O EVANGELHO ETERNO
A mensagem que não muda em um mundo que muda o tempo todo
“Vi outro
anjo voando pelo meio do céu, tendo um evangelho eterno para pregar aos que se
assentam sobre a terra.”
Apocalipse 14:6
Vivemos em uma época marcada pela velocidade das mudanças. Ideias surgem
e desaparecem rapidamente, valores antes considerados fundamentais são
questionados, conceitos morais são redefinidos, movimentos culturais ganham
força e depois perdem espaço, tecnologias transformam comportamentos e novas
formas de pensar parecem surgir a cada geração. Nesse ambiente, existe uma
pressão constante para que tudo seja atualizado, adaptado e reconstruído.
Essa pressão também alcança a Igreja. Em alguns lugares, começa-se a
transmitir a impressão de que o Evangelho precisa ser constantemente
reinventado para continuar sendo relevante. Palavras consideradas difíceis são
evitadas, verdades desconfortáveis são suavizadas, doutrinas bíblicas são reinterpretadas
e determinadas exigências do discipulado são retiradas para que a mensagem se
torne mais aceitável.
Certamente precisamos comunicar o Evangelho de maneira compreensível
para cada geração. Nossa linguagem pode mudar. Nossas estratégias podem mudar.
Nossas ferramentas podem mudar. Nossa maneira de alcançar pessoas pode mudar. Mas
o Evangelho não muda.
O Evangelho não nasceu da cultura, por isso não precisa se curvar à
cultura para sobreviver. Não foi produzido por uma geração específica, por isso
não envelhece quando aquela geração passa. Não é propriedade da Igreja, dos
pregadores, das denominações ou dos teólogos. O Evangelho pertence a Deus.
Por isso Apocalipse o chama de “evangelho eterno”. Eterno porque
sua origem está em Deus. Eterno porque sua mensagem atravessa gerações. Eterno
porque sua verdade não depende das mudanças da sociedade. Eterno porque
continua sendo a única boa notícia capaz de reconciliar o homem pecador com o
Deus santo.
A grande questão, portanto, não é se o Evangelho continuará relevante. A
questão é se continuaremos fiéis ao Evangelho quando o mundo exigir que ele
seja modificado.
O Evangelho não começou conosco
Uma das maiores tentações de qualquer geração cristã é imaginar que
recebeu autoridade para redefinir aquilo que Deus estabeleceu. Entretanto, o
Evangelho não é uma construção humana.
Paulo foi muito claro ao escrever aos gálatas. O apóstolo estava
profundamente preocupado porque alguns estavam abandonando a mensagem recebida
para seguir aquilo que ele chama de “outro evangelho”. Seu alerta
demonstra que nem toda mensagem religiosa que utiliza o nome de Jesus pode ser
chamada verdadeiramente de Evangelho.
Existem mensagens que falam de Deus, utilizam textos bíblicos, mencionam
Jesus, prometem bênçãos e ainda assim distorcem o centro da fé cristã.
Por isso Paulo declarou:
“Ainda que
nós ou mesmo um anjo vindo do céu vos pregue evangelho que vá além do que vos
temos pregado, seja anátema.”
Gálatas 1:8
Essa afirmação é impressionante. Paulo não disse: “Se alguém trouxer
uma mensagem diferente, analisem se ela combina melhor com os novos tempos.” Ele
disse que a mensagem recebida deveria permanecer como referência.
Isso significa que nem mesmo uma nova experiência espiritual possui
autoridade para corrigir o Evangelho. Nem um anjo. Nem um pregador famoso. Nem
uma denominação. Nem uma tendência teológica. Nem uma nova leitura cultural. Nem
nossas preferências pessoais.
O Evangelho não começa com aquilo que desejamos que Deus diga. Começa
com aquilo que Deus revelou.
A Igreja não foi chamada para inventar sua mensagem. Foi chamada para guardá-la,
vivê-la e anunciá-la.
O centro do Evangelho é Jesus Cristo
Às vezes usamos a palavra “Evangelho” para tantas coisas diferentes que
corremos o risco de perder sua essência.
