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quinta-feira, 28 de maio de 2020

VENCENDO AS AFLIÇÕES DESTE MUNDO



VENCENDO AS AFLIÇÕES DESTE MUNDO

 

“Estas coisas vos tenho dito para que tenhais paz em mim. No mundo, passais por aflições; mas tende bom ânimo; eu venci o mundo.”
João 16:33

 

Existem palavras de Jesus que nos consolam porque prometem livramento. Outras nos fortalecem porque não escondem a realidade. João 16:33 reúne as duas coisas. Jesus não disse aos discípulos que eles talvez enfrentassem aflições. Ele afirmou: “No mundo, passais por aflições.” Mas também não terminou a frase na aflição. Ele acrescentou: “Tende bom ânimo; eu venci o mundo.”

Essa é uma verdade que precisamos recuperar em nossos dias. O Evangelho nunca prometeu uma existência blindada contra problemas, perdas, decepções, enfermidades, perseguições ou momentos de profunda angústia. Seguir Jesus não significa viver sem tempestades; significa descobrir que, mesmo dentro delas, não estamos sozinhos e não precisamos perder a paz.

Jesus pronunciou essas palavras pouco antes da cruz. Ele sabia o que estava prestes a enfrentar. Sabia também o que seus discípulos enfrentariam depois de sua partida. Ainda assim, fala de paz, coragem e vitória.

Isso significa que a paz de Cristo não depende da ausência de aflições. Ela pode existir exatamente no meio delas.

 

JESUS NUNCA ESCONDEU DE NÓS A REALIDADE

Vivemos em uma época em que muitas pessoas associam a fé a uma espécie de garantia contra dificuldades. Quando alguma coisa dá errado, logo perguntam: “Onde está Deus?”, “Por que isso aconteceu comigo?”, “Será que minha fé está fraca?” Entretanto, Jesus foi absolutamente transparente: “No mundo, passais por aflições.”

O Salmo 34:19 declara:

“Muitas são as aflições do justo, mas o SENHOR de todas o livra.”

Observe que a Bíblia não diz: “Poucas são as aflições do justo”. Mas, diz: “Muitas são.”

Ser justo não significa estar imune à dor. Ser fiel não significa nunca receber uma notícia ruim. Amar a Deus não significa que todas as portas permanecerão abertas.

A diferença não está necessariamente na quantidade de problemas que enfrentamos, mas em quem está conosco quando os enfrentamos.

O cristão não possui a promessa de ausência de aflições. Possui algo muito maior: a presença de Cristo dentro delas.

 

O QUE SÃO AS AFLIÇÕES?

A palavra utilizada em João 16:33 para “aflição” é o termo grego “thlipsis”. A palavra transmite a ideia de pressão, compressão, aperto, tribulação, angústia.

A imagem é extremamente atual. Há momentos em que a vida realmente parece nos pressionar por todos os lados.

É a preocupação com a família. A conta que precisa ser paga. O diagnóstico que chegou. O casamento atravessando dificuldades. Um filho que tomou decisões erradas. O emprego ameaçado. A porta que se fechou. A oração que parece não ter resposta. O cansaço emocional. A luta espiritual. A decepção com alguém em quem confiávamos.

Uma situação isolada talvez já fosse difícil. Mas, algumas vezes, várias chegam ao mesmo tempo. E nos sentimos pressionados.

É exatamente nesse lugar que precisamos nos lembrar das palavras de Jesus. Ele não disse: “Finjam que nada está acontecendo.” Também não disse: “Vocês precisam ser fortes o suficiente para resolver tudo.” Ele disse: “Em mim vocês podem ter paz.” Essa expressão muda tudo.

A PAZ NÃO ESTÁ NAS CIRCUNSTÂNCIAS; ESTÁ EM CRISTO

Observe cuidadosamente a declaração de Jesus: “Estas coisas vos tenho dito para que tenhais paz em mim.”

Jesus não disse simplesmente: “Tenham paz”. Ele disse: “Paz em mim.”

Existe uma localização espiritual para essa paz. Ela está em Cristo.

Enquanto procurarmos paz apenas na resolução dos nossos problemas, viveremos emocionalmente dependentes das circunstâncias. Se tudo estiver bem, teremos paz. Se alguma coisa der errado, perderemos a paz. Mas Jesus oferece algo diferente.

