir ao pecado, discernir o erro e permanecer fiéis quando a cultura muda.

A Palavra nos prepara para a vida.

E enquanto muitas vozes continuarão tentando disputar nosso coração, precisamos fazer uma escolha: Qual voz terá a palavra final?

Nossa cultura? Nossas emoções? Nossas experiências? Nossas tradições? Nossos sistemas? Nossa própria opinião? Ou Deus?

Que possamos responder como o salmista:

“Lâmpada para os meus pés é a tua palavra e luz para os meus caminhos.”
Salmos 119:105

Que a Igreja volte à Palavra. Que os púlpitos voltem à Palavra. Que nossas famílias voltem à Palavra. Que nossos ministérios voltem à Palavra. E que cada um de nós volte a dizer: “Senhor, não quero apenas ler tua Palavra. Quero ser ensinado por ela, confrontado por ela, corrigido por ela e transformado por ela.”

Porque a Palavra de Deus não precisa ser fortalecida pelas nossas ideias. Somos nós que precisamos ser fortalecidos por ela.

Ela continua viva, eficaz, verdadeira. Continua suficiente para cumprir aquilo para o qual Deus a revelou. E continuará sendo, de geração em geração, a Palavra que ensina, confronta, corrige, transforma e prepara o povo de Deus para toda boa obra.

Desfrutemos de tudo aquilo que Deus nos concedeu através de sua Palavra.

Deus te abençoe!

Pr. Sérgio Luis



quinta-feira, 8 de fevereiro de 2024

COMO OBTER RESPOSTAS ÀS NOSSAS ORAÇÕES - Princípios bíblicos para uma vida de oração marcada por confiança, fé, obediência e comunhão com Deus

                                        


COMO OBTER RESPOSTAS ÀS NOSSAS ORAÇÕES

Princípios bíblicos para uma vida de oração marcada por confiança, fé, obediência e comunhão com Deus

 

“Amados, se o coração não nos acusar, temos confiança diante de Deus; e aquilo que pedimos dele recebemos, porque guardamos os seus mandamentos e fazemos diante dele o que lhe é agradável.”
1 João 3:21-22


Poucas experiências da vida cristã são tão importantes quanto a oração. É através dela que nos aproximamos de Deus, apresentamos nossas necessidades, intercedemos por outras pessoas, confessamos pecados, agradecemos, adoramos e aprendemos a colocar diante do Pai aquilo que ocupa nosso coração. Entretanto, existe uma pergunta que inevitavelmente aparece em algum momento da caminhada: por que algumas orações parecem ser respondidas e outras não? Existe alguma maneira bíblica de nos posicionarmos para experimentar uma vida de oração mais eficaz?

1 João 3:21-22 nos ajuda profundamente nessa reflexão. João não apresenta uma fórmula para obrigar Deus a fazer aquilo que desejamos, nem ensina que podemos adquirir respostas através de algum desempenho religioso. O apóstolo descreve uma vida de comunhão com Deus na qual consciência, confiança, obediência e oração estão profundamente ligadas. O contexto mostra que ele está falando a pessoas que desejam viver diante de Deus em verdade, amar seus irmãos e permanecer em Cristo.

Isso é importante porque oração não pode ser reduzida a uma técnica para obter coisas. Orar é relacionar-se com Deus. Quanto mais esse relacionamento amadurece, mais nossos pedidos, desejos e prioridades também começam a ser transformados. Não buscamos simplesmente uma maneira de fazer Deus concordar conosco; aprendemos a conhecer seu coração e a alinhar nossa vontade à dele.

Talvez esse seja um dos maiores segredos de uma vida de oração eficaz: não apenas conseguir respostas de Deus, mas permitir que, através da oração, Deus transforme aquele que está pedindo.


Uma consciência limpa nos permite aproximar-nos de Deus com liberdade


João começa dizendo: “Amados, se o coração não nos acusar, temos confiança diante de Deus.” Essa afirmação toca diretamente na questão da consciência. Existem momentos em que sabemos que alguma coisa precisa ser tratada em nossa vida. O Espírito Santo confronta, a Palavra nos mostra uma atitude errada e nossa consciência começa a testemunhar que não estamos caminhando corretamente.

