A GLÓRIA DA IGREJA É CRISTO
“Ora, àquele que é poderoso para fazer
infinitamente mais do que tudo quanto pedimos ou pensamos, conforme o seu poder
que opera em nós, a ele seja a glória, na igreja e em Cristo Jesus, por todas
as gerações, para todo o sempre. Amém!”
Efésios 3:20-21
Nem precisamos de um olhar tão minucioso para enxergarmos que a Igreja dos nossos dias tem à sua disposição recursos que outras gerações jamais imaginaram.
Temos tecnologia, comunicação instantânea,
estruturas sofisticadas, grandes eventos, estratégias de crescimento,
plataformas digitais, equipamentos modernos e uma capacidade extraordinária de
alcançar milhares de pessoas em poucos segundos.
Nada disso é necessariamente errado. O problema começa quando aquilo
que deveria ser apenas ferramenta passa a ocupar o lugar daquilo que é
essencial.
Podemos construir grandes templos, desenvolver excelentes projetos, reunir multidões, produzir conteúdos de altíssima qualidade e possuir uma estrutura admirável. Mas precisamos fazer uma pergunta que não pode ser evitada: Onde está Cristo em tudo isso?
Porque a verdadeira glória da Igreja não está naquilo que ela
consegue construir para Cristo, mas na presença de Cristo nela.
A IGREJA
NÃO EXISTE PARA SUA PRÓPRIA GLÓRIA
Paulo encerra sua oração em Efésios 3 com uma declaração extraordinária: “A ele seja a glória, na igreja e em Cristo Jesus.”
Isso nos revela algo fundamental sobre a identidade da Igreja. Ela não
existe para produzir sua própria glória. Não existe para promover homens,
ministérios, denominações ou instituições. A Igreja existe para que Deus
seja glorificado por meio de Cristo.
Quando a Igreja se torna o centro, alguma coisa está errada. Quando o
pregador se torna o centro, alguma coisa está errada. Quando a denominação, a
estrutura, o método, a experiência ou a personalidade de alguém se tornam
maiores do que Jesus, perdemos de vista a razão pela qual a Igreja existe.
A Igreja não tem luz própria. Cristo é a sua luz.
A Igreja não tem vida própria. Cristo é a sua vida.
A Igreja não possui glória própria. Cristo é a sua glória.
NEM TUDO O
QUE IMPRESSIONA GLORIFICA A CRISTO
Essa verdade deveria nos levar a uma profunda reflexão sobre aquilo que
estamos chamando de sucesso na Igreja contemporânea. Talvez esta observação possa incomodar alguns, mas ela não pode deixar de ser declarada.
Afinal, é possível impressionar pessoas sem glorificar Cristo. É
possível crescer numericamente sem crescer espiritualmente. É possível possuir
movimento sem possuir vida. É possível ter uma agenda cheia e, ainda assim,
estar vazio da presença de Deus. Sim, tudo isso é possível!
O grande perigo surge quando começamos a confundir visibilidade com
glória, popularidade com unção, crescimento com aprovação divina e excelência
humana com presença de Deus.
O Apóstolo Paulo nos conduz em outra direção.
Antes de declarar “a ele seja a glória, na igreja”, ele afirma que Deus
é poderoso para fazer “infinitamente mais do que tudo quanto pedimos ou
pensamos, conforme o seu poder que opera em nós”.
Observe esta expressão: “Seu poder que opera em nós”.
A Igreja não deveria ser conhecida apenas pelo que realiza para Deus,
mas principalmente pelo que Deus realiza nela e através dela. Esta é regra correta.
MAIS
IMPORTANTE DO QUE FAZER É TORNAR-SE
Existe uma enorme diferença entre trabalhar para Deus e permitir que
Deus trabalhe em nós.
Podemos realizar muitas coisas exteriormente e permanecer praticamente
intocados interiormente. Podemos pregar transformação sem sermos transformados.
Podemos falar sobre santidade sem buscá-la. Podemos ensinar sobre oração sem
possuir vida de oração. Podemos anunciar Cristo sem permitir que o caráter de
Cristo seja formado em nós.
Por isso, talvez uma das perguntas mais importantes para a Igreja não seja: “O que estamos realizando?” Mas: “Em quem estamos nos tornando?” Porque o poder mencionado por Paulo não produz apenas atividades. Produz transformação.
Pouco antes, em Efésios 3:17, Paulo ora para que Cristo habite, pela fé,
no coração dos cristãos. Portanto, a glória da Igreja está diretamente
relacionada à centralidade de Cristo nela.
Quanto mais Cristo ocupa espaço, menos espaço existe para o ego. Quanto mais Cristo aparece, menos necessidade temos de aparecer. Quanto mais Cristo cresce entre nós, menos importantes se tornam nossos títulos, posições e reconhecimentos.
João Batista compreendeu isso quando declarou: “Convém que ele cresça e que eu diminua”. João 3:30
Talvez esse seja um dos grandes chamados para a Igreja de nosso tempo: Cristo precisa voltar a crescer aos nossos olhos. Não porque Ele tenha diminuído, mas porque podemos ter permitido que tantas outras coisas ocupassem nossa visão.