O Evangelho não é simplesmente uma filosofia de vida. Não é um conjunto
de princípios para alcançar sucesso. Não é um método para aumentar a
autoestima. Não é uma promessa de que todos os nossos problemas desaparecerão.
Não é uma estratégia para melhorar relacionamentos, enriquecer, alcançar
reconhecimento ou construir uma vida confortável.
“O
Evangelho pode transformar todas as áreas da existência, mas seu centro é muito
maior. Seu centro é Jesus Cristo.”
Paulo resume a mensagem em 1 Coríntios 15 ao lembrar que Cristo morreu
por nossos pecados, foi sepultado e ressuscitou. Esse é o coração da boa
notícia.
O homem pecou. O pecado nos separou de Deus. Não possuíamos recursos
para produzir nossa própria reconciliação. Então Deus agiu. Cristo veio. Viveu
em perfeita obediência. Morreu pelos pecadores. Ressuscitou dentre os mortos. Venceu
a morte. E agora chama homens e mulheres ao arrependimento, à fé e a uma nova
vida debaixo do seu senhorio.
O Evangelho não é fundamentalmente sobre como podemos chegar até Deus,
mas sobre como Deus veio até nós em Cristo. Essa é a
notícia que muda tudo.
O Evangelho começa com uma verdade que o homem moderno prefere evitar:
somos pecadores
Um dos motivos pelos quais o Evangelho parece ofensivo para algumas
pessoas é porque ele começa com um diagnóstico que nosso orgulho não gosta de
ouvir. Nós pecamos.
A Bíblia não apresenta a humanidade simplesmente como desinformada,
traumatizada, socialmente condicionada ou moralmente confusa. Todas essas
realidades podem influenciar profundamente uma pessoa, mas existe algo ainda
mais profundo: o pecado.
Paulo declara:
“Pois todos
pecaram e carecem da glória de Deus.”
Romanos 3:23
O Evangelho não começa dizendo que somos pessoas boas que precisam
apenas descobrir nosso potencial. Começa dizendo que somos criaturas feitas por
Deus que se afastaram de seu Criador. Isso confronta nossa autonomia.
Gostamos da ideia de um Deus que nos abençoe. Mas resistimos à ideia de
um Deus que tenha autoridade sobre nós.
Gostamos de ouvir que Deus nos ama. Mas nem sempre gostamos de ouvir que
seu amor também nos chama ao arrependimento.
Gostamos de um Salvador. Mas frequentemente resistimos a um Senhor.
Entretanto, se eliminarmos o pecado da mensagem, perderemos a
necessidade da cruz. E se eliminarmos a cruz, já não temos o Evangelho.
“Uma
mensagem que não explica do que precisamos ser salvos dificilmente poderá
explicar por que precisamos de um Salvador.”
A cruz não é um detalhe do Evangelho
Existem maneiras de falar sobre Jesus nas quais sua morte parece quase
um acidente trágico ocorrido no fim de sua história.
Biblicamente, não é assim. A cruz está no centro do plano redentor.
Jesus declarou que veio para dar sua vida em resgate por muitos. João
Batista o apresentou como o Cordeiro de Deus. Paulo afirmou que pregava Cristo
crucificado. Pedro ensinou que Cristo carregou nossos pecados.
A cruz revela ao mesmo tempo duas verdades que jamais deveríamos
separar: a gravidade do pecado e a grandeza do amor de Deus.
Se o pecado pudesse ser resolvido simplesmente com boas intenções,
Cristo não precisaria morrer. Se poderíamos nos reconciliar com Deus através de
nossas obras, a cruz seria desnecessária.
Mas a cruz demonstra que nossa situação era tão séria que o Filho de
Deus entregou sua vida por nós. E também demonstra que o amor de Deus é tão
profundo que Ele decidiu fazer aquilo que não poderíamos fazer por nós mesmos.
Por isso, o Evangelho não anuncia: “Salve-se.” Anuncia: “Cristo veio
salvar.”
Sem ressurreição não existe Evangelho
O Evangelho não termina no túmulo. Jesus ressuscitou!