Quando escolhemos ignorar essa situação, nossa vida de oração pode ser profundamente afetada. Não porque Deus tenha deixado de ser misericordioso, mas porque começamos a evitar exatamente aquele lugar onde sabemos que seremos confrontados.

Foi depois do pecado que Adão e Eva se esconderam da presença de Deus. O problema não era que Deus tivesse parado de procurá-los; eram eles que já não conseguiam permanecer diante dele com a mesma liberdade. O pecado frequentemente produz esse movimento: em vez de nos aproximarmos daquele que pode nos restaurar, sentimos vontade de nos esconder.

O Evangelho, entretanto, oferece outro caminho. 1 João 1:9 declara:

“Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça.”

Uma consciência limpa não significa possuir uma vida absolutamente perfeita, como se nunca mais cometêssemos qualquer erro. Significa viver diante de Deus de maneira sincera, sem manter conscientemente pecados escondidos e protegidos da sua autoridade. Quando o Senhor nos confronta, respondemos com arrependimento. Quando caímos, confessamos. Quando percebemos que uma atitude precisa mudar, não construímos justificativas para continuar nela.

Paulo demonstra o valor dessa consciência quando afirma em Atos 24:16 que se esforçava para possuir “sempre consciência pura diante de Deus e dos homens”. Isso não quer dizer que Paulo afirmasse não possuir fraquezas. Significa que ele desejava viver de maneira íntegra diante do Senhor.

Nossa confiança para entrar na presença de Deus, naturalmente, não está fundamentada em nossa perfeição moral. A base do nosso acesso continua sendo Jesus Cristo.

Hebreus 10:22 nos ensina que podemos aproximar-nos com confiança do trono da graça porque temos um grande Sumo Sacerdote. Entretanto, exatamente porque fomos recebidos pela graça, somos chamados a viver na luz.

Há uma diferença entre alguém que luta contra o pecado e alguém que decidiu fazer acordo com ele. O primeiro pode correr para Deus em busca de socorro; o segundo começa a evitar a luz porque não deseja abandonar aquilo que sabe estar errado.

Por isso, uma das primeiras perguntas que podemos fazer quando nossa vida de oração parece enfraquecida é: existe alguma coisa que Deus já me mostrou e que continuo recusando-me a tratar?

 

Podemos nos aproximar do Pai com confiança


João continua dizendo que, quando o coração não nos condena, “temos confiança diante de Deus”. A palavra confiança é extremamente importante.

Muitas pessoas oram, mas oram como se estivessem diante de um Deus relutante, distante e pouco interessado em ouvi-las. Apresentam seus pedidos imaginando que precisam convencer o Senhor a prestar atenção. Jesus, porém, apresenta uma realidade muito diferente.

Em Mateus 7:7-11, Ele ensina:

“Pedi, e dar-se-vos-á; buscai e achareis; batei, e abrir-se-vos-á.” (V.7)

Depois, Jesus utiliza a figura de um pai humano no versículo 11.

“Ora, se vós, que sois maus, sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos, quanto mais vosso Pai, que está nos céus, dará boas coisas aos que lhe pedirem?”

Essa é uma mudança profunda de perspectiva. Não oramos diante de uma força impessoal; oramos diante do Pai.

Isso não significa que o Pai concederá automaticamente tudo aquilo que pedirmos. Um pai amoroso não demonstra amor apenas dizendo “sim”. Algumas vezes, justamente por amar, ele diz “não”, “ainda não” ou conduz o filho para algo diferente daquilo que inicialmente desejava.

“A confiança cristã não consiste em acreditar que Deus sempre fará exatamente aquilo que pedimos. Consiste em saber que Ele sempre continuará sendo bom, sábio e fiel, independentemente da maneira como responder.”

