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quarta-feira, 8 de abril de 2020

O SENHOR É O NOSSO AUXÍLIO - “Presta-nos auxílio na angústia, pois vão é o socorro do homem. Em Deus faremos proezas, porque ele mesmo calca aos pés os nossos adversários.” — Salmo 108:12-13



O SENHOR É O NOSSO AUXÍLIO

 

Quando nossas forças terminam e o socorro humano revela seus limites, descobrimos que existe um Deus que continua presente, ouvindo nosso clamor, conduzindo nossos passos e sustentando nossa vida.

 

“Presta-nos auxílio na angústia, pois vão é o socorro do homem. Em Deus faremos proezas, porque ele mesmo calca aos pés os nossos adversários.” —                             Salmo 108:12-13

 

Existem momentos em que a vida nos coloca diante de situações que ultrapassam completamente nossa capacidade. Tentamos organizar as coisas, encontrar soluções, conversar com pessoas, buscar conselhos e usar todos os recursos que estão ao nosso alcance, mas chega uma hora em que percebemos que determinadas batalhas são maiores do que nossas próprias forças.

É nesse lugar que uma verdade precisa deixar de ser apenas uma frase conhecida e se transformar em convicção: o Senhor é o nosso auxílio.

Isso não significa que Deus não possa usar pessoas para nos ajudar. Ao longo de nossa caminhada, ele frequentemente utiliza familiares, amigos, irmãos na fé, profissionais e até pessoas que não conhecíamos para nos socorrer em determinadas situações. O problema começa quando transferimos para o braço humano a confiança que pertence exclusivamente a Deus.

Pessoas possuem limites, recursos acabam, circunstâncias mudam, promessas humanas podem não ser cumpridas, mas o Senhor permanece o mesmo.

O salmista reconheceu essa realidade quando orou: “Presta-nos auxílio na angústia, pois vão é o socorro do homem.”

Não era desprezo pelas pessoas, mas reconhecimento de que existe um nível de socorro que homem algum consegue oferecer. Há momentos em que nenhuma palavra humana consegue alcançar a profundidade da nossa dor, nenhuma influência consegue abrir determinada porta e nenhum recurso disponível parece suficiente para transformar a situação.

É justamente ali que Deus nos chama novamente para ele.

 

Quando A Angústia Se Transforma Em Clamor

O Salmo 107 apresenta uma das imagens mais bonitas dessa dependência. Ao longo de todo o salmo, encontramos pessoas atravessando diferentes tipos de adversidades. Algumas estavam perdidas, outras aprisionadas, algumas adoeceram e outras enfrentavam uma tempestade tão intensa que suas forças desapareceram. As circunstâncias eram diferentes, mas uma expressão se repete: “Na sua angústia, clamaram ao Senhor.” (V. 6,13,19,28)

Esse é um dos movimentos mais importantes da fé. A angústia pode nos levar para muitos lugares. Pode nos levar ao desespero, à murmuração, ao isolamento, à precipitação ou à tentativa de resolver tudo por nossas próprias forças. Mas também pode nos levar para a presença de Deus.

Clamar é reconhecer que precisamos de ajuda. É abandonar a ilusão de autossuficiência e dizer: “Senhor, eu não consigo sozinho.”

Existem momentos em que essa talvez seja a oração mais sincera que conseguimos fazer. Não precisamos construir frases elaboradas nem demonstrar força diante daquele que conhece completamente nosso coração. Podemos simplesmente nos apresentar ao Pai e dizer que estamos cansados, confusos, feridos ou sem saber qual direção tomar.

Talvez você esteja exatamente nesse lugar. Pode existir uma situação em sua família que parece não encontrar solução, uma luta emocional que ninguém consegue enxergar, uma necessidade financeira, uma decisão importante ou uma batalha espiritual que tem drenado suas forças. Talvez você já tenha tentado muitas coisas e esteja chegando ao ponto de dizer: “Não sei mais o que fazer.”

Talvez seja exatamente aí que seu clamor precise começar.