Essa verdade não é um símbolo poético de esperança. Não é apenas uma
maneira religiosa de afirmar que os ensinamentos de Jesus continuam vivos. A fé
cristã afirma que aquele que foi crucificado verdadeiramente venceu a morte.
Paulo chega a dizer que, se Cristo não ressuscitou, nossa fé é inútil. Isso
significa que o cristianismo depende de um acontecimento histórico: o túmulo
ficou vazio.
A ressurreição declara que a morte não teve a palavra final. Declara que
Jesus é quem afirmou ser. Declara que seu sacrifício foi suficiente. Declara
que existe esperança além da sepultura. Declara que aquele que pertence a
Cristo participa de uma vida que a morte não pode destruir.
Por isso o Evangelho é eterno. Porque o Cristo que anunciamos está
vivo.
Não pregamos apenas os ensinamentos de um mestre do passado. Anunciamos
um Senhor ressuscitado.
O Evangelho anuncia graça, mas não uma graça barata
Poucas palavras são tão centrais à fé cristã quanto graça.
Somos salvos pela graça. Não compramos nossa salvação. Não acumulamos
méritos suficientes. Não convencemos Deus de que somos dignos. A salvação é
presente.
Mas existe uma distorção perigosa da graça que precisa ser confrontada. É
possível falar de graça como se ela significasse que o pecado perdeu qualquer
importância. Como se receber Jesus significasse apenas acrescentar Deus à vida
que já possuímos sem que nada precise mudar. Como se Cristo fosse Salvador, mas
não Senhor.
Essa não é a graça apresentada no Novo Testamento. A graça perdoa, mas
também transforma. A graça acolhe o pecador, mas não faz aliança com o pecado.
A graça não diz: “Continue exatamente como está porque Deus não se
importa.” Ela diz: “Você não conseguia salvar a si mesmo, então Deus veio ao
seu encontro. Agora levante-se e siga Cristo.”
Jesus perdoou pessoas profundamente quebradas, mas também as chamou para
uma nova vida.
Por isso, precisamos recuperar uma verdade esquecida:
“O mesmo
Evangelho que nos recebe como estamos não pretende nos deixar como estávamos.”
Arrependimento continua fazendo parte da mensagem
Existe uma palavra que desapareceu de muitos púlpitos: arrependimento.
Talvez porque pareça negativa. Talvez porque confronte. Talvez porque nossa
cultura tenha dificuldade com qualquer mensagem que diga ao indivíduo que ele
pode estar errado.
Entretanto, Jesus começou seu ministério proclamando arrependimento. Pedro
pregou arrependimento no Pentecostes. Paulo anunciou que Deus chama os homens
ao arrependimento.
Arrepender-se não significa simplesmente sentir culpa. É mudança de
mente, direção e postura diante de Deus. É reconhecer que estávamos vivendo
segundo nossos próprios caminhos e nos voltarmos para o Senhor.
O verdadeiro Evangelho não diz apenas: “Creia que Jesus existe.” Ele
nos chama: “Volte-se para Cristo.”
Existe fé sem arrependimento? Biblicamente, essas duas realidades
caminham juntas.
Quando enxergamos quem Cristo é, percebemos também quem nós somos.
Quando compreendemos sua santidade, reconhecemos nosso pecado. Quando confiamos
em sua graça, abandonamos nossa tentativa de governar nossa própria vida.
O Evangelho não precisa ser adaptado para se tornar aceitável
Toda geração enfrenta a tentação de remover do Evangelho aquilo que
provoca desconforto.
Em algumas épocas, o problema pode ser a mensagem sobre pecado. Em
outras, o senhorio de Cristo. Em outras, a exclusividade de Jesus. Em outras,
os ensinamentos bíblicos sobre moralidade. Em outras, a própria autoridade das
Escrituras.
Mas precisamos compreender uma distinção fundamental: Contextualizar
a mensagem não significa alterar a mensagem.
Podemos explicar conceitos antigos usando linguagem contemporânea. Podemos
utilizar tecnologia. Podemos produzir vídeos, podcasts, blogs, livros, redes
sociais e novas formas de comunicação. Podemos procurar compreender
profundamente as perguntas de nossa geração. Tudo isso é legítimo.