Isaías 12:2 declara:

“Eis que Deus é a minha salvação; confiarei e não temerei.”

O salmista também afirma no Salmo 56 que confiava em Deus e, por isso, não viveria dominado pelo medo.


“A oração amadurece quando deixamos de confiar apenas na resposta que esperamos e começamos a confiar no próprio Deus.”


Há uma grande diferença entre dizer: “Tenho fé porque sei que tudo acontecerá exatamente como quero” e dizer: “Tenho fé porque sei em quem estou confiando.”

Essa segunda fé consegue permanecer mesmo quando a resposta demora.

 

Pedir com fé não significa tentar obrigar Deus

Jesus nos incentiva repetidamente a pedir. Ele não trata a oração de petição como algo inferior ou inadequado. Podemos colocar necessidades diante do Pai.

Em João 14:13, Jesus diz:

“E tudo quanto pedirdes em meu nome, isso farei, a fim de que o Pai seja glorificado no Filho.”

Em João 16:23, novamente fala sobre pedir ao Pai em seu nome. Entretanto, “pedir em nome de Jesus” é muito mais profundo do que simplesmente terminar uma oração dizendo: “Em nome de Jesus, amém”.

Orar em nome de Jesus significa aproximar-nos de Deus com base em quem Cristo é, no que Ele realizou e em harmonia com seus propósitos. O próprio versículo de João 14 apresenta a finalidade: “para que o Pai seja glorificado no Filho.”

Isso muda nossa compreensão de fé. Fé não é uma força mental por meio da qual fazemos algo acontecer. Não é tentar produzir certeza emocional suficiente para obrigar Deus a responder de determinada maneira. Fé é confiança em Deus.

Tiago 1:6 nos ensina a pedir com fé, sem duvidar. Mas o mesmo Tiago também faz uma advertência extremamente necessária:

“Pedis e não recebeis, porque pedis mal, para esbanjardes em vossos prazeres.”
Tiago 4:3

Portanto, nem todo pedido é automaticamente aprovado apenas porque foi apresentado em oração.

Nossos motivos também importam. Podemos pedir algo espiritualmente legítimo por uma motivação profundamente egoísta. Podemos pedir sucesso para sermos admirados, recursos para alimentar vaidade ou determinada posição para provar nosso valor aos outros.

A oração também expõe nosso coração. Por isso, 1 João acrescenta posteriormente outro princípio fundamental:

“E esta é a confiança que temos para com ele: que, se pedirmos alguma coisa segundo a sua vontade, ele nos ouve.”
1 João 5:14

Aqui encontramos um dos grandes equilíbrios da oração cristã. Devemos pedir com fé e, ao mesmo tempo, desejar que a vontade de Deus prevaleça sobre a nossa.

O próprio Jesus demonstrou isso no Getsêmani. Ele apresentou sinceramente ao Pai aquilo que estava sentindo, mas concluiu: “não seja como eu quero, e sim como tu queres.”

Isso não é falta de fé, mas sim, uma das mais profundas expressões de fé.

 

A Palavra começa a moldar aquilo que pedimos

Quanto mais caminhamos com Deus, mais nossa vida de oração deveria ser influenciada pelas Escrituras. Jesus apresenta esse princípio em João 15:7:

“Se permanecerdes em mim, e as minhas palavras permanecerem em vós, pedireis o que quiserdes, e vos será feito.”

À primeira vista, alguém poderia interpretar esse versículo simplesmente como uma autorização irrestrita para pedir qualquer coisa. Entretanto, observe a condição que o antecede: “Se permanecerdes em mim, e as minhas palavras permanecerem em vós.”

Quando as palavras de Jesus permanecem em nós, elas começam a transformar aquilo que queremos. Nossos desejos são reordenados. Nossas prioridades mudam. Começamos a desejar aquilo que agrada ao Pai.

É por isso que Salmo 37:4 diz:

“Agrada-te do SENHOR, e ele satisfará os desejos do teu coração.”