UMA IGREJA
NA QUAL JESUS POSSA SER VISTO
Precisamos novamente de uma Igreja apaixonada por Jesus. Uma Igreja que
não apenas cante sobre Ele, mas viva para Ele. Que não apenas pregue seu nome,
mas revele seu caráter. Que não apenas fale da cruz, mas esteja disposta a
carregá-la. Que não apenas admire seus milagres, mas obedeça aos seus
ensinamentos.
O maior sinal de uma Igreja gloriosa não é uma multidão olhando para
ela; é uma multidão conseguindo enxergar Cristo através dela.
Quando alguém entra em contato conosco, deveria encontrar alguma coisa
de Jesus. Em nossa maneira de amar, perdoar, servir, acolher, corrigir, cuidar
e tratar pessoas, Cristo deveria tornar-se perceptível.
Foi exatamente isso que Jesus declarou: “Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos: se tiverdes amor uns aos outros”. João 13:35
Jesus não disse que o mundo reconheceria seus discípulos pela grandeza de suas construções, pela quantidade de seus seguidores ou pela sofisticação de seus métodos. Ele apontou para algo muito mais profundo: O caráter de Cristo reproduzido nos relacionamentos de seus discípulos.
É aí que a Igreja manifesta sua verdadeira beleza. Por isso, precisamos tomar cuidado para não transformar a Igreja em uma vitrine de realizações humanas quando ela foi chamada para ser uma manifestação da vida de Cristo na terra.
OS MÉTODOS
MUDAM, CRISTO PERMANECE
Paulo diz: “A ele seja a glória, na igreja e em Cristo Jesus, por todas as gerações.”
Existe algo extraordinário nessa expressão: “Por todas as gerações”. Cada geração recebe a responsabilidade de preservar a centralidade de Cristo.
Métodos mudam. Linguagens mudam. Tecnologias mudam. Culturas mudam. Formas de comunicação mudam. Cristo não muda.
A Igreja do primeiro século precisava de Cristo. A Igreja das gerações
passadas precisava de Cristo. E a Igreja de hoje continua precisando
desesperadamente de Cristo.
Podemos atualizar nossos métodos sem alterar nossa mensagem. Podemos utilizar tecnologia sem substituir dependência espiritual. Podemos buscar excelência sem transformar excelência em idolatria. Podemos crescer sem permitir que os números definam nossa identidade.
Tudo pode mudar ao redor da Igreja, desde que Cristo permaneça no centro dela.
CRISTO É A
GLÓRIA DA MINHA VIDA?
Essa reflexão não deve ser dirigida apenas às instituições, denominações
ou líderes.
A Igreja somos nós. Portanto, a pergunta precisa se tornar pessoal: Cristo é realmente a glória da minha vida?
Quando as pessoas olham para mim, encontram apenas minhas opiniões, meus projetos, minhas conquistas e minha personalidade, ou conseguem perceber algo de Jesus? Quando sirvo, quero que Cristo seja visto ou desejo reconhecimento? Quando prego, ensino, canto, lidero ou exerço qualquer ministério, estou construindo o Reino de Deus ou, silenciosamente, construindo meu próprio nome?
Essas são perguntas desconfortáveis, mas necessárias. Porque quando Cristo deixa de ser o centro, até aquilo que fazemos em nome de Cristo pode se transformar em instrumento de exaltação pessoal.
Precisamos vigiar nosso coração. É possível começar querendo glorificar a Deus e, no caminho, começar a desejar os aplausos dos homens. É possível começar querendo que Jesus seja conhecido e, sem perceber, passar a desejar que nosso nome seja conhecido.
Por isso, precisamos voltar continuamente à cruz e perguntar: Quem está recebendo a glória?
QUE ELE
CRESÇA E NÓS DIMINUAMOS
A Igreja não precisa ser famosa. Cristo precisa ser conhecido. A Igreja não precisa receber aplausos. Cristo precisa receber glória.
Não precisamos construir monumentos para nossos nomes. Precisamos deixar
marcas de Jesus nas pessoas que Deus colocou em nosso caminho.
No final, não importará quão conhecida tenha sido uma igreja, um
ministério ou um pregador. Importará se Cristo foi anunciado, se pessoas foram
transformadas, se discípulos foram formados e se Deus foi glorificado.
Que o Senhor nos ensine novamente a sermos Igreja.
Que nossas estruturas sirvam à vida e nunca a substituam. Que nossos
púlpitos apontem para Jesus. Que nossos ministérios revelem Jesus. Que nossas
famílias expressem Jesus. Que nossas palavras anunciem Jesus. Que nossas
atitudes tenham o caráter de Jesus.
E que, quando as pessoas olharem para nós, não terminem
impressionadas conosco, mas desejosas de conhecer o Cristo que encontraram em
nós.
Porque esta é, afinal, a nossa razão de existir: “A ele seja a glória, na igreja e em Cristo Jesus, por todas as gerações, para todo o sempre. Amém!” Efésios 3:21
A Igreja pertence a Cristo, vive por Cristo e existe para Cristo.
E, independentemente das épocas, métodos, estruturas ou gerações, uma
verdade jamais poderá mudar:
A GLÓRIA DA IGREJA É CRISTO!
Pr. Sérgio Luis

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