O que não podemos fazer é substituir a resposta bíblica por uma resposta
culturalmente mais confortável apenas para evitar rejeição.
A Igreja não recebeu autoridade para corrigir Deus.
Um evangelho sem cruz pode atrair multidões, mas não pode salvar
Existe uma versão de cristianismo que promete apenas benefícios. Venha
para Jesus e seus sonhos serão realizados. Venha para Jesus e seus problemas
desaparecerão. Venha para Jesus e você prosperará. Venha para Jesus e sua vida
será sempre vitoriosa.
Entretanto, quando Jesus chamou pessoas para segui-lo, falou também
sobre renúncia: “Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, tome a
sua cruz e siga-me.”
O Evangelho oferece vida abundante, mas essa vida nasce da morte do
velho homem.
Existe alegria, mas também existe renúncia. Existe consolo, mas também
existe correção. Existe promessa, mas também existe obediência. Existe graça,
mas também existe discipulado.
Jesus não chamou admiradores. Chamou discípulos. Quando retiramos o
custo do discipulado para tornar o cristianismo mais atraente, talvez
consigamos aumentar a audiência, mas corremos o risco de esconder das pessoas o
verdadeiro chamado de Cristo.
O Evangelho não é uma mensagem de autoajuda
Nossa geração valoriza profundamente temas como desenvolvimento pessoal,
propósito, autoestima e realização.
Muitas dessas questões são legítimas. O problema aparece quando o
Evangelho passa a ser apresentado apenas como ferramenta para melhorar nossa
versão atual de nós mesmos.
Cristo não veio simplesmente para nos ajudar a atingir nosso potencial. Ele
veio para nos dar nova vida.
O Evangelho não é maquiagem espiritual sobre o velho homem. É morte e
ressurreição.
Paulo descreve a conversão como uma nova criação. Isso significa que
Deus não está simplesmente melhorando hábitos. Ele está reconstruindo nossa
identidade em Cristo.
O Evangelho não existe para colocar Jesus no centro dos nossos planos. Existe
para colocar nossa vida dentro dos planos de Jesus. Essa diferença muda
tudo.
O Evangelho também não pode ser reduzido a uma agenda política
Assim como não devemos transformar o Evangelho em autoajuda, também não
devemos reduzi-lo a projetos políticos, sociais ou ideológicos.
O Evangelho certamente possui consequências sociais. Uma pessoa
transformada por Cristo deve importar-se com justiça, verdade, pobres,
vulneráveis, família, integridade, dignidade humana e responsabilidade pública.
Mas nenhuma agenda humana consegue conter completamente o Reino de Deus.
Quando transformamos o Evangelho em plataforma ideológica, escolhemos
partes da Bíblia que confirmam nosso grupo e ignoramos aquelas que o
confrontam. Cristo não veio legitimar nossos sistemas humanos. Veio inaugurar
seu Reino.
Por isso, o Evangelho confronta todas as ideologias, todos os
partidos, todas as culturas e todos os corações. Inclusive o nosso.
Existe somente um Evangelho
Paulo não tratava a distorção do Evangelho como assunto secundário.
Isso deveria nos chamar atenção. Porque vivemos em um ambiente no qual a
palavra “evangelho” pode ser utilizada para descrever mensagens profundamente
diferentes entre si.
Evangelho da prosperidade. Evangelho da autoestima. Evangelho político. Evangelho
terapêutico. Evangelho sem arrependimento. Evangelho sem santidade. Evangelho
sem cruz. Evangelho sem juízo. Evangelho sem senhorio.
Mas quando retiramos elementos essenciais da mensagem, já não estamos
apenas criando uma “ênfase diferente”. Podemos estar criando outro evangelho.
E Paulo foi claro: outro evangelho não é Evangelho.
A Igreja precisa recuperar coragem para fazer uma pergunta simples
diante de toda mensagem cristã: Isso é realmente aquilo que Jesus e os
apóstolos ensinaram?
A exclusividade de Cristo continua sendo parte do Evangelho
Poucas afirmações cristãs são tão confrontadas em nossa época quanto
esta: Jesus é o único caminho para o Pai.