Ele oferece uma paz que não precisa esperar a tempestade terminar para começar a existir.

Talvez sua situação ainda não tenha mudado. Talvez a resposta ainda não tenha chegado. Talvez você ainda esteja atravessando o vale. Mas Cristo continua sendo o mesmo.

Por isso, nossa paz não precisa estar fundamentada naquilo que está acontecendo ao nosso redor, mas naquele que permanece conosco enquanto tudo acontece.

 

“TENDE BOM ÂNIMO”

Depois de falar sobre as aflições, Jesus apresenta uma ordem: “Tende bom ânimo.” O verbo grego utilizado, “tharseō”, carrega a ideia de ter coragem, estar confiante, não perder o ânimo.

Jesus está dizendo aos discípulos: “Vocês enfrentarão pressão, mas não permitam que a pressão determine o estado de seus corações.” Isso é profundamente necessário.

Existem batalhas que não podemos evitar, mas podemos decidir como entraremos nelas. Podemos entrar murmurando ou confiando. Podemos entrar dominados pelo medo ou sustentados pela fé. Podemos permitir que a aflição nos afaste de Deus ou fazer dela uma oportunidade para nos aproximarmos ainda mais dEle.

Coragem cristã não é ausência de medo. É continuar obedecendo a Deus apesar do medo.

 

APRENDENDO A SUPORTAR AS AFLIÇÕES

Paulo escreveu a Timóteo:

“Tu, porém, sê sóbrio em todas as coisas, suporta as aflições, faze o trabalho de um evangelista, cumpre cabalmente o teu ministério.” 2 Timóteo 4:5

A expressão “suporta as aflições” está relacionada ao verbo grego “kakopatheō”, que transmite a ideia de suportar dificuldades, padecer ou enfrentar sofrimento.

Paulo não manda Timóteo abandonar sua missão porque ficou difícil. Ele diz: “Suporta.”

Essa palavra confronta uma característica muito presente em nossa geração: queremos resultados rápidos, respostas imediatas e processos curtos. Mas existem coisas na vida cristã que somente são formadas através da perseverança.

Há um caráter que não nasce no conforto. Existem níveis de maturidade que somente alcançamos depois de permanecermos quando seria muito mais fácil desistir.

Talvez você esteja esperando que Deus simplesmente retire determinada pressão, enquanto Deus também esteja formando em você capacidade espiritual para permanecer de pé no meio dela.

 

NÃO NEGOCIE SUAS CONVICÇÕES POR CAUSA DA PRESSÃO

Paulo também advertiu:

“Ora, todos quantos querem viver piedosamente em Cristo Jesus serão perseguidos.” 2 Timóteo 3:12

A pressão do mundo não é apenas física ou material. Existe também uma pressão para que adaptemos nossas convicções.

O mundo possui seus valores, sua maneira de pensar, seus conceitos sobre certo e errado, verdade, moralidade e propósito. Por isso, uma das grandes aflições enfrentadas pelo cristão é permanecer fiel quando ser fiel tem um preço.

É fácil sustentar convicções quando todos concordam conosco. A prova aparece quando obedecer a Cristo significa ser criticado, rejeitado ou incompreendido. Nesses momentos precisamos decidir: Queremos ser aceitos pelo mundo ou permanecer fiéis a Cristo?

Não precisamos ser agressivos, arrogantes ou hostis. Muito pelo contrário. Devemos manifestar graça, mansidão e amor. Mas amor não exige abandono da verdade.

O verdadeiro discípulo aprende a permanecer firme sem perder o caráter de Cristo.

 

HÁ SOFRIMENTOS QUE FAZEM PARTE DA NOSSA MISSÃO

Paulo faz uma declaração impressionante em Colossenses:

“Agora, me regozijo nos meus sofrimentos por vós; e preencho o que resta das aflições de Cristo, na minha carne, a favor do seu corpo, que é a igreja.” Colossenses 1:24

Essa passagem não significa que faltou alguma coisa ao sofrimento redentor de Jesus na cruz. O sacrifício de Cristo foi completo e suficiente. Paulo está falando dos sofrimentos que ele próprio enfrentava ao levar a mensagem de Cristo e servir à Igreja. Essa distinção é importante.