Deus não se assusta quando dizemos: “Senhor, está difícil.” Ele não rejeita aquele que abre o coração e reconhece sua necessidade. Na verdade, as Escrituras estão cheias de homens e mulheres que transformaram sua dor em oração. O grande problema não está em reconhecer que estamos fracos; está em permitir que nossa fraqueza nos leve para longe daquele que pode nos fortalecer.

O Salmo 107 mostra que, quando o povo clamou, Deus respondeu. A resposta nem sempre apareceu da mesma maneira, porque as necessidades eram diferentes. E isso nos ensina que o auxílio de Deus não é uma fórmula repetitiva. Ele conhece precisamente aquilo de que precisamos.

 

Deus Conhece O Caminho Quando Não Sabemos Para Onde Ir

Em uma das cenas do Salmo 107, o povo estava perdido e precisava encontrar o caminho. O texto declara que, depois de clamarem, Deus “os conduziu pelo caminho direito, para que fossem à cidade em que habitassem”.  (Salmos 107:7)

Existem épocas em que o maior auxílio de que precisamos não é dinheiro, cura ou uma mudança imediata nas circunstâncias. O que precisamos é direção.

Talvez algumas das decisões mais importantes de nossa vida precisem ser tomadas justamente quando estamos emocionalmente pressionados. E essa combinação pode ser perigosa. Quando a angústia aumenta, cresce também a vontade de tomar qualquer decisão que alivie rapidamente o desconforto. Podemos confundir alívio imediato com direção de Deus.

É por isso que precisamos aprender a clamar antes de decidir: “Senhor, qual é o caminho?” “Pai, o que devo fazer?” “Não permita que a pressão determine minhas escolhas.” “Mostra-me a direção certa.”

Quando colocamos nossa confiança em Deus, reconhecemos que ele consegue enxergar aquilo que nossos olhos ainda não alcançam.

Nós vemos um pequeno trecho da estrada; ele conhece todo o percurso. Nós enxergamos o momento; ele conhece o desfecho. Nós avaliamos pelas circunstâncias atuais; Deus conhece aquilo que determinada escolha produzirá daqui a alguns anos.

“Às vezes, o maior milagre que Deus fará em nossa vida será impedir que caminhemos numa direção errada.”

Por isso, antes de pedir simplesmente que determinada porta se abra, talvez precisemos perguntar se aquela é realmente a porta que Deus deseja abrir. Antes de pedir que ele acelere determinado processo, talvez seja necessário perguntar se estamos preparados para aquilo que virá depois.

O Senhor é nosso auxílio também quando nos direciona.

 

O Deus Que Conduz Também Quebra Cadeias E Cura Feridas

Em outro momento do Salmo 107, encontramos pessoas presas em trevas e cadeias. Novamente o texto declara que, na angústia, elas clamaram ao Senhor, e ele as livrou. Em seguida, o salmista afirma que Deus “tirou-os das trevas e das sombras da morte e lhes despedaçou as cadeias.” (Salmos 107:14)

Existem prisões que nenhuma porta de ferro consegue representar. Há pessoas livres fisicamente, mas aprisionadas interiormente. Carregam culpas, traumas, ressentimentos, medos e pensamentos que se tornaram verdadeiras cadeias.

Algumas prisões são tão antigas que começamos a acreditar que fazem parte da nossa identidade. Dizemos: “Eu sou assim”, quando talvez o correto fosse dizer: “Estou vivendo assim há tanto tempo que já não consigo imaginar uma vida diferente.”

Mas Deus continua quebrando cadeias.

Há coisas que podem exigir acompanhamento, aconselhamento, tratamento e processos de restauração, e Deus pode usar cada um desses recursos. Ainda assim, nossa esperança permanece naquele que conhece o interior humano como ninguém.

O Salmo 107 apresenta outra resposta poderosa no versículo 20: “Enviou-lhes a sua palavra, e os sarou.”

Deus envia sua Palavra.

Existem feridas que começam a ser curadas quando permitimos que aquilo que Deus diz reorganize nossa interpretação da vida. Muitas vezes nossa dor não está apenas naquilo que aconteceu, mas na conclusão que construímos a partir do que aconteceu. Uma rejeição se transforma em “ninguém me ama”. Uma perda se transforma em “Deus me abandonou”. Um fracasso se transforma em “nunca vou conseguir”. Uma decepção se transforma em “não posso confiar em ninguém”.