Nossa sociedade valoriza pluralidade religiosa e liberdade de
consciência, e como cristãos também devemos defender o direito das pessoas de
escolherem suas crenças sem coerção. Entretanto, respeitar pessoas de outras
crenças não significa negar aquilo que Cristo afirmou sobre si mesmo.
Jesus declarou:
“Eu sou o
caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim.”
João 14:6
Isso pode parecer exclusivista. E realmente é. Mas o Evangelho também é
radicalmente inclusivo em seu convite.
Cristo é o único Salvador, mas seu convite é dirigido a todos. Homens e
mulheres. Ricos e pobres. Judeus e gentios. Pessoas de todas as nações, línguas
e povos.
Não existem vários salvadores. Mas existe um Salvador para todos.
O Evangelho eterno atravessa todas as culturas
Apocalipse 14 apresenta o evangelho eterno sendo anunciado “a cada
nação, e tribo, e língua, e povo”. Essa imagem é poderosa.
O Evangelho não pertence à Europa. Não pertence aos Estados Unidos. Não
pertence ao Brasil. Não pertence a uma denominação. Não pertence a determinada
tradição cultural. Pertence a Cristo.
Por isso pode entrar em todas as culturas sem se tornar escravo de
nenhuma delas. O Evangelho pode ser anunciado em português, inglês, árabe,
mandarim ou qualquer outra língua. Pode ser pregado em grandes catedrais,
pequenas casas, aldeias, ruas, universidades e prisões.
As formas culturais podem variar profundamente. Mas sua essência
permanece: Cristo morreu, ressuscitou, reina, chama ao arrependimento e salva.
O Evangelho eterno também aponta para o juízo
Existe um aspecto de Apocalipse 14 que às vezes ignoramos. Logo depois
de mencionar o evangelho eterno, o texto chama os homens a temerem a Deus e lhe
darem glória, porque chegou a hora de seu juízo.
Isso nos lembra que o Evangelho não é apenas uma oferta de conforto. É
também um chamado urgente. Existe um dia em que toda vida estará diante de
Deus.
Nossa geração gosta de imaginar um Deus que nunca julga. Mas um Deus que
nunca julga o mal também não seria verdadeiramente justo. Se injustiça,
violência, abuso, opressão, mentira e crueldade nunca fossem finalmente
julgados, o universo terminaria moralmente absurdo.
A boa notícia não é que Deus ignora o pecado. A boa notícia é que Cristo
tomou sobre si o juízo que merecíamos, oferecendo reconciliação àqueles que
confiam nele.
Por isso existe urgência na evangelização. A eternidade é real.
A Igreja precisa voltar a confiar no poder do Evangelho
Talvez uma das razões pelas quais tentamos alterar tanto a mensagem seja
porque deixamos de acreditar que ela realmente possui poder. Tentamos torná-la
mais interessante, mais palatável, mais sofisticada, mais politicamente
aceitável e mais compatível com aquilo que as pessoas já desejam ouvir.
Entretanto Paulo afirmou:
“Pois não
me envergonho do evangelho, porque é o poder de Deus para a salvação de todo
aquele que crê.”
Romanos 1:16
O poder não está na habilidade do pregador. Não está no cenário. Não
está na tecnologia. Não está na música. Não está na inteligência do argumento. Todas
essas coisas podem servir. Mas somente Deus salva.
A Igreja precisa comunicar bem. Mas precisa também voltar a acreditar
que o Evangelho não precisa ser protegido de sua própria mensagem.
Pregadores não são donos do Evangelho
Todo aquele que ensina a Palavra deveria sentir o peso dessa
responsabilidade.
Pregamos uma mensagem que não nos pertence. Isso deveria produzir
humildade.
O púlpito não é espaço para exibir opiniões pessoais como se fossem
revelação divina. Não é lugar para manipulação emocional. Não é lugar para
construir culto à personalidade. Não é palco para transformar pregadores em
celebridades espirituais. Paulo afirmou: “Nós não pregamos a nós mesmos, mas
a Cristo Jesus como Senhor.” Essa deveria ser a medida de todo ministério.