Jesus sofreu para realizar aquilo que somente Ele poderia realizar: nossa redenção. Paulo sofria porque havia decidido levar o Evangelho às pessoas. E, em alguma medida, todo discípulo precisa estar disposto a assumir o custo da missão.

Servir pessoas custa. Amar custa. Perdoar custa. Permanecer fiel custa. Defender a verdade com amor pode custar. Cumprir nosso chamado pode exigir renúncias.

O cristianismo não é uma convocação para uma vida de conforto; é uma convocação para seguir Jesus.

 

QUANDO FALTAREM FORÇAS, CLAME

Mas existe algo que precisamos reconhecer: nem sempre nos sentiremos fortes. Existem dias em que a coragem parece desaparecer.

Dias em que oramos e choramos ao mesmo tempo. Dias em que nossas palavras são poucas. Dias em que nossa única oração parece ser: “Senhor, ajuda-me.” E não existe nada de errado nisso.

O salmista orou:

“Considera as minhas aflições e o meu sofrimento...” Salmos 25:18

A Bíblia está cheia de homens e mulheres que clamaram a Deus no meio de suas angústias.

Fé não é fingir que não estamos sofrendo. Fé é saber para quem correr quando estamos sofrendo.

Você não precisa impressionar Deus com sua força. Pode chegar diante dEle cansado. Pode chegar chorando. Pode dizer que está com medo. Pode admitir que não sabe o que fazer.

Fraqueza reconhecida diante de Deus pode se transformar em lugar de encontro com a força de Deus.

 

DEUS AINDA ESTÁ PRESENTE NA AFLIÇÃO

A história de José nos oferece uma imagem extraordinária dessa verdade.

Atos 7:9-10 declara:

“Os patriarcas, movidos de inveja, venderam José para o Egito; mas Deus era com ele, e livrou-o de todas as suas aflições, concedendo-lhe também graça e sabedoria perante Faraó...”

Existe uma pequena frase nesse texto que merece nossa atenção: “Mas Deus era com ele.”

José foi traído. Mas Deus era com ele. Foi vendido. Mas Deus era com ele. Foi levado para uma terra estrangeira. Mas Deus era com ele. Foi injustiçado. Mas Deus era com ele. Foi preso. Mas Deus era com ele.

Perceba: a presença de Deus não impediu imediatamente todas as aflições de José. Mas nenhuma das aflições conseguiu impedir o propósito de Deus para José. Isso pode mudar a maneira como enxergamos nossa própria história.

Talvez você esteja perguntando: “Se Deus está comigo, por que estou passando por isso?” José nos ensina que talvez a pergunta precise ser outra: “Já que Deus está comigo, o que Ele fará através de tudo isso?”

 

NÃO DESPERDICE SUA AFLIÇÃO

Toda aflição produz pressão, mas nem toda pessoa sai melhor depois da pressão.

Algumas saem amarguradas. Outras endurecidas. Algumas abandonam princípios. Outras se afastam de Deus. Por isso precisamos decidir como atravessaremos aquilo que não escolhemos enfrentar.

Pergunte: O que esta situação está revelando sobre mim? Minha confiança está realmente em Deus? Existe alguma área do meu caráter que precisa ser tratada? Preciso aprender a esperar? Preciso perdoar? Preciso abandonar o controle? Preciso voltar a orar? Preciso novamente colocar Cristo no centro?

Não permita que sua única oração seja: “Senhor, tira-me daqui.” Ore também: “Senhor, enquanto eu estiver aqui, transforma-me.”

 

JESUS JÁ VENCEU

Finalmente chegamos à razão pela qual podemos enfrentar tudo isso com esperança.

Jesus disse: “Eu venci o mundo.” Ele não disse: “Talvez eu vença.” Não disse: “Estou tentando vencer.” Ele declarou: “Eu venci.”

Quando pronunciou essas palavras, a cruz ainda estava diante dEle. Mas a vitória era tão certa que Jesus fala como alguém que já venceu.

Depois vieram a prisão, os açoites, a coroa de espinhos, a cruz e o túmulo. Por algumas horas, parecia que o mundo havia vencido Cristo. Mas então chegou o terceiro dia. A pedra foi removida. O túmulo ficou vazio. Jesus ressuscitou. A maior aparente derrota tornou-se cenário da maior vitória.