Então a Palavra chega e confronta essas interpretações. Ela nos lembra de quem Deus é. Lembra-nos de quem somos nele. Revela que aquilo que aconteceu não possui autoridade para escrever sozinho o restante da nossa história.

A Palavra de Deus não é simplesmente informação religiosa. Quando recebida pela fé, ela corrige, consola, confronta, direciona e restaura.

Talvez você precise permitir que Deus envie novamente sua Palavra para lugares em sua alma que ficaram feridos.

 

O Mesmo Deus Ainda Acalma Tempestades

Uma das cenas mais conhecidas do Salmo 107 se encontra nos versículos 29 e 30 que é a de homens enfrentando uma grande tempestade.

As ondas eram tão fortes que eles chegaram ao limite de suas forças. Então clamaram ao Senhor, e o salmista diz que Deus fez cessar a tormenta, acalmou as ondas e os conduziu ao porto desejado.

Existe algo profundamente consolador nessa imagem. Todos nós desejamos algum tipo de porto seguro. Desejamos chegar a um lugar de paz depois de determinados períodos de turbulência. O problema é que, enquanto estamos no meio da tempestade, temos dificuldade de acreditar que a bonança realmente chegará.

A tempestade ocupa todo o campo de visão. É assim também na vida. Quando uma dificuldade se prolonga, começamos a acreditar que ela será permanente. Se estamos enfrentando uma crise financeira, parece que nunca mais haverá provisão. Se existe uma batalha familiar, pensamos que a paz jamais será restaurada. Se estamos atravessando um período emocionalmente difícil, parece impossível imaginar que voltaremos a sorrir com sinceridade.

Mas tempestades possuem limites. E, acima delas, existe um Deus que permanece soberano.

Isso não significa que toda tempestade desaparecerá imediatamente depois de uma oração. O próprio Salmo 107 mostra pessoas atravessando processos reais de sofrimento antes de experimentarem livramento.

“A fé não nega a tempestade; ela apenas se recusa a reconhecer a tempestade como autoridade final.”

Existe uma diferença profunda entre dizer “não há tempestade” e declarar “a tempestade não é maior do que o meu Deus”.

Talvez hoje você ainda esteja vendo as ondas. Continue clamando.

Talvez o vento ainda não tenha parado.  Continue confiando.

Talvez ainda não consiga enxergar o porto. Continue caminhando.

O Deus que conhece o porto também conhece o caminho para conduzir você até lá.

 

Quem Recebe O Auxílio Precisa Aprender A Agradecer

Existe uma expressão que aparece repetidamente no Salmo 107 depois de cada intervenção divina: “Rendam graças ao Senhor por sua bondade e por suas maravilhas para com os filhos dos homens.” (V. 1,8,15,21,31)

O ciclo é simples e poderoso: angústia, clamor, resposta e gratidão.

Mas muitas vezes quebramos esse ciclo na última etapa. Clamamos quando estamos desesperados, buscamos quando precisamos, choramos quando a situação aperta e prometemos que nunca esqueceremos aquilo que Deus fizer. Então a resposta chega, a vida começa a se reorganizar e rapidamente voltamos à rotina.

Precisamos recuperar a memória da gratidão. Não deveríamos lembrar de Deus apenas na tempestade. Precisamos continuar reconhecendo sua bondade depois que as ondas se acalmam.

Gratidão não é apenas dizer “obrigado”. É desenvolver consciência de que não chegamos até aqui sozinhos.

Talvez você tenha hoje respostas pelas quais orou anos atrás. Talvez esteja vivendo algo que um dia parecia impossível. Talvez existam livramentos que só perceberá plenamente quando olhar para trás. Pare por alguns minutos e se pergunte: quais respostas de Deus minha rotina me fez esquecer?

Então, lembre-se, agradeça e adore. Porque a gratidão protege nosso coração da arrogância de acreditar que conquistamos tudo apenas com nossa própria capacidade.

 

Não Transfira Para O Homem A Confiança Que Pertence A Deus

Jeremias 17 apresenta um contraste muito sério. O profeta fala sobre aquele que faz da carne seu braço e afasta o coração do Senhor, e logo depois declara:

“Bendito o homem que confia no Senhor e cuja esperança é o Senhor.”        Jeremias 17:7

O problema não é receber ajuda humana. O problema é acreditar que o homem é nossa fonte.