Depois de ouvir nossa pregação, as pessoas estão impressionadas conosco
ou estão vendo Cristo com mais clareza? Estamos criando dependência do pregador
ou conduzindo as pessoas à Palavra? Estamos construindo nosso nome ou
anunciando o nome de Jesus?
O verdadeiro ministro do Evangelho desaparece atrás da mensagem.
O Evangelho produz uma nova vida
Não basta conhecer a mensagem intelectualmente. É possível aprender
doutrina, memorizar versículos, frequentar cultos, utilizar linguagem cristã e
ainda não permitir que o Evangelho transforme nossa maneira de viver.
A boa notícia de Cristo não foi dada apenas para ser compreendida. Foi
dada para ser recebida. E quando é verdadeiramente recebida, produz fruto.
O Evangelho reorganiza nossos afetos. Muda nossa relação com dinheiro. Muda
nossa maneira de tratar pessoas. Muda nossa sexualidade. Muda nossas
prioridades. Muda nossa relação com poder. Muda a maneira como perdoamos. Muda
nossa forma de enfrentar sofrimento. Muda nossa compreensão de sucesso. Muda
até a forma como interpretamos nossa própria história.
Talvez um dos maiores problemas da Igreja contemporânea não seja apenas
desconhecer a Palavra, mas conhecer a Palavra sem permitir que ela
reorganize nossa interpretação da vida.
Podemos concordar com o Evangelho e ainda viver segundo as narrativas do
mundo. É por isso que precisamos continuamente retornar ao centro.
Precisamos pregar o Evangelho também para nós mesmos
Existe uma tendência de pensar que o Evangelho é mensagem apenas para
quem ainda não se converteu.
Como se entrássemos pela porta através do Evangelho e depois
avançássemos para temas mais profundos. Mas nunca superamos o Evangelho. Crescemos
dentro dele.
O cristão precisa lembrar todos os dias: Eu fui salvo pela graça. Minha
identidade está em Cristo. Meu passado não possui a palavra final. Minha
justiça não vem de minhas obras. Meu pecado precisa ser confessado. Minha
esperança não está neste mundo. Minha vida pertence a Jesus.
O Evangelho não é apenas o ABC da fé cristã. É o alfabeto inteiro.
O mundo muda, mas a necessidade humana continua a mesma
Tecnologias mudaram. Governos mudaram. Costumes mudaram. A comunicação
mudou. Nossas cidades mudaram. Mas o coração humano continua lidando com culpa,
medo, orgulho, egoísmo, morte, busca por significado, necessidade de perdão e
separação de Deus.
Por isso o Evangelho continua atual. Porque responde ao problema mais
profundo do homem. Não importa quantos avanços tecnológicos alcancemos, ninguém
inventará um aplicativo capaz de apagar a culpa diante de Deus.
Nenhum progresso científico derrotará definitivamente a morte. Nenhum
sistema político produzirá novo nascimento. Nenhuma terapia poderá substituir
reconciliação com Deus. Nenhuma prosperidade material poderá preencher o vazio
da eternidade.
O homem moderno continua precisando da mesma coisa que o homem do
primeiro século precisava: Jesus Cristo.
A Igreja não deve perguntar como tornar o Evangelho moderno, mas como
permanecer fiel
Essa talvez seja uma das perguntas mais importantes de nosso tempo. Como
a Igreja pode continuar relevante?
A pergunta é legítima, mas pode tornar-se perigosa quando a relevância
passa a ser maior do que a fidelidade.
Uma Igreja pode tornar-se culturalmente popular e espiritualmente vazia.
Pode atrair multidões e esconder a cruz. Pode produzir experiências
emocionantes e não formar discípulos. Pode dominar ferramentas modernas e
perder a mensagem antiga. Pode falar a língua da geração e já não anunciar
aquilo que ela realmente precisa ouvir.
Nossa missão não é tornar o Evangelho moderno. Nossa missão é anunciar
o Evangelho eterno ao homem contemporâneo. A diferença é enorme.
Não precisamos de um novo Evangelho
Cada geração gosta de acreditar que seus problemas são completamente
inéditos.