É por isso que nossa esperança não está fundamentada em pensamento positivo. Não estamos simplesmente repetindo para nós mesmos que “vai dar tudo certo”.

Nossa esperança possui nome. Jesus Cristo.

TENHA BOM ÂNIMO: A AFLIÇÃO NÃO TERÁ A ÚLTIMA PALAVRA

Talvez você esteja vivendo uma aflição exatamente agora. Talvez ninguém saiba quanto você tem lutado.

Por fora, você continua trabalhando, cuidando da família, cumprindo responsabilidades e até sorrindo. Mas por dentro existe uma batalha.

Então ouça novamente Jesus: “Em mim, tenha paz.” Não entregue sua paz às circunstâncias.

“No mundo, passais por aflições.” Não interprete a luta como prova de que Deus abandonou você.

“Tende bom ânimo.” Não permita que aquilo que aconteceu roube sua coragem para continuar.

E, finalmente: “Eu venci o mundo.” Essa é nossa segurança.

Podemos enfrentar aflições porque pertencemos ao Vencedor. Podemos chorar sem perder a esperança. Podemos sofrer sem abandonar a fé. Podemos ser pressionados sem permitir que a pressão destrua nossas convicções. Podemos não compreender tudo e ainda assim confiar.

A aflição é real, mas Cristo também é. A batalha é real, mas a vitória de Jesus também é. A dor pode fazer parte do caminho, mas ela não possui autoridade para escrever o final da história.

Portanto, não desista. Não retroceda. Não negocie sua fé. Não abandone aquilo que Deus colocou em suas mãos. E, principalmente, não permita que as aflições deste mundo façam você esquecer que Jesus já venceu este mundo.

Quando suas forças diminuírem, clame. Quando a pressão aumentar, aproxime-se ainda mais de Cristo. Quando não conseguir enxergar a saída, permaneça olhando para Aquele que venceu a morte. E guarde esta palavra no coração: “No mundo, passais por aflições; mas tende bom ânimo; eu venci o mundo.”

A nossa coragem não nasce da ausência de batalhas. Nasce da certeza de que pertencemos Àquele que já venceu.

Deus te abençoe!

Pr. Sérgio Luis

@sergioluis75

Assista à mensagem “Vencendo as Aflições deste Mundo” no YouTube

 

quarta-feira, 20 de maio de 2020



GUARDADOS PELA PAZ DE DEUS

 

“E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará o vosso coração e a vossa mente em Cristo Jesus.”
Filipenses 4:7

 

Há momentos em que a maior batalha que enfrentamos não acontece ao nosso redor, mas dentro de nós.

Por fora, talvez tudo pareça normal. Continuamos trabalhando, conversando, cuidando da família, cumprindo nossas responsabilidades e seguindo nossa rotina. Mas, por dentro, pensamentos estão em guerra, emoções estão abaladas e preocupações tentam ocupar cada espaço da nossa mente.

Pensamos no amanhã. Pensamos nas contas. Pensamos nos filhos. Pensamos na saúde. Pensamos naquilo que poderá acontecer. Pensamos naquilo que já aconteceu e não conseguimos mudar. E, silenciosamente, a ansiedade tenta assumir o controle do coração.

É justamente nesse cenário que as palavras do apóstolo Paulo em Filipenses 4:7 se tornam extraordinariamente atuais:

“E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará o vosso coração e a vossa mente em Cristo Jesus.”

Observe que Paulo não está prometendo apenas uma sensação momentânea de tranquilidade. Ele apresenta a paz de Deus como uma verdadeira proteção espiritual sobre nossas emoções e nossos pensamentos.

 

UMA GUARDA SOBRE O CORAÇÃO E A MENTE

A palavra grega utilizada por Paulo para “guardará” é phroureō. O termo era utilizado para descrever uma guarda militar protegendo uma cidade.

Imagine uma cidade cercada por inimigos. Nas entradas estão soldados atentos, protegendo seus habitantes e impedindo que o inimigo invada. É essa a imagem que Paulo utiliza para explicar aquilo que a paz de Deus pode fazer em nós.

A paz de Deus funciona como uma sentinela protegendo nosso coração e nossa mente.

E isso é profundamente significativo porque coração e mente representam áreas extremamente vulneráveis da nossa vida.

No coração estão nossas emoções. Na mente estão nossos pensamentos. É exatamente nesses dois lugares que muitas das maiores batalhas acontecem.