O texto não ensina simplesmente que Deus realizará qualquer desejo de alguém que cumprir uma determinada condição religiosa. Existe algo mais profundo acontecendo. Quando nosso deleite está no Senhor, o próprio coração começa a ser moldado pelo relacionamento com Ele.

Alguns desejos são confirmados. Outros são transformados. Alguns desaparecem. E outros, que jamais possuiríamos longe de Deus, começam a nascer dentro de nós.


“Uma vida de oração madura não é apenas aquela na qual recebemos muitas coisas que pedimos. É aquela em que aprendemos a desejar aquilo que Deus também deseja.”

 

Obediência e oração caminham juntas

João declara que recebemos aquilo que pedimos “porque guardamos os seus mandamentos e fazemos diante dele o que lhe é agradável” (I João 3:22).

Essa afirmação pode ser mal interpretada se imaginarmos que João está ensinando uma espécie de troca com Deus: nós obedecemos e, em pagamento, Ele concede nossos pedidos.

Esse não é o Evangelho. Não compramos respostas com bom comportamento. A obediência é fruto de relacionamento.

O próprio João explica no versículo seguinte qual é o mandamento central:

“Ora, o seu mandamento é este: que creiamos em o nome de seu Filho, Jesus Cristo, e nos amemos uns aos outros, segundo o mandamento que nos ordenou.”
1 João 3:23

Perceba como tudo permanece centrado em Cristo. Crer em Jesus. Amar uns aos outros. Permanecer em Deus. Viver pelo Espírito. Esse é o contexto da oração respondida.

Existe uma coerência espiritual nessa vida. Não faz sentido pedir a vontade de Deus enquanto conscientemente vivemos em rebelião contra aquilo que Ele já revelou.

Podemos pedir restauração de relacionamentos enquanto nos recusamos a perdoar.

Podemos pedir direção enquanto ignoramos aquilo que a Palavra já deixou claro.

Podemos pedir bênção financeira e continuar administrando recursos de maneira irresponsável.

Podemos pedir avivamento sem desejar arrependimento.


“A oração não substitui a obediência. Na verdade, muitas vezes a oração verdadeira nos conduz exatamente para aquilo que precisamos obedecer.”

 

Agradar a Deus deve tornar-se uma prioridade maior do que simplesmente receber dele

1 João 3:22 termina dizendo que fazemos “diante dele o que lhe é agradável”. Essa expressão desloca novamente o centro da oração.

A pergunta deixa de ser somente: “Como posso conseguir aquilo que desejo de Deus?” E passa a ser: “Como posso viver de maneira que agrade ao coração de Deus?”

Hebreus 11:6 afirma:

“De fato, sem fé é impossível agradar a Deus, porquanto é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe e que se torna galardoador dos que o buscam.”

Uma vida agradável a Deus é essencialmente uma vida de fé. Não estamos falando de perfeição, mas de um coração que confia, busca, obedece e se rende.

Isso muda inclusive a maneira como reagimos às respostas das nossas orações.

Quando Deus diz “sim”, agradecemos. Quando diz “espere”, permanecemos confiantes. Quando responde de maneira diferente daquilo que esperávamos, continuamos reconhecendo sua sabedoria.

A maturidade espiritual começa a aparecer quando desejamos mais o Deus que responde do que a resposta que esperamos receber.

Se nossa comunhão com Ele depende exclusivamente de recebermos aquilo que pedimos, ainda precisamos amadurecer profundamente na compreensão da oração.

 

Nem toda resposta será exatamente aquilo que imaginamos

Há outro ponto que precisamos reconhecer. A Bíblia apresenta pessoas profundamente comprometidas com Deus que não receberam exatamente aquilo que pediram.

Paulo orou três vezes para que seu “espinho na carne” fosse retirado. A resposta divina foi:

“A minha graça te basta, porque o poder se aperfeiçoa na fraqueza.”
2 Coríntios 12:9

Deus respondeu. Mas não respondeu removendo aquilo que Paulo pediu que fosse removido. A resposta foi graça suficiente para atravessar a situação.