Mas o coração humano não mudou tanto quanto imaginamos. Continuamos
buscando autonomia. Continuamos fugindo de Deus. Continuamos tentando
justificar nossos pecados. Continuamos colocando nossa esperança em coisas que
não podem salvar. Continuamos tentando construir identidades longe do Criador.
Por isso não precisamos de uma nova mensagem. Precisamos ouvir novamente
a antiga mensagem com coração quebrantado. Deus é santo. Nós pecamos. Cristo
veio. Cristo morreu. Cristo ressuscitou. Cristo reina. Há perdão. Há
reconciliação. Há nova vida. Há esperança. Há eternidade. E há um chamado: Arrependa-se,
creia e siga Jesus.
O Evangelho continuará sendo anunciado até o fim
Reinos surgirão e cairão. Culturas mudarão. Ideologias passarão. Tecnologias
que hoje parecem revolucionárias se tornarão antigas. Nomes famosos serão
esquecidos. Impérios desaparecerão. Mas o Evangelho permanecerá.
Jesus declarou que as boas novas do Reino seriam anunciadas entre as
nações. Apocalipse apresenta a mensagem atravessando povos, línguas e culturas.
Nada conseguirá impedir aquilo que Deus decidiu realizar.
A história não caminha em direção ao triunfo final de uma ideologia
humana. Caminha para Cristo. E chegará o dia em que aquilo que hoje anunciamos
pela fé será visto por todos.
Por isso a Igreja não precisa ter vergonha. Não precisa diluir a
mensagem. Não precisa pedir desculpas por Cristo. Não precisa adaptar a verdade
para receber aprovação do mundo. Precisa apenas continuar fiel.
O Evangelho eterno precisa continuar sendo nosso Evangelho
Talvez o maior perigo não seja que o Evangelho desapareça da história. Deus
não permitirá isso.
O perigo é que ele desapareça de nossos púlpitos, de nossas igrejas ou
de nossa vida pessoal enquanto continuamos utilizando linguagem cristã.
É possível falar sobre bênçãos sem Evangelho. Falar sobre propósito sem
Evangelho. Falar sobre família sem Evangelho. Falar sobre política sem
Evangelho. Falar sobre prosperidade sem Evangelho. Falar sobre comportamento
sem Evangelho. Até falar sobre a Bíblia sem chegar verdadeiramente ao
Evangelho.
Por isso precisamos sempre retornar à pergunta: Cristo continua sendo
o centro?
E, consequentemente: Sua cruz continua sendo anunciada? O pecado
continua sendo levado a sério? A graça continua sendo proclamada? O
arrependimento continua sendo chamado? A ressurreição continua sendo nossa
esperança? O senhorio de Jesus continua sendo inegociável?
Se a resposta for sim, podemos mudar métodos, ferramentas e estratégias
sem medo. Mas se perdermos isso, poderemos conservar prédios, ministérios,
eventos, títulos e instituições enquanto já perdemos aquilo que realmente nos
tornou Igreja.
O mundo não precisa de uma versão domesticada do cristianismo. Não
precisa de mais uma ideologia religiosa. Não precisa apenas de mensagens
motivacionais acompanhadas de versículos. O mundo precisa ouvir aquilo que
sempre precisou ouvir: Jesus Cristo veio salvar pecadores. Ele morreu, ressuscitou,
reina e voltará.
Essa mensagem foi verdadeira ontem. É verdadeira hoje. E continuará
verdadeira quando todas as nossas discussões contemporâneas tiverem sido
esquecidas.
Porque culturas passam. Ideologias passam. Gerações passam. Mas a
Palavra do Senhor permanece para sempre.
Por isso, diante de um mundo que muda continuamente, a Igreja deve
continuar anunciando sem medo:
O EVANGELHO É ETERNO.
Não precisamos reinventá-lo. Precisamos conhecê-lo, crer nele, vivê-lo,
guardá-lo e anunciá-lo, até que Cristo venha.
Deus te abençoe!
Pr. Sérgio Luis

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Obrigado pelo seu comentário! Palavras de pessoas maduras servem para edificar aqueles que desejam este amadurecimento. Que Deus continue te abençoando!