Um pensamento errado pode produzir medo. O medo alimentado pode gerar ansiedade. A ansiedade pode produzir decisões precipitadas. Uma lembrança dolorosa pode alimentar ressentimento. Uma preocupação constantemente repetida pode roubar nosso sono.

Por isso, Deus não deseja apenas cuidar das circunstâncias ao nosso redor.

Ele deseja guardar aquilo que acontece dentro de nós enquanto atravessamos essas circunstâncias.

 

UMA PAZ QUE NÃO CONSEGUIMOS EXPLICAR

Paulo chama essa paz de: “a paz de Deus, que excede todo o entendimento”.

Outras traduções dizem que ela “ultrapassa todo entendimento”, “excede toda compreensão”, “transcende toda compreensão” ou simplesmente que está “além da compreensão humana”. Em outras palavras, não é uma paz produzida pela lógica das circunstâncias.

Normalmente, pensamos assim: “Quando esse problema terminar, terei paz.” “Quando essa dívida for paga, ficarei tranquilo.” “Quando meu filho mudar, conseguirei descansar.” “Quando receber aquela resposta, ficarei em paz.” “Quando tudo estiver resolvido, finalmente poderei respirar.”

Mas a paz de Deus funciona de maneira diferente. Ela não precisa esperar que tudo ao nosso redor esteja resolvido para começar a agir dentro de nós.

Podemos estar atravessando uma tempestade e, ainda assim, experimentar paz. Podemos não saber como determinada situação será resolvida e, mesmo assim, descansar. Podemos não compreender o que Deus está fazendo e, ainda assim, confiar nEle.

Essa é a paz que excede o entendimento. Não é a paz de quem possui todas as respostas. É a paz de quem conhece Aquele que continua no controle.

 

A PAZ DE DEUS NÃO É A PAZ DO MUNDO

Jesus fez uma distinção importante:

“Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não vo-la dou como a dá o mundo.” João 14:27

A paz oferecida pelo mundo normalmente depende das circunstâncias. Se tudo está bem, existe paz. Se alguma coisa sai do controle, a paz desaparece.

A paz de Cristo é diferente. Ela não significa ausência de problemas. Não significa que nunca teremos dias difíceis. Não significa que jamais sentiremos tristeza ou preocupação. Significa que existe uma presença maior do que aquilo que estamos enfrentando.

A paz cristã não nasce da certeza de que nada dará errado. Ela nasce da certeza de que, aconteça o que acontecer, Deus continuará sendo Deus e nós continuaremos pertencendo a Ele.

 

ANTES DA PAZ, PAULO FALA SOBRE A PREOCUPAÇÃO

É impossível compreender plenamente Filipenses 4:7 sem observar o versículo anterior.

Paulo escreveu:

“Não andeis ansiosos de coisa alguma; em tudo, porém, sejam conhecidas, diante de Deus, as vossas petições, pela oração e pela súplica, com ações de graças.”
Filipenses 4:6

Perceba a sequência. Existe preocupação. Existe uma decisão sobre o que faremos com ela. Existe oração. Existe súplica. Existe gratidão. E então vem: “E a paz de Deus... guardará o vosso coração e a vossa mente.”

Paulo está nos ensinando a transformar preocupação em oração.

Aquilo que tenta ocupar sua mente precisa ser colocado diante de Deus. Em vez de carregar sozinho, ore. Em vez de imaginar todos os cenários possíveis, ore. Em vez de alimentar continuamente aquilo que você não consegue controlar, apresente isso ao Senhor.

Existem coisas que podemos resolver. Existem outras que não podemos. Precisamos de sabedoria para distinguir umas das outras.

Mas aquilo que estiver além das nossas possibilidades precisa deixar de ser um peso carregado sozinho e tornar-se uma causa colocada diante de Deus.

 

ENTREGUE A DEUS AQUILO QUE ESTÁ ROUBANDO SUA PAZ

Talvez você esteja lendo este texto exatamente em um desses momentos.

Existe alguma coisa tirando sua paz? Um problema familiar? Uma preocupação financeira? Uma decisão? Uma notícia? Uma enfermidade? Uma porta que não se abre? Uma resposta que não chega? Algo relacionado ao futuro?