Deus pode usar médicos, amigos, líderes, profissionais, familiares e inúmeras pessoas, mas todas elas são instrumentos. A fonte continua sendo Deus. Quando compreendemos isso, podemos receber ajuda sem transformar pessoas em ídolos.

Não depositamos sobre alguém a expectativa impossível de ser aquilo que somente Deus pode ser.

Pessoas podem caminhar ao nosso lado, mas não conseguem ocupar o lugar do Senhor. Talvez uma das razões de tantas frustrações relacionais esteja justamente aí. Esperamos de pessoas aquilo que elas nunca foram capazes de oferecer. Queremos que alguém supra completamente nossa segurança, identidade, direção e esperança.

Esse peso é grande demais para qualquer ser humano carregar. Somente Deus pode ocupar esse lugar.

 

Quando Você Não Souber A Quem Recorrer, Olhe Para O Senhor

Talvez você esteja lendo estas palavras em um daqueles momentos em que parece não haver ninguém capaz de resolver aquilo que está acontecendo.

Não quero diminuir sua luta com uma resposta superficial. Existem situações realmente dolorosas. Há processos difíceis que exigem tempo, decisões, perseverança e, muitas vezes, ajuda especializada.

Mas existe uma verdade que permanece acima de tudo isso: Você ainda tem a quem recorrer.

Quando não souber qual caminho seguir, o Senhor é seu auxílio.

Quando se sentir preso, o Senhor é seu auxílio.

Quando sua alma estiver ferida, o Senhor é seu auxílio.

Quando a tempestade parecer forte demais, o Senhor é seu auxílio.

Quando o braço humano revelar seus limites, o Senhor continua presente.

O último versículo do Salmo 107 nos chama a observar e considerar atentamente a bondade do Senhor. Em outras palavras, Deus nos convida a construir nossa confiança não apenas sobre aquilo que esperamos que ele faça, mas também sobre aquilo que já vimos de sua fidelidade.

Olhe para trás. Quantas vezes você pensou que não conseguiria e conseguiu? Quantas portas se abriram quando não havia possibilidade aparente? Quantos livramentos você só percebeu depois? Quantas vezes uma palavra chegou exatamente quando você precisava?

A fidelidade passada de Deus precisa alimentar nossa confiança presente.

E é por isso que o Salmo 108:13 encerra essa verdade de maneira tão poderosa:

“Em Deus faremos proezas, porque ele mesmo calca aos pés os nossos adversários.”

Não faremos proezas porque somos suficientemente fortes. Faremos em Deus.

Nossa confiança não está no tamanho da nossa força, mas na grandeza daquele que nos sustenta.

Portanto, se hoje você está vivendo um momento de angústia, transforme a angústia em clamor. Não faça dela sua morada. Não permita que ela seja a voz dominante dentro de você. Clame.

Se você está sem direção, peça que Deus mostre o caminho. Se existem cadeias, apresente-as diante daquele que pode quebrá-las. Se há feridas, permita que sua Palavra alcance seu interior. Se existe uma tempestade, continue acreditando que há um porto. E quando Deus responder, lembre-se de agradecer.

A vida continuará apresentando desafios, mas existe uma certeza que pode atravessar todos eles conosco: O Senhor é o nosso auxílio.

Quando nossas forças terminam, ele continua forte. Quando nossa visão se limita, ele continua vendo o caminho. Quando pessoas não conseguem nos ajudar, ele continua presente. Quando não sabemos como a história terminará, ele já conhece o desfecho.

Por isso, não coloque sua esperança definitiva no braço humano. Receba ajuda das pessoas que Deus enviar, valorize-as, honre-as e caminhe com elas, mas mantenha o coração firmado naquele que nunca muda.

“Nosso socorro vem do Senhor. Nossa esperança está no Senhor. Nosso auxílio é o Senhor.”

 

Deus te abençoe!

Pastor Sérgio Luis

Assista a mensagem completa em : https://youtu.be/hZTQfSvl-i0


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