Jesus orou no Getsêmani, e o caminho para a cruz permaneceu. Isso nos ensina que medir a eficácia da oração apenas pela quantidade de pedidos atendidos exatamente como formulamos pode nos conduzir a conclusões equivocadas.

Há respostas que chegam através de portas abertas. Outras chegam por meio de portas fechadas.

Há momentos em que Deus muda circunstâncias e outros em que muda nosso coração dentro das circunstâncias.

Há ocasiões em que remove o problema e outras em que nos concede força para atravessá-lo.


“A ausência da resposta que imaginávamos não significa necessariamente ausência da ação de Deus.”

 

Uma vida de oração eficaz nasce de uma vida de comunhão

Quando reunimos os ensinamentos de 1 João 3:21-24, percebemos que o apóstolo não está oferecendo cinco técnicas isoladas. Ele está descrevendo um relacionamento.

Existe uma consciência tratada diante de Deus, confiança em sua presença, fé em Jesus, obediência aos seus mandamentos, amor aos irmãos e ação do Espírito Santo. Tudo isso forma uma vida de permanência.

João diz no versículo 24:

“E aquele que guarda os seus mandamentos permanece em Deus, e Deus, nele. E nisto conhecemos que ele permanece em nós, pelo Espírito que nos deu.”

Talvez essa seja a expressão que melhor resume todo o assunto: permanecer em Deus.

Oração eficaz nasce de comunhão. Quanto mais permanecemos em Cristo, mais conhecemos seu coração. Quanto mais conhecemos seu coração, mais nossos desejos são transformados. Quanto mais nossos desejos são transformados, mais nossa oração começa a caminhar na direção da vontade do Pai.

Então começamos a perceber que o grande objetivo da oração nunca foi apenas conseguir que Deus colocasse coisas em nossas mãos. O grande objetivo é que nossa vida seja colocada cada vez mais inteiramente nas mãos dele.

 

Como obter respostas às nossas orações?

Talvez, depois de tudo isso, a pergunta do título precise ser vista de maneira mais profunda. Não existe fórmula capaz de obrigar Deus a responder como queremos. O Senhor continua sendo soberano e infinitamente mais sábio do que nós.

Entretanto, as Escrituras nos mostram como cultivar uma vida de oração saudável: viver na luz, manter uma consciência sensível, aproximar-nos do Pai com confiança, pedir com fé, submeter nossos desejos à vontade de Deus, permitir que sua Palavra permaneça em nós, obedecer ao que Ele já revelou e fazer daquilo que lhe agrada uma prioridade.

À medida que caminhamos assim, nossa oração deixa de ser uma tentativa de convencer Deus a participar dos nossos projetos e começa a tornar-se um lugar em que nossos projetos são submetidos aos dele.

E é justamente aí que alguma coisa extraordinária acontece. Continuamos pedindo. Continuamos buscando. Continuamos batendo. Mas fazemos isso com um coração cada vez mais disposto a dizer:

“Pai, eu sei o que estou pedindo, mas confio mais na tua sabedoria do que na minha compreensão. Se isso estiver de acordo com tua vontade, abre a porta. Se não estiver, fecha-a. Se eu precisar esperar, ensina-me a esperar. E, enquanto espero, não permita que eu deseje mais a resposta do que desejo a tua presença.”

Essa oração talvez não seja a mais fácil. Mas é uma oração profundamente madura.

E existe algo ainda maior do que receber aquilo que pedimos: descobrir que, enquanto orávamos por uma resposta, Deus estava formando Cristo dentro de nós.

Que nossa vida de oração seja marcada por confiança, fé, obediência, verdade e intimidade com o Pai. E que possamos experimentar não apenas respostas às nossas orações, mas uma comunhão cada vez mais profunda com aquele que nos convidou a pedir, buscar e bater.

Deus te abençoe!

Pastor Sérgio Luis

 Assista a mensagem completa em: https://youtu.be/Yyp8kUhw_88