Talvez você esteja tentando controlar mentalmente uma situação que já percebeu não estar sob seu controle. Então existe uma pergunta importante: Por que continuar carregando sozinho aquilo que Deus está convidando você a colocar diante dEle?

Tiago 4:7 declara:

“Sujeitai-vos, portanto, a Deus; mas resisti ao diabo, e ele fugirá de vós.”

Existe submissão e existe resistência. Nós nos submetemos a Deus e resistimos àquilo que tenta dominar nossos pensamentos.

Nem todo pensamento que chega à nossa mente precisa receber permissão para permanecer nela.

 

VOCÊ PRECISA ESCOLHER AQUILO QUE OCUPARÁ SUA MENTE

Depois de falar sobre a paz guardando a mente, Paulo continua:

“Finalmente, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é respeitável, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se alguma virtude há e se algum louvor existe, seja isso o que ocupe o vosso pensamento.”
Filipenses 4:8

Existe aqui uma responsabilidade pessoal. Paulo não diz simplesmente: “Não pense em coisas ruins.” Ele nos mostra com o que devemos preencher a mente. Verdade. Justiça. Pureza. Aquilo que é amável. Aquilo que possui boa fama. Virtude. Louvor.

Isso significa que precisamos desenvolver critérios para aquilo que permitimos permanecer dentro de nós.

Nem tudo aquilo que passa pela nossa cabeça merece permanecer nela. Alguns pensamentos precisam ser rejeitados. Outros precisam ser confrontados pela verdade da Palavra. Outros precisam ser levados imediatamente à oração.

Nossa mente não pode ser um depósito de medos, notícias ruins, comparações, ressentimentos, suspeitas, tragédias imaginárias e preocupações sobre coisas que talvez nunca aconteçam.

Nossa mente precisa tornar-se depósito da Palavra de Deus e de suas promessas.

 

UMA MENTE DIVIDIDA PRODUZ UMA VIDA INSTÁVEL

Tiago apresenta uma séria advertência:

“É homem de ânimo dobre, inconstante em todos os seus caminhos.”
Tiago 1:8

A expressão “ânimo dobre” traz a ideia de uma mente dividida. Uma hora cremos. Outra hora duvidamos. Em um momento descansamos. Logo depois permitimos que a ansiedade novamente assuma o controle. Declaramos que confiamos em Deus, mas continuamos tentando controlar todas as circunstâncias.

É claro que existem momentos de fragilidade e que nossa caminhada de fé possui processos. Mas precisamos desenvolver uma decisão interior: Minha confiança permanecerá em Deus.

Isaías 26:3 declara:

“Tu, SENHOR, conservarás em perfeita paz aquele cujo propósito é firme; porque ele confia em ti.”

No hebraico encontramos a expressão “shalom shalom”. Paz, paz. Uma ideia de paz completa, profunda, plena. E observe quem experimenta essa paz: aquele cujo propósito é firme porque confia em Deus.

A firmeza da mente está diretamente relacionada ao objeto da nossa confiança.

 

PRECISAMOS LEVAR NOSSOS PENSAMENTOS CATIVOS

Paulo ensina algo ainda mais profundo em 2 Coríntios 10:4-5:

“Porque as armas da nossa milícia não são carnais, e sim poderosas em Deus, para destruir fortalezas... e levando cativo todo pensamento à obediência de Cristo.”

Existe uma batalha acontecendo no campo dos pensamentos. Fortalezas podem ser construídas dentro da mente. Mentiras repetidas durante anos podem começar a parecer verdades: “Você nunca conseguirá.” “Deus abandonou você.” “Não existe mais solução.” “Seu futuro acabou.” “Nada vai mudar.” “Você está sozinho.”

Pensamentos assim não devem simplesmente ser aceitos. Precisamos perguntar: Isso está de acordo com a Palavra de Deus? Se não estiver, precisa ser confrontado.

A verdade de Deus precisa possuir autoridade maior dentro de nós do que as vozes que tentam nos amedrontar.

Levar um pensamento cativo à obediência de Cristo significa não permitir que ele governe livremente nossa mente. Submetemos nossos pensamentos à verdade.

 

REVISTA-SE PARA A BATALHA

Efésios 6:10-18 nos ensina a revestir-nos de toda a armadura de Deus.

Paulo menciona o cinto da verdade, a couraça da justiça, as sandálias da preparação do Evangelho da paz, o escudo da fé, o capacete da salvação e a espada do Espírito, que é a Palavra de Deus.

Nada disso é acidental. Existe uma batalha espiritual e não podemos enfrentá-la de maneira negligente.

Observe particularmente o capacete da salvação. O capacete protege a cabeça. Existe uma proteção relacionada àquilo que sabemos sobre nossa salvação, nossa identidade em Cristo e nossa esperança.

Quando sabemos quem somos em Cristo, muitas mentiras perdem força. Quando conhecemos a Palavra, conseguimos identificar aquilo que contradiz a verdade. Quando levantamos o escudo da fé, os dardos inflamados não precisam encontrar lugar dentro de nós.

Não precisamos aceitar passivamente tudo aquilo que tenta invadir nossa mente.

 

TENHA FÉ EM DEUS

Jesus disse:

            “Tende fé em Deus.” Marcos 11:22

É uma declaração curta, mas extremamente profunda. Nossa fé não está em nossa capacidade. Não está em nossos recursos. Não está em pessoas. Não está na economia. Não está nas circunstâncias. Não está naquilo que conseguimos enxergar. Nossa fé está em Deus.

Talvez você não saiba o que acontecerá amanhã. Mas Deus já está lá. Talvez você não saiba como determinada situação será resolvida. Mas Deus continua sendo Deus. Talvez você não tenha forças suficientes para enfrentar tudo de uma só vez.

Então não tente viver o amanhã, hoje. Receba a graça necessária para este dia. Confie em Deus hoje. Amanhã, você confiará novamente.

 

A PAZ PODE GUARDAR VOCÊ ANTES QUE O PROBLEMA TERMINE

Essa talvez seja uma das maiores verdades de Filipenses 4.

Nós normalmente queremos que Deus primeiro mude a situação para depois termos paz. Mas muitas vezes Deus começa de outra maneira. Ele nos dá paz enquanto a situação ainda não mudou.

A porta ainda não abriu. Mas existe paz. A resposta ainda não chegou. Mas existe paz. O problema ainda está ali. Mas existe paz. Você ainda não sabe como tudo terminará. Mas existe paz. Por quê? Porque a paz não está fundamentada na ausência da batalha, mas na presença de Deus.

É por isso que ela excede todo entendimento. Humanamente não faria sentido estar em paz. Mas você está. Não porque ignora a realidade. Não porque finge que nada está acontecendo. Não porque perdeu a sensibilidade. Mas porque entregou aquilo que não consegue controlar nas mãos daquele que continua soberano sobre todas as coisas.

 

DEIXE A PAZ DE DEUS MONTAR GUARDA

Voltemos à imagem inicial. Phroureō. Uma guarda militar.

Imagine novamente seu coração e sua mente como uma cidade. Na porta estão pensamentos querendo entrar. Medo. Ansiedade. Desespero. Incredulidade. Preocupações. Acusações. Mentiras.

E Paulo nos apresenta uma imagem maravilhosa: a paz de Deus montando guarda.

A paz dizendo ao medo: “Você não governará aqui.” A paz dizendo à ansiedade: “Você não assumirá o controle.” A paz dizendo ao desespero: “Você não decidirá o futuro.” A paz dizendo à mentira: “A verdade de Deus permanece.”

Não significa que nunca seremos atacados. Significa que não precisamos permitir que aquilo que nos ataca governe aquilo que acontece dentro de nós.

Portanto, vigie. Ore. Apresente suas necessidades a Deus. Dê graças. Escolha aquilo que ocupará seus pensamentos. Confronte as mentiras com a Palavra. Revista-se da armadura de Deus. Mantenha sua mente firme. E, acima de tudo: Tenha fé em Deus.

Porque existe uma paz que o mundo não consegue produzir. Uma paz que as circunstâncias não conseguem explicar. Uma paz que o dinheiro não consegue comprar. Uma paz que não depende de tudo estar resolvido. É a paz de Deus.

E essa paz, que excede todo entendimento, guardará o seu coração e a sua mente em Cristo Jesus.

Talvez hoje você não precise compreender tudo. Talvez precise apenas confiar. Entregue. Ore. Descanse. E permita que a paz de Deus monte guarda dentro de você.

Deus te abençoe!

Pr. Sérgio Luis

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